Arquivo

Archive for the ‘Entrevistas’ Category

Diocese periférica a braços com desafios de desertificação

32d4f3fd58c1bc0c58eeca7383a03c033a5a10ce214bf95530pimgpsh_fullsize_distr

No âmbito da recente vinda à nossa diocese do Eng. Fernando Santos, seleccionador nacional de futebol, o Padre Amadeu da Costa e Castro, pároco de Trevões, em declarações recentes à Ecclesia, sublinhou importância de potenciar ação da Igreja na nossa diocese, que caracterizou como “periférica” e sofrendo de “um mal terrível” que é a “desertificação e a baixa natalidade”.

Com uma população “excessivamente idosa”, este padre da nossa diocese não se ficou apenas nas lamentações, porque “existe muito potencial para a evangelização” e vive-se “com intensidade esta caminhada”.

Uma forma de combater esta periferia é trazer, até junto das pessoas, figuras conhecidas, como aconteceu, recentemente, com a presença do selecionador de futebol, Fernando Santos, na Meda. “Contar com um testemunho de fé de Fernando Santos foi extremamente importante para esta população”, frisou o pároco de Trevões.

Independentemente de serem “novas ou mais idosas”, as pessoas têm a “mesma dignidade diante de Deus” para fazerem a sua caminhada “cheia de esperança”. Para que a situação se altere nesta diocese periférica, o padre Amadeu apela a mudanças, “a começar pela cúpula e filosofia que os governos implementam”.

No início do ano pastoral de 2016/17, o pároco de Trevões aponta a diretiva que D. António Couto, bispo de Lamego, destacou: “Ide e evangelizai” e “levar o nome de Cristo a toda a criatura”. Neste caminho de evangelização, o padre Amadeu Castro referiu que existem muitas formas de exercer este mandato e a “música é uma delas”. A diocese de Lamego tem um trio de padres que, através do fado, evangelizam “pela música, alegria e boa disposição”. “Três colegas que através da música e do canto dão um testemunho formidável de evangelização” porque através “dos sorrisos podemos levar o nome de Cristo mais longe”, finalizou

in Voz de Lamego, ano 86/49, n.º 4385, 1 de novembro de 2016

À conversa com o Padre Diamantino Alvaíde

282303_437361256287038_1726666154_n

O Padre Diamantino Alvaíde, ordenado há onze anos, é membro do nosso presbitério lamecense e, desde há um ano a esta parte, é pároco de Cabaços e Moimenta da Beira, onde reside. Depois de ter sido pároco, juntamente com o Padre Bráulio Carvalho, em várias paróquias das zonas pastorais da Meda e de Vila Nova de Foz Coa, foi enviado para Roma onde, no passado dia 17 de junho, apresentou e defendeu, com êxito, o seu trabalho académico de doutoramento. É com alegria que o felicitamos pelo caminho percorrido e pela etapa alcançada.

Um padre em Roma

  1. Em poucas palavras, como foi vivida esta experiência eclesial e académica em Roma?

Foi uma experiência essencialmente vivida de forma muito desprendida, bastante séria e com grande sentido de busca. Desprendida, porque deixei para trás, durante aqueles anos, aquilo que gostava – e gosto – imenso de fazer, que é estar no meio das pessoas, a desenvolver o trabalho pastoral de pároco. Séria, porque sentia o peso de uma grande responsabilidade que me tinha sido incumbida, sentia que tinha de “dar contas” disso, que precisava rentabilizar o tempo de estudo ao máximo, e isso perseguia-me. Sentido de busca, porque sabia que estava temporariamente numa cidade riquíssima de cultura, estava a ter uma oportunidade que muita gente gostaria de ter, e estava o mais próximo possível – no tempo e no espaço – das fontes do saber teológico. Foi verdadeiramente uma experiência extraordinária!

  1. A experiência pastoral, após a caminhada no Seminário e ordenação sacerdotal, foi importante para o que se seguiu?

Ler mais…

Sugestão de Leitura: Contra a Eutanásia

untitled_34235de44Sobre o livro Contra a Eutanásia, Luís Paulino Pereira, médico e autor do prefácio, disse que a obra «é um verdadeiro apelo à vida de um indivíduo que se diz agnóstico. E de que forma faz um apelo à vida? Primeiro, citando as verdadeiras maravilhas da medicina. Depois, tudo aquilo que é preciso fazer para preservar a vida.» Luís Paulino Pereira refere que o livro tem uma linguagem acessível, «que toda a gente entende» e deixou um incentivo a que todos leiam o livro para que cada um tire as suas conclusões.

O livro Contra a Eutanásia é escrito em estilo de entrevista com Lucien Isräel, um não-crente e homem da ciência. Este francês foi médico e professor universitário de Pneumologia e Oncologia. Deu aulas em França, Estados Unidos da América, Canadá e Japão. Fez parte também de várias organizações da área da oncologia e da investigação, chegando mesmo a fundar o Laboratório de Oncologia Celular e Molecular Humana, em Paris. Foi membro da Academia de Ciências de Nova Iorque.

in Voz de Lamego, ano 86/31, n.º 4367, 14 de junho de 2016

ENTREVISTA COM O PADRE ILDO DE JESUS

IMG_6200

À conversa com… Pe. Ildo Aníbal de Jesus Silva

Na zona pastoral de Tabuaço, desde há 47 anos a esta parte, encontramos o Pe. Ildo como pároco de Chavães e de Arcos. Membro da Congregação dos Missionários do espírito Santo, ordenado presbítero a 30 de Setembro de 1951, em Viana do Castelo, passou por terras de Angola antes de se fixar entre nós. Esta breve conversa, para lá de nos dar a conhecer o seu percurso, é também uma singela homenagem ao decano dos nossos párocos.

O Padre IIdo é natural da nossa Diocese, da paróquia de Cedovim, Vila Nova de Foz Côa, mas a sua formação e ordenação aconteceram na Congregação das Missionárias do Espírito Santo. Como foi esse percurso?

Sou um dos onze filhos de Adelino A. Silva e de Felisbela Ramos. Ainda ao colo do primeiro, o Antoninho, subi ao campanário para aprender a tocar às Almas. Ao cuidado do segundo, a Violinda, aprendi a ajudar à Missa em latim. Recordo o elogio do sr. P.e Guerra na descida do cemitério, após um funeral.

Estando a ajudar o quarto, o Zé, que trabalhava numa obra de serralharia – profissão do pai – lembrei-me de dizer que queria ir para a escola – «vai já dizer ao pai que te compre o livro». E quase no termo do ano escolar, de facto, levou-me ao sr. Prof. Patrício, que me endossou aos da quarta classe.

Tive um interregno de Escola durante mais de um ano, porque ficámos sem professor.

A Violinda, por tudo e por nada, inculcava-me o Seminário. Em 1937 ingressei na Congregação do Espírito Santo, na Guarda-Gare. Findo o ano, acompanhei um colega de Vale de Ladrões – hoje Valflor – que me apresentou à s.ra D. Carminho, na Meda. Só me deixou sair quando a Violinda me foi buscar num macho. Cotejando as notas do fim do ano, recebi os parabéns do rev. P.e Marques. Mas os livros que eram da Congregação, tiveram descanso.

No termo das férias, recebi uma comunicação da Guarda-Gare: «como deve saber pela sua mãe, só pode entrar em Godim, depois das ordens do oftalmologista, Dr. Pôncio. Ao fim de um ano, sem medicação alguma, recebi carta branca. Já as aulas tinham começado há uma semana, quando entrei em Godim.

Embora sem qualquer negativa, no Natal mandaram-me repetir o primeiro ano na Silva – Barcelos…. Sem me aplicar demasiado, tive sempre notas positivas, salvo numa Páscoa em que a puberdade explodiu. Ler mais…

À conversa com o Pe. João Carlos sobre a Exortação do Papa Francisco

12509798_874797265952102_690395049492905522_n

Aquando da preparação das assembleias sinodais sobre a família (2014 e 2015), o povo de Deus foi convidado a manifestar-se e a contribuir para as mesmas, nomeadamente respondendo a questões que visavam recolher a opinião e o sentir dos baptizados. O Pe. João Carlos Morgado, Pró-Vigário Geral da nossa  Diocese de Lamego foi o responsável por essa recolha e posterior envio para a Conferência Episcopal. Numa altura em que a exortação Papal sobre o tema é notícia. Quisemos saber a sua opinião.

Após a leitura da exortação pós-sinodal e depois de ter coligido as sugestões de muitos diocesanos, sente que as expectativas foram satisfeitas?

Sim, sente-se de forma geral, que as sugestões, reflexões e problemáticas apresentadas nas respostas aos questionários foram tidas em conta. A Exortação Apostólica do Papa Francisco “Amoris Laetitia” é um documento longo e bastante inclusivo daquilo que é o sentir do Povo de Deus sobre as questões que se colocam às famílias do nosso tempo e que foi expresso na síntese das respostas aos dois inquéritos. Recordo que o primeiro questionário começava por “avaliar” o conhecimento dos batizados acerca do ensinamento bíblico e do Magistério da Igreja sobre a família e a sua receção na vida quotidiana. A exortação apostólica dedica todo o primeiro capítulo à exposição da doutrina sobre a família à luz da Palavra de Deus e no capítulo III, nomeadamente nos números 67 a 70, faz-se uma síntese dos principais ensinamentos do magistério sobre a família. No resto da “Amoris Laetitia” sente-se a mesma simetria no tratamento dos temas.

Como caracteriza o procedimento sinodal escolhido e vivido neste caso? 

Foram enviados às dioceses dois questionários. O primeiro, em 2014, tinha como finalidade permitir às Igrejas particulares participar ativamente na preparação do Sínodo Extraordinário, sob a temática do anúncio do Evangelho nos atuais desafios pastorais a respeito da família. O segundo, em 2015, foi feito a partir da Relatio Synodi que saiu do Sínodo Extraordinário e pretendia saber se a “Relatio” correspondia a quanto emerge na Igreja e na sociedade de hoje e que aspetos faltavam que se pudessem integrar. Houve assim um percurso sinodal que envolveu toda a Igreja. Todos os batizados tiveram a oportunidade de se exprimirem.

A leitura deste documento é aconselhada a todos, mas sabemos que nem sempre tal é viável. Que sugestões daria para uma leitura e reflexão na nossa Diocese?

A primeira sugestão é dada pelo próprio Papa, que logo no início da exortação propõe: “Devido à riqueza que os dois anos de reflexão do caminho sinodal ofereceram, esta exortação aborda, com diferentes estilos, muitos e variados temas. Isto explica a sua inevitável extensão. Por isso, não aconselho uma leitura espiritual apressada. Poderá ser de mais proveitoso, tanto para as famílias como para os agentes de pastoral familiar, aprofundar pacientemente uma parte de cada vez ou procurar nela aquilo de que precisam em cada circunstância concreta. É provável, por exemplo, que os esposos se identifiquem mais com o capítulo IV e V, que os agentes pastorais tenham especial interesse pelo capítulo VI, e que todos se sintam muito interpelados pelo VIII. Espero que cada um, através da leitura, se sinta chamado a cuidar com amor da vida das famílias, porque elas ‘não são um problema, são sobretudo oportunidade’.” (AL, 7)

Sei que isto está já a ser feito na nossa diocese. Por exemplo os responsáveis pelo CPM estão agora a estudar os números do documento que se referem à necessária e adequada preparação para o Matrimónio e que o Papa tanto sublinha( AL 205 -211). Também as Equipas de Nossa Senhora começaram já a estudar a exortação nas suas reuniões de casais. Nos recentes Cursilhos de Cristandade a Exortação Apostólica Amoris Laetitia fez parte dos documentos do magistério estudados e recomendados para estudo.

Em algumas regiões da diocese já se consolidaram as realizações anuais de assembleias (arciprestais ou de zona) de famílias, assim como as celebrações comunitárias das Bodas de Ouro e de Prata Matrimoniais. Aliás o Papa Francisco, no nº 223, considera um recurso válido “animar os cônjuges a reunirem-se regularmente para promoverem o crescimento da vida espiritual e a solidariedade nas exigências concretas da vida. Liturgias, práticas devocionais e Eucaristias celebradas para as famílias, sobretudo no aniversário do matrimónio”. Tudo serão oportunidades para refletir sobre a exortação e talvez não fosse impraticável a distribuição de um exemplar da mesma a cada uma das famílias presentes, que depois a poderiam estudar em casal e redescobrir a alegria do amor que este documento sublinha no título e no conteúdo.

Os órgãos de informação da diocese, desde a Voz de Lamego aos paroquiais, tem dado desde a primeira hora publicidade e “chaves de leitura” da exortação. Tendo esta uma acentuada componente missionária, como aliás os demais documentos do Papa Francisco, urge fazer das famílias atores da nova evangelização, com uma pastoral de conjunto que congregue sinergias.

Teremos naturalmente de,também, estar atentos às situações novas da família, tratadas no Cap. VIII, e aos desafios pastorais que nos lançam para “acompanhar, discernir e integrar a fragilidade” a partir das indicações que a exortação nos dá e dos caminhos que deixa abertos e que será necessário aprender a percorrer. É andando que se faz caminho.

in Voz de Lamego, ano 86/22, n.º 4361, 3 de maio de 2016

À conversa com o Arcipreste de Cinfães – Resende: Pe. Adriano Alberto

7U0A9521

(Pe. Adriano, em primeiro plano, a conversar com D. António Couto, e olhar atento o Pe. Francisco Marques)

 

CONHECER MELHOR A NOSSA DIOCESE RONDA PELOS ARCIPRESTADOS

A nossa Diocese, desde há cerca de um ano, remodelou a sua divisão Arciprestal, passando de 14 arciprestados para apenas 6. No nosso Jornal, nos próximos tempos gostaríamos de conhecer melhor cada Arciprestado, divulgando esta realidade eclesial e diocesana. Para isso vamos ao encontro dos respectivos Arciprestes.

1 – A partir da experiência que tem, como descreveria a missão do Arcipreste?

Desde logo, gostaria de deixar uma palavra de desculpa ao Diretor do nosso jornal diocesano, sr. P. Joaquim Dioniso, pela demora no envio deste trabalho, mas circunstâncias várias não me possibilitaram a apresentação antes. Os elementos apresentados são relativos ao ano de 2014, daí não considerar as alterações entretanto surgidas com novas nomeações de párocos. Em relação aos outros elementos constantes das tabelas, terão os desajustes resultantes nomeadamente da desertificação humana que se vem verificando no interior do país. Julgo porém, que continuarão a constituir-se num contributo com interesse para uma melhor compreensão da realidade diocesana num determinado período.

Respondendo à pergunta colocada, as linhas orientadoras, subjacentes à missão do Arcipreste, encontramo-las no CIC, capítulo VII, do livro II, dedicado ao Povo de Deus, designação escolhida pelo Concílio Vaticano II, na sua Constituição Lumen Gentium, para designar a Igreja. Esta missão por sua vez tem subjacente uma forma de organização descrita no número 217 do Directório para o Ministério Pastoral dos Bispos. Em síntese é uma missão que deverá constituir-se em serviço e visando a comunhão no Arciprestado, considerado célula vital no tecido reticular da Diocese. Na base da ação a desenvolver, na coordenação da atividade pastoral deverá estar a Evangelização e a aplicação do Concílio Vaticano II.

2 – Dois concelhos, duas zonas pastorais, um Arcipreste. Tem sido difícil esta missão?

Tendo como referência o censos de 2011 e na configuração atual, o arciprestado integra Cinfães, o segundo concelho mais populoso da Diocese e Resende o quarto concelho mais populoso.  Os dois concelhos em conjunto têm os níveis mais elevados de população ( ver quadro população censos 2011). As dificuldades sentidas estão também relacionadas: com a extensão da área geográfica; as dificuldades de transporte em termos de serviços públicos; as limitações existentes em termos de oferta de emprego com muitos dos naturais a procurarem uma oportunidade de trabalho na emigração em outros pontos do país e do estrangeiro; a deslocação dos jovens para outras cidades onde podem prosseguir os seus estudos universitários, entre outras.

3 – A nova divisão Arciprestal tem prós e contras. Quer enumerar alguns?

Como vantagens, o maior número de sacerdotes que pode proporcionar um maior enriquecimento em termos de reflexão e partilha de experiências e entreajuda. Como principais dificuldades a vastidão do espaço geográfico e as distâncias a percorrer com a consequente maior dificuldade das pessoas se encontrarem.

7U0A9508

(Pe. Adriano, de frente para a imagem. Em primeiro plano, os Padres Assunção e Carlos Lopes)

 

4 – Na Igreja, as estruturas só existem para servir o Evangelho. A nova divisão auxilia ou dificulta esse serviço?

No sentido de se poderem aproveitar as vantagens descritas no número anterior e minorar as limitações, o arciprestado está organizado em duas zonas pastorais, Cinfães e Resende. Os sacerdotes reúnem-se em conjunto três vezes por ano, de forma alternada, numa das duas zonas pastorais e mensalmente por zona pastoral. O Conselho de Pastoral Arciprestal está organizado de forma a que em cada uma das suas secções estejam leigos e sacerdotes das duas zonas pastorais.,

5 – Quais os principais desafios pastorais que se colocam no Arciprestado?

Como principais desafios à ação pastoral penso continuarem atuais a linhas orientadoras colocadas na nota pastoral da conferência episcopal sobre a promoção da renovação da pastoral da Igreja em Portugal, bem como as apresentadas na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium com o enquadramento dado para a diocese através dos planos pastorais que vão sendo propostos.

6 – Que sugestões para dinamizar, mais e melhor, a actividade missionária da Igreja neste Arciprestado e na nossa Diocese?

Considero ser importante um trabalho conjunto, preparado, e envolvente de todos seja ao nível das pessoas, seja das estruturas e organismos dedicando uma atenção particular aos capítulo I e 5 da Exortação Pastoral Evangelii Gaudium dedicados respetivamente à transformação missionária da Igreja e aos evangelizadores com espírito, motivações para um renovado espírito missionário.

7 – Em plena de crise económica, que reflexos da mesma nas nossas paróquias e que respostas estão a ser dadas?

A crise económica, à semelhança do que aconteceu noutras zonas nosso país, levou a que algumas empresas, ainda que de pequena dimensão encerrassem a atividade, com o consequente desemprego. A emigração e o trabalho noutros pontos do país e do estrangeiro continuou a ser o caminho encontrado como resposta à necessidade de se encontrar um futuro melhor. Em colaboração com a Cáritas e através do trabalho dedicado de pessoas, IPSS, Misericórdias e Associações, com a colaboração generosa das comunidades, têm-se procurado respostas criando postos de trabalho e organizando a ação social de modo a minorar situações mais precárias com uma atenção maior aos mais idosos e desfavorecidos.

8 – Quanto à designação do Arciprestado, fica assim ou acha que poderia ter outro nome?

É a designação que surge, aquando da reorganização dos arciprestados, e se aceita na medida em que situa geograficamente o arciprestado e identifica as duas zonas pastorais que o constituem. Novas designações, que entretanto possam surgir, serão naturalmente apreciadas.

in Voz de Lamego, ano 86/09, n.º 4345, 12 de janeiro de 2016

À CONVERSA COM O PADRE MARCOS ALVIM

Marcos Alvim 4

No próximo dia 28 deste mês, no Centro Pastoral de Almacave, em Lamego, o Padre Marcos Alvim apresenta o seu novo disco com cânticos originais para animar a celebração da Eucaristia. Padre há 11 anos, natural de Fontelo, Armamar, integra a equipa sacerdotal da Sé e é o responsável do Coro da Catedral e do Departamento Diocesano de Música Sacra.

  1. Como apresentaria este novo CD, intitulado “Tu Senhor”, aos nossos leitores?

R.: O CD “Tu, Senhor” é um trabalho com uma finalidade pastoral e com uma sensibilidade mais litúrgica. Contém 10 cânticos e mais 10 bases instrumentais: Entrada; Senhor, tende piedade; Glória; Aleluia; Apresentação dos dons; Santo; Pai nosso; Cordeiro de Deus; Comunhão e Final. Este CD surgiu da necessidade de colocar ao serviço da Igreja mais um subsídio para os grupos corais, juvenis e litúrgicos, cânticos para a Celebração da Eucaristia.

O CD é acompanhado com um livro de partituras que apresenta as melodias de uma forma simples, com as cifras, e também harmonizadas, a 3 ou 4 vozes mistas, para os coros com mais preparação.

O trabalho enfatiza o tema do pão da vida. Jesus, “Caminho, Verdade e Vida” (Jo 14, 6), é o “pão vivo que desceu do Céu” (Jo 6, 51), Ele é a fonte de água viva. É o nosso alimento espiritual, que dá força e alento ao nosso peregrinar. Pretende, também, transmitir uma realidade vocacional. Tanto o primeiro cântico, “Caminho, Verdade e Vida”, como o último cântico, “Tu, Senhor”, que dá o nome ao CD, retratam isso mesmo, Ele continua a chamar, homens e mulheres do nosso tempo, para o serviço da Sua Igreja.

  1. Como foi chegar até aqui?

R.: O caminho não foi fácil! Mas, por não ser fácil, é que agora, depois de ver o trabalho concluído, sinto uma grande alegria em poder ter o meu quarto CD editado e ao serviço da Igreja. Não faço da música um passa-tempo, mas sim um serviço. Serviço que é exigente e muito útil no exercício do meu ministério.

Perante o trabalho que é normal na vida paroquial e conciliando os estudos do ensino da música, foi preciso tempo para pensar nas letras, isto é, refletir naquilo que elas me dizem, porque, fazer a composição de uma melodia para os textos sagrados, é uma responsabilidade muito grande, para já porque é sempre um texto sagrado, depois porque é preciso ter em conta muitos aspetos importantes como a métrica das palavras, as acentuações, o sentido e o enquadramento do texto. A melodia terá de se ajustar à palavra de uma forma simples, mas bonita. Foi preciso tempo para que a inspiração musical me envolvesse, tempo para escrever a melodia que surgisse no momento, tempo para fazer uma primeira gravação das músicas, tempo para ouvir essa gravação e fazer as correções que achava oportunas, tempo para gravar de novo e voltar a ouvir e tempo para escrever as partituras. Depois de tudo isto, arranjar os apoios para toda a edição e reprodução do CD. Juntar os dois grupos de jovens das paróquias da cidade de Lamego, Almacave e Sé, fazer a gravação em estúdio e do videoclip! As gravações foram feitas, quase todas, à noite, umas durante a semana e outras ao fim de semana. Não foi fácil, porque os horários nem sempre eram compatíveis uns com os outros, mas foi muito gratificante ver a alegria, a vivacidade e a disponibilidade destes jovens.

  1. Enquanto responsável pelo Departamento de Música Sacra, que desafios se colocam, neste âmbito, aos grupos corais das nossas paróquias, aos fiéis leigos e aos sacerdotes?

R.: Que cada Coro sinta e viva realmente o que canta. A finalidade do Coro é o serviço da liturgia e, por isso, os que fazem parte de um Grupo Coral desempenham um ministério litúrgico. O gosto pela música ou o interesse em fazer parte de um Grupo Coral não é motivo suficiente para se pertencer a um Coro. Torna-se evidente que, quem dele faz parte, deve ser cristão de fé vivida, praticada e testemunhada. Que o Grupo Coral tenha sempre a preocupação de primar pela qualidade, tanto no que se refere aos textos como às melodias. Para Deus não podemos dizer “cantamos qualquer coisa”, nem se canta de improviso, é preciso ter a preocupação de preparar bem as celebrações. A propósito disto, o Pe. Manuel Luís dizia que “se não podemos, com palavras banais, exprimir coisas belas, como poderemos, com música banal, exprimir realidades transcendentes?”

Que os fiéis leigos, tal como os coristas, se deixem envolver pelo canto, pela música, que os ajuda a estar mais intimamente unidos a Deus na oração. Procurem, também, envolver as crianças e os jovens.

Que os sacerdotes tenham sempre a preocupação de apoiar, estimular e formar os seus coristas.

  1. Para terminar, como vai ser o próximo disco?

R.: Tenho já dois trabalhos pensados, bastante diferentes um do outro! Será mais um desafio que tenho pela frente! Estou cá para isso!

in Voz de Lamego, ano 85/52, n.º 4339, 24 de novembro

Semana dos Seminários 2015: à conversa com Diogo Rodrigues

diogo rodrigues

No âmbito da Semana dos Seminários que estamos a viver, aqui deixamos algumas palavras de um dos nossos finalistas, o Diogo Rodrigues, seminarista do VI Ano e natural da paróquia de Lazarim, mais concretamente do lugar de Mazes.

  1. Na última etapa da tua caminhada, um breve balanço do que foi o teu percurso no Seminário.

O meu percurso de Seminário, não tem por assim dizer nada de especial, a não ser nos dias de hoje: entrei para o Seminário de Resende em 2005 para o 7º Ano com 12 anos, e aí passei 6 anos. Ao terminar o 12º Ano entrei neste Seminário Maior, em 2010. Ou seja, desde que saí da minha terra com 12 anos onde tinha frequentado a Telescola, não estudei nem vivi em mais lado nenhum a não ser no Seminário. Claro que o Seminário como a vida, tem sempre os seus «altos e baixos», mas com certeza que nos deixa sempre marcas…

  1. Durante dois anos frequentastes o Seminário interdiocesano, em Braga. Como viveste essa experiência?

A experiência em Braga foi bastante enriquecedora. Ao início foi uma descoberta, mesmo no modo de viver com as dioceses que formam o Seminário e com quem já contactávamos em Viseu, mas que era só no tempo lectivo.  Depois porque o ambiente da Faculdade de Teologia é muito diferente do ambiente vivido no Instituto. Nele travamos conhecimento com muito mais pessoas, algumas que nem sequer seguem o percurso de Seminário, e depois pessoas até de um país e de uma cultura diferente. Claro que a experiência de viver em Seminário Interdiocesano ensina-nos muito, porque experimentamos a verdadeira comunhão eclesial que comporta realidades diferentes, pois há um contacto não só com os seminaristas de outras dioceses a tempo inteiro, mas também com outros sacerdotes e até mesmo com os senhores Bispos. Por outro lado o facto de não estarmos na nossa Diocese não nos pode levar a esquecer a nossa realidade e as nossas raízes. E penso que desde o início é necessário incutir nos jovens que vêm para o Seminário, e que ingressam no Seminário Interdiocesano, o amor pela sua Igreja diocesana.

  1. Perante a diminuição de seminaristas, como conseguir “chamar” para o Seminário?

Penso que o chamamento para o Seminário passa pelo testemunho que possamos dar enquanto Igreja, de que Cristo continua a chamar. Isto pode concretizar-se em levar a presença do Seminário (por exemplo, através de ações da Pastoral Vocacional) a todas as pessoas, e, sobretudo, que as comunidades sintam que o Seminário também é delas e que se lembrem sempre que o Seminário continua aberto.  É certo que o “alvo” de uma Pastoral vocacional são os jovens, mas também todos devemos ter consciência de que devemos pedir ao Senhor da Messe que envie operários para a sua Messe.

  1. Olhando para diante, para a missão que se abre e te espera, que perspectivas acalentas?

A perspetivas levam-me a crer que devo sempre confiar no Senhor. Que me devo consciencializar que eu sou apenas um mero instrumento nas mãos de Deus e que tenho de ser dócil à sua Palavra. O que me reconforta é que o Senhor nunca nos abandona, mesmo nas horas mais escuras e situações mais difíceis. Embora, hoje tudo nos pareca mais difícil devido a tantos fatores (sobretudo a diminuição de pessoas nas Paróquias), devemos confiar sempre na providência de Deus.

in Voz de Lamego, ano 85/50, n.º 4337, 10 de novembro

LEIGOS DA BOA NOVA – Testemunho

pedras vivas-foto

I.M. – Ao falar da experiência missionária que teve este verão no Chibuto, Moçambique, é inevitável que o Pedro fale dos Leigos da Boa Nova.

Um retiro de Advento em que o Grupo de Jovens da Sé participou em 2013, um testemunho missionário dado por um jovem, outros jovens que o ouvem … há um que fica curioso, quer saber mais, quer alargar as suas vivências religiosas, quer conhecer outros modos de viver a Fé; daí a contactar os L.B.N. foi um instantinho, certo Pedro?

PEDRO – Sim, logo que voltei para casa contactei-os para saber como poderia juntar-me a eles porque achei muito interessante o seu trabalho; de repente o que fazia pareceu-me muito limitado; quer dizer, cresci numa família cristã e sempre frequentei a catequese e o Grupo de Jovens da Sé (o que não é pouco, porque são muito activos!), fiz vários retiros e já passei uma Páscoa em Taizé com a minha família (foi fenomenal!); tento ser um bom cristão, mas faltava-me sair deste meio protegido, crescer interiormente e fortalecer a minha própria Fé ao ir ter com os outros que estão em condições diferentes e tentar que a minha presença e acções lhes levasse Deus, que eu próprio fosse um veículo da Palavra de Deus.

I.M. Foi difícil a integração?

PEDRO – Foi muito fácil! Colheram-me e integraram-me logo nas suas actividades e fui participando em tudo o que podia, porque algumas vezes era complicado uma vez que a sede é em Cucujães e havia actividades em Braga, Fátima, etc, mas também nisso foram compreensivos. É uma equipa muito simpática e coesa, senti-me em família.

I.M. – Tiveste a tua primeira missão em Portugal?…

PEDRO – Sim, no verão de 2014. Foi uma preparação para a missão deste ano, porque apesar dos destinatários e o trabalho serem diferentes, me preparou para lidar melhor com as pessoas e vê-las como filhos de Deus, seja qual for a sua proveniência, e a fazer tudo com alegria porque sei que Jesus está comigo.

I.M. O facto de esta missão em Portugal ter corrido bem foi decisivo para a missão em Moçambique?

PEDRO – Claro! Eu fiquei com mais vontade de participar, e também permitiu aos L.B.N. conhecerem-se melhor e verem se eu tinha perfil para participar lá fora, porque se vou para uma missão no exterior a ideia é ajudar, não atrapalhar!

I.M. – Como surgiu a Missão do Chibuto como opção para o teu trabalho?

PEDRO – Os L.B.N. têm Missões em Angola, Moçambique, Brasil, Guiné-Bissau. Cada uma delas (alguns países têm mais do que uma) tem um grupo específico de destinatários e projectos bem estruturados de ajuda relacionados com o desenvolvimento pessoal, social e económico, além de levar, claro, a Palavra de Deus e apoiar a Igreja local e a população em geral em tudo o que for necessário.

Os conhecimentos que os dirigentes dos L.B.N. tinham sobre mim foram importantes para decidirem aonde poderia ajudar mais. Adorei quando soube que iria para Moçambique.

Tenho ainda muito para contar, mas para terminar por agora quero apelar aos jovens que têm vontade de fazer trabalho humanitário que não hesitem, vão em frente, não é tão complicado como parece e vale mesmo a pena.

in Voz de Lamego, ano 85/46, n.º 4333, 13 de outubro

À conversa com D. Jacinto Botelho, nos seus 80 anos de idade

IMG_0910

No passado dia 11 de Setembro, o nosso bispo emérito, D. Jacinto Tomás de carvalho Botelho, festejou o seu 80.º aniversário natalício. Alegramo-nos com o facto e rezamos ao Senhor da Vida para que continue a conceder-lhe as graças que necessita, ao mesmo tempo que lhe agradecemos a presença, o testemunho e a disponibilidade que sempre protagoniza entre nós.

Vemos o D. Jacinto em diversas celebrações e iniciativas diocesanas. Como tem sido a experiência de passar de bispo titular a emérito da diocese? Sempre discreto, como são os seus dias?

A minha vida como bispo emérito é muito mais tranquila que a anterior, o que me dá uma grande paz, mas não me sinto desocupado. Além dos retiros que tenho orientado para sacerdotes de várias dioceses, e de alguma ocupação ministerial que me seja pedida pelo meu Bispo, o Senhor D. António Couto, ou da colaboração solicitada pelos irmãos sacerdotes, sinto-me sempre disponível para servir onde for preciso. Gosto imenso de saborear o magistério do Papa Francisco, como acontecia com o dos Papas anteriores, e, graças à Internet não perco a comunicação sempre oportuna que vai chegando. Tenho consciência que o Senhor me pede uma vida interior mais intensa e mais comprometida. Um dos propósitos recentes que confidencio é, neste Ano da Misericórdia, ter um horário de serviço de confissões na Sé Catedral.

Como olha para a nossa diocese, onde sempre viveu, se exceptuarmos os anos em que estudou em Roma e os quatro como bispo auxiliar de Braga?  

Nos últimos três quartos do século, assistimos na nossa diocese, como na generalidade do interior português, a transformações profundas que modificaram sociologicamente as nossas populações. Depois da emigração para o Brasil, em tempos anteriores, foi-se verificando a seguir à segunda guerra mundial, um êxodo crescente da população rural tanto para as grandes cidades no país, como para a Europa e também para as nossas ex-colónias africanas. A Revolução de Abril, com a consequente independência destes últimos territórios, provocou o regresso dos denominados retornados a modificar novamente a nossa fisionomia habitacional. Entretanto a entrada de Portugal na União Europeia e a posterior adesão à moeda única, sem uma imprescindível e pedagógica preparação, promoveram-nos a um nível de vida que não tinha sido devidamente estruturado com as prévias reformas absolutamente necessárias. E as consequências são agora palpáveis na crise económica, de que, com tanto sacrifício e dificuldade procuramos desembaraçar-nos.

A antiga pastoral de cristandade deveria dar lugar a uma pastoral de evangelização tão exigida pelo Concílio Vaticano II, até para responder a uma vaga de secularismo cada vez mais manifesto. Apraz-me destacar a acção reformadora e carismática de dois sacerdotes, C. José Cardoso de Almeida e Mons. Ilídio Fernandes, que estimulados pelos prelados de então, realizaram na pastoral catequética, na pastoral social e na pastoral familiar, uma renovação notabilíssima. É de referir ainda o papel da Acção Católica, mais tarde também do Movimento dos Cursos de Cristandade e de outros movimentos de espiritualidade familiar, bem como a dinamização da pastoral juvenil. A drástica diminuição da população, fruto do baixíssimo índice de natalidade, bem como do surto de emigração agravado com a crise que ainda vivemos, levou o actual prelado a um lúcido reajustamento dos arciprestados e zonas pastorais.

Ao longo da vida conheceu diversos pontificados. Como caracteriza o actual do Papa Francisco?

Embora tivesse nascido no Pontificado de Pio XI, foi Pio XII o primeiro Papa de que tenho consciência de ouvir falar e, fruto da formação recebida no Seminário, por quem tinha uma verdadeira veneração, considerando-o quase insubstituível. Faleceu em 1958, quase dois meses depois da minha ordenação sacerdotal e nas vésperas da minha partida para Roma, para continuar estudos em História da Igreja. Vivi como tantos outros na Praça de S. Pedro as espectativas do Conclave e vibrei com a eleição de S. João XXIII. Foi a primeira eleição papal mediatizada pela televisão. Depressa nos habituou Sua Santidade a um novo estilo de convivência e comunicação. O anúncio da realização dum Sínodo para a Diocese de Roma e sobretudo da convocação dum novo Concílio Ecuménico e da reforma do Código de Direito Canónico, foi de todo inesperado. A determinação deste homem eleito com 77 anos de idade, indicava uma profunda viragem e era sinal evidente da presença do Espírito Santo que assiste a Sua Igreja. E esta convicção de fé, da presença do Senhor – eu estarei convosco … as portas do inferno não prevalecerão… – havia de consolidar-se nos pontificados sucessivos, quer no do Beato Paulo VI, quer nos brevíssimos 30 dias de João Paulo I ou no longo pontificado de S. João Paulo II, quer com Bento XVI que ainda vive. Dos 4 papas falecidos que acabei de enumerar, dois foram já canonizados e um beatificado, prova irrefutável da recordada profecia de Jesus e do papel preponderante que tiveram na História da Igreja contemporânea. Tive a graça de encontrar-me algumas vezes com S. João Paulo II, que me nomeou bispo, e também com Bento XVI. Foi na recente Visita ad Sacra Limina Apostolorum que pela primeira vez falei com o Papa Francisco. O Papa Francisco atrai-nos com a sua simplicidade onde tudo é transparência e verdade, e envolve-nos e contagia-nos, comprometendo-nos com as suas preocupações. O encontro pessoal com o Santo Padre onde cada um pôde confiar-lhe os sentimentos mais profundos, foi para mim dos momentos mais intensos desta Visita ad Limina. Experimenta-se na proximidade de Sua Santidade, que, como com Jesus, os seus preferidos são os pobres, os excluídos, os esquecidos, os das periferias quer geográficas, quer existenciais. Com o testemunho luminoso da sua vida, anuncia-nos Cristo e Cristo crucificado.

A partir do que vai observando, o que podemos esperar da próxima Assembleia sinodal sobre a família?

É com muita esperança e serenidade que aguardo a próxima reunião sinodal. Podemos dizer e suponho que até já foi afirmado que há um duplo Sínodo: o mediático e o dos membros sinodais com o Santo Padre. O mediático é caracterizado por especulações, porventura alguma manipulação, publicitando o que se afigura mais curioso e mais interessante para os leitores a quem a informação se dirige. O dos membros sinodais é o da verdade, da liberdade de expressão, mas igualmente o da atenção e da fidelidade ao Espírito Santo que conduz a Igreja. Nada mudará na doutrina – não se cansa de o repetir o Papa Francisco e não se esqueceu de o recordar no encontro que com ele tivemos. Todos sabemos que a instituição familiar se encontra muito fragilizada; em certos sectores quase desacreditada e ridicularizada, por ideologias deliberadamente opostas ao projecto de Deus que a criou. Ouvindo com atenção o Papa Francisco, nos seus mais recentes discursos, homilias, catequeses … e muito especialmente respondendo ao pedido tão empenhado de orações por esta intenção que sempre nos faz, estou certo de que o futuro Sínodo será um momento providencial para dar à humanidade a convicção de que a família é a sua fundamental e insubstituível escola. Recordo apenas uma expressão do Santo Padre no encontro com as famílias em Santiago de Cuba no passado dia 22 de Setembro: “Apesar de tantas dificuldades que hoje afligem as nossas famílias no mundo, não nos esqueçamos, por favor, disto: as famílias não são um problema, são sobretudo uma oportunidade; uma oportunidade que temos de cuidar, proteger, acompanhar. É uma maneira de dizer que são uma bênção.”

Os portugueses continuam a sofrer com a crise económica e algumas vozes criticam o aparente silêncio dos nossos bispos. Reconhece alguma justiça na crítica feita?

A questão que me é colocada reporta-me à resposta do papa Francisco a uma pergunta que no encontro da província de Braga, um dos bispos presentes – precisamente o nosso, D. António Couto – lhe fez, e que mais ou menos assim formulou: A voz de Vossa Santidade é porventura a única escutada com atenção e a mais credível no tempo presente. Que deveremos nós, bispos, fazer para o ajudar nesta missão de Pedro? O Papa Francisco recordou-nos a eleição dos diáconos repetindo-nos a palavra de S. Pedro: “Quanto a nós, entregar-nos-emos assiduamente à oração e ao serviço da Palavra”, para afirmar de imediato a missão do bispo que é rezar e pregar sempre com a autenticidade do testemunho. A resposta à questão que me foi apresentada, tem de ter como pano de fundo a reflexão do Papa Francisco e não é difícil reconhecer que nos é pedida uma permanente conversão.

in Voz de Lamego, ano 85/44, n.º 4331, 29 de setembro