Arquivo

Archive for the ‘Leituras’ Category

“Silêncio” – filme de Martin Scorsese

silence-poster

O filme “Silêncio” do realizador Martin Scorsese encontra-se nos nossos cinemas desde o dia 19 deste mês e tem sido propício para diversas discussões, uma vez que representa muito bem um grande marco da nossa história do séc. XVII: a perseguição aos Cristãos do Japão. Como bem sabemos, esta foi uma época bastante conturbada para o Cristianismo, repleta de perseguições, torturas e mortes.

Sebastião Rodrigues e Francisco Garupe são dois sacerdotes jesuítas que partem para o Japão à procura do seu mestre Cristóvão Ferreira, tendo perfeita consciência dos grandes riscos que corriam. Já no Japão estes sacerdotes procuram, antes de mais, auxiliar os cristãos naquilo de que mais necessitavam, levando-lhes os sacramentos do Batismo, da Eucaristia e da Reconciliação. Por um lado, os cristãos sentiam-se reconfortados pela presença destes dois sacerdotes nas suas comunidades, pois iam percebendo que Deus não os abandonara, que o “Silêncio” de Deus, agora tornara-se presença. Mas, por outro lado, o medo se serem presos estava sempre presente nas suas vidas. Ler mais…

Novo livro de D. António Couto: A misericórdia – lugar e modo

img283

No âmbito do Ano Jubilar em curso, D. António Couto escreveu um livrinho, a que deu o título “A Misericórdia – lugar e modo”. Ao longo das 80 páginas somos conduzidos pelas páginas bíblicas, entendendo o vocabulário utilizado e acolhendo a revelação de um Deus amor.

Mais uma leitura para ajudar a viver o Ano da Misericórdia.

 

Título: A misericórdia. Lugar e modo

Autor: D. António Couto, bispo de Lamego

Edição: Letras e Coisas – Livros, Arte e Design, Soc. Unipessoal, Lda

Páginas: 83 p.

Preço: 2 euros (à venda no Paço Episcopal)

in Voz de Lamego, ano 86/23, n.º 4362, 10 de maio de 2016

Apresentação do livro do Pe. João Teixeira: SEMPRE EM MUnDANÇAS

DSCN0031

Oitenta quadros com títulos claros e títulos incisivos

Sempre em Mundanças

A igreja do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios encheu-se para a apresentação do mais recente livro do padre João António Pinheiro Teixeira, intitulado “Sempre em Mundança – inquietações e esperanças de um tempo novo”, editado pela Alêtheia Editores.

Entre os presentes, D. António Couto tomou a palavra para sublinhar a pertinência das reflexões agora publicadas, o Dr. Manuel Teixeira, Comissário da Irmandade de Nossa Senhora dos Remédios, foi responsável por uma breve e emotiva apresentação do autor.

No início, foi a Dr.ª Zita Seabra, responsável por aquela Editora, que tomou a palavra para agradecer a presença de todos e para, em nome da sua empresa, agradecer ao autor o ter-lhe enviado o texto para uma possível publicação. E aproveitou para solicitar ao bispo de Lamego a publicação de um livro na sua editora.

D. António Couto, apresentando o livro, começou por dizer que se apresenta como um conjunto de “oitenta quadros com tons claros e títulos incisivos”. Depois, de forma breve e apoiada na observação da história e da sociedade actual, falou da vida humana e da sua liquidificação que vão causando uma perda de profundidade e exigem uma mudança. Para isso, será preciso, entre outras coisas, encontrar os outros de uma forma séria, muito para além do simples clique. E sobre este assunto, referiu ainda a “enorme depressão que arrasa o ocidente”, diante da qual é preciso mais que um restauro e não ter receio de uma verdadeira reconfiguração. Porque estamos diante de uma “sociedade pobre em humanidade, apesar de rica, pesada, técnica, metálica”, à imagem da estátua que Nabucodunosor via em sonhos: os pés de barro não sustentaram tamanho ouro, riqueza e coração metálico.

Depois foi a vez do autor tomar a palavra, fazendo eco da mensagem que o livro apresenta. Todos são convidados a olhar o mundo, apesar do mistério que o envolve, da incapacidade para o entender e das múltiplas explicações que não cessam de aparecer. Diante das mudanças observadas, que causam fascínio e temor, há um convite que é dirigido a cada um, no sentido de mudar por dentro, deixando a superficialidade. Para o conseguir, o autor aconselha o homem de hoje a tomar “vitamina E”, ou seja, “vitamina espiritual”.

No fim da apresentação foi ainda anunciado para o próximo verão, o aparecimento de um novo livro, do mesmo autor, sobre a história do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios.

JD, in Voz de Lamego, ano 86/20, n.º 4357, 5 de abril de 2016

Santos para o Jubileu da Misericórdia

1109_0_20150930120254_img_b

Todos os dias são uma oportunidade para os crentes se deixarem “surpreender por Deus”. Os santos, que a Igreja mostra como modelos de virtudes e exemplos a seguir, deixaram-se surpreender por Deus e nunca cessaram de O mostrar nas palavras e nos gestos que protagonizaram. A santidade cristã não é um acaso e nasce do olhar que não se distrai, como “dom de poder abraçar Deus e o homem ao mesmo tempo”.

Numa Igreja presente em todo o mundo, quantos pais e mães, filhos e avós, funcionários e empregadores, desportistas, catequistas, jovens e adultos, vizinhos ou gente de longe… não poderiam ser apresentados como exemplos a seguir?

Sta. Faustina Kowalska (1905-1938) e a alegria de anunciar a misericórdia. A primeira canonização do séc. XXI (30/04/2000), autora de um “Diário” com relatos de mensagens que Jesus lhe inspirou. A esta religiosa polaca se deve muita da devoção à misericórdia divina que João Paulo II se empenhou em instituir (Domingo da Divina Misericórdia).

Sta. Teresa de Lisieux ou Teresinha do Menino Jesus (1879-1897) e o reconhecimento ao Deus justo e misericordioso. A adolescente que cedo decide entregar-se a Deus, a Padroeira das Missões, a Doutora da Igreja… No livro “História de uma alma”, fruto dos três manuscritos deixados, escreveu: “O que agrada a Deus é ver-me amar a minha pequenez e a minha pobreza, por causa da cega esperança que tenho na sua misericórdia”.

St. Cura d’Ars, de seu nome João Maria Vianney (1786-1859), o humilde e empenhado ministro (servidor) da misericórdia e exemplo para os que, também hoje, são chamados a absolver em nome da Igreja e a perdoar em nome de Deus. “Um bom pastor, um pastor segundo o coração de Deus, é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma paróquia e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina”.

São Vicente de Paulo (1581-1660) e a misericórdia para os últimos levou a que ficasse conhecido como “o santo das caridades”. A caridade não substitui a justiça e a ajuda que se presta não dispensa a alteração de opções que possibilitem uma vida digna para todos.

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997) a canonizar este ano. Quem não recorda a sua figura franzina e as suas palavras interpeladoras? Dizia às religiosas: “A diferença entre nós e os técnicos sociais consiste nisto: eles agem por causa de alguma coisa; nós, pelo contrário, agimos por causa de Alguém. Nós servimos Jesus nos pobres”.

São João de Deus (1495-1550), um português que nos ensina a reconhecer Cristo no rosto sofredor de tantos, a começar nos “doentes mentais”, e que é considerado o “criador do hospital moderno”.

São João Bosco (1815-1888) e a misericórdia para com os pequeninos. Visto como um “génio da educação”, destacou-se pela forma como acolheu e ajudou milhares de jovens que recebeu nos seus Oratórios.

São Martinho de Porres (1579-1639) e a misericórdia para os marginalizados. Filho ilegítimo de um nobre e de uma escrava, nasceu no Peru e ficou conhecido como “Martinho da caridade”. No convento dominicano onde fora acolhido e no serviço de enfermagem que prestava, as suas curas eram inumeráveis, mas dizia aos doentes: “Eu trato-te; Deus cura-te”.

Aqui ficam estas referências e, sobretudo, o apelo para posteriores pesquisas e leituras. Porque não ler um livro, consultar a internet, eleger alguns como tema de reunião e formação, partilhar ensinamentos, reter e publicitar vivências e afirmações?…

J.D., in Voz de Lamego, ano 86/11, n.º 4348, 2 de fevereiro de 2016

Cursilhos: «Ideias Fundamentais»: de Portugal para o mundo

Cursilhos_ideias_fundamentais_0112

Foi apresentado, no dia 8 de outubro, o livro Ideias Fundamentais, que reúne os princípios e valores que estão na origem do Movimento dos Cursilhos de Cristandade. Cerca de 800 pessoas encheram o auditório da Casa Diocesana, Seminário do Vilar, Porto, e conheceram em primeira mão o livro agora apresentado.

D. Francisco Senra Coelho, assistente espiritual do Comité Executivo do Organismo Mundial dos Cursilhos de Cristandade disse que esta nova edição vem trazer uma «linguagem nova, simples e renovada, uma tentativa honesta de chegar ao fundo, às origens, para se focar no essencial, que é Cristo». Recordou D. Senra Coelho que «esta redação recoloca-nos no caminho dos princípios fundadores dos Cursilhos, pois o Carisma fundacional é mais atual que as renovações que foram feitas ao longo destes 70 anos.»

Francisco Salvador, presidente do Comité Executivo do Organismo Mundial dos Cursilhos de Cristandade, reforçou a «franca e nobre tentativa» de «reaproximar às ideias fundacionais, onde o espírito se fez presente entre nós, em particular na pessoa de Eduardo Bonnín». «O importante é que as ideias estão cá, na verdade sempre estiveram presentes nos cursilhos. O importante é saber acolhê-las, meditá-las e aplicá-las na vida dos Cursilhos.»

O livro está traduzido em espanhol, inglês e português, estando em vias de conclusão as edições em italiano, alemão, húngaro e coreano, e existe da parte da PAULUS Editora disponibilidade para edições em mais línguas.

in Voz de Lamego, ano 85/46, n.º 4333, 13 de outubro

ECOLOGIA INTEGRAL | Editorial Voz de Lamego | 23 de junho de 2015

ecologia_integral

No dia 18 de junho, foi publicada a segunda Encíclica do Papa Francisco, Laudato Si’, sobre o cuidado da casa comum, isto é, numa dinâmica de promoção do ambiente natural e humano. A primeira Encíclica deste Papa, Lumen Fidei, publicada a 29 de junho de 2013, foi escrita a 4 mãos. Sabia-se que o Papa Bento XVI tinha uma esboço bastante avançado da Encíclica sobre a Fé, depois de ter escrito sobre a Caridade e sobre a Esperança, como virtudes teologais. O Papa Francisco assumiu a herança do antecessor, acrescentou algumas notas mais pessoais, e ofereceu essa belíssima Encíclica à Igreja e ao mundo. Há já alguns meses que se vinha a anunciar que a próxima Encíclica papal teria como fio condutor a ecologia. Poder-se-ia quase dizer que esta é a primeira Encíclica de Francisco, pelo deve suscitar um estudo aprofundado.

No Editorial desta semana, o Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, faz a ressonância da temática desta carta Encíclica, que evoca o patrono do Papa, São Francisco de Assis, nessa comunhão com a natureza e com os pobres.

ECOLOGIA INTEGRAL

A encíclica do Papa retoma a invocação de S. Francisco de Assis, “Louvado sejas meu Senhor”, do Cântico das Criaturas que nos recorda que a terra, nossa casa comum, é como “uma irmã, com quem partilhamos a existência” e como uma boa mãe “que nos acolhe nos seus braços”. Revisitando a teologia da criação a partir do princípio do dom, o Papa desconstrói a tese segundo a qual o homem deveria “dominar a terra”, instrumentalizando-a.

Num texto denso, dividido em 246 parágrafos e distribuídos por seis capítulos, o Papa expressa o seu pensamento sobre um planeta que sofre e a responsabilidade do homem. Eis o convite para uma conversão ecológica, tão necessária para manter vida a esperança e louvar o Criador.

Entre o muito que ali se pode ler, destaque para o conceito de “ecologia integral” (n.º 137), que permite ao Papa ultrapassar a distinção entre uma ecologia que protege o ser humano e uma ecologia que não se interessa senão com a natureza. A preocupação pela natureza, a justiça para os pobres, o compromisso social e a paz são inseparáveis. Há quem defenda a água e os animais e se esqueça dos vizinhos; há quem defenda o bem-estar do vizinho e se esqueça de que os recursos são limitados. De resto, este conceito integra-se num outro já defendido pela Igreja, o de “desenvolvimento integral”, de todo o homem e de todos os homens.

A nossa época é marcada por um desmesurado antropocentrismo, propício a uma cultura do descartável, que justifica todo o tipo de despejo, seja ambiental ou humano, que trata o outro como simples objecto e conduz a formas de dominação, económicas e sociais. Protagonizar uma ecologia integral é ter uma preocupação inclusiva e empenhar-se num novo paradigma de justiça.

in Voz de Lamego, n.º 4319, ano 85/32, de 23 de junho de 2015

PALAVRAS QUE SÃO MARCOS – Novo Livro de D. António Couto

introdução

  1. Há livros que marcam. Há livros que são marcos.

Este livro sobre São Marcos está destinado a ser marcante.

  1. Nele, o Autor oferece não apenas uma hermenêutica científica, mas também uma luminosa hermenêutica existencial.

Num registo a que há muito nos habituou, D. António Couto surge de novo como um generoso fornecedor de significações e um atento perscrutador do eco do Sentido.

 

  1. O aprumo da técnica interpretativa não dispensa sequer alguma imagética e faz ressoar até uma certa poética.

No conjunto, tudo entronca fecundamente na missão de teólogo e no serviço de pastor.

 

  1. Nas árduas estradas do tempo, o povo de Deus tem fome, o povo de Deus está faminto.

O povo de Deus precisa de quem lhe dê pão (também) em forma de palavra.

 

  1. Esta obra documenta que a Palavra que ensina também alimenta.

Grande mérito de D. António Couto é o de não se limitar a falar da Palavra; ele faz falar a Palavra.

 

  1. Com ele, os textos adquirem vida e ganham voz.

Daí, por exemplo, a insistência no dizer Jesus, nos dizeres de Jesus e nos dizeres sobre Jesus.

 

  1. São dizeres maiúsculos — e em maiúscula aparecem muitas vezes — que não podem ser correspondidos por uma vivência minúscula.

Basta reparar no nome «Evangelho». Na sua origem, não evoca a imagem de um livro, mas, muito mais, «a imagem do mensageiro que corre para transmitir uma notícia».

 

  1. O Evangelho está escrito em livro para ser, permanentemente, inscrito na Vida.

Esta, a Vida, tem de procurar ser tão maiúscula como o Evangelho que lhe é proposto.

 

  1. É nos caminhos da Vida que Jesus nos interpela como outrora interpelou os discípulos no caminho de Cesareia (cf. Mc 8, 27).

O caminho é o lugar do encontro, do convite e do seguimento.

 

  1. Eis, em síntese, um belo guião para entrar, com saudável afã, no «Evangelho de Jesus Cristo», oferecido por São Marcos (cf. Mc 1, 1). Mais um excelente trabalho, a juntar a tantos outros e a prenunciar seguramente outros tantos.

Quem sabe se, um dia como corolário, o Autor não nos surpreenderá com uma espécie de «Summa Biblica»?

 

Pe. João António, in VOZ DE LAMEGO, n.º 4301, ano 85/14, de 17 de fevereiro de 2015