Arquivo

Archive for the ‘Entrevistas’ Category

Entrevista VL com Filomena Matias

O restaurante A Tasquinha do Matias, é um espaço simples, mas altamente recomendável pela boa comida que apresenta, dos petiscos regionais aos substanciais milhos à lavrador, a marrã à tasquinha e o cozido à portuguesa. Para conhecer A Tasquinha do Matias, tem de conhecer Filomena Matias Pinto, a proprietária.

Filomena Matias Pinto é conhecida pelo amor que tem pela aldeia, carinho das pessoas e, como é obvio, pelos milhos no pote. Milhos no pote, prato esse que já foi premiado no concurso gastronómico “7 maravilhas à mesa” com o 3º lugar.

“Estes milhos fazem com que tenhamos as pessoas que temos.”

“Eu quando vim da suíça, precisava de emprego, já tinha 40 anos, e, por isso, era complicado arranjar emprego. Foi aí que pensei em arriscar na tasquinha que a minha mãe já tinha há algum tempo, tasquinha que, com a viragem do euro, a minha mãe não conseguiu gerir.

De 2000 até 2005 a tasquinha esteve fechada, e não podia ser assim. Esta torre e esta paisagem mereciam ter visibilidade, tinha de arranjar uma forma para que isso acontecesse.”

“Comida normal não ia fazer com que as pessoas fizessem o desvio para visitar esta ponte e torre romana, a torre e ponte de Ucanha.”

Torre e ponte de UCANHA

O monumento mais icónico de Tarouca é a torre e ponte de Ucanha, a mais bela ponte medieval Portuguesa e está classificada como Monumento Nacional desde 1910.Se na idade média muitas pontes com torres fortificadas foram erguidas, quase todas desapareceram, a que esteve associado a existência da sua proibição a partir de 1504, pelo rei dom Manuel I. Em Portugal ainda existem fortificadas, a ponte de Ucanha que está em perfeito estado de conservação.

“No início servia 20 refeições diárias, isto ao fim-de-semana, só ontem servi 302 refeições.

Temos gente de todo o lado, algarve, Alentejo, porto, Guimarães, Braga, Gerês. De abril a outubro foram 72 autocarros, cheios, até à Ucanha, à tasquinha do Matias.

“Fizemos 200 Km para comer os seus milhos e ainda temos a viagem de volta” – são estas palavras que compensam todo o trabalho diário. “

Foram já algumas figuras publicas que tiveram o prazer de conhecer a Sr. Filomena, uma das celebridades foi mesmo o presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

“Ele adorou os milhos e também me adorou a mim” – disse a proprietária da tasquinha do Matias em gargalhadas.

“Ainda me manda cumprimentos pelos jornalistas”.

Qual foi a refeição mais marcante que serviu até hoje?

“Foi uma refeição com a Maria João Abreu e o Fernando Mendes, fizeram questão de atuar, e fazer um pouco de comédia aqui no restaurante. Essa foi, sem dúvida, uma das refeições mais marcantes. Houve mais uma que me tocou muito, um cliente que era cego quis fazer o pedido de casamento à sua namorada aqui, colocámos tudo conforme foi pedido e assim foi, tão gratificante…”

 in Voz de Lamego, ano 91/36, n.º 4618, 21 de julho de 2021

Entrevista com Frederic Cardoso

Frederic Cardoso, clarinetista, obteve vários prémios em concursos nacionais e internacionais e dedica uma parte significante do seu trabalho à música da câmara e à música contemporânea.

Frederic Cardoso, clarinetista, obteve vários prémios em concursos nacionais e internacionais e dedica uma parte significante do seu trabalho à música da câmara e à música contemporânea.

Enquanto solista ou parte integrante de ensembles, estreou cerca de 130 obras em Portugal, Alemanha, Bélgica, Espanha e Holanda, sendo dedicatório de muitas delas. Neste âmbito apresentou-se em festivais como Ciclo Estado da Nação (Casa da Música, Porto), Festival Dias da Música Eletroacústica (Seia), Festival Mixtur (Barcelona, Espanha), e Donaueschingen Music Festival (Donaeuschingen, Alemanha).

A sua discografia inclui discos em áreas tão diversas como a música contemporânea, erudita, improvisada, pop e world music.

Colaborou com a Banda Sinfónica Portuguesa Fundação Orquestra Estúdio e Orquestra Filarmónica das Beiras. Ministrou também cursos de aperfeiçoamento em Portugal Continental e insular, tendo apresentado um fórum sobra a música Portuguesa para clarinete e eletrónica, como professor convidado, no Conservatório Real de Antuérpia (Bélgica).

Natural de Tarouca, Frederic é licenciado e Mestre em Interpretação Artística pela Escola Superior de Música e artes do espetáculo e Mestre em Ensino de Música pela Universidade do Minho. Atualmente encontra-se a finalizar o Doutoramento em Música- Especialidade de Interpretação na Universidade de Évora. O membro efetivo da Banda Sinfónica Transmontana é também professor de Clarinete e Orquestra de Sopros do Conservatório de Música de Paredes.

“Desde que comecei a tocar clarinete nunca tive dúvidas de que aquilo fazia parte de mim”

Frederic Cardoso Começou pela banda juvenil de Gouviães com influência direta do pai, mas não foi o Clarinete o seu primeiro amor, quando ingressou na banda juvenil, o seu instrumento era o solfejo. Só depois de alguns trabalhos e atuações é que foi forçado a escolher entre o saxofone e o clarinete, optando pelo clarinete. O músico diz que a escolha não foi difícil, e que não foi o som dos instrumentos que influenciou a sua escolha, mas sim o aspeto dos mesmos.

“Quando ingressei na academia houve um grande choque de ideias muito por causa do tipo de formação, o professor da academia implementou novos métodos e ideias às quais não estávamos habituados.”

Frederic frequentou a academia de música até 2003, candidatou-se à escola superior de arte de Mirandela posteriormente afirmando que, na altura, era o que mais se enquadrava ao seu trajeto e, a melhor forma de atingir todas as suas metas.

“Enquanto intérprete não preciso só de estudar o instrumento várias horas como também preciso de ter um papel de investigador, preciso de aprofundar o lado mais teórico.

Para uma obra preciso de estudar o contexto sociocultural, o contexto da época para depois conseguir otimizar a minha performance”

“O clarinetista Frederic Cardoso é um verdadeiro motor de um assinalável número de obras de câmara em que o seu instrumento tem parte destacada”

Fernando Lapa- Compositor

“Um clarinetista de grande personalidade e versatilidade”

Ada Gentile- Compositora

in Voz de Lamego, ano 91/34, n.º 4616, 7 de julho de 2021

Entrevista a Mavis Monteiro – Diretora do Colégio de Lamego

O final de junho marca o final de mais um ano letivo na maioria das escolas, depois de mais uma jornada faz-se o balanço do que correu bem, do que correu menos bem e do que se pode melhorar. O Colégio de Lamego não é exceção, apesar dos bons resultados estarem à vista de todos, o Voz de Lamego quis saber mais, e, para isso, nada melhor que entrevistar uma das principais responsáveis de todo o sucesso, a presidente do Colégio, Mavis Monteiro.

1. Há quanto tempo está à frente da instituição? Quais são as principais responsabilidades?

Assumi a presidência da direção do Colégio de Lamego, que partilho com o Dr. António Martins, professor no Colégio há já vários anos, em setembro de 2017.

As nossas principais responsabilidades são as próprias de um estabelecimento escolar, agravadas pela maior exigência de quem confia os seus educandos a uma escola privada e, no nosso caso, por termos alunos e alunas em regime de internato. Quem investe na educação dos seus filhos, confiando-os a uma instituição como o Colégio, exige qualidade e rigor em termos académicos, mas exige igualmente a transmissão e solidificação de valores que constituem a base de uma boa formação humana. Esta é a nossa primeira e principal responsabilidade: formar crianças e jovens capazes de assumir a sua responsabilidade social, individual e coletiva, colocando o seu saber e as suas competências ao serviço do desenvolvimento pessoal e da sociedade em geral. E esta responsabilidade é ainda maior por o Colégio de Lamego ser uma instituição secular de referência nacional. Ajuda-nos o apoio e colaboração dos Ilustres Mestres Beneditinos residentes no Colégio, bem como uma equipa de docentes com excelentes qualidades académicas e humanas.  

2. Como descreveria o ambiente e o ensino da instituição?

O ambiente do Colégio é como o de uma família que se quer e dá bem, com um forte espírito de entreajuda e solidamente unida, apesar de, tal como em qualquer família, haver momentos menos bons e até difíceis. Ter alunos internos potencia ainda mais este ambiente. Estas crianças e jovens são como se fossem nossos filhos. Damos-lhes a atenção, o amor e o carinho de que tanto precisam, tal como repreendemos e dizemos “não” sempre que necessário e eles, tal qual verdadeiros irmãos, apoiam-se mutuamente e zangam-se mais do que é preciso para logo fazer as pazes.

Claro que o facto de sermos uma comunidade de pequena dimensão também contribui para este ambiente familiar. Todos se conhecem e o convívio entre os alunos dos diferentes anos e ciclos não só é possível como é uma realidade, contribuindo para o desenvolvimento de competências sociais que numa escola “grande” não é, de todo, possível. Aliás, a existência de alunos de diferentes nacionalidades permite um convívio natural e saudável com a diferença e a multiculturalidade, tão importantes no mundo global em que vivemos.

O desporto e a vida em contacto com a natureza, que o nosso pavilhão e a quinta do Colégio permitem e que tanto fomentamos, também contribuem para um ambiente unido e saudável.

No que respeita ao ensino, a competência, dedicação e empenho dos professores que compõem o corpo docente do Colégio garante o ensino de qualidade que atualmente nos caracteriza. Claro que a qualidade do ensino não garante, por si só, os bons resultados escolares, mas, reconhecendo as fragilidades que os “rankings” das escolas apresentam, acredito que foi o fator preponderante que permitiu que, no nosso concelho, o Colégio ficasse posicionado em 1.º lugar nos exames nacionais do ano anterior.  

3. São estas instituições que acabam por fazer parte da imagem de uma cidade. O que acrescenta o colégio à cidade de Lamego? E a cidade, em que aspetos beneficia a instituição?

O Colégio de Lamego constitui uma oferta educativa diferente para as crianças e jovens da nossa cidade. É a opção para quem pretende um ensino mais personalizado e individualizado, naturalmente possível pelo número de alunos existente em cada turma e pelos apoios individuais que disponibilizamos; para quem precisa de um estabelecimento de ensino que garanta um horário alargado e em que os alunos estão permanentemente acompanhados; para quem pretenda que os seus filhos cresçam numa escola em que os valores morais, a inclusão e a convivência multicultural são uma realidade e fazem parte da sua formação ou, ainda, para quem simplesmente pretende que os filhos tenham as atividades extracurriculares no estabelecimento de ensino que frequentam. As atividades que o Colégio disponibiliza, já incluídas nas propinas, bem como as que são ministradas por entidades parceiras que vão ao Colégio, permitem que pais e filhos não precisem de se deslocar entre locais, assim minimizando o stress e a sempre difícil compatibilização de horários. 

A partir deste ano letivo, o Colégio oferece ainda dois cursos profissionais até agora inexistentes no concelho e que constituem mais uma opção educativa para os nossos jovens

Ao longo dos seus 162 anos de existência o Colégio de Lamego constituiu e continua a constituir um estabelecimento educativo de referência. Por aqui passaram figuras insignes do panorama nacional, como Aquilino Ribeiro, para falar do passado; Fernando de Almeida, atual Diretor do Instituto Nacional Ricardo Jorge, ou Armando Mansilha, rosto público da rede CUF, para referir o presente. Claro que há milhares de antigos alunos cujos percursos tanto nos orgulham; alguns, atuais docentes do Colégio, que disponibilizaram o seu tempo e a sua competência para ensinar aqueles que, à sua semelhança, escolheram o “velho casarão da Ortigosa” para a sua formação académica, assim contribuindo para “levar” o nome da cidade de Lamego a todo o território nacional e cada vez mais para além-fronteiras.

O espaço e a credibilidade que estamos a conquistar a nível internacional permitem dar a conhecer a nossa cidade e atrair estudantes que, quiçá, a escolham para o seu futuro pessoal e profissional.

Por sua vez, a cidade de Lamego, pela sua beleza natural, história, segurança e simpatia das suas gentes, inspira a uma maior certeza dos pais na decisão de escolher o Colégio para os seus filhos. Também a confiança que os órgãos autárquicos depositam na nossa instituição, concretamente na atual direção, que publicamente assumem e partilham, beneficia o Colégio na medida em que denota a nossa qualidade formativa.

 4. Com certeza que existem alunos que a marcaram de uma ou de outra forma. Há alguma história que queira partilhar?

Sabe que a grande proximidade que existe com todos os alunos, desde o 1.º ao 12.º ano (sei o nome de todos, sem exceção), permite um acumular de histórias dos mais variados géneros e todas elas deixam a sua marca. A porta do meu gabinete está sempre aberta para receber os alunos e eles sabem disso… Desde histórias engraçadíssimas, próprias do “Flagrantes da Vida Real”, até às que partem o coração mais gélido, há tantas histórias dignas de partilha que é difícil escolher uma. Quem sabe um dia as possa compilar e publicar.

Apesar dos meus 54 anos e de três filhos já adultos, as histórias experienciadas com os alunos têm-me proporcionado uma permanente e gratificante aprendizagem pessoal. Já vivi inúmeras alegrias com os alunos, mas também já chorei por alguns e com alguns, tal qual sucede com os nossos filhos, só que, aqui, a responsabilidade pesa ainda mais porque são “nossos” sem o serem.

Contudo, podendo não ser as que nos marcam mais, as histórias que acabam bem são aquelas em que um aluno vem para o Colégio apenas por opção dos pais e passado algum tempo fica por vontade própria, ou quando parte genuinamente agradecido pelo caminho percorrido nesta casa ou com a imensa alegria de ver concretizados os seus objetivos.

5. Como asseguram a comunicação escola-família?

A nossa proximidade com a família permite uma comunicação regular e eficaz, através de qualquer meio de comunicação.

6. Quais os cursos disponibilizados pelo Colégio de Lamego? 

O Colégio disponibiliza, para além do ensino básico, todos os cursos científico-humanísticosciências e tecnologias, línguas e humanidades, ciências socioeconómicas e artes visuais – e vamos iniciar, em 2021/2022, os cursos profissionais de Técnico Administrativo e Vitrinismo, ambos totalmente comparticipados e, como tal, sem qualquer custo para os estudantes que optem por esta via.

Para além destes cursos, o Colégio oferece também um Centro de Estudos, que funciona durante todo o ano letivo e Programas de Atividades para os períodos não letivos, ambos abertos a alunos de outras escolas.

7. Sente que os alunos saem daqui prontos para a vida profissional?

Sem dúvida! Os inúmeros casos de sucesso de antigos alunos falam por si.

O Colégio de Lamego sempre incutiu nos seus alunos os valores do trabalho, do rigor, do esforço e da resiliência e o lema beneditino, “PER ASPERA AD ASTRA”, continua a ser um dos princípios que rege a formação dos atuais alunos. Desde o 1.º ano que começam a perceber que os resultados dependem do trabalho, do empenho e do comportamento.

Fundamental a este processo formativo é a prática desportiva que fomentamos. As regras, o espirito de equipa, o treino, o esforço, o respeito pelos colegas e pelos adversários, o saber lidar com a derrota e a capacidade organizativa a que o desporto obriga, contribui de forma muito positiva para que os alunos adaptem os mesmos valores à sua vida académica e, mais tarde, à sua vida profissional.

Para ajudar a gerir a pressão que, desde cedo, muitos começam a sentir, estamos a iniciar um trabalho de educação emocional, transversal a todos os níveis de escolaridade.

Incutindo valores fundamentais e estimulando a autorregulação emocional, estamos certos de que estamos a criar as raízes necessárias para que os nossos alunos integrem e lidem da melhor forma com a vida profissional que escolherem.  

Há poucos dias, um aluno que vai sair do país dizia-me, na hora em que se despediu, “Obrigado por me terem relembrado e feito reavivar em mim valores que já me tinha esquecido que existiam.” Senti que tínhamos cumprido a nossa missão! Mais alguém a quem tínhamos ajudado a ganhar asas para voar sozinho e para bem longe.   

8. Muitas vezes, passamos mais tempo no local de trabalho do que em casa e, por isso, é importante haver um ambiente familiar com os colegas de profissão. Sente que o ambiente no Colégio é agradável, um ambiente familiar?

O que já referi a propósito do ambiente que se vive no Colégio abrange todos os nossos colaboradores. O espírito de cooperação e entreajuda nota-se nas mais pequenas coisas e há verdadeiras relações de amizade entre alguns. Nem a pandemia travou o companheirismo que sempre se fez sentir!

Estamos de corpo e alma no Colégio, dedicamo-nos a 100% aos nossos alunos e trabalhamos para um objetivo comum: a sua excelente formação académica e humana.

“Juntos somos Colégio!” é a expressão que carateriza e espelha a nossa forma de estar, viver e sentir o Colégio.

9. Quais são as expectativas do Colégio para daqui a dez anos?   

Confiando no trabalho que temos desenvolvido e no seu reconhecimento por parte de toda a comunidade educativa, temos expectativas elevadas. Daqui a dez anos, esperamos, em primeiro lugar, manter connosco os alunos que estão atualmente no 1.º e 2.º anos de escolaridade e aumentar o número total de alunos, mantendo a qualidade de ensino existente. Depois, criar protocolos com algumas universidades, nacionais e estrangeiras, que permitam aos nossos alunos uma escolha mais informada e consciente para a sua vida académica futura; voltar a ter equipas campeãs nacionais de voleibol em vários escalões; ter uma quinta pedagógica em pleno funcionamento e os campos de futebol relvados e repletos de crianças e jovens.  

E acreditamos que é possível! Afinal, “PER ASPERA AD ASTRA”.

in Voz de Lamego, ano 91/34, n.º 4616, 7 de julho de 2021

Entrevista com Miguel Duarte, Diretor da Escola de Hotelaria e Turismo do Douro-Lamego

Miguel Duarte disse-nos que quando aceitou o desafio para o cargo de Diretor da Escola de Hotelaria e Turismo do Douro-Lamego tinha como principal missão dar continuidade ao grande projeto que já tinha iniciado há mais de 20 anos.

O seu maior desafio é que a Escola tenha um papel determinante no desenvolvimento do território do Douro, ser um centro de inovação e competitividade na área da Gastronomia. O seu maior propósito é ter uma escola com o propósito de Educar e Formar para a Sustentabilidade o destino Douro, promovendo um consumo sustentável dos recursos endógenos da região.

“Estou há dois anos como diretor da escola, têm sido 2 anos atípicos, entrei com um desejo e ambição enormíssima, mas rapidamente vi tudo isso condicionado pela pandemia. Este é um setor de formação que é muito penalizado com a questão da pandemia porque a transição para o online só pode ser feita em algumas vertentes, pois seria impossível juntar a componente prática e o online”.

Apesar de todo o contributo que o diretor e a Escola de Hotelaria e Turismo do Douro Lamego já deram à região, Miguel Duarte mostra que há vontade para contribuir muito mais, ajudar a resolver problemas da região e valorizá-la.

“Daqui a 10 anos espero ainda estar a trabalhar no setor, se possível, neste território. Com todos os projetos que temos em mãos espero que, num futuro próximo, esses projetos estejam a dar frutos e sejam reconhecidos, não só pelas pessoas que estão envolvidas, mas também para que, quem nos visita, possa desfrutar de um território mais coeso em termos territoriais, mas coeso a nível social e mais sustentável. Uma das minhas metas passa por valorizar esta região, que tem imenso para oferecer”.

Um dos grandes objetivos desta região é que haja um território que trabalhe em rede e, desde que a escola se instalou em Lamego, uma das coisas que tentou promover foi a ligação com o meio, privilegiando bastante a rede de contactos que tem, privilegiando os parceiros.

“O nosso sucesso é também o sucesso dos nossos parceiros. Temos uma ligação muito forte com as câmaras municipais, há uma relação bastante boa com a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Lamego, desenvolvemos também imensos projetos com a universidade de Trás-os-Montes na área da gastronomia e alimentação e ainda com todas as escolas profissionais do interior”.

A Escola de Hotelaria e Turismo do Douro Lamego conta agora com 270 alunos inscritos, muitos deles oriundos de outras cidades, que acabam por residir em Lamego.

“Muitos dos alunos estão deslocados da residência da família, o que faz com que os docentes tenham a preocupação de dar um acompanhamento mais personalizado aos alunos. Nas residências fazemos muitas sessões de cinema, leitura, teatro e muitas outras atividades. Fazemos isso para que os alunos sintam que têm aqui uma comunidade muito próxima deles”.

Miguel Duarte falou ainda das oportunidades que quer que os alunos da Escola de Hotelaria e Turismo do Douro Lamego tenham. Grande parte das escolas do nosso setor estão situadas no litoral, havendo apenas três escolas no interior, mas isso não preocupa o diretor.

“O facto de sermos das poucas escolas do interior, faz com que pareça que estamos distantes do mundo global, o que não acontece. Hoje em dia nós conseguimos colocar Lamego e o Douro. É por isso que faço questão que os meus alunos participem em concursos e atividades, sei que, se participarem, são os melhores”.

Todo este esforço, para que os seus alunos se mantenham entre os melhores da sua área, tem dado frutos, tendo mesmo alunos a representar o país, fora de portas.

O aluno da Escola de Hotelaria e Turismo do Douro-Lamego, Gonçalo Graça, conquistou recentemente o primeiro lugar da categoria de Cozinheiro Aprendiz no concurso Interescolas 2021.

A prova foi organizada pelas escolas do Turismo de Portugal. Gonçalo Graça, que estuda no curso de Gestão e Produção de Cozinha, garantiu a sua participação nos Encontros Europeus da Associação Europeia de Escolas de Hotelaria e Turismo que se vai realizar na Estónia.

O concurso Interescolas teve lugar no início deste mês de junho, contando com a participação de 12 escolas e perto de 100 alunos que competiram durante três dias na Escola de Vila Real de Santo António, no Algarve. Em prova estiveram 12 categorias ligadas às áreas de formação ministradas nas escolas de hotelaria e turismo do país.

O diretor, Dr. Miguel Duarte, está otimista em relação ao próximo ano letivo e apela a todos os que realmente gostam da área de hotelaria e turismo a juntarem-se à equipa da Escola de Hotelaria e Turismo do Douro-Lamego.

As candidaturas à Escola de Hotelaria e Turismo do Douro Lamego estão abertas, até 20 de julho, através de um processo online e gratuito, disponível em escolas.turismodeportugal.pt, para alunos nacionais e estrangeiros.

Cozinha, Pastelaria, Restauração e Bebidas, Hotelaria/Alojamento são alguns dos cursos disponíveis, com uma forte componente ligada ao desenvolvimento pessoal, às soft skills e à preparação dos jovens para uma ação ambiental e socialmente responsável. No último ano, 93% dos candidatos conseguiu colocação no Curso/Escola da sua primeira opção.

No próximo ano letivo, é também reforçada a aposta na capacitação das empresas e formação dos profissionais em novas áreas emergentes do turismo, como o Turismo Literário, Turismo de Luxo, Turismo de Saúde e Bem-Estar, bem como, no segmento da alimentação saudável, com uma nova oferta em Cozinha e Pastelaria Vegetal.

Perante os desafios dos últimos meses, a Escola de Hotelaria e Turismo do Douro Lamego tem vindo a introduzir mudanças significativas na sua organização e metodologia de formação, adequando-as à mudança digital acelerada que pauta o setor. Em 2021/2022, a Escola irá continuar a apostar no processo de transformação digital que consolidará as soluções de ensino à distância, a produção de suportes pedagógicos digitais e de apoio ao estudo.

Para preparar os profissionais do futuro com competências adequadas às exigências do setor do turismo, que acrescentem valor às empresas, que atuem com responsabilidade, ética e sustentabilidade e que assegurem um serviço de qualidade focado nos clientes e no desenvolvimento de experiências únicas, é essencial rever modelos e conteúdos, utilizar a tecnologia e os recursos digitais, mas também, criar projetos colaborativos com outras escolas e outras entidades e, sobretudo, com as comunidades locais e as empresas.

Neste sentido, a EHTDL procura dinamizar conteúdos nas áreas do digital, da sustentabilidade, da gestão, do marketing e vendas, novos conteúdos cognitivos nas áreas da análise de dados, do pensamento crítico e analítico e nas áreas colaborativas, gestão das emoções, da ética, da comunicação e relação social, da flexibilidade e adaptabilidade, da criatividade e autoaprendizagem.

Têm, igualmente, vindo a adicionar novos suportes tecnológicos e digitais, como softwares colaborativos, plataformas educativas e suportes digitais a processos de aprendizagem autónoma, mas também, criado parceiras colaborativas com outras escolas e universidades, empresas e as comunidades locais, ultrapassando as barreiras físicas da escola e estruturando um novo conceito de escola, enquanto comunidade de aprendizagem.

Paralelamente, têm vindo a ser introduzidas novas metodologias de educação-formação, com projetos piloto de aprendizagem baseada em projetos, de aprendizagem experiencial e de aprendizagem integrada, onde a formação deixa de estar focada na transmissão de conhecimento para estar focada na geração de competências através da resolução de situações concretas, do envolvimento em projetos reais, na resolução de questões identificadas nas empresas e nas comunidades. Através da concretização de experiências reais, os alunos vão desenvolvimento competências efetivas de pensamento analítico, de tomada de decisão, de liderança e de comunicação, adaptando-se e aprendendo a ser flexíveis, relacionais, focados nas soluções, empreendedores e inovadores.

O novo ano letivo 2021/2022 será focado na capacitação das equipas, em que se pretende enriquecer a Bolsa de Formadores com mais talento, em que será feito um reforço das parcerias nacionais e internacionais com outros níveis de ensino, e um maior investimento em novos meios e recursos digitais e tecnológicos para consolidar a área de inovação da escola.

Os grandes desafios da Escola nos próximos anos:

A EHTDouro Lamego pretende ser uma alavanca no desenvolvimento do território do Douro

  • Apoiar o Douro como um Pólo de Inovação e Competitividade.
  • Ajudar a tornar o Douro como um Território Ambientalmente Sustentável e Socialmente Inclusivo.
  • Apoiar o Douro como um Território em Rede, suportado em parcerias institucionais.

Projeto Centro Enogastronómico do Douro

  • Valorizar o património cultural do Douro através da promoção da Gastronomia enquanto marca distintiva da Região.
  • Preservar e promover a autenticidade dos produtos locais na gastronomia através da sua qualificação.
  • Manter viva a tradição de uma gastronomia que foi criada com os produtos da terra respeitando a lógica da sazonalidade.
  • Contribuir para a preservação da memória culinária do Douro.
  • Dar fôlego aos produtores locais contribuindo para a divulgação dos seus produtos e promovendo o enriquecimento local.
  • Identificar a gastronomia Duriense em função das disponibilidades/necessidades locais e também das festas e tradições.
  • Promover um encontro profícuo e cada vez mais ativo entre a gastronomia local e os vinhos do Douro.

Esperamos, assim, contribuir para a competitividade e qualidade do serviço prestado pelas empresas.

Queremos ser uma escola referência nas boas práticas “Km 0”, uma escola que trabalha em rede alargada com parceiros Institucionais e com os agentes económicos do setor.

Queremos ser uma escola Inclusiva e socialmente responsável e interveniente no seu ambiente territorial e agentes do setor do Turismo.

Seguindo sempre o nosso propósito “Educar e Formar para a Sustentabilidade o destino Douro, promovendo um consumo sustentável dos recursos endógenos da região”.

 in Voz de Lamego, ano 91/32, n.º 4614, 23 de junho de 2021

Entrevista com Joaquim Paulino Bernardes – Administrador E. Leclerc

Tendo a Voz de Lamego uma matriz cristã, procurámos entrevistar um ou outro empresário que obteve sucesso no espaço territorial da Diocese de Lamego e cujo empreendedorismo lhes permitiu criar vários postos de trabalho, contribuindo para o desenvolvimento da região, mas igualmente com uma componente social, com ligações mais ou menos estreitas à Igreja. Com a colaboração do Pe. José Ferreira, pároco da Sé e Cónego do Cabido, lançamos questões sobre o relacionamento com os funcionários e sobre a função social da riqueza.

Será possível conjugar investimento e compromisso cristão? Ser empresário de sucesso sem sacrificar as pessoas a números e percentagens?

Foram a estas e outras questões que o Sr. Joaquim Bernardes, administrador do hipermercado E. Leclerc de Lamego, respondeu, revisitando também a sua vida, nomeadamente como emigrante e, no regresso a Portugal, as etapas que o levaram a enveredar pelo movimento E. Leclerc, fixando-se em Lamego.

Voz de Lamego – Agradecemos, desde já, a oportunidade em nos conceder uns momentos para conversar connosco. Como é que se tornou aderente do movimento E.Leclerc?

Fui imigrante em França entre a década de 70 e 80 e conheci o E.Leclerc como cliente.

Os supermercados distinguiam-se dos restantes pela defesa constante do poder de compra dos consumidores em todas a áreas de consumo: combustíveis, produtos alimentares, moda, livros, auto, etc… Os preços eram de facto muito mais baratos. Na localidade em que vivia, no distrito de Lyon, reparei que um pequeno comerciante que conhecia pessoalmente e onde também fazia compras, abriu um supermercado E.Leclerc na periferia da cidade e que explicou-me que o fundador do grupo E.Leclerc, o Sr. Edouard Leclerc, autorizava que comerciantes independentes abrissem uma loja com o seu nome desde que vendessem mais barato, trabalhassem em âmbito famíliar (marido e mulher trabalhariam lado a lado) e repartissem os resultados da empresa com todos seus colaboradores.

Quando no início da década de 90 regressei a Portugal, abri um minimercado na cidade do Cartaxo e vi nascer os primeiros grandes supermercados e hipermercados. Conhecendo a missão da marca E.Leclerc em França, estabeleci contactos, e, após muita burocracia e dificuldades que tive que ultrapassar, consegui abrir com a minha esposa o E.Leclerc de Lamego em dezembro de 1996.

Como é que funciona o movimento E.Leclerc?

É um movimento cooperativo em que a empresa familiar, constituída por um casal, é proprietária do seu ponto de venda e são também coproprietários da marca E.Leclerc, tornando-os responsáveis pelo legado do seu fundador, o Sr. Edouard Leclerc. A sua missão, na década de 40 (pós-segunda guerra mundial) era ajudar os Franceses a acederem a produtos alimentares a preço baixo, comprando grandes quantidades de produtos para os vender mais baratos, tornando-se, por isso, este movimento precursor da distribuição moderna. É uma história muito rica de grandes combates sempre a favor dos consumidores e que os leitores podem conhecer em (http://movimento-leclerc.pt/)

Passado tantos anos do início desta cadeia de supermercados E. Leclerc, ainda se mantêm os objetivos que estiveram na génese da sua fundação?

Sem dúvida. Esta missão mantém-se válida e é hoje atualizada do ponto de vista social e dos valores que a norteiam. A titulo de exemplo no E.Leclerc promovemos: um consumo responsável (não vendemos crédito ao consumo); igualdade e ética no local de trabalho; a compra a fornecedores e produtores locais, apoiando assim o tecido económico local; a descentralização das competências e das decisões, beneficiando diretamente a qualificação e o número de empregos gerados por loja em oposição a grupos centralizados; o apoio as iniciativas culturais, sociais e desportivas locais que respondem ás solicitações da população local;

Como foi mudar de terra e fixar-se em Lamego?

Eu e a minha esposa mudamo-nos em 1995 com a convicção, desde o primeiro momento, que seria uma mudança definitiva. E assim foi. Considero-me hoje um Lamecense e em conjunto com a minha família criámos laços, amizades e afinidades que dão sentido à nossa vida e, no meu caso particular, à minha missão pessoal. Descobri gente de fibra e perseverante que muito estimo e respeito, pois acompanharam-nos do ponto de vista pessoal e profissional. Refiro-me também a todos os colaboradores com quem trabalho e com quem já trabalhei.

Como é a sua relação com os colaboradores?

Somos uma equipa familiar e todos conhecem as suas responsabilidades e a sua missão. Dispõem de uma grande autonomia e de um ambiente trabalho saudável podendo falar comigo sobre qualquer questão, sempre que o entenderem.

Esta é uma empresa de gente com “fibra”, em que mais de 30% dos colaboradores têm mais de 20 anos de casa e apenas 2% são contratos a prazo. Tentei sempre fazer do local de trabalho dos meus colaboradores um porto de abrigo, promovendo situações laborais estáveis. Gostaria de enumerar as boas memórias e histórias que guardo com os meus colaboradores ao longo de 25 anos, mas seria necessário escrever um livro. Aproveito a oportunidade para reconhecer publicamente o empenho e o valor de todos os homens e mulheres que comigo vão construindo e consolidado esta casa. A todos quero manifestar a minha gratidão.

Quantos são?

Nas épocas sazonais, de verão e natal, somos mais, mas a média anual são cerca de 130 colaboradores diretos e cerca de 15 indiretos (seguranças, limpeza e reposição externa).

Conhece-os pessoalmente?

É evidente que os conheço. Como é que posso cumprimentá-los e falar com eles se não souber o seu nome? Atualmente, tenho 40 funcionários que trabalham comigo há mais de 20 anos.

Alguns dos colaboradores são mesmo a segunda geração dos que começaram em 1996. Ou seja, trabalham os pais, os filhos e quem sabe, um dia, os netos. Infelizmente, a memória atraiçoai- me algumas vezes, levando a alguma troca de nomes.

Promove algum momento de convívio?

Sim, formais e informais, mas o mais simbólico é a organização anual do jantar de Natal que envolve sempre um número elevado de colaboradores na preparação e planeamento. É uma noite de partilha entre todos, em que distribuímos presentes aos mais jovens e festejamos os valores cristãos desta época.

São também beneficiários dos resultados da empresa?

Em 24 anos de atividade reparti todos anos, parte dos resultados da empresa com os colaboradores. É justo que, se contribuíram para os lucros da empresa, possam também beneficiar de uma gratificação em função do seu empenho e mérito. Os restantes resultados são investidos, localmente, de forma a melhorar continuamente as condições da atividade e desempenho da empresa.

Pensa que o respeito pela ética no trabalho também beneficia economicamente a empresa?

Sem dúvida, que isso é um imperativo que se impõe. Com base nas minhas convicções religiosas e valores pessoais que cultivo, não poderia ter   outra missão que não fosse promover os valores éticos e morais no trabalho, nomeadamente, encorajando um ambiente de trabalho saudável, de respeito mútuo e assente na honestidade. Quando se têm profissionais com um sentido ético no desempenho do seu trabalho, e com valores morais, há menos possibilidade  de furtos, desvios ou corrupção e isso também é importante dentro de uma organização e na sociedade em geral, como sabemos.

Este é um jornal regionalista… De que modo a região tem beneficiado da atividade da empresa?

Julgo que já fui respondendo a esta questão, mas podemos resumir da seguinte forma: emprego de mão de obra mais qualificada nas lojas, fruto de uma gestão mais descentralizada; a promoção de carreiras profissionais a longo prazo da quase totalidade dos seus colaboradores; a partilha dos lucros e dos resultados alcançados há mais de 24 anos; apoiamos e privilegiamos a produção local, permitindo o acesso de pequenos produtores de todas as áreas de produção; a possibilidade de contratar prestadores e empresas locais de serviços e de indústria para as suas necessidades locais, reforçando as sinergias; graças à nossa rede de dimensão europeia, conseguimos propor aos clientes produtos de grandes marcas, mas também os de marca própria, a preços muito baixos. Os nossos clientes reconhecem-no e quem compra sabe que aqui as compras ficam mais baratas. É esta a nossa missão.Posso concluir que as populações locais podem aceder a uma oferta de produtos e serviços que geralmente só estão acessíveis em centros urbanos de maior dimensão. Mas a missão E.Leclerc é precisamente disponibilizar tudo a preços baixos;

De que modo a sua formação cristã o tem influenciado no seu agir empresarial?

Reconheço que, nestas duas décadas a empresa tem apoiado, economicamente, iniciativas de carácter religioso, no âmbito paroquial da cidade, mas também doando géneros alimentares e não só, a inúmeras iniciativas sociais, culturais e religiosas em várias centenas de milhares de euros. Mas neste campo, prefiro que sejam as associações, as instituições da Igreja local, e mesmo os beneficiários diretos a destacar o papel humanitário da empresa. Fi-lo sempre pelas minhas convicções religiosas sem esperar nada em troca. A minha formação espiritual tem ajudado a saber humanizar a empresa e a dar-lhe um sentido de proximidade com os mais necessitados, quando há campanhas humanitárias.

A sua empresa tem contribuído para iniciativas na região?

Sem dúvida. Tentamos sempre que possível, participar em iniciativas várias e ajudar as instituições que prestam assistência à população e na organização de eventos que promovem o concelho e a região.

Embora a ajuda não deva ser interesseira …pode atrair mais clientes?

As empresas devem desenvolver o seu papel social em função das emergências e necessidades sociais da região em que se insere. Como cristão, este é um papel natural feito de forma desinteressada, mas cujo reconhecimento emerge de forma lenta. Tenho o privilégio de perceber ao longo de 25 anos, que contribuímos para as melhorias das condições de muitos concidadãos, clientes, mas também não clientes. Confirmo que em prazos longos e com decisões consistentes as políticas sociais geram reconhecimento.

É possível conjugar lucro, ajudando a fixar famílias?

Claro que sim. Trabalhamos todos no sentido de desenvolver a empresa e o setor do comércio e serviços e, nesse sentido, apoiar o desenvolvimento local. Ao manter e criar emprego, as pessoas têm um rendimento estável que lhes permite fixarem-se no concelho e concelhos limítrofes e manterem um nível económico e social estável, diminuindo a emigração.

Que diria a alguém que queira investir na região?

A realização nesta área não advém do resultado económico direto, sendo, contudo, essencial para a continuidade da atividade se projetar a longo prazo, desenvolvendo sinergias com o tecido económico e social locais.

Como é que lidou com este tempo de pandemia?

Com muita esperança e paciência. Foi um desafio a uma escala global com consequências negativas do ponto de vista social e económico. A nível laboral foi difícil, pois enfrentamos um momento imprevisível e sem precedentes, mas contei sempre com o empenho e a colaboração dos funcionários que se esforçaram muito para mantermos todos os nossos serviços a funcionar com qualidade e segurança. Por outro lado, também verifiquei maior disponibilidade e tempo para um recolhimento e maior convívio com a família.

É possível ser cristão e ser empresário de sucesso? Como conciliar?

Acredito seriamente que sim. É possível ser cristão em toda e qualquer circunstância e em qualquer contexto. É este o desafio de ser cristão no século XXI. Os cargos de maior responsabilidade para com a sociedade são hoje submetidos a enormes pressões de lucros a curto prazo, às vezes sem olhar a meios, mas não devemos ceder naquilo em que acreditamos. É uma questão de coerência e de verdade para quem acredita e orienta a sua vida pela mensagem do Evangelho.

in Voz de Lamego, ano 91/30, n.º 4612, 8 de junho de 2021

32 anos da Rádio Clube de Lamego – Entrevista com Júlio Coelho

A Rádio Clube de Lamego celebrou o 32º aniversário, no dia 22 de maio.

 “Quando era aluno aqui do liceu de Lamego colaborava com, na altura jornal paroquial, Varanda do Douro, o pároco da região bateu-me à porta para eu começar a escrever com regularidade para o jornal. Todas as semanas mandava um artigo para publicação”

Júlio Coelho afirma que “o bichinho da comunicação” nunca o abandonou e acabou por ser o fundador e diretor da rádio, já lá vão 32 anos. Aquando da fundação, em 1989, estava Portugal a iniciar um processo evolutivo. Por esta altura eram grandes as mudanças quer na política, quer na sociedade e na economia, um processo que marcou as rádios locais, sem deixar a Rádio Clube de Lamego de fora. Nesta época eram muitas as rádios que emitiam clandestinamente, aqui surgiu o grande impulso dos rádios piratas, no entanto a Rádio Clube de Lamego já era uma rádio legal.

“A rádio tinha um programa denominado como “Serões da aldeia”, que foi o ponto revolucionário. Ainda não existiam novelas nem outros programas para as populações das aldeias, e nós, todas as quintas-feiras deslocávamo-nos a essas mesmas aldeias, normalmente às juntas de freguesia, para passarmos os serões com a população, população essa que, religiosamente, sintonizava o 97.0 para ter a nossa companhia nas noites de quinta-feira. “

A Rádio é descrita por quem lá trabalha como uma rádio de companhia e sobrevivência. Um meio de comunicação local que dá voz aos ouvintes desde 1989. O diretor é Júlio Coelho e para os mais antigos ouvintes ele era quem tinha “a voz de rádio”. Situada em Lamego esta é uma das rádios mais conhecida no Interior Norte português.

“A rádio tem vindo a crescer de ano para ano, não há dúvida nenhuma, muito por causa dos ouvintes e dos nossos anunciantes. Eles são os principais obreiros deste projeto de rádio do qual a cidade de Lamego se orgulha”.

A Rádio Clube de Lamego nunca se ficou apenas por ares lamecenses, considerando-se a rádio do Douro, Trás-os-Montes e Beiras, tendo ainda feito a cobertura de vários eventos no estrangeiro.

O ainda diretor da rádio contou à Voz de Lamego que em 1995, a Rádio clube de Lamego marcou presença no Parc des princes, em Paris. “O que motivou a nossa ida a terras francesas foi a cobertura do jogo entre Sporting Clube de Lamego e os Lusitanos de Saint-Maur, que antecedeu ao encontro grande, SL Benfica VS FC Porto, a contar para a supertaça”.

Atualmente, continuam a sair do país para fazer a cobertura de vários eventos como a Expourense, um evento ligado à gastronomia realizado, como o próprio nome indica, em Ourense, uma cidade no noroeste de Espanha.

Júlio Coelho mostrou também ter boas perspetivas quanto ao futuro da rádio: “Queremos continuar a ser aquilo que temos sido até agora, queremos ser um veículo transmissor de notícias, tudo para trazer a informação para os cidadãos Lamecenses. Vamos continuar a estar atentos a tudo o que se passa na região com o mesmo rigor que sempre marcou a rádio, e que colocou a mesma ao nível a que se encontra, com a credibilidade que tem, e também com a aceitação que tem por parte das autarquias, das populações e por parte das instituições.

1.       Quais seriam os principais capítulos da sua autobiografia?

Preocupação com o bem-estar da família e sociedade

2.       Se pudesse dominar uma habilidade, qual seria?

Futebol

3.       Quem é a sua maior inspiração?

Nossa Senhora dos Remédios/ Santo João Paulo II

4.       Se todos os trabalhos pagassem exatamente o mesmo, qual seria o seu?

Camionista de longo curso

5.       Uma aventura que gostasse de viver?

Salto de Paraquedas

6.       O que mais toma o seu tempo?

Agricultura e vinicultura

7.       Qual foi a melhor coisa que lhe aconteceu na vida?

Ter conhecido a minha mulher

8.       Quem o conhece melhor?

Mulher e filhos

9.       Mudaria alguma coisa em si?

Ter ainda mais atenção à sociedade de forma a conseguir ajudar os mais desfavorecidos

10.   Maior desejo?

Fim desta pandemia/ Fim das guerras e conflitos

in Voz de Lamego, ano 91/28, n.º 4610, 25 de maio de 2021

Entrevista com o Presidente do Município de Castro Daire, Dr. Paulo Martins de Almeida

Desde janeiro, procurámos entrevistar os 14 Presidentes dos 14 Municípios incluídos no território da diocese de Lamego, e procurámos conhecer melhor as preocupações e desafios das autarquias. Finalizámos com o excelentíssimo Presidente da Câmara de Castro Daire, Dr. Paulo Martins de Almeida no primeiro mandato à frente deste município.

Economista de formação, com ligações profissionais à indústria farmacêutica, tem a sua primeira experiência como presidente da autarquia.

Voz de Lamego – A pandemia do novo coronavírus colocou-nos a todos em alerta. A resposta, como em tantas situações, passa pela intervenção local, em que o Presidente do Município tem um papel essencial, de coordenação e intervenção. Como tem vivido o concelho estes tempos? Principais necessidades e constrangimentos…

Paulo Almeida (CMCD) – Na verdade ninguém imaginaria que esta pandemia pudesse surgir e que, de um momento para outro, mudasse radicalmente as nossas vidas, com necessidade de adaptação a esta nova realidade.

A pandemia atingiu toda a comunidade e veio alterar significativamente o nosso quotidiano, pelo que se tornou o nosso foco nos últimos tempos. A proteção das pessoas e das nossas instituições passou a ser a nossa maior prioridade.

No respeitante à ação do Município de Castro Daire implementámos, desde o início da pandemia, em ação conjunta com os diversos elementos da Comissão Municipal de Proteção Civil, uma série de medidas com o objetivo de proteger as pessoas, nomeadamente os nossos munícipes. Desde logo achámos por bem encerrar as infraestruturas públicas de utilização coletiva e cancelámos todas as iniciativas, onde presumivelmente poderia existir maior concentração de pessoas, tornando o local de maior risco. Optámos também por restringir ao mínimo o acesso ao atendimento presencial dos nossos serviços, tornando-o possível apenas para casos inadiáveis e urgentes, privilegiando o atendimento telefónico e eletrónico, reforçando para isso a capacidade de resposta de atendimento telefónico, adaptando os serviços a esta nova realidade.

Apostámos também na higienização e desinfeção dos locais públicos com maior afluência de pessoas, onde existia um risco maior de contaminação e equipámos também 2 espaços para apoio e retaguarda em situação de emergência.

Reforçámos a nossa equipa da proteção civil e passámos a ter um trabalho diário com o intuito de fazer face aos diversos problemas inerentes a esta pandemia, permitindo-nos dar respostas atempadas e capazes de minimizar todos os problemas e constrangimentos.

VL – O impacto económico foi certamente notado nas empresas e nas famílias. Que medidas foram implementadas pelo Município para acorrer às diferentes situações e para minimizar os prejuízos e as dificuldades sentidas?

PA – Conscientes da realidade do nosso Concelho e das dificuldades que algumas famílias atravessavam, desde logo, o Município criou uma linha de apoio social ao domicílio. Um programa de intervenção social com o objetivo de suprir as várias necessidades básicas dos agregados familiares mais vulneráveis, garantindo o apoio psicológico aos munícipes, o acesso a medicação e aos bens de primeira necessidade. Procedemos à isenção do pagamento do consumo de água, saneamento e resíduos sólidos urbanos, bem como a isenção do pagamento de taxas de ocupação da via pública, publicidade, mercado e feira. Fizemos ainda a distribuição de máscaras comunitárias a toda a população

As empresas do concelho, principalmente o comércio tradicional, sofreram quebras elevadas originadas pela pandemia da COVID-19 e, sendo um setor vital para a economia do nosso concelho, apostámos na criação de algumas medidas de apoio que pudessem colmatar as dificuldades dos nossos agentes locais, que se viram obrigados a encerrar os estabelecimentos. Foram lançadas várias medidas de estímulo à compra no comércio local, nomeadamente concursos e distribuição de vales de desconto para compras no nosso comércio, que se revelaram medidas com impacto extremamente positivo para os agentes do setor, atenuando as dificuldades que passaram e continuam a passar, medida esta que também beneficiou os munícipes através dos descontos concedidos.

Garantimos também o apoio aos nossos agricultores e produtores locais, com o pagamento dos estímulos à produção, mesmo não tendo sida realizada a recriação da “Última Rota da Transumância” e a “FICA – Feira Industrial, Comercial e Agrícola de Castro Daire”.

VL – As IPSS´s de toda a região foram chamadas a prestar um apoio social decisivo à população, ao mesmo tempo que tiveram de cumprir apertadas medidas de segurança. Como foi a resposta das Instituições Sociais no Concelho? Que papel coube à Câmara?

PA – Foram momentos bastante complexos os que as nossas IPSS`s atravessaram, até porque, infelizmente, fomos dos concelhos do país mais afetados na primeira vaga.

O Município de Castro Daire acompanhou desde a primeira hora a evolução da situação e colaborou de forma ativa com a Autoridade de Saúde Local para salvaguardar o funcionamento das instituições, bem como a situação dos seus utentes e dos seus colaboradores. Uma das grandes dificuldades que as nossas instituições manifestaram foi a falta de EPI`s (Equipamentos de Proteção Individual). O Município de Castro Daire atendendo a esta necessidade, esteve ao lado de todas as instituições, nomeadamente no apoio financeiro, mas principalmente na doação de material. Foram investidos por parte do Município algumas centenas de milhares de euros em medidas de apoio para que estes agentes pudessem desenvolver o seu trabalho em condições recomendadas de operacionalidade e segurança. Foi um período bastante complicado, onde a autarquia fez um enorme esforço financeiro, visto que os preços dos materiais atingiram valores exorbitantes.

Além do apoio logístico e institucional tivemos também uma proximidade e acompanhamento constante junto das nossas IPSS`s, que facilitou a ajuda e a resolução dos seus problemas.

Aproveito para uma vez mais, expressar uma palavra de agradecimento a todos os profissionais que estiveram e continuam a estar na linha da frente, nomeadamente, os nossos bombeiros, profissionais de saúde, as forças de segurança, diretores e funcionários das IPSS`s, e funcionários municipais pelo seu enorme esforço e dedicação à causa pública, esses sim, são os verdadeiros heróis.

VL – O turismo, fundamental na nossa região, foi amplamente afetado, com um decréscimo acentuado no número de visitantes. A restauração, a hotelaria, pequenas empresas, produtos com a marca do Concelho, viram-se em grandes dificuldades. Foi adotada alguma medida especial para este setor e que expetativas tem para a atividade turística para o concelho em 2021?

PA – As empresas do concelho, principalmente o comércio tradicional, sofreram quebras elevadas originadas pela pandemia da COVID-19. Trata-se de mais um setor vital para a economia do nosso concelho. Após o primeiro confinamento, como já referi anteriormente, levámos a cabo o concurso “AQUI COMPRA! AQUI FICA!”, uma medida de apoio aos nossos comerciantes, onde foram distribuídos vários prémios, no valor total de cerca de 10.000,00€, prémios esses que teriam de ser descontados no comércio local. A isenção do pagamento das taxas de ocupação pública para o comércio e da fatura da água, foram também medidas de adotámos como forma de apoio.

Também na época natalícia, voltámos empenhados com mais uma medida de apoio aos nossos comerciantes, com a campanha denominada “(Des)contos de Natal”. Esta campanha contemplou atribuição de vales de desconto de 10% em todas as compras efetuadas no comércio local. O impacto desta medida originou compras de aproximadamente 300.000,00€ no nosso comércio, correspondendo a cerca de 22.000,00€ de vales de compra, montante que o município injetou na economia local ao abrigo desta medida.

Está também em curso, em parceria com diversos agentes turísticos, a criação de um conjunto de pacotes de oferta integrada neste setor. Esta aposta pretende divulgar e potenciar o território através da criação de uma marca e de uma oferta diferenciadora que fomente a procura de Castro Daire com a combinação dos vastos produtos turísticos e alavancando, desta maneira, o desenvolvimento económico do concelho.

VL – Nesse sentido, ainda, como é que foi a coordenação das medidas a implementar entre o poder local, bem no interior do país, e os organismos centrais? E já agora, a inserção na CIM Viseu Dão Lafões tem contribuído para uma resposta conjunta mais coordenada e eficiente?

PA – Compreendemos que esta pandemia foi um processo difícil para todos, onde incluímos naturalmente o Estado, representado pelo Governo da Nação, num processo diário e de grande exigência.

Naturalmente que gostaríamos que, em diversas situações, a coordenação com as autarquias, falo em particular do nosso município, tivesse sido mais efetiva e mais participada na construção da estratégia global.

De forma geral, tratou-se de um trabalho diário para assegurar o melhor para os nossos cidadãos e com o objetivo comum de promover o bem-estar de toda a comunidade. Incluo aqui também a CIM Viseu Dão Lafões, a qual coordenou várias posições do seu território, bem como a implementação de várias medidas transversais, sempre em defesa dos seus municípios e das suas gentes.

VL – A dinâmica dos municípios foi igualmente decisiva neste contexto. Mas, apesar dos constrangimentos, os projetos em curso continuaram. O que gostaria de ver concretizado até ao final deste mandato autárquico?

PA – Claro que enquanto Presidente do Município de Castro Daire gostaria que todos os projetos que temos em curso e para arrancar ficassem concluídos. Mas tenho a noção que é humanamente impossível que tal aconteça. São variados e de grande dimensão os projetos em curso no nosso território. Destaco a construção do Percurso de Piscinas Termais exteriores de água quente nas Termas do Carvalhal, o Pombeira Adventure Park, a Requalificação do Jardim Municipal de Castro Daire, a Requalificação da Escola Secundária, a Requalificação da Av. 25 de Abril na vila de Castro Daire, a Requalificação da Estrada Municipal de Cerdeiró entre Mões e a Freguesia de Moledo, a Requalificação do Parque de Campismo das Termas do Carvalhal, a Requalificação da Igreja da Ermida e dos seus acessos, entre outros. Estamos, ainda, a preparar um conjunto de candidaturas que vão desde a requalificação do nosso Centro de Saúde, da EB 1, 2, 3 de Castro Daire, uma 3ª fase da Escola Secundária, da Envolvente do Penedo de Lamas e da envolvente da Zona da Igreja da Ermida.

Todos estes projetos são de grande importância no desenvolvimento do nosso território, no futuro do nosso Concelho, com enorme impacto também na economia local. Destaco naturalmente o projeto das Piscinas Termais Exteriores de água quente, projeto inovador em Portugal continental e diferenciador no setor termal. Tenho a certeza que se trata de projeto importante para Castro Daire, mas também para toda a região.

O Pombeira Adventure Park é, também, um projeto com enormes potencialidades. Assente no turismo de natureza e na valorização de uma das nossas mais impressionantes riquezas naturais, este parque aventura trará novas valências e permitirá que estes recursos naturais sejam usufruídos por vários segmentos da população.

Claro que a requalificação do nosso Jardim Municipal da Vila de Castro Daire também é uma marca que pretendemos deixar. Tratando-se do coração da nossa Vila de Castro Daire, esta requalificação vai permitir dar uma imagem de modernidade e de inovação à própria Vila, contribuindo para a valorização da nossa imagem e daquilo que temos para oferecer.

Continuamos a investir na vertente de atratividade de investimento externo. Como tal, estamos a fechar o projeto para a criação de novos espaços industriais, nomeadamente com a criação da Zona Industrial da zona sul do concelho (Mamouros). Paralelamente, foi, recentemente, publicado em Diário da República a criação do Regulamento Fiscal e do Investimento, que contempla condições vantajosas em termos de descontos/isenções de IMT, IMI e derrama para quem investir em Castro Daire.

Outra vertente estratégica de investimento passa pela sustentabilidade ambiental. Estão em curso e em fase de finalização, investimentos em novas e modernas Estações de Tratamento de Águas residuais, superiores a 10.000.000,00€. Foi aumentada a nossa capacidade de separação de resíduos com a instalação de várias ilhas ecológicas e novos ecopontos com uma cobertura quase total das aldeias do concelho. Numa estratégia de sustentabilidade ambiental e, também, financeira, o Município de Castro Daire tem em processo de adjudicação uma empreitada com vista à substituição integral da iluminação pública para tecnologia eficiente – LED. Trata-se de um investimento de cerca de 2.500.000,00€, financiado por fundos comunitários e que, segundo a auditoria energética efetuada, irá traduzir-se numa poupança anual de cerca de 300.000,00€.

VL – Para alguém que visita o concelho, como o apresentaria? Que caraterísticas distintivas tem este território, do ponto de vista económico e empresarial, cultural e patrimonial?

PA – Castro Daire é um território de excelência, com uma identidade ímpar e genuína. É um território com grandes potencialidades e com muito para oferecer a quem nos visita. As Termas do Carvalhal, a Serra do Montemuro e o Rio Paiva, oferecem condições únicas e com inúmeras potencialidades, capazes de cativar públicos e fazer as delícias de quem nos visita.

A nossa Gastronomia, a nossa cultura, o nosso imenso património religioso e edificado, as nossas paisagens e os nossos percursos pedestres são mais algumas das razões que quase obrigam os turistas a virem conhecer o nosso território.

Não poderia deixar de referir dois eventos de referência, “A Última Rota da Transumância”, onde é possível vivenciar várias tradições e costumes das nossas aldeias serranas e a FICA – Feira, Industrial, Comercial e Agrícola, uma referência do concelho, onde é possível conhecer todos os nossos setores económicos.

Em termos empresariais, destacam-se alguns setores de atividade, nomeadamente, a extração e transformação de granitos, o setor florestal e transformação de madeiras, e estruturas metálicas. O setor agrícola e pecuário teve nos últimos anos um elevado crescimento, destacando-se, entre outros, o setor avícola e os frutos vermelhos.

Uma das características mais importante de Castro Daire e das nossas gentes que gosto sempre de realçar é a nossa hospitalidade. Gostamos de receber quem nos visita e sabemos demonstrá-lo de forma genuína!

VL – A população concelhia, a exemplo do que acontece em todo o interior português, envelhece e diminui. Que consequências se avizinham? Como contrariar o êxodo da população a que assistimos e favorecer a sua fixação entre nós? Como vê, a partir do lugar que ocupa, a situação do País? Tendo em conta também os tempos que se avizinham…

PA – É um problema transversal a toda a região do interior e Castro Daire não é exceção. No que concerne à responsabilidade da autarquia, temos vindo a adotar várias medidas para inverter esta problemática.

Em primeiro lugar são necessárias políticas que promovam a fixação de pessoas, que valorizem a qualidade de vida das nossas gentes e que possam contrariar esta tendência de perda de população e êxodo rural.

A aposta no setor turístico, a cativação de investimento privado que temos vindo a conseguir são os melhores exemplos desta estratégia de fixação de pessoas e de medidas que nos permitem ser otimistas em relação ao futuro do Concelho.

Apesar de este ser o maior desígnio dos autarcas do interior e a nossa principal missão, esta causa tem de ser mais do que isso. Esta causa tem de ser uma missão e um desígnio nacional. Só assim se conseguirá ser efetivo no cumprimento deste objetivo.

O Governo tem de ter este como um dos seus grandes objetivos, combater a desertificação de cerca de 80% do território e contrariar os problemas sociais, económicos e habitacionais de 20% do território, provocado pela concentração de pessoas. Só com uma estratégia integrada se alcançará o desenvolvimento sustentado e integrado do país.

VL – A menos de um ano do fim do atual mandato autárquico que balanço faz do trabalho realizado?

O atual mandato tem sido bastante difícil e de uma grande exigência perante as diversas adversidades vividas. Foram várias as situações que nos obrigaram a mudar o foco da estratégia a implementar e a deslocar os recursos disponíveis para a missão de “Salvar Vidas”. A nossa grande prioridade foi sempre a segurança e a saúde dos nossos munícipes. Logo no arranque do mandato fomos fustigados pelos enormes incêndios de outubro de 2017 e vários outros nos anos seguintes. Em dezembro de 2019, Castro Daire foi um dos concelhos mais afetados pelas tempestades Elsa e Fabien, que deixaram um rasto de destruição, prejuízos avultados e perdas de vidas humanas.  A pandemia da COVID-19, situação inesperada e de um impacto severo, condicionou fortemente a nossa ação, em que redirecionámos os nossos recursos e meios para o seu combate.

No entanto, apesar destas adversidades, foram vários e em diversas áreas os investimentos realizados ao longo deste mandato, com muitos finalizados, vários outros em curso e a serem contratualizados e outros a serem projetados.  

Neste período, devo salientar, a estabilização financeira, a elaboração de vários projetos fundamentais, uma forte interação com os vários organismos regionais e nacionais em busca de financiamentos externos, a elaboração de candidaturas a fundos comunitários, lançamento de concursos para a contratação pública e a implementação e realização dos investimentos. Temos a plena consciência que ainda existem vários projetos que necessitam ser implementados e é nesse sentido que continuaremos a trabalhar arduamente para o desenvolvimento do nosso concelho.

VL – Que mensagem de esperança e de estímulo gostaria de transmitir aos seus munícipes para este novo ano?

É um momento difícil aquele que vivemos, contudo não podemos desistir nem baixar os braços. Apesar das dificuldades que atravessamos, quero deixar um voto de esperança a todos os castrenses. Continuamos juntos nesta luta, pois só assim, com a união e cooperação de todos iremos certamente ultrapassar esta adversidade.

Nunca nos faltou a tenacidade e a força para enfrentarmos os problemas, ultrapassando todos os obstáculos. É com essa determinação que continuaremos a defender todos os Castrenses e a construir o futuro de cada um de nós.

Estamos Juntos a Construir o Futuro!

in Voz de Lamego, ano 91/26, n.º 4608, 11 de maio de 2021

Categorias:Entrevistas

Entrevista Voz de Lamego: Presidente do Município da Mêda, Dr. Anselmo de Sousa

Retomamos o périplo pelos Municípios pelos quais se estende a Diocese de Lamego. Esta semana viajamos até à Mêda para ouvirmos o Ex.mo Senhor Presidente da Câmara Municipal, Dr. Anselmo Antunes de Sousa.

Natural de Cavernães, concelho de Viseu, cedo abraçou a Mêda como sua terra. De uma família dedicada a agricultura, chegou a estudar no Seminário Maior de Viseu. O destino acabaria por o levar para uma carreira profissional dedicada ao ensino. Nesta área assumiu cargos diversos para além da profissão professor. Foi membro do concelho diretivo do Agrupamento de Escolas de Mêda, e orientador de vários projetos educativos e estágios. Casado, pai de um filho, foi eleito vereador no Município de Mêda em 2009, acabando por ser eleito presidente 4 anos depois. Exerce o seu segundo mandato como presidente de câmara. Com uma forte dedicação à causa social e ao associativismo, assume igualmente o cargo de provedor da Santa Casa da Misericordia de Mêda, e integra ainda associações como os Bombeiros Voluntários de Mêda, o Sporting Clube de Mêda e diversas associações culturais e desportivas.

Voz de Lamego – A pandemia do novo coronavírus colocou-nos a todos em alerta. A resposta, como em tantas situações, passa pela intervenção local, em que o Presidente do Município tem um papel essencial, de coordenação e intervenção. Como tem vivido o concelho estes tempos? Principais necessidades e constrangimentos…

Anselmo Sousa – De facto, esta pandemia virou o nosso mundo ao contrário. Literalmente. De repente, todos fomos obrigados a rever as nossas prioridades. E os Municípios, enquanto instrumento da administração autónoma do Estado, pela sua proximidade junto das populações, e pela amplitude das suas atribuições, que vão desde a ação social à proteção civil, foram chamados a dar resposta imediata aos efeitos desta pandemia. No caso do concelho de Mêda, a situação viveu-se de forma ambígua. Os primeiros 10 meses da pandemia passaram de forma serena, com resultados muito satisfatórios. Tivemos alguns casos de COVID, mas sempre em cadeias de contágio devidamente identificadas. No período entre o natal e o ano novo, fomos atingidos de forma brutal, com diversos surtos que atingiram a comunidade de forma avassaladora. E assim, de repente, encontramo-nos com um dos maiores índices per capita de contágio do país.  Mas não baixamos os braços. Continuamos a focar a nossa ação em dar resposta às necessidades, focando-nos no principal: ajudar os que mais precisam. Assim, numa ação concertada com IPSS’s, Bombeiros, Juntas de Freguesia, Voluntários e outras forças vivas do concelho, foi possível dar resposta à altura do exigido. O impacto dos surtos nos lares de idosos foi particularmente exigente. Porque afetou utentes das instituições, funcionários, e suas famílias. Mas a nossa resposta foi eficaz. 

VL – O impacto económico foi certamente notado nas empresas e nas famílias. Que medidas foram implementadas pelo Município para acorrer às diferentes situações e para minimizar os prejuízos e as dificuldades sentidas?

Desde a primeira hora nos mantivemos atentos às necessidades impostas por esta situação. Nas mais variadas vertentes. A interrupção das aulas obrigou-nos a encetar esforços na aquisição de equipamento informático de forma a possibilitar aos alunos sem recursos o acesso a um ensino de qualidade. Ao nível do apoio às famílias, mantivemos a distribuição de refeições escolares ao domicílio para famílias carenciadas. Colocamos diversos programas em prática com vista ao auxílio a pessoas de mobilidade reduzida ou portadoras de doença crónica, entregando compras e medicamentos ao domicílio. E claro, por termos noção do impacto económico desta pandemia, implementamos um largo programa de apoio ao comércio e à restauração, apoiando financeiramente os pequenos negócios que tinham sido obrigados ao encerramento forçado da sua atividade.

VL – As IPSS´s de toda a região foram chamadas a prestar um apoio social decisivo à população, ao mesmo tempo que tiveram de cumprir apertadas medidas de segurança. Como foi a resposta das Instituições Sociais no Concelho? Que papel coube à Câmara?

Reforçamos o apoio às IPSS’s do concelho, uma vez que estas instituições são verdadeiros parceiros na prestação de serviços e no acompanhamento de pessoas com dificuldades. Este apoio teve a vertente financeira, com reforço do apoio monetário a estas instituições, de forma a fazerem face às necessidades emergentes, e teve a vertente de apoio logístico num amplo programa de distribuição de equipamentos de proteção individual por todas as instituições. Ao mesmo tempo, isentamos por um largo período todas as IPSS’s do pagamento de diversas taxas municipais. Tudo com o propósito de facilitar a atividade destes nossos parceiros, cujo papel na mitigação dos efeitos desta pandemia, tem sido da mais elevada importância. Pela proximidade que têm junto dos mais vulneráveis, principalmente dos mais idosos, uma estreita colaboração com as IPSS’s do nosso território é da mais elevada importância para o sucesso duma ação de resposta conjunta.

VL – O turismo, fundamental na nossa região, foi amplamente afetado, com um decréscimo acentuado no número de visitantes. A restauração, a hotelaria, pequenas empresas, produtos com a marca do Concelho, viram-se em grandes dificuldades. Foi adotada alguma medida especial para este setor e que expetativas tem para a atividade turística para o concelho em 2021?

O programa de apoio ao comércio e à restauração foi um primeiro passo dado pelo município, no propósito de mitigar os efeitos da pandemia neste sector, cuja importância no nosso desenvolvimento económico local é inegável. Este programa destaca-se pela sua ambição, principalmente se tivermos em conta as capacidades financeiras do nosso Município. Fizemos um esforço considerável para colocar estas medidas em prática, exigindo um esforço no nosso orçamento na ordem dos 300.000€. No entanto não queremos ficar por aqui. Neste momento estamos a estudar um reforço destas medidas de apoio, dedicadas ao sector da hotelaria e do alojamento local. Esperamos poder lançar este reforço em breve.

VL – Nesse sentido, ainda, como é que foi a coordenação das medidas a implementar entre o poder local, bem no interior do país, e os organismos centrais? E já agora, a inserção na CIM-BSE tem contribuído para uma resposta conjunta mais coordenada e eficiente?

As Comunidades Intermunicipais – principalmente na falta das tão badaladas, mas ainda inexistentes, regiões administrativas – acabam por se tornar numa espécie de unidades intermédias entre as autarquias locais e a administração central. No nosso caso, sempre prevaleceu um espírito solidário e de parceria com todos os municípios da CIM. No entanto, cada Município tem a sua realidade, as suas prioridades, os seus eixos estratégicos e a sua agenda própria. No que à resposta á pandemia diz respeito, cada município implementou as suas medidas, em função das suas capacidades e claro, conforme a sua vontade política. A CIM-BSE é um instrumento importante para a promoção de um trabalho em rede entre os municípios, em prol do desenvolvimento da região. Mas esta situação que o país atravessa, veio provar, mais uma vez, a importância do Poder Local. Principalmente nos territórios do Interior. Os Municípios e as Juntas de Freguesia foram instrumentos de combate à Pandemia, fundamentais no apoio às populações.

VL – A dinâmica dos municípios foi igualmente decisiva neste contexto. Mas, apesar dos constrangimentos, os projetos em curso continuaram. O que gostaria de ver concretizado até ao final deste mandato autárquico?

Exatamente. A vida continua, e a atividade municipal não para. Este ano revela-se bastante importante para nós. Existem diversos projetos já em execução, bem como outros em fase adiantada de implementação, que são conquistas que há muito o nosso território exigia. A nova Área de Acolhimento Empresarial, por exemplo, já se encontra a concurso. Um investimento de cerca de 2 milhões de euros que vem dar resposta a uma necessidade de longa data. Esta valência assumirá um papel importantíssimo no desenvolvimento do nosso tecido empresarial local em muito curto prazo. No sector do turismo, uma área tão importante para o nosso território, demos recentemente inicio à construção do Centro Interpretativo de Longroiva, dedicado ao tema da presença templária naquela aldeia do Alto Douro Vinhateiro. A barragem do regadio da Coriscada continua a ocupar um lugar central nas nossas pretensões. Principalmente pela importância que este investimento assumiria para o desenvolvimento agrícola do nosso concelho. Continuamos a batermo-nos pela sua concretização, num processo que sabemos difícil e moroso, mas do qual não desistimos.

VL – Para alguém que visita o concelho, como o apresentaria? Que caraterísticas distintivas tem este território, do ponto de vista económico e empresarial, cultural e patrimonial?

O nosso slogan é a nossa imagem de marca: Onde o Douro Encontra a Serra. Esta pequena frase congrega muito da nossa identidade. Somos um concelho orgulhoso no seu passado mas de olhos postos no futuro. Presamos por manter índices de qualidade de vida acima da média, que nos tornam num território convidativo para viver, visitar ou investir. A nossa riqueza, reflete-se na qualidade dos nossos produtos, com destaque para o vinho, mas não só, fruto da conjugação do trabalho do Homem e da Natureza. Temos Património e Cultura. Temos Gastronomia e Lazer.  Mas a nossa principal riqueza é a nossa gente. Gente de afetos, amiga e hospitaleira, herdeira de uma solidariedade ancestral, que se expressa diariamente na arte de bem receber quem nos visita.

VL – A população concelhia, a exemplo do que acontece em todo o interior português, envelhece e diminui. Que consequências se avizinham? Como contrariar o êxodo da população a que assistimos e favorecer a sua fixação entre nós? Como vê, a partir do lugar que ocupa, a situação do País? Tendo em conta também os tempos que se avizinham…

É do conhecimento comum que o nosso país possui esta inclinação para o litoral. As causas estão mais que dissecadas. O atual governo tem o mérito de ter trazido o futuro do interior do país para a frente do debate político. O que precisamos agora é de consistência. Porque não é em meia dúzia de anos que revertemos um problema que tem mais de um século. O problema da desertificação não é um problema do interior. É um problema do país! Como se reverte? Com políticas consistentes, persistentes, estruturantes e, muito importante, consensuais entre os principais decisores políticos. A criação do Ministério da Coesão Territorial foi um bom passo inicial. A capacidade da Ministra Ana Abrunhosa para liderar este ministério é, em meu entender, inquestionável. Mas precisamos de ganhar tração. O cenário é, como diz, preocupante. Mas, pessoalmente, recuso-me a baixar os braços. Temos de criar condições de fixação de pessoas. Que os jovens aqui constituam as suas famílias. Para isso, precisam de emprego. Para existir emprego tem de existir investimento, público e privado. São muitas variáveis numa equação complexa. Neste momento, ainda não estamos a viver os efeitos económicos desta pandemia. Os próximos anos serão difíceis. Manifesto alguma preocupação quando não vejo, por exemplo, no Plano de Recuperação e Resiliência, grande importância dedicada aos territórios de baixa densidade. Acredito que aqui residirá uma parte importante da resposta à crise. Pela preponderância de setores como a agricultara e o turismo por exemplo. Mas não só. Se há algo que a pandemia nos trouxe foi uma nova forma de encararmos o trabalho, e o nosso relacionamento com ele. Os nossos territórios serão destinos privilegiados para pessoas com possibilidade de trabalho à distância, bem como na criação de espaços de coworking, por exemplo. Haverá, a este nível uma nova realidade à qual convém estarmos atentos.

VL – A menos de um ano do fim do atual mandato autárquico, que balanço faz do trabalho realizado?

Tem sido um mandato atribulado. Metade ficará inevitavelmente marcado pela pandemia, e pelos desafios que nos colocou. Haverá ainda muito para fazer. Mas, analisando de uma forma global estes últimos anos tenho de congratular-me pelo trabalho realizado. Iniciamos projetos importantes. Efetuamos obras importantes para o concelho, com um investimento considerável. O balanço é manifestamente positivo. É com base nesse balanço que tomei a decisão de me apresentar novamente a eleições, e dessa forma me submeter, mais uma vez, ao julgamento democrático dos cidadãos.

VL – Que mensagem de esperança e de estímulo gostaria de transmitir aos seus munícipes para este novo ano?

Os tempos que atravessamos são difíceis. Não o nego. Quiçá mais difíceis que qualquer um de nós imaginaria há cerca de 1 ano atrás. Mas não podemos esmorecer. Os desafios atuais impõem resiliência e, acima de tudo, união. Tenho a certeza que superaremos mais este obstáculo, e que, não tarda, poderemos voltar a partilhar momentos de alegria e de fraterno convívio. Não posso terminar sem deixar a todos uma palavra de esperança no futuro.

in Voz de Lamego, ano 91/22, n.º 4604, 13 de abril de 2021

Entrevista com o Sr. Presidente da Câmara Municipal Cinfães, Enf.º Armando Silva Mourisco

Esta semana, o nosso jornal foi até Cinfães, prosseguindo a entrevistar os Presidentes de Câmara que servem os concelhos que formam a nossa Diocese. Damos a apalavra ao excelentíssimo Dr. Armando Silva Mourisco, naquele que é o segundo mandato à frente deste município.

Natural de Souselo, enfermeiro, 51 anos, casado e tem três filhos. Foi Presidente da Junta de Freguesia de Souselo, entre janeiro 2002 a outubro de 2009; Presidente da Assembleia de Freguesia de Souselo de outubro de 2009 a outubro de 2013; Deputado Municipal, entre 2002 e 2013; Presidente da Câmara desde 2013. Foi Vice-presidente da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa, de setembro de 2015 a novembro de 2017, tornando-se então a Presidente da Comunidade Intermunicipal entre 2017 e final de 2019. Foi Vice-presidente da Dólmen. É Presidente do Conselho Consultivo do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa. Integra o conselho consultivo da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Felgueiras/Politécnico do Porto. Membro do conselho geral da Associação Nacional de Municípios. Membro do Conselho Geral da Agência Portuguesa do Ambiente.

Voz de Lamego – A pandemia do novo coronavírus colocou-nos a todos em alerta. A resposta, como em tantas situações, passa pela intervenção local, em que o Presidente do Município tem um papel essencial, de coordenação e intervenção. Como tem vivido o concelho estes tempos? Principais necessidades e constrangimentos…

Tempos difíceis, estranhos e de enorme preocupação. São tempos também de muita articulação, parcerias, trabalho de equipa com a saúde, forças de segurança e socorro, instituições particulares de solidariedade social e segurança social, escolas, entre outras.

A preocupação dominante prende-se com os mais frágeis- idosos e doentes crónicos, considerando que a mortalidade é claramente elevada nesses grupos.

VL – O impacto económico foi certamente notado nas empresas e nas famílias. Que medidas foram implementadas pelo Município para acorrer às diferentes situações e para minimizar os prejuízos e as dificuldades sentidas?

Foram criados mecanismos de apoio ás famílias, instituições e empresas.

Nas famílias mais carenciadas e afetadas pela pandemia, assim como aos alunos das nossas escolas atribuímos vales de compras de produtos alimentares e de higiene, apoio nos transportes, na aquisição de medicação, no pagamento de serviços essenciais (água, luz). Também reforçamos o apoio ao arrendamento.

Realizamos a aquisição de 200 computadores que entregamos ás escolas que por sua vez os disponibilizaram aos alunos mais carenciados, tendo em vista o ensino á distância.

Reforçamos os apoios financeiros ás instituições particulares de solidariedade social e bombeiros, para além do fornecimento de equipamentos de proteção individual.

Às empresas mais afetadas pela pandemia, com o objetivo da preservação do emprego, isentamos o pagamento das taxas e impostos municipais, apoiamos no pagamento da renda, luz, água e layoff, atribuímos apoios a fundo perdido por cada posto de trabalho, promovemos a aquisição de produtos no comércio local, entre outras medidas.

VL – As IPSS´s de toda a região foram chamadas a prestar um apoio social decisivo à população, ao mesmo tempo que tiveram de cumprir apertadas medidas de segurança. Como foi a resposta das Instituições Sociais no Concelho? Que papel coube à Câmara?

As IPSS desenvolvem um dos papéis mais importantes na sociedade. Fazem-no com zelo, dedicação e sentido de responsabilidade.

O trabalho neste tempo de pandemia tem sido heroico. Esforço redobrado e disponibilidade absoluta dos recursos humanos, que muito louvamos e um aumento enorme da despesa.

Sobretudo a tarefa dificílima de proteger os utentes.

Infelizmente muitas, apesar de todo o trabalho, foram vitimas de surtos, lamentavelmente com perda de vidas humanas.

O município esteve sempre em parceria e apoio – na atribuição de ajudas financeiras e matérias de proteção para fazer face ás necessidades, na disponibilização de recursos humanos, na formação, na disponibilização de espaços de acolhimento, entre outros.

VL – O turismo, fundamental na nossa região, foi amplamente afetado, com um decréscimo acentuado no número de visitantes. A restauração, a hotelaria, pequenas empresas, produtos com a marca do Concelho, viram-se em grandes dificuldades. Foi adotada alguma medida especial para este setor e que expetativas tem para a atividade turística para o concelho em 2021?

A primavera e Verão 2020 foi de procura turística no concelho. Assim se espera novamente em 2021. Apesar de ser limitado a estes períodos temporais sempre ajuda na manutenção da atividade.

Relativo aos apoios disponibilizados pelo município, para além da promoção turística e territorial, isentamos o pagamento das taxas e impostos municipais, apoiamos no pagamento da renda, luz, água e layoff, e promovemos descontos de 25% no alojamento, nos estabelecimentos aderentes, de forma a atrair mais visitantes.

VL – Nesse sentido, ainda, como é que foi a coordenação das medidas a implementar entre o poder local, bem no interior do país, e os organismos centrais? E já agora, desempenhando as funções de Presidente da CIM Tâmega e Sousa, em que medida esta tem contribuído para uma resposta conjunta mais coordenada e eficiente?

Penso que desde a criação do ministério da coesão territorial, e da aplicação de um conjunto de medidas de apoio especificas para o interior, que a articulação e o olhar para esse interior mudou significativamente.

Quanto às CIM tem sido fundamental na articulação de polticas supramunicipais e de uma visão integrada das respostas.

VL – A dinâmica dos municípios foi igualmente decisiva neste contexto. Mas, apesar dos constrangimentos, os projetos em curso continuaram. O que gostaria de ver concretizado até ao final deste mandato autárquico?

Em Cinfães existem um conjunto de investimentos em curso, quer na área da reabilitação urbana, no turismo, nas acessibilidades, na dinâmica empresarial fundamentais para o desenvolvimento económico e social e para a empregabilidade do concelho.

Esperamos que até final do mandato esses investimentos decorram sem alterações.

VL – Para alguém que visita o concelho, como o apresentaria? Que caraterísticas distintivas tem este território, do ponto de vista económico e empresarial, cultural e patrimonial?

Cinfães propõe uma comunhão total com a natureza. A paz e o sossego de uma região no seu estado de conservação mais puro, a tranquilidade e segurança a dois passos de grandes centros urbanos estão ao alcance de todos.

Cinfães é um destino naturalmente único. Entre o cimo da serra de Montemuro e a foz do Rio Paiva no Rio Douro, da montanha ao verde das margens dos rios, Cinfães está perto de tudo e longe do reboliço e stress do dia-a-dia.

Acresce a isto uma gastronomia fantástica, a cultura e tradições, o edificado românico existente e os sentimentos acolhedores das nossas gentes.

VL – A população concelhia, a exemplo do que acontece em todo o interior português, envelhece e diminui. Que consequências se avizinham? Como contrariar o êxodo da população a que assistimos e favorecer a sua fixação entre nós? Como vê, a partir do lugar que ocupa, a situação do País? Tendo em conta também os tempos que se avizinham…

É verdade que todo o país e toda a europa envelhece.

São os novos hábitos de viver, as dificuldades de estabelecer empregos permanentes e duradouros, que acontece cada vez mais tarde e que levam á formação da família também mais tarde.

O interior envelhece mais rápido, fica mais despovoado. Os jovens emigram, fruto dos salários mais atrativos no exterior.

Incentivos á natalidade, salários mais atrativos, políticas de incentivo fiscais ao povoamento dos territórios do interior, promoção do interior como territórios com atrativos de qualidade de vida são urgentes adotar. Assim como mudar estilos e mentalidades e que deve começar no ensino pré-primário.

VL – A menos de um ano do fim do atual mandato autárquico, que balanço faz do trabalho realizado?

Não é fácil ser juiz em causa própria, mas da minha parte avalio como muito positivo, de aumento da qualidade de vida do concelho, da imagem positiva e atrativa para o exterior. No entanto terão de ser os cinfanenses a avaliar a atuação da câmara.

VL – Que mensagem de esperança e de estímulo gostaria de transmitir aos seus munícipes para este novo ano?

De muita paciência, resistência e resiliência. Sabemos que os tempos se mantêm difíceis, mas temos de nos manter fortes e muito responsáveis. Só assim ultrapassaremos as dificuldades e estes tempos estranhos, de saudade e tantas vezes de sofrimento e dor.

Mas também uma mensagem de esperança e confiança num futuro melhor, porque ele existe!

in Voz de Lamego, ano 91/20, n.º 4602, 30 de março de 2021

Categorias:Entrevistas Etiquetas:

Filipe Sequeira: da rádio para o palco

Assim nasce uma estrela em tempos de pandemia

O jovem cantor e músico prepara o lançamento do seu primeiro álbum a solo, com a editora Vivadisco/ Vidisco. O sonho de trabalhar com o produtor José Carlos Monteiro, as metas, e o desafio de contornar a pandemia. A entrevista, exclusiva, com Filipe Sequeira para a Voz de Lamego! 

Entrevista conduzida por Andreia Gonçalves para a Voz de Lamego.

Andreia Gonçalves: Como é que no meio de uma pandemia decides gravar o teu primeiro álbum?

Nunca há uma altura certa para se gravar; no meu caso, aproveitei o momento, depois do artista Zezito, que neste momento é o meu padrinho musical, ter-me feito o convite para participar em duas músicas com ele, cresceu realmente um sonho antigo, e aí decidi gravar os meus temas originais, que por acaso calhou numa altura muito complicada.

O que nos vais trazer?

O “Filipe Sequeira” vai-nos trazer animação, boa disposição, alegria, melodias bastante dançantes, muito ritmo e energia. Tudo que é necessário para quando isto voltar a abrir, as pessoas se poderem divertir ao máximo ao som do “Filipe Sequeira” . E com ele, ninguém irá ficar indiferente.

Porquê o José Carlos Monteiro para teu produtor?

Sou muito suspeito para falar, mas a nível musical, e dentro do estilo que eu queria, o José Monteiro seria a pessoa ideal para produzir os meus temas. Para além de acompanhar praticamente todos os seus trabalhos. Será, sem dúvida, um dos maiores produtores em Portugal. E estou imensamente satisfeito em poder trabalhar com ele. Confesso que vamos apresentar um trabalho fantástico.

A escolha da editora foi pacífica?

Nesta altura do campeonato torna-se difícil escolher ou aceitarem o nosso trabalho numa editora. Ainda para mais para quem está a começar e lançar os seus primeiros singles. Felizmente da minha parte correu tudo bem e a Vivadisco / Vidisco aceitou trabalhar comigo. É sem dúvida uma editora incrível. E juntos iremos promover este meu primeiro trabalho.

Quando chegará o Álbum para que todos possamos ouvir?

Quanto ao Álbum não terá data certa, porque não faz muito sentido, estarmos a lançar um álbum quando não há mercado ou espetáculos para promover o trabalho. Vamos claro promover nas redes sociais, em rádios e em televisão ao longo dos tempos, mas o lançamento oficial do álbum irá ficar claramente para 2021.

Apostas em videoclipes para apresentar cada single. Como tem sido esta experiência?

O meu ponto de vista, qualquer aposta numa música nas plataformas digitais, precisamos de um vídeo para pudermos “prender” as pessoas a verem e a ouvirem o nosso tema, porque as pessoas tem curiosidade de ver o vídeo, para conhecerem a história, para verem melhor o artista, como se apresenta, a sua dinâmica, e ao mesmo tempo as pessoas começam a ficar com a música na cabeça, porque vão querer ver o vídeo até ao fim, e por vezes repetir. Estes dois últimos videoclipes que realizamos têm sido incríveis. O Sandro Camilo faz parte da equipa de realização que também tem sido incansável.

Nesse aspeto, eu vou tentar apresentar os meus temas sempre com um videoclipe, ideias para realizar são muitas e cada vez a ideia é prender mais as pessoas do outro lado, ao longo da nossa caminhada.

Quando irás as rádios e à TV promover?

O meu primeiro single, “rabo de saia” irá sair já na próxima sexta-feira, e o meu segundo single, “Essa mulher é uma brasa”, no dia 16 de outubro, e a partir daí vamos começar a pensar na promoção destes dois singles, que vão ser a minha aposta para este ano 2020. Juntamente com a minha editora e a minha promotora, vamos fazer uma rota para realizar as entrevistas em rádios, e depois promover os temas em televisão.

Afinal as épocas complicadas como vivemos faz-nos repensar e trazer novas coisas ao mundo.

Todas as épocas são complicadas, e quando se inicia uma carreira, pior ainda, mas a ideia é fazer as coisas com calma e tranquilidade, com tempo tudo é possível, basta pensarmos positivo. temos é que é saber viver e termos ideias novas para podermos entrar no mercado.

Deixo o convite a todos os lamecenses, para verem o meu primeiro videoclipe do “Rabo de saia” que foi gravado no Paraíso Douro, e partilharem na próxima sexta-feira, no YouTube ou na minha página oficial! E um agradecimento ao Jornal Voz de lamego por apoiar as pessoas da sua região!

in Voz de Lamego, ano 90/43, n.º 4578, 6 de outubro de 2020