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Archive for the ‘Idosos’ Category

Editorial Voz de Lamego: a centralidade da compaixão

No próximo dia 11 de fevereiro celebramos o Dia Mundial do Doente, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lurdes. A medicina está muito evoluída, mas isso não significa que haja menos doentes ou que os doentes sofram menos. Os passos dados em Medicina permitem aliviar o sofrimento (sobretudo) físico, sabendo que o ser humano é muito mais que biologia. Hoje há outras ciências humanas que contribuem para o conforto e alívio do sofrimento. Em muitos hospitais há equipas multidisciplinares, com médicos, enfermeiros, psicólogos, sacerdotes, voluntários.

Como cristãos, a nossa referência é Jesus Cristo, sempre. D’Ele partimos, n’Ele vivemos, para Ele caminhamos. Se olharmos para Jesus, ao longo da Sua vida, vemos como Ele Se aproxima, antes de mais, dos pecadores, dos pobres, dos doentes, dos excluídos. N’Ele transparece ternura, compaixão. É uma postura dócil e delicada. Não passa ao lado, não Se afasta quando O chamam ou quando vê alguém a precisar de ajuda.

Num dos seus primeiros discursos, na Jornada Mundial da Juventude, no Panamá, ao dirigir-se aos Bispos, o Papa Francisco sanciona, mais uma vez, a centralidade da compaixão, dos Bispos em relação aos sacerdotes das suas dioceses, mas percebe-se bem que as palavras dirigem-se também para mim e para ti, para toda a Igreja: “O resultado do trabalho pastoral, da evangelização na Igreja e da missão não se baseiam na riqueza dos meios e recursos materiais, nem na quantidade de eventos ou atividades que realizamos, mas na centralidade da compaixão: um dos grandes distintivos que podemos, como Igreja, oferecer aos nossos irmãos. A kenosis de Cristo é a expressão máxima da compaixão do Pai. A Igreja de Cristo é a Igreja da compaixão; e isto começa em casa”.

Por outro lado, na mensagem para esta comemoração, o Papa lembra-nos a gravidade de esquecermos a compaixão para com os mais frágeis. Com efeito, “contra a cultura do descarte e da indiferença, cumpre-me afirmar que se há de colocar o dom como paradigma capaz de desafiar o individualismo e a fragmentação social dos nossos dias, para promover novos vínculos e várias formas de cooperação humana entre povos e culturas… Todo o homem é pobre, necessitado e indigente. Quando nascemos, para viver tivemos necessidade dos cuidados dos nossos pais; de forma semelhante, em cada fase e etapa da vida, cada um de nós nunca conseguirá, de todo, ver-se livre da necessidade e da ajuda alheia, nunca conseguirá arrancar de si mesmo o limite da impotência face a alguém ou a alguma coisa. Também esta é uma condição que carateriza o nosso ser de «criaturas». O reconhecimento leal desta verdade convida-nos a permanecer humildes e a praticar com coragem a solidariedade, como virtude indispensável à existência”.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/10, n.º 4496, 5 de fevereiro de 2019

Encontro de Cuidadores – Cuidar com dignidade

No passado dia 29 de Setembro, tal como foi anunciado no artigo anterior foi promovido o Encontro de Cuidadores, intitulado por “Cuidar com Dignidade” no auditório do Centro Paroquial de Almacave, com início às 9h30. O Sr. Padre José Fernando, responsável pela Pastoral da Saúde da Diocese de Lamego e também promotor deste Encontro, fez a respetiva apresentação dos oradores. O Sr. Bispo D. António Couto fez uma breve nota introdutória ao tema e ainda parabenizou o Centro Social Filhas de São Camilo pelos 25 anos de existência na Diocese de Lamego, pela assistência humana realizada aos utentes da mesma, sempre com o espírito de São Camilo.

O encontro contou como moderador o Sr. Doutor António Jácomo, sacerdote da Diocese de Viana do Castelo, Doutorado em Filosofia e Letras, investigador do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa, o mesmo fez o enquadramento geral dos temas a tratar no encontro, expondo vários conceitos ligados ao cuidar do sofrimento com arte.

De seguida tomou a palavra a Doutora Eugénia Magalhães, Psicóloga e Presidente do Instituto de Estudos Avançados Catolicismo e Globalização, nomeando alguns conceitos e princípios do envelhecimento positivo. Envelhece-se logo quando se nasce, não se trata de uma doença, pois há idosos cheios de esperança e com vivência espiritual. A oradora alertou para o facto de que se deve ter sempre em conta a história de vida do idoso, bem como a importância de o cuidador amar, pois só dessa forma conseguirá ser um bom cuidador. Ler mais…

EUTANÁSIA – VIDA | Editorial Voz de Lamego | 8 de maio de 2018

EUTANÁSIA – VIDA

Entre os dias 13 e 20, ligando as solenidades da Ascensão e do Pentecostes, viveremos a Semana da Vida. O tema escolhido, “Eutanásia… o que está em jogo?”, não é alheio ao debate já iniciado por quem anseia aprovar legislação favorável.

Eutanásia poderá traduzir-se por “boa morte” e ser compreendida como um acto médico que provoca intencionalmente a morte de um paciente com a finalidade de lhe aliviar o sofrimento, seja agindo com esse fim (eutanásia activa), seja abstendo-se de agir (eutanásia passiva).

Os seus defensores dirão sempre que a possibilidade legal não obriga a quem pensa de maneira contrária e não deixarão de sublinhar a liberdade individual.

Os que pensam de maneira contrária rejeitarão tais medidas legislativas e condenarão tais práticas, referindo-se-lhe como um homicídio e propondo a existência de cuidados paliativos acessíveis a todos.

Trata-se de evitar o “dever de matar” quando alguém propõe o “direito de morrer”, valorizando todas as vidas, também as que estão marcadas pela doença, pela deficiência ou pela idade. Porque a dignidade do ser humano se assegura com a vida e não com a morte. Por isso, enveredar por esta via pode apenas significar que a sociedade se demite de tratar os seus.

E se o médico se enganar no diagnóstico? A eutanásia poderá ou não fragilizar o doente e abalar a sua confiança nos hospitais? Um doente, um idoso ou limitado físico tenderá a ver-se como um fardo para alguém? Haverá tentações economicistas? Irão os cuidados paliativos ser incrementados ou deixarão de ser a primeira opção? Que consequências para a sociedade?

Há uns anos, “morrer com dignidade” seria ter acesso aos cuidados paliativos; hoje será um pedido de morte. Ao mesmo tempo que se cultiva a beleza, a festa, o corpo ou a eterna juventude, temos dificuldade em aceitar a fraqueza e a fragilidade.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/23, n.º 44589, 8 de maio de 2018

Eucaristia pelos benfeitores do Centro Diocesano de Promoção Social

“Em Vida, Irmão, em Vida”

Honrando o nosso princípio católico, o Centro Diocesano de Promoção Social, no passado dia 6 de novembro, juntou todas as suas respostas sociais, na tradicional Eucaristia pelos Benfeitores da Instituição.

Ao longo destas cinco décadas de existência, foram muitos os que por nós passaram, uns passageiramente, outros, à instituição, dedicaram toda a sua vida. Alguns ainda estão entre nós, outros já partiram. Não sendo possível nomear cada um deles, celebrámos a memória dos muitos colaboradores, professores, alunos e dirigentes, que fizeram do CDPS o que é hoje, uma instituição de referência, alargada a vários setores da comunidade, desde as crianças, passando pelos jovens até aos idosos. De modo mais particular, lembrámos neste momento de partilha, o nosso fundador, Monsenhor Ilídio Fernandes, o empreendedor, aquele que plantou a semente e transformou a ideia em realidade. A essência do CDPS é a ele que a devemos, ao homem, que no seu tempo, sonhou para lá dos horizontes estipulados. Outra memória presente foi a de D. António Francisco dos Santos, também ele presidiu aos destinos da nossa instituição. Foi o unificador. Os valores de solidariedade, bondade e partilha, base da nossa fundação, foram amplamente difundidos por si, em todas as suas ações. Ler mais…

PRESENÇA E FIDELIDADE | Editorial Voz de Lamego | 1 de agosto

PRESENÇA E FIDELIDADE

No dia em que o calendário litúrgico recorda os pais de Nossa Senhora, as famílias louvaram e celebraram a vida dos Avós.

Mas 26 de julho recorda, também, o dia em que dois terroristas entraram numa igreja francesa e degolaram um sacerdote (quase 90 anos) que presidia à Eucaristia para uma assembleia diminuta e idosa. Foi há um ano.

Nos últimos anos não têm faltado imagens e sons para descrever o terror semeado pelos terroristas. O Padre Hamel foi uma vítima entre muitas. Quantas vidas aniquiladas e famílias desfeitas, sonhos e vidas interrompidos, perseguições e dores infligidas, património destruído e silêncio imposto?

E se aqui se recorda o facto é, sobretudo, para louvar a sua fidelidade. E aproveitar para lembrar tantos padres idosos que, pelo mundo e na nossa diocese, querem permanecer fiéis ao Senhor da Messe. Apesar da idade, continuam a celebrar, mesmo que seja para um pequeno grupo de gente idosa que teima em continuar nas suas terras e junto das suas memórias.

Como acontece a tantos avós, também os padres mais velhos sentem o distanciamento e sofrem com a ingratidão de alguns paroquianos que rapidamente esquecem as graças e o testemunho recebidos.

Por isso, uma palavra de louvor aos netos que recordam e agradecem, todos os dias, o carinho e os ensinamentos dos seus avós. Mas também para os paroquianos que não esquecem quem muito se empenhou pela edificação da comunidade: celebrando, ensinando, testemunhando, caminhando… e que, diante das forças que vão faltando, continuam a admirar e a agradecer a fidelidade dos seus párocos.

Aos mais críticos fica o convite para não desperdiçarem a oportunidade participar nas Missas que eles celebram e, em vez de maldizer os tempos que correm e a ausência do sagrado, darem, pela participação na oração da Igreja, um sentido ao tempo que passa.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 87/38, n.º 4423, 1 de agosto 2017

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