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Archive for the ‘Homilias’ Category

Solenidade de São Sebastião | Homilia de D. António Couto

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SOLENIDADE DE SÃO SEBASTIÃO

  1. A nossa Igreja de Lamego está hoje em festa. A razão é porque celebramos hoje o nosso Padroeiro principal, São Sebastião, de quem recebemos a necessária proteção e a suprema lição, que não passa por um sermão, mas pela doação da própria vida. A nós, que aqui nos reunimos hoje, interessa-nos saber que foi Jesus Cristo a sua verdadeira razão de viver… e de morrer. Foi intensa a sua LUZ, imenso e notório o seu TESTEMUNHO no meio da cidade ensonada e coroada pelos ídolos frívolos.
  1. No meio da cidade pestilenta e decadente, São Sebastião representa uma fonte de vida. Há a cidade dormente e sonolenta. E há, em contraponto, a cidade alumiada e atenta, que não se pode esconder sobre um monte. Não se pode apagar o horizonte. Não se acende uma LUZ para a colocar debaixo da ponte. De qualquer lugar se via, em qualquer lugar se via, que Sebastião trazia Cristo a arder no coração. Não o escondia. Por isso, o imperador romano, Diocleciano, quis fazer desaparecer este soldado de Cristo. Por isso, o fez morrer na grande perseguição que desencadeou contra os cristãos nos primeiros anos do século IV. O tirano, Diocleciano, fez o que podia fazer. Mas era pouco e tarde demais. Mandou quebrar o frasco. Mas não se apercebeu que, ao quebrar-se o frasco, se soltaria o perfume, que nem o estrume de Roma podia apagar. E foi assim que o perfume intenso daquele amor imenso se espalhou por Roma e pelo mundo inteiro. Já sabemos que chegou também a Lamego esse cheiro intenso e perfumado, que sanava a fome, a peste e a guerra, mas também o frio, e sobretudo o vazio do coração e da alma, a descrença e a indiferença, a maior doença que corrói a sociedade.

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Santa Maria Mãe de Deus | Homilia de D. António | 1 de janeiro de 2017

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MARIA, A SENHORA DESTE DIA

  1. Amados irmãos e irmãs. Aqui estamos, oito dias depois do Natal do Senhor e ainda alumiados por aquela Luz intensa e aquecidos por aquele Lume novo, a celebrar a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, a quem dedicamos o Primeiro Dia do Novo Ano Civil de 2017. Este luminoso Dia, primeiro de janeiro e do ano inteiro, que dedicamos a Santa Maria, Mãe de Deus, é também o tradicional Dia de «Ano Bom», a que anda associado, desde 1968, o Dia Mundial da Paz.
  1. Portanto, contas acertadas, este é já o 50.º Dia Mundial da Paz, e a figura que enche este Dia, e que é a causa da nossa Alegria, é a figura de Maria, na sua fisionomia mais alta, a de Mãe de Deus, como foi solenemente proclamada no Concílio de Éfeso, no ano 431, mas já assim luminosamente desenhada nas páginas do Novo Testamento.

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Imaculada Conceição 2016 | Homilia de D. António Couto

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TODOS OS MEUS DIAS SÃO DE DEUS, E SÃO-ME DADOS

  1. Amados irmãos e irmãs, convido-vos a sentir e a consentir com emocionada alegria o facto de as Igrejas do Oriente e do Ocidente, embora tantas vezes divididas entre si, estarem hoje, dia 8 de dezembro, unidas em maravilhosa harmonia para celebrar a Mãe de Deus no singular privilégio da Conceição Imaculada da sua humanidade, nove meses antes do seu Nascimento ou Natividade, que celebraremos jubilosamente no dia 8 de Setembro.
  1. É bom e belo sabermos e sentirmos que hoje estamos em comunhão e sintonia com essas Igrejas sofridas e doridas do Oriente, nossas irmãs queridas, que sempre dedicaram à Mãe de Deus um muito particular carinho traduzido em tempo dado à Mãe de Deus. Só quem ama tem tempo, e até o inventa, se necessário. É assim que os Coptos dedicam a Maria o inteiro mês de Kiahq, que coincide mais ou menos com o nosso mês de Dezembro, e os Caldeus, os Antioquenos e os Maronitas celebram, também nesta altura do ano, e durante pelo menos quatro Domingos, o tempo da chamada Sûbbarâ ou «Anunciação», que é a Vinda de Deus ao nosso mundo, em catadupa, dia após dia, para abrir as nossas trincheiras e fazer nascer em nós um mundo novo, aberto, encantado e feliz, e fazer de nós homens novos capazes de cantar um cântico novo.
  1. Memorial desta beleza incandescente é a Basílica da Anunciação, em Nazaré. Esta grandiosa Basílica foi inaugurada em 25 de Março de 1969, e foi visitada, ainda as obras estavam em curso, em 1964, pelo Beato Papa Paulo VI. Escavações feitas antes desta grandiosa construção puseram a descoberto, e podem ver-se ainda hoje, os majestosos pilares de uma Catedral levantada em 1099, pelo príncipe cruzado Tancredo, bem como o pavimento em mosaico de uma igreja bizantina, que pode ser datada do ano 450. Mas, descendo mais fundo, até às entranhas da atual Basílica, acede-se à Gruta da Anunciação, sob cujo altar se lê a inscrição Verbum caro hic factum est [= «Aqui o Verbo se fez carne»], e a outros lugares de culto antigos, talvez já do século II. Numa grafite antiga foi encontrada a gravação XE MAPIA, abreviação de Chaîre Maria [= «Ave-Maria»], a primeira Ave-Maria da história.

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Diocese de Lamego em festa | Ordenação diaconal

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A catedral de Lamego encheu-se com os muitos fiéis que ali acorreram no passado domingo para celebrarem a Solenidade de Cristo Rei do Universo e testemunharem o encerramento da porta jubilar do Ano da Misericórdia. No pontifical presidido por D. António Couto foram também ordenados três diáconos para a nossa diocese que, assim o esperamos e desejamos, serão ordenados presbíteros em julho próximo.

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Apesar do encerramento do Ano da Misericórdia estar previsto, fora de Roma, para o dia 13 de novembro, a nossa diocese adiou a cerimónia por uma semana, atendendo aos acontecimentos previstos para o dia 20. Com efeito, no domingo que marca o encerramento do ano litúrgico, a nossa diocese assinala mais um aniversário da Dedicação da sua Catedral. Mas importante foi, também, saber que, nesse dia, três jovens iriam ser ordenados diáconos. Ler mais…

Homilia de D. António Couto nas Ordenações Diaconais – 20/11/2016

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A ORDEM NOVA DO AMOR

  1. Amados irmãos e irmãs, a nossa Diocese de Lamego vive, neste dia 20 de novembro de 2016, um excesso de celebrações, um excesso de celebração, um condensado de júbilo, que começo por recordar: a) celebramos a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo; b) celebramos o Aniversário da Dedicação da nossa Igreja Catedral; c) celebramos a Ordenação de três Diáconos, o Ângelo Fernando, o Diogo André e o Luís Rafael; d) celebramos o Encerramento do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia.
  1. A Solenidade de Nosso Jesus Cristo, Rei do Universo, traz-nos o domínio novo do Filho do Homem que nos ama, o domínio do Amor, que é Primeiro e Último (cf. Apocalipse 1,8). É Primeiro e será ainda Último, fazendo de tudo o resto «segundo» e «penúltimo». Na verdade, entre o Primeiro e o Último, que é o domínio do modo do Amor, instala-se o segundo e o penúltimo, que é o domínio do modo velho e podre da violência das bestas ferozes que nos habitam. O Bem, que é o modo do Amor, é de sempre e é para sempre. É Primeiro e é Último. O Bem, como o modo do Amor, não começou, portanto. O que começou foi o mal, que se foi insinuando nas pregas do nosso coração empedernido. Mas o que começa, também acaba. Os impérios da nossa violência, malvadez e estupidez caem, imagine-se, vencidos por um Amor que é desde sempre e para sempre, e que vence, sem combater, a nossa tirania, mesquinhez, e prepotência!

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Homilia de D. António Couto na festa de Nossa Senhora dos Remédios

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HOMILIA DA SOLENIDADE DE NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS

8 de setembro de 2016

Miqueias 5,1-4

Salmo 13(12),6; Isaías 61,10

Romanos 8,28-30

Mateus 1,1-16.18-24

 

  1. Pouca gente estremece de emoção, sorri ou canta ou dança de alegria, quando ouve esta sucessão de nomes, ao todo 47, que enchem a primeira página do Evangelho de Mateus, hoje por graça proclamada para nós. Pouca gente estremece. Muita gente quase adormece, vencida pela monotonia, sem lhe chegar a captar a alegria. Parafraseando Bento XVI, que escreveu na Exortação Apostólica Verbum Domini [2010], n.º 123, que «Podemos programar uma festa, mas não podemos programar a alegria», posso eu dizer agora que «Podemos programar uma festa, uma romaria, mas não podemos programar a alegria». Por isso, ao ouvir esta toada musical que interliga 47 nomes, nós já não estremecemos nem sorrimos nem cantamos nem dançamos de alegria. Mas devíamos fazê-lo, porque, ao ver uma tal sequência de nomes ali à flor da página, a verdade é que ninguém ficou sozinho, abandonado, descartado. Pelo contrário, todos estão ali lado-a-lado, em família, sentados à mesa do Reino de Deus. Nem os milénios separam Abraão de Jesus. Estão, na verdade, os dois ali, lado-a-lado, com José e Maria bem por perto. Esta é a técnica da miniatura, e a miniatura é de quem ama, porque não quer perder nunca ninguém de vista. É assim que Deus nos salva, sentando-nos todos, lado-a-lado, em família, ao redor de Jesus e de Maria.

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IV Congresso Eucarístico | Viver a Eucaristia, fonte de misericórdia

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Iniciou-se em Fátima, no passado dia 10 de junho, com a celebração da Missa da Peregrinação das Crianças, o IV Congresso Eucarístico Nacional, prolongando-se até ao dia 12. Este é o primeiro a realizar-se neste santuário mariano, no âmbito da celebração do centenário das aparições do Anjo e de Nossa Senhora em Fátima, bem como da mensagem eucarística presente nelas (assim como nas aparições de Tui e Pontevedra). Os três Congressos Eucarísticos anteriores realizaram-se em Braga em 1924, 1974 e 1999.

Dentro do contexto do Ano Jubilar da Misericórdia, as reflexões desenvolveram-se à volta do tema: “Viver a Eucaristia, fonte de misericórdia”. Estiveram presentes vários oradores, entre os quais, o nosso Bispo, que desenvolveu o tema: “Maria, Mãe de Misericórdia, mulher eucarística”. Estiveram ainda presentes: D. Piero Marini, antigo mestre das cerimónias pontifícias dos papas São João Paulo II e Bento XVI e presidente do Pontifício Comité para os Congressos Eucarísticos Internacionais, com uma conferência sobre “a Eucaristia, experiência de misericórdia e conversão”; a irmã Ângela Coelho, Postuladora da Causa da Canonização dos Pastorinhos de Fátima com o tema “a Eucaristia na Mensagem de Fátima”; o Prof. José Eduardo Borges de Pinho, falou da “Mensagem de Fátima, Profecia de Misericórdia” e ainda o enviado especial do Papa Francisco o Cardeal D. João Braz de Avis, Prefeito da Congregação da Vida Consagrada e das Sociedades de Vida Apostólica que se dirigiu aos participantes sobre “a misericórdia na missão da Igreja”. Foi importante ainda o momento dos testemunhos sobre a vivência eucarística, que nos desafiaram a vivermos verdadeiramente uma vida eucarística, ou seja, focarmo-nos no momento da adoração como encontro pessoal com Deus, mas também levá-l’O aos nossos irmãos. E nisto também é exemplo Nossa Senhora e os Pastorinhos, adoradores do Senhor, mas que se preocupam em levá-l’O aos irmãos.

Um Congresso Eucarístico, não é, porém apenas um ciclo de conferências. A celebração da Missa é o primeiro ato de adoração no dizer do Papa Bento XVI, e o lugar onde melhor se experimenta, a par com o Sacramento da reconciliação, a misericórdia de Deus. As celebrações da Eucaristia, bem como a experiência de adoração ao Santíssimo Sacramento na Basílica de Nossa Senhora do Rosário foram verdadeiros encontros com o Senhor.

Com o encerramento, ficou o desafio de vivermos melhor uma vida eucarística, lembrando-nos que a Eucaristia faz a Igreja e é a vida da Igreja.

João Pereira, II Ano | Diogo Rodrigues, VI Ano

in Voz de Lamego, ano 86/31, n.º 4367, 14 de junho de 2016

HOMILIA DE D. ANTÓNIO COUTO NA VIGÍLIA PASCAL

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NOITE SANTA E LUMINOSA

  1. «Este é o Dia que o Senhor fez!» (Salmo 118,25). Aleluia! Este é o Dia que o Senhor nos fez! Aleluia! Este é o Dia em que o Senhor nos fez! Aleluia! «Por isso, estamos exultantes de alegria» (Salmo 126,3).
  1. Este é o Dia em que desfiamos com amor o rosário das tuas maravilhas, tantas elas são, percorrendo a avenida das tuas Escrituras desde a Criação até à Páscoa, desde a Páscoa até à Criação. Tanto faz. Porque neste Dia novo o tempo não nos mede e nos afasta e nos cataloga em séculos e milénios, mas põe-nos todos a conviver lado a lado. É assim que lemos e compreendemos que no teu «Filho amado», Jesus Cristo, «Imagem» tua e «primogénito de toda a criatura», «tudo foi criado» (Colossenses 1,15-16), «e sem Ele nada foi feito» (João 1,3). Lemos e compreendemos que o «teu Filho, Jesus Cristo, não foi Sim e não, mas unicamente Sim» (2 Coríntios 1,19). Passeámos assim no jardim da tua Criação boa e bela, visitámos as suas 452 palavras (Génesis 1,1-2,4a), e nelas não encontrámos um único «não», nenhum alçapão. Se o teu Filho amado, Jesus Cristo, Imagem tua e primogénito de toda a criatura, foi sempre Sim e nunca não, e se foi n’Ele que foram criadas todas as coisas, então a Criação inteira tem também de ser Sim, Sim, Sim, e nunca não.
  1. Que belo mundo novo, Senhor, quiseste depositar nas nossas mãos! Que grande Sim nos confiaste, Senhor, antes de nós merecermos de Ti qualquer confiança! Visitámos depois o Egito opressor, e de lá, Tu nos libertaste, Senhor, fazendo-nos atravessar a pé enxuto o mar Vermelho, como se fosse uma «planície verdejante» (Sabedoria 19,7). Vestíamos roupas brancas, trazíamos o coração em festa, e nos lábios um cântico novo, como sucede também ainda hoje, Senhor, neste Dia admirável da tua Ressurreição, em que cantamos outra vez com inefável alegria: «Minha força e meu canto é o Senhor! A Ele devo a minha liberdade!» (Êxodo 15,2).
  1. Com Isaías e Ezequiel, recordámos depois as paisagens tristes e sombrias do nosso exílio, mas também da tua admirável proteção. Diz uma velha história rabínica que, um dia, «os jovens perguntaram ao velho rabino quando começou o exílio de Israel. Ao que o arguto rabino terá respondido que o exílio de Israel começou no dia em que Israel deixou de sofrer pelo facto de estar no exílio». Compreenda-se, portanto, que o exílio verdadeiro não consiste simplesmente em estar longe de casa ou da pátria, mas sobretudo em tornar-se indiferente e insensível, sem causas, sem sonhos e sem esperas, gastando o nosso dinheiro com aquilo que não alimenta, e esquecendo o teu insistente convite: «Vinde e comprai sem dinheiro vinho e leite […]. Ouvi-me, ouvi-me, e comei o que é bom» (Isaías 55,1-3). Era assim que andávamos, Senhor, perdidos longe de ti e longe de nós. Mas também lá, à perdição em que andávamos, chegou a tua mão criadora, redentora, libertadora e carinhosa, e reconstruíste a nossa vida sobre a alegria, embelezaste o nosso rosto com óleo perfumado, e vestiste-nos com a veste branca dos teus filhos. E como se isto não enchesse a medida do teu amor sempre sem medida, ainda fizeste connosco uma Aliança nova, e deste-nos um coração novo e um espírito novo.
  1. Coração novo, música nova, ensinada pelos Anjos nos campos de Belém: Gloria in excelsis Deo! Outra vez lado a lado, oh milagre da Escritura Santa, dois acontecimentos no tempo separados: o nascimento de Jesus e a sua morte e Ressurreição: lá estão os mesmos Anjos; as mesmas faixas a envolver o Menino e o Crucificado; o Menino deposto na manjedoura e o Crucificado deposto no sepulcro. Extraordinária acostagem do Menino, nascido em Belém, e do Crucificado, nascido in aeternum. E São Paulo a descodificar bem o nosso Batismo, pelo qual somos sepultados com Cristo, para com Ele ressurgirmos para uma vida nova (Romanos 6,3-5).
  1. E assim chegamos sempre ao Ressuscitado, hoje visto através do relato de Lucas 24,1-12. Àquele Jesus Cristo, Crucificado, Morto e Sepultado, segundo as Escrituras, que se levanta do chão raso e da folha plana de papiro ou de papel, elevando a humana vida e a inteira Escritura à sua Plenitude. Porque Ele enche a Escritura, fá-la transbordar, transborda dela! Era, na verdade, muito grande aquela pedra que barrava a entrada e a saída do sepulcro (Marcos 16,3-4). Quem a pode retirar? A pedra da morte é sempre intransponível para as nossas forças. Tem, por isso, de ser trabalho de Deus. É assim que as mulheres que vão de madrugada ao sepulcro (Lucas 24,1), que elas bem conheciam porque atentamente o tinham estado a observar (Lucas 23,55), levam os aromas e perfumes que tinham cuidadosa e carinhosamente preparado (Lucas 24,1; 23,56), e encontraram a pedra do sepulcro retirada (apokekylisménon: part. perf. pass. de apokylíô) (Lucas 24,2), e, entrando, não encontraram o corpo do Senhor Jesus (Lucas 24,3). Estes dois acontecimentos, que as mulheres não souberam decifrar, deixaram-nas sem saber o que fazer, literalmente, «sem caminho» (aporéô) (Lucas 24,4). Póros significa caminho; áporos, com o prefixo privativo á, significa «sem caminho». Estando assim as mulheres sem nenhum progresso ou regresso, sem código de acesso ao jardim e à árvore da vida, eis logo junto delas dois homens com vestes relampejantes (astráptô) (Lucas 24,4b), como aqueles querubins que, com espadas relampejantes, guardavam e acabam agora de abrir o acesso ao jardim do Éden, à àrvore da vida e à nova criação (Génesis 3,24).
  1. Acesso aberto, descodificado, portanto. Nova criação ali à mão, a transbordar de Luz e de Jesus. A pedra muito grande retirada, no tempo perfeito, representa a porta da habitação da morte para sempre aberta. O modo passivo (passivo divino ou teológico) do verbo revela que um tal afazer é coisa só de Deus. O facto de os homens serem dois caracteriza-os como testemunhas (cf. Deuteronómio 19,15) e acentua a autoridade do que disserem. As vestes relampejantes revelam a sua proveniência celeste (cf. Mateus 28,3). Este novo acontecimento da aparição junto delas dos dois homens com vestes relampejantes provoca nelas dois tipos de reação: uma reação interior – «ficaram cheias de medo» (émphobos genómenos) –, e uma reação exterior: «inclinaram o rosto para a terra» (Lucas 24,5), expressão só aqui usada em todo o NT e nos LXX. Os dois homens de proveniência celeste, duas testemunhas, falam ao mesmo tempo para as mulheres: «Por que procurais (tí zêteîte) entre os mortos “o Vivente” (tòn zônta)?» (Lucas 24,5b). A pergunta põe às claras o absurdo da ação das mulheres: tudo fazem para estar perto de Jesus, mas fazem-no no lugar errado! E acrescentam logo: «Não está aqui, mas foi ressuscitado (egérthê: aor. pass. de egeírô)» (Lucas 24,6a). Não podemos deixar de reparar em Lucas 2,49, quando Jesus diz para Maria e José: «Por que me procuráveis (tí ezêteîté me)? Não sabíeis que nas coisas de meu Pai é necessário que eu esteja?». Não sabiam Maria e José, como não sabem as mulheres. E nós?
  1. Não é possível não reparar nos contrapontos. As mulheres procuram o Vivente (ho zôn) – linguagem paulina; nos Evangelhos só Lucas usa este título – no mundo da morte! Inclinam o rosto para o chão, e é celeste a proveniência dos dois homens! O título de «O Vivente», e não apenas «Ressuscitado» (literalmente «acordado»), mostra ainda com mais força que Jesus não «acordou» simplesmente para a vida de antes, como quando alguém acorda do sono, mas entrou numa nova condição de vida permanente, divina. Ele está vivo e presente. No texto lucano, que estamos a seguir, as mulheres não são incumbidas de nenhuma missão destinada aos discípulos, e também não surge a Galileia como meta. A Galileia surge nos lábios dos dois homens com vestes relampejantes para indicar, não a meta, mas o lugar de origem que guardava as Palavras faladas (laléô), portanto, com carga de revelação, que Jesus lhes tinha dirigido acerca da sua morte e ressurreição (anísthêmi, anásthasis) (Lucas 24,6-7), que exprime já não «acordar», mas «levantar-se». Esse falar novo de Jesus na Galileia, indicado pelos dois homens, é introduzido com uma única ordem: «Recordai» (mnêsthête, imper. aor. de mimnêskomai). E o narrador refere que elas se recordaram das Palavras (tà rhêmata) de Jesus (Lucas 24,8), e acrescenta que elas, mesmo sem terem recebido nenhuma incumbência, anunciaram (apaggéllô) estas coisas aos Onze e aos outros com eles (Lucas 24,9).
  1. Só agora, para realçar que o testemunho não é anónimo e desprovido de valor, o narrador refere os nomes de três mulheres: Maria Madalena, Joana e Maria de Tiago, e outras com elas, e volta a referir que elas diziam repetidamente (élegon: imperf. de légô) estas coisas aos apóstolos, mas que eles não lhes deram crédito, considerando aquelas palavras como uma léria (lêros) (Lucas 24,10-11), isto é, tratava-se só de palavras, sem nenhum facto que lhes correspondesse. Esta anotação da incredulidade mostra que os apóstolos não eram ingénuos e que a fé na Ressurreição de Jesus não foi inventada. E serve para pôr em destaque Pedro, que se levantou, correu ao sepulcro, inclinou-se, viu só as faixas, e voltou maravilhando-se (thaumázôn) (Lucas 24,12). Note-se que, em mundo judaico, «correr» é um comportamento insólito num adulto, o que, neste caso de Pedro, deixa a descoberto um particular interesse e empenhamento. E aquele regresso «maravilhando-se», implica que também Pedro já entrou na avenida florida das maravilhas de Deus!
  1. O relato evangélico é sóbrio, mas rico e denso. Fiel a esta intensa sobriedade, a arte cristã nunca se atreveu a representar a ressurreição antes dos séculos X-XI. É tal o fulgor da Luz deste mistério, que ficará sempre no domínio do inefável, que simultaneamente ilumina e esconde. É por isso que a Paixão é um relato, mas a Ressurreição, que põe fim ao relato, só nos pode chegar como Notícia, vinda de fora, como a Aurora.
  1. É por isso que esta Noite é uma fulguração de Luz e Lume novo. Desde as brasas acesas, ao Círio Pascal aceso, ao nosso coração aceso como o dos discípulos de Emaús. É também por isso que o Batismo começou por ser chamado «Iluminação», sendo a Vigília Pascal também a grande Noite Batismal. E cada batizado levará para sempre a arder dentro de si este Lume novo.
  1. Ilumina, Senhor, a tua Igreja Santa, e os seus novos filhos que hoje nascem na fonte batismal. Acompanha sempre o João Paulo, hoje renascido para a vida nova em Cristo. Que os nossos passos sejam sempre firmes, e o nosso coração sempre fiel e a transbordar de Luz e de Jesus. Vem, Senhor Jesus! Aleluia!

Lamego, 26 de março de 2016, Homilia na Celebração da Vigília Pascal

+ António, vosso bispo e irmão

HOMILIA DE D. ANTÓNIO COUTO NA MISSA CRISMAL

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O ÓLEO DA ALEGRIA QUE DEVEMOS DERRAMAR COM ABUNDÂNCIA

1. «O Espírito do Senhor sobre mim, porque o Senhor me ungiu para anunciar o evangelho aos pobres», assim se diz a si mesmo o profeta de Isaías 61,1. «O Espírito do Senhor sobre mim, porque o Senhor me ungiu para anunciar o evangelho aos pobres», repete Jesus na sinagoga de Nazaré (Lucas 4,18), acrescentando um «Hoje» que ainda hoje retine nos nossos ouvidos: «Hoje foi plenificada (peplêrôtai: perf. pass. de plêróô) (passivo divino ou teológico!) esta Escritura nos vossos ouvidos» (Lucas 4,21). Escritura plenificada por Deus, por Deus enchida até ao cimo da letra, até ao Espírito. Escritura a transbordar e a inundar como uma enchurrada a nossa vida! Jesus Cristo não vem depois da Escritura. Rebenta como um bolhão do meio da Escritura. Transborda da Escritura. Banho de água batismal, caudal de óleo crismal a escorrer pela cabeça, pelo rosto, pelas vestes deste povo todo sacerdotal e santo (Êxodo 19,6; Apocalipse 1,4-6).

2. Povo Santo de Deus, aí está a tua bela e funda identidade: povo batizado, crismado, cristificado. Encharcado em Cristo, de Cristo. Por isso, diz bem São Paulo aos Coríntios: «Vós sois de Cristo (tu és de Cristo), e Cristo é de Deus» (1 Coríntios 3,23). «Porque o Senhor me ungiu», diz o profeta. «Porque o Senhor me ungiu», diz Jesus Cristo. «Porque o Senhor nos ungiu», digamos nós também. Significa isto, antes de mais, que, para nos ungir com o seu óleo perfumado, Deus se aproxima tanto de nós, que toca em nós com a sua mão carinhosa! Exatamente como fazemos nós, ou como Deus faz por nós, quando ungimos com o óleo do crisma os recém-batizados, os crismados, os sacerdotes, os bispos, o corpo da igreja e os altares no dia da sua dedicação; com o óleo dos catecúmenos, aqueles que se preparam e dispõem para o batismo; com o óleo dos enfermos, aqueles que procuram alívio para as suas dores.

3. O Salmo articula bem a comunidade viva com o fruto da oliveira: «Como é bom, como é belo, viverem unidos os irmãos. É como azeite sobre a cabeça, descendo pela barba, a barba de Aarão, descendo sobre as suas vestes» (Salmo 133,1-2). Comunidade bela e forte, unida, oleada, perfumada. Trata-se de azeite de oliveira, perfumado com mirra, cinamomo, cálamo e cássia (Êxodo 30,22-33), a encharcar a cabeça e o cabelo de Aarão, a descer pela barba, e sobre as suas vestes sacerdotais, encharcando o humeral (ʼephod), uma espécie de roquete ou sobrepeliz que desce sobre os ombros, e, descendo sempre, encharca depois o peitoral (hoshen), bolsa quadrada, com 25 cm de lado, aplicada sobre o humeral, cobrindo o peito. O azeite encharca o tecido que está sobre os ombros e sobre o peito do sacerdote. Sobre os ombros, nas duas alças do humeral, traz o sacerdote incrustradas duas pedras de ónix, uma sobre cada ombro, cada uma gravada com seis nomes das doze tribos de Israel (Êxodo 28,1-14). E, sobre o peito, no peitoral, traz o sacerdote doze pedras preciosas diferentes, e em cada uma delas está gravado o nome de uma das doze tribos de Israel (Êxodo 28,15-30), irmanadas, como se fosse uma jóia em unidade harmónica. Extraordinária simbologia! O sacerdote carrega aos ombros (Êxodo 28,12) e leva sobre o coração (Êxodo 28,29) todos e cada um dos filhos de Israel! A releitura por excelência do Livro da Sabedoria diz admiravelmente que «sobre as vestes sacerdotais é transportado o mundo inteiro» (18,24). É assim que se vê bem a missão do sacerdote. Mas vê-se igualmente bem que se trata de um povo todo ungido, todo sacerdotal e aromático. Portanto, todo empenhado no serviço da evangelização, de modo a mudar verdadeiramente a vida e a vivência eclesial como sonhou São João Paulo II (Redemptoris missio, n.º 2).

4. «O Espírito do Senhor sobre mim, porque o Senhor me ungiu para anunciar o evangelho aos pobres». Guardemos connosco, Hoje, amados irmãos no sacerdócio, reunidos em unum prresbyterium, esta unção e esta missão sacerdotal. Unção e missão. Unção para a missão. Torrente que vem de Deus e que envolve, por graça, as nossas mãos, entranhas e coração. Não nos esqueçamos do óleo da alegria que nos deve inundar as entranhas, o coração e a missão (Salmo 45,8; Isaías 61,3; Hebreus 1,9). Não nos esqueçamos também que a missão deste Evangelho do óleo da alegria se destina aos pobres. Quem são os pobres? São aqueles que se sentem tão batidos e abatidos pelas desilusões da vida, que já não têm mais coração para tentar de novo; são aqueles que se sentem tão presos e incapacitados, que consideram a libertação e a liberdade uma miragem cruel; são aqueles que pensam que Deus se esqueceu deles, e que nunca mais terão um dia de alegria; são aqueles que pensam que a sua vida já não vale mais do que saco e cinza e lágrimas, e que por companhia têm o duro farnel do desespero. É a estes que Isaías e Jesus anunciam boas notícias vindas de Deus!

5. Caríssimos irmãos no sacerdócio, são estes pobres que deveis carregar aos ombros e no coração. É este mundo hostil ou apenas indiferente ou enlatado, a esvaziar-se de sentido, são estas crianças que ainda sonham, estes jovens desiludidos, estes casais preocupados, estas famílias desconstruídas, estes idosos tantas vezes sós, que devemos transportar sobre as nossas vestes sacerdotais. É a estes irmãos e irmãs concretos que nos devemos entregar ou «super-entregar» (ekdapanêthêsomai), para usar a expressão da Segunda Carta aos Coríntios e do Decreto Presbyterorum ordinis (2 Coríntios 12,15; Presbyterorum ordinis, n.º 15). A nossa vida bela não pode ser vivida assim-assim, de qualquer maneira, ou de uma maneira qualquer. Nas nossas atividades pastorais, devemos, amados irmãos, ter sempre a noção clara de que não somos e não podemos ser simples animadores ou monitores, mas transparência fiel da presença viva e operante do próprio Senhor no meio da comunidade.

6. Neste Ano Jubilar da Misericórdia, não deixemos Deus por mãos alheias e coração alheio. Empenhemo-nos no anúncio do Evangelho, que é «a primeira caridade» para este mundo (Novo millennio ineunte, n.º 50; Evangelii gaudium, n.º 199). E não nos esqueçamos nunca que só «a caridade das obras garante uma força inequívoca à caridade das palavras» (Novo millennio ineunte, n.º 50).

7. Derramemos, pois, com abundância, amados irmãos no sacerdócio e no batismo, este óleo da alegria, que Deus nos confiou.

Senhor Jesus, faz da tua Igreja uma sarça
Ardente de amor diante dos nossos olhos,
Alimenta-lhe o fogo com o teu óleo sagrado que abrasa de amor a terra inteira,
Faz que aquela chama dia a dia nos incendeie e nos chame
E que nós saibamos responder sempre: “Eis-me aqui”.

Dá à tua Igreja ternura e coragem e aragem:
A coragem da ternura e a aragem que nos limpa o coração e o olhar.

Aceita, Senhor, as nossas lágrimas e sorrisos,
E torna-nos próximos e acolhedores de quem está só, triste e sem esperança.
Faz uma fogueira com as nossas maldades,
E mesmo que nos desviemos de Ti,
Quando para Ti voltarmos,
Cobertos de lama e de pó,
Lava com sabão de amor o nosso coração,
Ainda antes de Te pedirmos perdão.

Lamego, 24 de março de 2016, Quinta-Feira Santa, Homilia na Missa Crismal

+ António, vosso bispo e irmão

Solenidade de São Sebastião | Homilia de D. António Couto

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SOLENIDADE DE SÃO SEBASTIÃO

  1. A nossa Igreja de Lamego está hoje em festa, porque celebra jubilosamente o seu Padroeiro principal, São Sebastião, e dele recebe a necessária proteção e a suprema lição da dádiva da vida. Jesus Cristo foi a sua verdadeira razão de viver… e de morrer. A sua LUZ foi intensa, o seu TESTEMUNHO imenso e descarado no meio da cidade ensonada e coroada pelos ídolos. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte, não se pode apagar o horizonte, não se acende uma LUZ para a colocar debaixo da ponte. De qualquer lugar se via, em qualquer lugar se via, que Sebastião trazia Cristo a arder no coração. Não o escondia. Por isso, o imperador romano, Diocleciano, quis fazer desaparecer este soldado de Cristo. Por isso, o fez morrer na grande perseguição desencadeada nos primeiros anos do século IV. Mas já o bom perfume do fiel soldado de Cristo se tinha espalhado pelo mundo inteiro, e frutificava em novas comunidades, de acordo com o célebre aforismo de Tertuliano: «Sangue de mártires, semente de cristãos». E frutificava cada vez mais, sobretudo em circunstâncias difíceis, quando a fome, a peste e a guerra assolavam as populações.
  1. Acorda, Lamego, não tenhas medo! Coragem! Tem confiança! Ele chama-te! E diz-te, na página de hoje do Evangelho (Mateus 10,28-33), que vales mais do que muitos passarinhos. Do menor para o maior: se Deus, nosso Pai, cuida da vida dos passarinhos, que não trabalham nem ceifam, com quanto mais carinho cuidará de nós! Como a vida do Mártir São Sebastião, também a nossa está segura nas mãos de Deus (cf. Sabedoria 3,1), tatuada nas palmas das mãos de Deus (cf. Isaías 49,16). Como a dos sete jovens irmãos Macabeus e a do velhinho Eleazar, de 90 anos, como nos mostra hoje a história edificante e exemplar do Segundo Livro dos Macabeus, Capítulos 6 e 7. Portanto, levanta-te, Lamego, Igreja amada, acariciada, não abandonada (cf. Isaías 62).
  1. E a lição da Primeira Carta de São Pedro (3,14-17), também hoje escutada, ensina-nos bem: «Estai sempre prontos, preparados, para dar, a quem vos pedir, a razão da esperança que há em vós» (1 Pedro 3,15. Dá-se a razão, como se dá o pão. Sem argumentação. Mas com a mão e o coração. Não é em vão que a lição da Carta de São Pedro diz «razão» com o termo grego lógos. Está bom de ver que o lógos bíblico não é nada nosso, não são os nossos raciocínios teóricos e abstratos, fáceis, que não doem. A razão que somos chamados a dar não é um objeto do nosso pensamento, mas uma PESSOA a nós dada: Jesus Cristo, Filho de Deus, nascido de Maria, «feito Homem como nós e que veio habitar no meio de nós» (João 1,14). É Ele a razão, o Lógos, «pelo qual tudo foi feito, e sem Ele nada foi feito» (João 1,3). Estar prontos, preparados, para dar a razão, o lógos, da nossa esperança, é estar prontos a dar a este mundo Jesus Cristo!
  1. De resto, amados irmãos e irmãs, é de Jesus Cristo que nós precisamos e de que este mundo precisa. É Jesus Cristo que as pessoas nos pedem. Foi Jesus Cristo que São Sebastião deu ao mundo no seu tempo. É Jesus Cristo que São Sebastião, Padroeiro da nossa Diocese, nos entrega hoje. Não como um valor a conservar e guardar com todas as cautelas em alguma gaveta ou cofre-forte. Mas para nós o entregarmos generosamente aos nossos irmãos. Quando celebramos um mártir, não sobra lugar para o acidental. É Jesus Cristo que um mártir tem nos olhos e no coração. É esta herança do essencial, sem estratégias ou malabarismos, que recebemos do nosso Padroeiro.
  1. Jovem soldado, jovem mártir, São Sebastião, ensina a tua Igreja de Lamego, que proteges, a estar sempre pronta, preparada e diligente para dar Jesus Cristo aos nossos irmãos que no-lo pedem.

Fui Eu, o Senhor, que te chamei, Sebastião,

E te enviei a tirar água com alegria

Das fontes da salvação.

Tomei-te pela mão

E modelei-te,

Coloquei-te

Como aliança do povo,

Como luz das nações

E dos corações.

Vai, de casa em casa, ó aguadeiro da paz e da bondade,

Dessedenta o meu povo ressequido,

Tu és o meu servo eleito e querido,

Amado,

Consagrado,

Tu és meu!

Vai, ergue bem alto esta lumieira,

E alumia

De alegria

A terra inteira.

E quando chegares ao fim,

Volta ao começo.

Recomeça!

Que a tua paz corra como um rio,

Como um fio de luz,

Como um desafio,

De pavio em pavio,

De mão em mão,

De coração em coração.

A tua missão,

Sebastião,

É ser clarão,

E entregar a luz

De Jesus

A cada irmão. Ámen

Lamego, 20 de janeiro de 2016, Solenidade de São Sebastião,

Padroeiro principal da nossa Diocese

+ António, vosso bispo e irmão