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Archive for the ‘Fé’ Category

OUSAR PEREGRINAR | Editorial Voz de Lamego | 22 de maio de 2018

OUSAR PEREGRINAR

Nos primeiros dias de maio, a passagem de milhares de peregrinos em direcção a Fátima proporciona notícias, imagens e sons de gente que caminha. Alguns espectadores, sentados no sofá e acomodados nas suas certezas, interrogam-se sobre a iniciativa e desvalorizam tamanho esforço. Mas mais importante do que a fundamentação das motivações e a verbalização da experiência, cada peregrino sabe porque caminha e porque quer chegar.

A peregrinação é uma iniciativa que tem um sentido, um objectivo, uma motivação e apresenta-se como oportunidade para “pôr em causa”, interrogar, agradecer, buscar…

O termo “peregrino” designa aquele que vai “através dos campos” e, por conseguinte, se torna um estrangeiro face ao seu contexto de vida, aos seus hábitos, às suas preocupações quotidianas, distanciando-se do seu porto seguro, das suas certezas, das ideias recebidas e nem sempre vividas.

Numa linguagem mais próxima, peregrinar será deixar a “zona de conforto” e confrontar-se com a busca de respostas e metas. E se o habitual é percorrer distâncias para chegar a algum local sagrado, a verdade é que a vida pode ser descrita como uma peregrinação e, então, fazer-se peregrino será ousar questionar-se e buscar um sentido: Porque existo? Qual o meu lugar no universo? O que posso fazer ou dar ao meio onde vivo? Como partilhar, transmitir o que recebi? Como realizar a minha vida o melhor possível? Uma peregrinação de horas, semanas, meses pode ajudar a compreender o sentido e dar-lhe uma direcção.

Também por estes dias, em diversas zonas pastorais, há peregrinações que se organizam e recomenda-se a participação.

Mas se “ir” é importante, não o será menos “sair”: de si, da rotina, do sofá, da facilidade, da bancada… e ousar. Porque, peregrinar é próprio de quem não quer acomodar-se e protagoniza um sadio inconformismo.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/25, n.º 44591, 22 de maio de 2018

Pedras Vivas – Festas da Catequese na Paróquia da Sé

PRIMEIRA COMUNHÃO NA SÉ

Como sempre acontece na paróquia da Sé iniciamos o Mês de Maria prestando-Lhe a maior e mais bonita homenagem  – entregando ao Seu cuidado e proteção as crianças que  vão receber pela primeira vez o Seu Filho Jesus.

Homenageamos ao mesmo tempo todas as mães que desde o berço guiaram estas crianças no caminho de Deus e lhes ensinaram as primeiras orações.

Em ambiente renovado pelo belíssimo altar que enriquece a Casa do Pai, celebramos todos em família o momento especial que estas crianças viveram, e rezamos para que não se afastem da Casa que os vê crescer na Fé e na Graça.

FESTA DA AVÉ-MARIA

Continuando a homenagear a Mãe, os nossos mais pequeninos foram este 2.º domingo de Maio consagrados aos seus cuidados maternais na Festa da Avé- Maria.

Ainda tão necessitados do colo das suas mães terrenas, terão certamente um “colinho” especial da Mãe do Céu que os acompanhará no seu percurso de crescimento na Fé Cristã.

Com eles está toda a comunidade paroquial, feliz por acolher estas crianças e por ajudar ao proporcionar um ambiente de amor e ternura onde se sintam cuidados.

IM, in Voz de Lamego, ano 88/24, n.º 44590, 15 de maio de 2018

Festa da Eucaristia na Paróquia de Almacave


No dia 13 de Maio, dia de Nossa Senhora de Fátima, decorreu no Auditório do Centro Paroquial de Almacave, a celebração do Sacramento de Eucaristia, para 57 catequizandos do 3º ano de Catequese, que fizeram o seu percurso com um grupo de 6 Catequistas que os acompanharam desde o 1º ano.

Vai-se notando a diminuição da natalidade a nível destes grupos mas, apesar de tudo, há ainda inúmeros pais e familiares comprometidos, que fazem com que os seus filhos percorram o seu caminho de formação religiosa, acompanhando-os à Eucaristia dominical e mesmo fazendo parte do Coro de Pais e Filhos, onde trazem os seus pequenos seres, dom de Deus nas suas vidas.

Como habitualmente o Auditório do Centro Paroquial torna-se exíguo nestas cerimónias, pois foram várias centenas de familiares e amigos que quiseram estar presentes com os meninos, nesta sua Festa de encontro com Jesus.

A preparação que decorreu 3 dias antes, foi ponto de referência para o reunião com os sacerdotes que, assim acompanham este percurso, bem como para a preparação de toda a cerimónia, o que estas crianças fazem com muita vivacidade mas também com sentido de cuidado e carinho na sua caminhada.

As suas confissões junto dos sacerdotes são sempre momentos lindos pelo seu “temor” inicial mas que, logo se torna alegria do encontro com o perdão de Jesus. Uma criança disse mesmo, após a sua confissão: “já desabafei com o Senhor Padre e estou muito contente”… ah singela pureza de crianças…

O dia da sua Primeira Comunhão com Jesus é de uma beleza excepcional, pois cada uma vive o momento de forma diferente e a sua alegria esfusiante  renova-nos a esperança de que o brilho da Luz de Jesus as ilumina e nos traz a Fé de que a Igreja tanto necessita. São estes momentos em que lembramos a passagem do Evangelho: “Deixai vir a Mim as criancinhas porque delas é o Reino do Céu”

Hoje foram pequenos sacrários que se abriram e que se espera que os seus pais os continuem a acompanhar na Eucaristia Dominical, para que assim possam renovar a sua Comunhão todas as semanas.

E, porque há gestos que nos surpreendem, uma Senhora, a D. Cândida, de 90 anos esteve no dia anterior a confecionar em surpresa biscoitos e bolinhos, bem como preparou algumas guloseimas para serem oferecidas a todos os meninos. Um gesto de carinho muito bonito pelo que os catequistas sensibilizados rezam a Maria pelo bem desta Senhora que já noutras ocasiões teve gestos silenciosos com os meninos da nossa Catequese.

A Maria pedimos, através da consagração realizada pelos meninos, que eles sejam abençoados e o gesto da oferta da sua flor branca à Mãe do Céu foi o simbolismo da entrega dos seus pequenos corações.

Que Maria a todos abençoe e faça com que os seus familiares continuem a fazer caminho de graça com eles, neste percurso catequético.

Isolina Guerra, in Voz de Lamego, ano 88/24, n.º 44590, 15 de maio de 2018

TESTEMUNHO E PROTAGONISMO

TESTEMUNHO E PROTAGONISMO

O testemunho é fundamental na Igreja e na vida do crente, como facilmente se verifica na história da instituição e de cada baptizado. Sem o testemunho dos primeiros cristãos e das gerações que se seguiram não teria sido possível concretizar a missão de anunciar, celebrar e viver o Evangelho. Perante a constatação/desafio “Vós sois testemunhas de todas estas coisas”, segue-se o mandamento “Ide por todo o mundo”.

Diante da missão a cumprir, os baptizados, individualmente ou em assembleia convocada (Igreja), não estão sós: o Espírito Santo vem em seu auxílio para congregar, acompanhar, fortalecer, animar, ajudar a ver e a decidir.

O Espírito participa na heroicidade protagonizada por quem se esforça para ser autêntico, próximo, bom samaritano, disponível… Numa palavra, o Espírito é decisivo para o testemunho, tão fundamental na evangelização: “o homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, ou então, se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas” (Paulo VI, EN 41). O testemunho confere credibilidade e apresenta-se como sadia provocação e singular ensinamento.

A história apresenta-nos grandes testemunhos de vida e de fé, autênticos heróis. Mas também os vemos hoje, à nossa volta, nas mais variadas ocupações, no silêncio ou em lugares de decisão, no serviço prestado e no gosto de viver, na festa ou no sofrimento… Talvez não sejam notícia, nem os seus gestos discretos justifiquem reportagens ou fenómenos “virais” nas redes sociais, tantas vezes ocupadas por um certo narcisismo estéril.

Talvez seja preciso mudar de heróis, privilegiando o real face ao virtual, discernindo entre o ser e o parecer, escolhendo quem ensina a viver com verdade, seguindo quem aponta caminhos novos pelas opções que faz e exemplos que deixa…

O Espírito Santo, “protagonista da missão”, não cessa de vir para fazer de todos “protagonistas do testemunho”.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/24, n.º 44590, 15 de maio de 2018

DESEJO e SEDE | EDITORIAL VOZ DE LAMEGO | 1 de maio de 2018

DESEJO e SEDE

Por estes dias não faltarão textos e testemunhos para assinalar o sucedido em Paris há 50 anos, Maio de 68, bem como a alusão a algumas das consequências do movimento então iniciado.

A propósito, sem entrar em grandes explicações ou detalhes, sublinha-se apenas a vontade de abolir interditos (“é proibido proibir”), abrindo à possibilidade de experimentar tudo sem a obrigatoriedade de não se decidir por nada. Uma postura que conduziu a uma certa volatilidade dos compromissos, ao consumismo, a uma atrofia dos fins e a uma cultura do “assédio constante”. Um facto que continua a ver-se: vivemos numa “sociedade excitada” que proporciona uma contínua possibilidade de experimentar, ansiosa pela novidade.

O desejo de experimentar é natural e inato, mas a ausência de regras e do sentido do interdito pode levar a uma “cultura frígida, estéril e esterilizadora”.

Daí que alguns estudiosos, como Maria Clara Bingemer (Experiência de Deus na contemporaneidade, Paulinas, 2018), afirmem que estamos numa “cultura em recesso de desejo”, onde o “desinteresse progressivo” se torna visível. Porque, “pretender experimentar tudo pode ser, no final, não experimentar verdadeiramente nada”.

O Padre Tolentino Mendonça, no recente retiro pregado em Roma, também falou do assunto (Elogio da sede, Quetzal, 2018), sublinhando a importância da “sede de viver”, afirmando que “há na nossa cultura, e nas nossas Igrejas de igual modo, um défice de desejo”.

E identifica esta ausência de desejo com a “acédia”, que conduz à perda de vontade, a “olhar para a vida de um modo atonal, sem apetite”, uma espécie de indiferença, falta de presença e de interesse, perda de gosto de viver, desvitalização interior.

E conclui: “quando renunciamos à sede é que começamos a morrer”, com o risco de sermos como um “corpo abandonado sem sepultura”.

O desejo e a sede traduzem a abertura ao infinito.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/22, n.º 44588, 1 de maio de 2018

CONVITE À SANTIDADE | Editorial Voz de Lamego | 17 de abril de 2018

CONVITE À SANTIDADE

Numa época marcada pelo provisório, pela perda de sentido e pelo narcisismo, o Papa Francisco convida a humanidade em geral e os cristãos em particular a estarem disponíveis para responder ao chamamento à santidade.

A proposta agora apresentada na Exortação Apostólica “Alegrai-vos e Exultai” não é nova e insere-se na missão eclesial de “promover o desejo da santidade” (177). Um apelo oportuno para responder aos riscos e desafios actuais, nomeadamente “a ansiedade nervosa e violenta que nos dispersa e enfraquece; o negativismo e a tristeza; a acédia cómoda, consumista e egoísta; o individualismo e tantas formas de falsas espiritualidades sem encontro com Deus que reinam no mercado religioso” (111).

Nos caminhos da vida, com ritmos e contextos diferentes, cada um poderá exercitar a vontade de agradar a Deus, deixando-se guiar pelas bem-aventuranças e praticando a caridade. Um percurso que aproxima do Criador e dos outros e não dispensa dos compromissos com a criação.

O itinerário não está isento de dificuldades e insucessos, mas a abertura à transcendência, o assumir humilde dos limites e a determinação perseverante permitirão avançar e crescer. Porque se é verdade que não estamos sós nem desamparados, temos consciência de que “a graça não nos faz improvisadamente super-homens” (50), sendo indispensável o esforço individual. “Aquele que te criou sem ti não te pode salvar sem ti” (St. Agostinho). A santidade dá trabalho!

Como sempre, o Papa escreve de maneira simples (diferente de simplista) um texto pouco extenso, atento ao mundo actual e preocupado com o essencial. Não diz tudo, mas convida todos.

Apesar dos comentários ou resumos que sempre aparecem, importante seria fazer uma leitura integral do texto, deixando-se interpelar pela totalidade e não ficando limitado ao que outros julgaram ser oportuno sublinhar. A comunhão com o Papa também passa pela leitura dos seus textos!

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/20, n.º 4457, 17 de abril de 2018

Almacave Jovem – retiro 2018

Foi no fim de semana de 6 a 8 de abril que o grupo Almacave Jovem se reuniu no Seminário Menor de Resende, juntamente com os jovens que se preparam para receber o Sacramento do Crisma, para o retiro anual.

Fruto de alguma “crise” de fé a que todo o cristão está sujeito, esta atividade a que o nosso grupo de jovens se tem habituado a realizar desde a sua própria criação, foi o momento pelo qual todos esperávamos há um ano. O retiro realizado com os crismandos da paróquia é um momento de introspeção e intimidade com Alguém que nos esquecemos muito facilmente no meio de tantos problemas da nossa vida atual: Deus.

Ainda antes de iniciarmos a viagem com destino a Resende, fomos perguntando aos jovens crismandos quais eram as suas espectativas acerca das temáticas/ objetivos deste encontro e como já é hábito, as respostas foram sendo dadas com alguma reticência. No entanto, com o desenrolar de toda atividade, de todos os momentos de reflexão, descontração, dinâmicas de grupo, cânticos, jogos, risadas e até algumas lágrimas, o que era um aglomerado de pessoas estranhas e sozinhas, num sítio desconhecido e longe das nossas casas, tornou-se uma família, com Ele.

Todos juntos descobrimos que temos um talento! Aprendemos que essa maravilhosa benção que Deus nos deu está dentro de nós, bem escondida e que apenas temos de a descobrir, e usá-la ao serviço de quem nos rodeia. Aquilo que é fácil para nós pode ser de extrema dificuldade para o próximo. Se somos felizes, vamos contagiar com a nossa energia quem está mais em baixo. Se temos a nossa fé fortalecida vamos ao encontro de quem duvida d’Ele, sendo samaritanos na nossa família, escola, trabalho, grupo de amigos, etc. Pouco a pouco fomos percebendo melhor a temática de todo o retiro: a caridade, o viver para servir o outro, à imagem de Jesus.

No Domingo à tarde, já com os nossos familiares presentes, despedimo-nos do Seminário de Resende por mais um ano, prometendo praticar tudo o que aprendemos neste fim de semana, comprometendo-nos em “ser” caridade, agora fortalecidos com a esperança de vermos os crismandos integrados no nosso grupo de jovens.

Bryan Fonseca, Almacave Jovem, in Voz de Lamego, ano 88/19, n.º 4456, 10 de abril de 2018