Arquivo

Archive for the ‘Entrevistas’ Category

Rita Gomes, natural de Tabuaço, vence competição internacional

Rita Gomes em entrevista à Andreia Gonçalves para a Voz de Lamego

Os tempos mudaram, e as competições de canto passaram acontecer online.

Rita Gomes, de Tabuaço, acaba de vencer o Star Rain Cup, representando Portugal num concurso internacional de canto, da associação internacional online “Star Rain Cup Spring – season 2020”, organizado pela associação alemã MTV BERLIM. Venceu com pontuação máxima.

Rita, explica-nos como tudo aconteceu…

Este foi um concurso internacional online, organizado pela associação alemã MTV BERLIM, onde competiram diversos artistas de vários países diferentes.

A convite do meu professor de canto, o grande Professor Joaquim Caetano, tive a oportunidade de concorrer. Como era online, não exigia uma performance em direto, mas sim o envio de um tema. Escolhi o tema “Love by Grace” da fabulosa cantora Lara Fabian, não só pela beleza inerente da canção, mas também pelo sentimento forte que esta transmite. Tive a felicidade e a sorte de ver o meu trabalho reconhecido e de, para além de a ser a grande vencedora do concurso, conseguir a pontuação máxima possível de todo o concurso. Devo admitir-te que, dado grande grau de exigência do concurso e a qualidade dos participantes, que fiquei muito surpreendida e contente pelo desfecho.

O sonho dá muito trabalho, certo?

Sem qualquer tipo de dúvida! Trabalho e dedicação!

Desde sempre tive o sonho da música, tendo desde pequenina investido nesse campo, ainda que não diretamente no canto, mas na parte da formação musical e na aprendizagem de instrumentos musicais.

Há uns anos decidi que seria importante iniciar aulas de canto com o objetivo de poder melhorar a minha capacidade vocal, conservar as minhas cordas vocais e fazer uma gestão responsável da sua utilização.

O trabalho não fica pelas aulas de canto, uma vez que, como estou envolvida em vários projetos musicais diferentes, passa muito pela necessidade de ensaiar com frequência e ter a capacidade de trabalhar, desenvolver e melhorar competências vocais em casa.

É um trabalho que me leva a despender de muito tempo, mas, como tão bem diz o ditado, “quem corre por gosto, não cansa”. De qualquer forma, se não envolvesse trabalho o sabor das vitórias não seria vivido com tanta intensidade.

No ano passado também participaste numa competição internacional. Como foi?

Sim! Na verdade, esta é a minha terceira participação em concursos além-fronteiras. Em 2018, fui representar Portugal num concurso em Tenerife, onde arrecadei o prémio “Voz da Europa”. Em 2019, fui a Itália, não fiquei no pódio, mas recebi 2 convites/bolsas para poder ir cantar ao Egipto e à Rússia. Devo admitir-te que é a fascinante a qualidade que encontramos nestes concursos

És mestre em farmácia pela faculdade de Coimbra. Mas, o sonho é a música?

Sou licenciada em Farmácia Biomédica, sou Mestre em Farmacologia Aplicada e encontro-me presentemente a trabalhar na área dos Ensaios Clínicos. Tanto a área da saúde como a área da música me fascinam. E espero conseguir continuar a conciliar ambas. Desde sempre que faço uma grande ginástica com os meus horários para conseguir dar 100% de mim em ambas as áreas. Felizmente, sou uma pessoa extremamente pró-ativa e dedicada, o que sempre me permitiu não descurar uma área em função da outra. Gosto de pensar que sou multifacetada e acho, muito sinceramente, que não conseguiria viver sem trabalhar nas duas áreas. É caso para dizer que tenho 2 amores.

Rita, a banda que tu integras permite-te ganhar muita experiência. A escola de palco é também importante?

Super importante. Não apenas numa perspetiva de crescimento vocal e profissional, mas também pessoal. Sinto que cresci muito, em todos os aspetos, com a banda. Aprendi a superar-me em muitos aspetos e fiquei surpreendida com a minha capacidade de adaptação. É importante ressalvar que tenho uma equipa fantástica ao meu lado e que, sem eles, nada seria possível.

Quem são as tuas referências musicais?

Celine Dion, Whitney Houston, Mariza, Aurea!

Como te vês daqui a 10 anos?

Não gosto de fazer planos a longo prazo. Gosto de viver o presente e aproveitar o que a vida me dá! Mas espero continuar a cantar, e evoluir cada vez mais.

Ter uma família que apoia este teu talento inato, torna o caminho mais aberto é facilitado?

Sou abençoada com uma família que para além de me amar acima de tudo, me apoia em todas as decisões que eu tomo. São os primeiros a aplaudir as minhas vitórias e a suportar-me quando as coisas correm menos bem. O suporte familiar é fundamental, é meio caminho andado para que as coisas corram bem. Acho que é todo esse apoio que me dá forças para continuar a lutar para ser cada vez melhor e me superar a cada dia.

Um álbum é algo que consideras fazer a curto prazo?

Sinceramente é um sonho que tenho desde sempre! Esperemos que em breve o possa concretizar

SABIA QUE:

Desde pequena que a música está presente na vida da Rita, tendo dado os primeiros passos aos oito anos quando teve aulas de formação musical, violino, guitarra e piano.
Aos onze anos de idade, após me ter sagrado vencedora de um concurso de karaoke, organizado em Tabuaço, pelo Hugo Miguel, surge o primeiro convite relacionado com o canto, para fazer parte da orquestra ligeira de Moimenta da Beira na qual permaneceu durante 5 anos.
Passou por vários projetos musicais, bandas de garagem, tunas académicas, que não só enriqueceram o seu percurso musical e pessoal como também a ajudaram a desenvolver armas para o futuro.
Atualmente, integra uma banda musical chamada SPS Band, a orquestra ligeira da Banda de Música de Sendim, canta em casamentos, faz noites de fados, concertos acústicos e apresentações a solo.
Para aumentar os seus conhecimentos práticos e teóricos ingressou no projeto “Pauta musical”, que tem como objetivo criar estrelas e dar-lhes as ferramentas necessárias para as ajudar a ter uma carreira musical.
Ambiciona conseguir lançar um CD de originais num futuro próximo.

in Voz de Lamego, ano 90/29, n.º 4564, 16 de junho de 2020

Entrevista da Andreia Gonçalves ao fotógrafo Paulo Chaves

De Tarouca ao National Geographic

Um fotógrafo tem sempre uma maneira diferente de ver o mundo. Muitas vezes essa sensibilidade é trazida desde a infância ou de alguém que nos leva a descobrir essa paixão. Paulo Chaves vive em Tarouca, mas espalha o seu talento pelo mundo.

Paulo, quando foi a primeira vez, de que se lembre, ter fotografado algo ou alguém?

Descobri a fotografia já no secundário quando tive a disciplina de Jornalismo, onde o meu grande amigo Padre Matias, com o seu grande poder de comunicação e discurso cativante, me mostrou o mundo da comunicação e em especial a fotografia. Indicou-me o caminho para olhar o mundo com outros olhos, tentar captar a essência das coisas que nos rodeiam, muitas delas nem nos apercebemos da sua existência se não pararmos para as admirar e registar através da lente.

Passar momentos na câmara escura a revelar o que fotografamos é simplesmente uma escola para a vida. Agora é tudo mais fácil, nesta era digital, mas para mim a verdadeira escola da fotografia ainda é o rolo fotográfico, obriga a pensar a fotografia e ponderar todos os parâmetros técnicos e no fundo tentar criar algo que fique na memória.

Por essa grande influência que o Padre Matias teve nessa minha descoberta e pela grande amizade que nos une, no lançamento do meu primeiro livro fotográfico só podia o convidar a ele para fazer uma apresentação do livro.

Voltando à pergunta, se me lembro da primeira vez que fotografei algo ou alguém, sinceramente não me lembro, talvez porque não terá saído nada de jeito (risos) ou porque o que fotografei não teria grande interesse, agora o que me lembro bem foi de fazer as fotografias do primeiro jornal que foi publicado na Escola Secundária de Tarouca, no âmbito da disciplina de Jornalismo, essas sim lembro-me e claro guardo ainda um exemplar desse jornal.

Qual foi a viagem que mais o marcou?

A viagem que mais me marcou foi sem dúvida a primeira viagem que fiz à Suíça, onde os meus pais trabalhavam. Um grupo de pais juntaram-se e organizaram uma viagem de férias para os seus filhos na Suíça onde eles trabalhavam, foi sem dúvida uma viagem inesquecível, primeiro por estar com os meus pais, que só via de 9 em 9 meses, conhecer onde eles trabalhavam e claro descobrir as belezas daquele lugar, ainda hoje estou com vontade de repetir essa viagem, quem sabe um dia.

Se não estivesse ligado à fotografia talvez…

Senão estivesse ligado à fotografia talvez… a perceção da vida fosse muito diferente. Depois dessa fase na escola que me “apresentou” à fotografia ela ficou durante muitos e longos anos adormecida, claro que ia fotografando, mas nada de muito intenso. A minha atividade na música como técnico de som não deixava grande tempo para fotografias, exceto registar os momentos ao vivo das bandas onde trabalhava, mas pouco mais que isso e claro as normais fotos de família.

Foram cerca de 15 anos a percorrer os caminhos de Portugal em que a máquina muitas vezes me acompanhava, mas sem tempo para parar e fazer aquele clique de algum lugar bonito, a paragem só mesmo em frente ao palco e aí fazia o gosto ao dedo.

Em 2013 deixei de ser técnico de som (se é que alguma vez se deixa de ser), o bichinho continua cá e de vez em quando faço alguns trabalhos mas não com a intensidade do passado, e isso abriu definitivamente as portas para abraçar a fotografia, claro que na altura era só um passatempo, de certa maneira para fazer esquecer as saudades das correrias do verão a andar terra em terra a animar as festas, mas esse passatempo ficou com o passar do tempo cada vez mais sério e sem dúvida que fez mudar a minha vida.

Como se sente num mundo cada vez mais de aparências? Onde ganha força o fotógrafo e a fotografia?

Infelizmente cada vez mais o mundo é feito de aparências, onde o real e o irreal se misturam muitas vezes, chegando ao ponto de não se conseguirem distinguir. Eu tento sempre mostrar a realidade das coisas, seja numa fotografia de paisagem, monumento ou numa sessão fotográfica (se as rugas estão lá é porque fazem parte da vida, da história dessa pessoa). É claro que eu por opção prefiro mostrar o que de belo tem o mundo, principalmente as belezas do nosso país, mas também conheço muitas coisas que nada têm de belo, essas prefiro não fotografar, talvez também eu ajude um pouco neste mundo de aparências.

O nosso olhar das coisas é refletido a maior parte das vezes pelas nossas vivências, podemos não nos dar conta disso no primeiro momento, mas a nossa escolha de como retratar determinado assunto está intimamente ligado às nossas experiências e como vemos o mundo que nos rodeia e claro que eu não fujo à regra.

Neste mundo, invadido pelas novas tecnologias, qualquer pessoa pode fazer fotografias, mas existe uma grande diferença entre fotografia e imagem, ou seja, qualquer um pode fazer fotografia, seja com uma máquina fotográfica ou um smartphone, eu também faço muitas fotografias, mas fazer imagens é outra coisa, fazer algo que desperte os sentimentos às pessoas e não só aquela que fez determinada foto e a quem foi retratado, fazer uma imagem que perdure no tempo, resumindo, fazer arte, esse é o grande objetivo de um fotógrafo. Como já alguém disse, “se na minha vida fizer 3 ou 4 grandes imagens sou um fotógrafo realizado”, e é mesmo isso, tentar atingir a perfeição a todos os níveis. Pode perguntar-me se já fiz alguma dessas fotos, acho que já fiz uma, mas daqui a uns anos posso achar que afinal ainda não a fiz.

Essa é a força do fotógrafo, procurar o clique perfeito, mesmo nas coisas mais imperfeitas da vida que nos rodeia e através dessas imagens enviar uma mensagem que pode ter tanto significado hoje como daqui a 100 anos.

Findo a resposta a essa pergunta com o pensamento que sempre me guia no dia-a-dia de fotógrafo, “a minha melhor foto será a que fizer amanhã”.

Como fotógrafo os prémios atraem ou são apenas mais uma motivação para continuar a trabalhar com paixão?

Considero que os prémios são sempre uma motivação, dão força para continuar no caminho que escolhi, mas não são, nem de longe, o mais importante para continuar a fazer o que faço.

Publico uma ínfima parte do que faço nas redes sociais, Facebook e Instagram e, não raras vezes, no meio de centenas de comentários há alguns que me chamam especialmente à atenção, quando pessoas escrevem, por exemplo, que uma foto ou vídeo que publiquei lhes provocou lágrimas de alegria por voltar a ver aquele lugar onde foi feliz na sua infância, na igreja onde se casaram há 50 anos, ou quantos brasileiros, com raízes portuguesas, me agradecem por ter publicado uma foto da terra de seus avós que nunca visitaram, isso sim é uma grande motivação para continuar a fazer o que faço.

Existe um comentário que várias vezes aparece nas redes sociais às minhas fotos que é “as suas fotografias têm alma”, de tudo o que posso ouvir, este é o maior elogio que posso receber, significa que o que mostrei despertou sentimentos a outra pessoa, seja de alegria ou tristeza, mas certamente algo que a fez recordar algo ou motivação para conhecer esse lugar.

Quais os prémios que leva no currículo?

Ao longo dos anos tenho colecionado vários prémios, principalmente, o Prémio Anim’arte – Produção Artística Fotografia, ou seja, o fotógrafo do ano 2018 no Distrito de Viseu, uma distinção que muito me orgulha por ser escolhido por um vasto júri como o fotógrafo do ano.

Foi um prémio que me deixou muito feliz por ver o meu trabalho reconhecido em prol da divulgação da cultura e património português e sem dúvida um grande alento para continuar.

As fotografias que apresenta nas suas páginas correm o Mundo. Isso preocupa-o?

Não, muito pelo contrário, eu incito mesmo as pessoas que me seguem que as partilhem pelo mundo. As fotos que eu publico nas redes sociais são 99% de belezas do nosso Portugal e se as publico é para que as pessoas as vejam e quantas mais as virem melhor, quem conhece pode recordar esse momento e quem não conhece pode sentir vontade de vir a conhecer e é esse o meu principal objetivo, como algumas pessoas dizem, “você faz mais a título gratuito por divulgar os nossos monumentos do que aqueles que são pagos para o fazerem”, infelizmente muitas dessas pessoas têm toda a razão, vá lá que muitos Municípios dão valor ao que eu e muitos outros fazem para divulgar os encantos do nosso país, mas outros existem que não dão valor nenhum e ainda não se aperceberam do poder das redes sociais na divulgação dos seus territórios.

Por exemplo, uma foto que publiquei há alguns anos e que teve mais de um milhão de partilhas, sim um milhão, e esse Município nem uma palavra se dignou dizer, não foi para isso que eu a publiquei, mas que ficava agradado isso ficava, essa imagem acabou por ser publicada na revista National Geographic.

Mas voltando à pergunta, muito me alegra que as minhas fotos corram o mundo, é sinal que estou no bom caminho a mostrar o que de belo existe no nosso país.

Que preocupações leva quando vai fotografar?

Se as baterias estão carregadas e os cartões estão nas máquinas (risos).

Agora um pouco mais a sério, embora o que disse seja uma realidade, tento sempre preparar com antecedência qualquer deslocação que faça, procurando informações do lugar que vou fotografar, quer sejam outras imagens que podem servir de inspiração ou quanto mais não seja saber como lá chegar, e acreditem que muitos dos lugares que visito é preciso mesmo muita preparação para chegar a esses destinos, muitas vezes desconhecidos do grande público ou mesmo das pessoas perto dos locais que não lhes dão grande importância ou mesmo não os reconhecem como sendo interessantes.

No trabalho que desenvolvo há já dois anos para as Aldeias Históricas de Portugal, onde já se podem contar mais de 7000 fotos e centenas de vídeos obriga-me a preparar com antecedência um roteiro do que vou fazer e quando, sim porque a hora a que determinado lugar é fotografado é determinante para a qualidade do trabalho.

Outra preocupação é a segurança, porque todos os cuidados são importantes, principalmente na fotografia de paisagem onde, às vezes para se tentar conseguir a foto perfeita, podemos colocar a nossa integridade física em risco, e acreditem que nenhuma foto vale a pena nesse sentido, infelizmente existem pessoas que já não estão entre nós por causa dessas situações, primeiro a segurança.

Que história gostaria de contar a uma turma de crianças sobre as aventuras para alcançar uma foto que marcou a sua vida?

A resposta a essa pergunta segue no caminho do final da resposta anterior. Podia contar às crianças a história por detrás de uma das fotos que fiz no concelho de Lamego, especificamente na Barragem do Varosa. Há uns anos atrás, a referida barragem estava vazia deixando à luz do dia uma ponte medieval que está sempre submersa, fui lá visitar com a intenção de a fotografar, mas como seria de esperar o fundo da barragem sem água estava um perfeito lamaçal, e tendo em atenção a minha segurança, não a fui fotografar. Falei com um amigo fotógrafo, apaixonado pela natureza, que se deslocou, desde Lisboa, para vir comigo fotografar esse lugar e assim ser mais seguro do que andar lá sozinho e em boa hora o fiz. Estávamos nós no meio desse lamaçal com água pelo joelho, quando, sem que nada o fizesse esperar, simplesmente me afundei quase até à cintura nessa lama e se não fosse o meu colega as coisas não teriam sido fáceis de resolver, no final ficou essa memória de que devemos ter os máximos cuidados e se possível acompanhados por alguém e claro uma foto fantástica que partilho com vocês e que sei que trouxe muitas recordações a muita gente que pensava que nunca mais veria essa ponte onde muitos se banharam na infância e onde outros iam lavar a sua roupa.

E se lhe pedisse para me mostrar uma foto que me fizesse conhecer Portugal, qual seria?

Isso para mim é simples, o sorriso dos nossos idosos, a sua alegria de viver, o apego às suas raízes, às suas terras e histórias, é tão bom poder ouvir as suas histórias, recordar outros tempos e ouvir falar da sua terra com muito amor e um brilho nos olhos, e no final poder tirar-lhes uma foto que irá ficar sempre marcada pela conversa que tivemos.

O que o encanta no nosso património cultural?

A sua história, porque conhecendo a nossa história ficamos a conhecermo-nos melhor a nós próprios, seja um monumento, uma tradição ou as nossas gentes e esse é a nossa maior riqueza, tudo o resto perde a sua importância.

Se pudesse fotografar algo no planeta o que seria e porquê?

Existem tantas coisas belas para fotografar no nosso planeta, tantas paisagens de rara beleza, e para isso só o nosso país daria para uma vida. Tantos monumentos e tradições por todo este planeta para registar e assimilar as suas histórias, mas existe algo que para mim está acima disso tudo que é a minha família, em especial os meus pais, esposa e filha e poder estar sempre cá para lhes poder tirar fotografias, porque se puder fazer isso é porque eles estão cá e eu também, e não existe nada mais importantes para fotografar do que isso.

in Voz de Lamego, ano 90/21, n.º 4556, 21 de abril de 2020

Entrevista com o Comandante dos Bombeiros de Moimenta da Beira

“Os bombeiros precisam que lhes seja reconhecido o seu trabalho”

José Requeijo, Comandante dos Bombeiros Voluntários de Moimenta da Beira, é entrevistado por Andreia Gonçalves para o nosso jornal.

José Requeijo herdou do pai, não só o nome, como a vocação para se tornar bombeiro. O ídolo deixou-lhe um legado e ensinamentos que o orientam até hoje. O comandante dos Bombeiros Voluntários de Moimenta da Beira diz que “quando a sirene toca o primeiro pensamento é que alguém sem nome, sem cor, sem credo, sem posição política, precisa de ajuda” e por isso é preciso fazer de tudo para salvar vidas….

José Requeijo é, hoje, comandante dos bombeiros voluntários de Moimenta da Beira. Se recuar no tempo o que andaria a fazer há 40 anos atrás?

Bom, 40 anos atrás, foi há muito tempo era eu uma criança, muito jovem ainda, que iniciava o meu percurso escolar na escola primária, talvez na quarta classe, no entanto  já vivia o ambiente dos bombeiros pela mão do meu pai que me leva a fardar para a inauguração de um veiculo de combate a incêndios, do mais moderno que havia na região, que ficou famoso pelo nome “Jipão”, um Land Rover com motor a gasolina e que era o primeiro equipado com bomba acopolada e tanque de água de 400 litros, máquina fantástica. Um momento marcante que, ainda, hoje recordo com nostalgia.

O seu pai foi e continua a ser uma referência. Sente a responsabilidade de ser o filho do anterior comandante José Requeijo? Que ensinamentos traz, sempre, consigo?

O meu pai é a minha referência, a minha estrelinha orientadora, o meu conselheiro, o meu ídolo e continua a ser o meu companheiro. Claro, que sentir e verificar, no dia-a-dia que continua a ser uma referência nos bombeiros e, após tantos anos da sua morte, acresce-me, ainda, mais responsabilidade e em permanência, pela sua memória pela sua personalidade e pelos ensinamentos que me deixou. Não raros são os dias que me vejo a pensar em como ele resolveria ou como abordaria determinada situação, os ensinamentos e os seus conselhos são permanentes e diários. Revejo-me muito nele, muitas das minhas decisões são conselhos e aprendizagem desses momentos.

O que é mais difícil para um comandante, lutar pela vida dos outros ou lidar com a morte de alguém?

Difícil separar a dificuldade das duas, pois a ambiguidade da vida e da morte estão intimamente ligadas à nossa missão dos bombeiros. E se por um lado o nosso objetivo primeiro é a salvaguarda da vida, o que nos faz empenhar e aplicar todo o nosso conhecimento, esforço pessoal e profissionalismo, por outro lado e por natureza o ser humano não está preparado para lidar com a morte, muito menos um Comandante que reside num concelho pequeno e conhece toda a população. Sou colocado em situações sensíveis e delicadas que vão para além da função que desempenho tendo que, na maioria das vezes, lidar com sentimentos pessoais e relações próximas que elevam o patamar de tratamento emocional e psicólogo muito forte. Contudo todos estes anos vão-me dando alguma experiência para poder lidar e enfrentar situações desta complexidade. Ler mais…

Márcio Pereira: ambiciono sucesso, não a fama

Entrevista para a Voz de Lamego conduzida por Andreia Gonçalves

Márcio Pereira, natural da Penedono, é um cantor nacional, que já deu a conhecer o seu talento, voz e estilo próprio no primeiro álbum. Arrojado, aposta em vídeos para o lançamento das suas músicas e nos palcos não deixa ninguém indiferente.

Márcio, tens uma imagem forte e uma voz que marca. O que talvez poucos saibam é que, para além de arquiteto, também és professor de dança. Conta-nos tudo!

É verdade. Além de cantor sou também arquiteto e instrutor de zumba. Apesar de estar no mundo da música desde muito novo, foi no final do meu mestrado que surgiu a ideia/oportunidade de gravar o meu primeiro single. Desde aí, a minha carreira evoluiu naturalmente, obrigando-me a deixar a arquitetura em stand-by. Felizmente tenho conseguido conciliar com as aulas de Zumba, embora com um horário bem mais reduzido. Mas a vida é mesmo assim. Cada experiência no seu devido tempo e amanhã tudo pode mudar. Portanto todas as portas estão em aberto.

As rádios passam as tuas músicas, as televisões dão-te muitas possibilidades para te mostrares ao país. Gosta da exposição a que estás sujeito?

Tenho noção de que a minha música chega a muitas pessoas diariamente e a televisão leva também a minha imagem. Mas, para já, não sinto que esteja exposto nem que seja reconhecido em qualquer lugar. Acontece pontualmente o que para já é pacificamente suportável. Sinceramente tenho algum receio do mediatismo pois considero-me uma pessoa bastante reservada. No bom português, adoro estar no meu canto. Ainda recentemente uma grande artista portuguesa expôs a sua situação publicamente, o que acaba por mostrar às pessoas que os músicos também são pessoas “normais”. Por outro lado, a fama é o preço do sucesso. Ambiciono sucesso, não a fama.

Uma das tuas características é que tu não te iludes. Tens os pés assentes na terra. Isso faz de ti um sonhador com peso e medida em relação ao mundo musical?

Sem dúvida. Não vivo obcecado em fazer por fazer ou fazer porque tenho que ter sucesso naquele momento.

Todas as minhas músicas, todos os meus trabalhos surgem no tempo que eu acho que deve ser e quando tenho possibilidades para o fazer. Nunca devemos dar um passo maior do que a perna. Sou feliz a fazer o que gosto desta forma e quem gostar de mim irá certamente esperar e, acima de tudo, respeitar o meu tempo.

Obviamente não posso negar, gostava de dar muito mais a quem me ouve e me segue, mas nos dias que correm apresentar algo com qualidade não é fácil. E quem gosta de mim não merece algo “assim-assim”.

A vida é uma constante aprendizagem e na música não é exceção. Depois de algum tempo decides viver novas experiências, outras produções, outras composições, outro produtor. Como é que tudo aconteceu e como está a ser esta nova experiência?

Minha amiga, Andreia, obviamente teria que ser contigo que iria falar disto publicamente pela primeira vez. É verdade. Depois de muito tempo a gravar com o meu amigo Jorge do Carmo, resolvi experimentar algo novo, diferente. Como tu sabes, surgiu tudo muito naturalmente, como em tudo na minha carreira. Uma amiga incentivou-me a conhecer e gravar algo com uma das pessoas que foi uma referência durante a minha infância. Que por sua vez trouxe para a minha vida um profissional e ser humano fantástico. Não vou referir o nome, vou antes deixar em aberto pois quero surpreender todos os que seguem e ouvem o meu trabalho. Quero expressões de admiração no dia que a minha página oficial publicar “este é o novo single do Márcio Pereira”. Acho que vou conseguir, não concordas?

Claro que sim, concordo e confio. Já agora, para quando está marcada a estreia desses novos temas?

Infelizmente esta é uma questão que não te consigo responder. Por mim teria sido ontem. Mas todo este processo de publicação de um novo single não depende apenas e só de mim. Mas prometo que durante fevereiro ou início de março todos irão poder conhecer o meu novo trabalho.

Para além da tua carreira a solo, geres uma banda, os SPS. Como tem sido fazer estrada com essa família que tu escolheste?

É fantástico. A banda SPS é o meu projeto de criança. Comecei com 15, 16 anos. E tem vindo a crescer a um ritmo alucinante. Juntos este mês tivemos 6 espetáculos. É um complemento fantástico ao “Márcio Pereira-artista” e juntos temos imenso para oferecer ao público. E cada vez mais iremos trabalhar para surpreender. Convido todos os leitores a pesquisar nas redes sociais “SPS band”. Sigam esta equipa e a mim também para estarem sempre a par das novidades. Mas o principal convite é mesmo para virem assistir aos nossos espetáculos.

Este ano de 2020, começou com espetáculos que têm acontecido todos os fins de semana. O ano promete a nível de trabalho. Certo?

No seguimento no que referi atrás, sim, promete. Temos imensos espetáculos, imensas propostas para este ano. Tem sido uma verdadeira loucura. Mas o público é sempre tão fantástico que a palavra cansaço não existe no nosso dicionário. Por isso certamente nos iremos encontrar por aí.

Deixa-me apenas, antes de acabar esta entrevista, agradecendo-te a ti, Andreia, pela amizade, e ao jornal Voz de Lamego pela oportunidade e a todos os leitores, fãs e amigos por todo o carinho que alimenta esta minha força para continuar. Sejam felizes!

in Voz de Lamego, ano 90/08, n.º 4543, 21 de janeiro de 2020

Jaime Gouveia: viagem do Historiador pelo passado, presente e futuro

Entrevista para a Voz de Lamego conduzida por Andreia Gonçalves

Jaime Ricardo Gouveia é natural de Leomil, Moimenta da Beira. Tem 17 livros publicados, é atualmente investigador do Centro de História da Sociedade e da Cultura da Universidade de Coimbra, professor convidado na mesma instituição e professor credenciado da pós-graduação da Universidade Federal do Amazonas, no Brasil.

Ganhou o prémio “Calouste Gulbenkian”, atribuído pela Academia Portuguesa da História, pelo seu livro, “A quarta porta do inferno. A vigilância e disciplinamento da luxúria clerical no espaço luso-americano (1640 – 1750)”, resultante da tese de doutoramento defendida no Instituto Universitário Europeu de Florença, Itália, em outubro de 2012.

Como surgiu a escolha deste tema para a sua tese de doutoramento e quais as conclusões mais pertinentes que conseguiu comprovar com esta investigação?

Surgiu na sequência da vontade em prosseguir e expandir cronológica e tematicamente a minha dissertação de mestrado intitulada “O Sagrado e o Profano em Choque no Confessionário. O delito de solicitação no Tribunal da Inquisição. Portugal, 1551-1700”. As conclusões desta tese, também publicada em livro, incitaram-me a investigar, no doutoramento, um problema pertinente do ponto de vista historiográfico, através de um enfoque comparativo entre Portugal e o Brasil. Tratou-se de conhecer quais os mecanismos de justiça (episcopal e inquisitorial) utilizados no período compreendido entre 1640 e 1750 para vigiar e disciplinar o clero. A investigação foi conduzida numa instituição internacional com uma bolsa do Ministério dos Negócios Estrangeiros e outra da Fundação Para a Ciência e Tecnologia, usando bibliografia produzida neste campo de estudos e uma profunda, criteriosa e exaustiva recolha de fontes primárias, grande parte das quais inéditas, e depositadas em diversos arquivos existentes nos dois lados do Atlântico. Entre as várias conclusões a que cheguei com este trabalho, destaco a refutação de um argumento durante muito tempo dominante, segundo o qual entre os séculos XVI e XVIII predominou na América Portuguesa um padrão quase livre de comportamento sexual e moral dos clérigos e dos leigos, devido ao facto de as autoridades eclesiásticas que os deviam instruir, vigiar e punir se terem demitido propositadamente dessa função, atitude estimulada pela coroa visando a atração de colonos e o incremento da procriação. Concluiu-se que isto não é verdade. Tanto em Portugal como no Brasil (e deste ponto de vista a realidade colonial não foi sui generis) a Igreja Católica pôs em marcha um conjunto de políticas de vigilância e disciplinamento para salvar os seus ministros da luxúria, a quarta das portas que segundo o célebre Afonso Liguori dava acesso ao Inferno.  

“Marte contra Minerva”, outra obra sua, remete-nos para o germinar das ideias republicanas em Moimenta da Beira até aos nossos dias, com acolhimento preferencial das lutas, debates, polémicas e embates entre republicanos e monárquicos. Porquê a escolha deste título e qual a importância de estudar esses embates no concelho moimentense?

Este livro surgiu da ideia de comemorar o primeiro centenário de um acontecimento decisivo na nossa história, a Implantação da República, nascida do embate entre a guerra sangrenta das armas (Marte) e a guerra diplomática (Minerva). Trata-se de um processo com os seus desatinos, mas que teve o condão de transformar em cidadão o súbdito de antanho. Este livro procurou perceber como se deu essa transição complexa, polémica, cheia de incidências e de onde emergem diversos protagonistas em Moimenta da Beira, um concelho que ao ser constituído sede de círculo eleitoral assumiu protagonismo regional. Para reconstituir toda essa trama política recuei até ao período das invasões francesas no sentido de detetar a germinação e ulterior difusão de determinados ideais revolucionários que moldariam o republicanismo enquanto processo em marcha. Ao contrário do que acontecia no panorama nacional, em Moimenta da Beira esse republicanismo tinha mais obreiros do que teóricos. Apesar de este estudo ter sido inserido num momento comemorativo, o olhar que se encetou sobre essas personagens locais não se destinou, como por vezes erradamente acontece, a crivá-las de sátiras ou incensá-las de louvores, destinou-se apenas a reconstituir e compreender a sua ação. É para isso que serve a História.

Porque estamos a falar de Moimenta da Beira, investigou sobre todos os pelourinhos do concelho e daí nasceu um livro que ficará para a história da Vila. Com este estudo ajudou na reconstrução de uma réplica do pelourinho de Moimenta da Beira, há muito desaparecido. Conte-nos como tudo aconteceu… Ler mais…

Menina da Rádio em entrevista à Voz de Lamego

Andreia Gonçalves conduziu a entrevista a Manuela Cardoso, Locutora da Rádio Clube de Lamego

Manuela Cardoso é dona de uma voz inconfundível e uma das grandes referências da rádio, na região. Trinta anos dedicados aos ouvintes traz-lhe uma enorme satisfação profissional e pessoal. Uma mulher apaixonada pelo seu trabalho, que gosta igualmente de viajar e conhecer outras culturas. Uma entrevista EXCLUSIVA, ao nosso jornal, para falar de comunicação e de momentos marcantes de 2019.

Quase 30 anos de rádio Manuela. Que balanço merece esta profissão pela qual é, verdadeiramente, apaixonada?

Trabalhar na rádio é algo tão belo, como tu sabes! O balanço não podia ser mais que positivo. Há sempre os momentos altos e outros menos bons, mas estes últimos foram os que me fizeram pensar, como se fossem pedrinhas, que são úteis para melhorar aquilo que está mal. São essas pedras que vão sendo necessárias para construir o castelo, o meu castelo. Por isso, o balanço é verdadeiramente positivo, passados estes 30 anos de rádio.

O teu pai é o responsável pelo despertar desta paixão. O que diz o professor Júlio Coelho por partilhar com ele este amor pela rádio?

Esta pergunta é difícil e deveria ser feita ao meu pai, porque é o responsável por esta minha paixão. O meu pai não é de verbalizar muito e, em termos de rádio, e daquilo que eu faço na rádio, ele tem uma forma especial de expressar o que lhe vai na alma. Essa forma é o olhar.  Eu sinto a felicidade e a satisfação que sente, relativamente, ao meu trabalho através de um olhar.

Quando termino uma entrevista e um programa eu olho para ele e entendo que ele gostou do que ouviu, e esse olhar diz tudo! Talvez seja mais fácil para ele elogiar-me em conversas com outros, para mim, diretamente, não usa as palavras e não precisa…

O aquário continua a ser o seu local de eleição. Que tipo de programa ainda lhe falta fazer na Rádio Clube de Lamego?

Nos primeiros anos de rádio, eu achei engraçado usar o termo “aquário, e como sou do signo peixes e porque me sinto filha de peixe, achei que poderia usar sempre… e assim comecei os meus programas “Deste aquário vamos ao programa da manhã ou da tarde”. O aquário vai ser, sempre, o meu local de eleição.

Eu já fiz de tudo, nestes 30 anos, programas de música, discos pedidos, informação e entrevistas. Relembro, aqui, o velhinho cantinho infantil, que me dava muita satisfação, pois eu fazia as vozes dos personagens das histórias que eu própria contava, fazia questões, explicava temáticas. Gostava de o voltar a fazer, contudo penso que as nossas crianças vivem, agora, uma ligação às novas tecnologias que o programa teria de ser adaptado e nunca igual ao que fiz há 20 anos. 

Relativamente a um novo programa, tenho uma ideia de fazer dos ouvintes os locutores. E quem sabe, um dia, o possa concretizar, sendo eu a ajudante e os ouvintes se tornarem locutores…  não conheço ninguém que o tenha imaginado e acredito seria um bom desafio.

O auditório tem sempre uma ligação com o locutor que fala, diariamente, para ele. Sendo este bastante diversificado. Tens sentido que as pessoas continuam à espera da edição dos discos como há anos atrás?  Sentes que há pessoas sozinhas a quem tu fazes companhia? 

Obviamente, que sinto que cada vez mais as pessoas estão à espera dos discos pedidos, por incrível que possa parecer. Uma hora já é pouco, e penso que poderia alargar-se para 2 horas.

Na rádio não temos concorrência, por isso este é um programa que deve ser sempre feito.

Somos, realmente, a companhia de muitas pessoas que vivem sós e isoladas, mas também de outras que têm família em casa mas que não dispensam os programas de rádio que lhes fazem companhia ao longo da maior parte das horas do dia. Ler mais…

Entrevista de Andreia Gonçalves a Catarina Narciso, Mrs. Portugal

“PARA MIM O NATAL SIGNIFICA FAMÍLIA”

Entrevista conduzida por Andreia Gonçalves

A Miss Viseu 2019, Catarina Narciso, de 27 anos, foi eleita, no início deste mês, na Gala Final da Miss Queen Portugal “Mrs. Portugal”. Foi um presente de Natal antecipado?

Sem dúvida. Foi o melhor presente que me poderiam dar! Será algo que ficará para sempre na minha memória.

A Catarina é açoriana e vem ganhar um concurso de beleza a Viseu. Como surgiu esta oportunidade?

Sou natural dos Açores, vim para Coimbra tirar a minha licenciatura e no seguimento do estágio vim para Viseu, durante um mês, e foi uma cidade que me cativou desde o primeiro momento. Para além disso, o amor da minha vida é de Viseu e algumas das minhas melhores amigas. Após terminar o curso ainda fui um ano para os Açores, no entanto tinha deixado uma parte de mim em Viseu. Lutei, regressei e com o incentivo do Diretor do Grupo Peixoto, Nuno Peixoto, decidi inscrever-me no concurso Miss Viseu 2019. Acabei por ganhar o título e assim realizei um sonho de menina. tornar um sonho em realidade.

Quais são as expectativas da nossa Mrs. Queen Portugal para a representação que fará do nosso País, no próximo ano, na Malásia?

As expectativas são muito altas, pois para alem de querer superar-me quero honrar o nosso país, a minha cidade e todas as pessoas que confiaram e confiam no meu trabalho. Acho que essa é a melhor forma de agradecimento a todas as pessoas que me apoiam diariamente. Quero por isso vencer e trazer para Portugal, e mais concretamente para Viseu, um motivo de orgulho.

Qual é o seu objetivo mais ambicioso para a carreira de modelo?

Neste momento já estou a realizar um dos meus objetivos, que era conseguir ganhar um título que me levasse a poder representar Portugal, internacionalmente. A partir daí um dos principais objetivos é ficar bem classificada e conseguir levar Portugal o mais longe possível. Outro objetivo pessoal é poder ser a Voz das Mulheres e poder representar a nossa força e capacidade de luta.

Certamente que tem princípios que a guiam neste percurso. O que pode aconselhar a jovens que sonham com o difícil mundo da moda?

Antes de mais gostava de explicar a diferença entre ser Miss e ser modelo de passerelle. Apesar de haver uma associação entre ambas, o conceito e o objetivo são distintos. De forma abreviada, uma modelo “utiliza” o seu corpo e o seu desfile para dar visibilidade a uma marca, um produto. Já uma Miss, “utiliza” a sua visibilidade, a sua voz, a sua postura, conhecimentos, entre outros para tornar este um mundo melhor. A busca pela Mulher que possa servir como referência na sociedade atual em campos diversos tais como defesa ambiental, das causas sociais e da promoção da saúde. A Embaixadora Portuguesa em todo o Mundo. Dito isto, para além de gostar mesmo muito deste mundo e de tudo que o envolve, o facto de podermos aplicar a nossa “Beleza pelo Bem” torna-o ainda mais especial, poder representar a Mulher, a sua força, é um orgulho para mim. Eu aconselho a todas as meninas que tenham o sonho de serem a cara e a voz de uma causa, a deixarem o medo de lado e a inscreverem-se, por exemplo no concurso Miss Viseu 2020, cujas inscrições já estão abertas. Aproveito para lhes dizer sejam fortes e acreditem que é possível tornar todos os nossos sonhos realidade.

Quem lhe dá a maior motivação para continuar, com garra e determinação, neste percurso?

A minha família é essencial, o meu companheiro, os meus amigos e a minha agência, Grupo Peixoto. São pessoas que me motivam imenso e que me ajudam a ter confiança fazendo com que acredite que tudo é possível. Devo dizer que ter o apoio de pessoas que não me conhecem pessoalmente, também me motiva. Encoraja-me receber mensagens das pessoas com palavras simpáticas e de incentivo.

Como estamos nesta época tão especial. Qual é o significado do Natal para si?

Para mim o natal significa família, acima de tudo. Estar com a minha família, estarmos todos juntos e criarmos momentos para a posterioridade. A vida passa demasiado rápida e se não aproveitarmos esses momentos, mas tarde iremos arrepender-nos.

Qual foi o presente de Natal que mais gostou de receber, quando era criança?

Um presente em específico não tenho, pois tanto eu como a minha irmã nunca fomos de pedir muito e ficávamos felizes por qualquer coisa que nos dessem. Da infância o que mais recordo, e o que mais gostávamos, era de ouvir o sininho do Pai Natal, pois aí sabíamos que “ele” estava em nossa casa a deixar as nossas prendinhas.

O que faz parte da sua tradicional ceia de Natal?

O camarão e o bacalhau não pode faltar, no entanto não gosto de bacalhau e então fazem sempre um “prato especial” para mim, que costuma ser lombo assado com batata-doce. A minha avó é apaixonada pela arte de cozinhar, então temos uma mesa sempre muito bem recheada. Ter os meus sobrinhos pequenos torna a noite de natal ainda mais mágica, pois “obriga-nos” a criar o ambiente para a chegada do Pai Natal. É para mim uma noite muito feliz.

Imagine que tinha o poder de cuidar do nosso País por um ano. Quais seriam os seus raios de ação e porquê?

Na minha opinião, pequenos gestos fazem a diferença!

A base de tudo está na Educação, é fundamental ensinar as crianças a cuidar do nosso planeta,

nomeadamente, a reciclar, a não deitar lixo para o chão. Campanhas de sensibilização, organizar grupos para limpar praias, florestas, criar mais pontos com ecopontos, fornecer a todos os residentes caixotes de lixo de reciclagem. Acredito que desta forma não haveria desculpas para não reciclar. Poderíamos também criar alternativas ao plástico, algo que já estamos a fazer, o caso do uso de sacos de pano, garrafas reutilizáveis, entre outros, mas com mais força, ainda.

Contudo e devido ao fator do nosso país ser muito afetado pelos incêndios, é importante, na minha opinião, investir na plantação de árvores e claro tendo sempre em conta as espécies mais recomendadas para o determinado solo que será reflorestado, bem como, a identificação do clima e altitude. Mas se cada um de nós pensar nos seus atos e corrigir algo que está a fazer de forma incorreta, acredito que já estaremos a fazer a diferença, pois somos uma comunidade e cada um de nós, fazendo o seu papel, terá um futuro melhor.

in Voz de Lamego, ano 90/04, n.º 4539, 17 de dezembro de 2019

Andreia Gonçalves entrevista Presidente da Câmara de Tabuaço

O Bolo Rei de Tabuaço

O Bolo Rei de Tabuaço tem fama e diz quem conhece que é realmente delicioso. O segredo ninguém o conhece, para além dos pasteleiros do concelho. 

Por isso, nos dias 7 e 8 de dezembro, havia vários bolos reis, cheios de cor, disponíveis aos olhos e ao paladar de todos os que passaram no Palácio do Gelo, em Viseu.

Foi com Carlos Carvalho, Presidente da Autarquia de Tabuaço, que a Voz de Lamego tentou perceber a importância de levar esta iguaria natalícia até à capital de distrito.

Porque é que o bolo rei de Tabuaço é tão especial? 

Essencialmente pela forma como é confecionado desde sempre! A receita da massa, que continua ainda hoje a ser segredo, aliada à qualidade da fruta e dos frutos secos conferem-lhe características únicas que o transformam no melhor dos bolos reis!!

Porquê, na sua opinião, foi importante fazer uma mostra deste produto, em Viseu, no passado fim de semana? 

Entendemos que um produto tão especial merece ser o mais amplamente divulgado! E para além das diversas ações que ao longo do ano o Município leva a cabo nesse sentido, entendemos aproveitar esta época festiva para uma promoção de grande escala na nossa Capital de Distrito. Convidamos todos os produtores a marcar presença e assim poderem dar a conhecer, e provar, a todas as pessoas, que passarem pelo Palácio do Gelo nesses dois dias, o Bolo Rei de Tabuaço.

Gosta de bolo rei? É para si algo que não pode faltar à sua mesa, nas festividades natalícias? 

Como qualquer tabuacense, gosto imenso de bolo rei! E não pode faltar na mesa de Natal. Aliás, é também nossa intenção, bem como de quem produz, alargar a época de produção ao resto do ano. Porque, apesar de todos associarem este produto apenas a esta quadra festiva, acreditamos que as suas características únicas, bem como a sua, enorme, qualidade justificam a que esteja na nossa mesa todos os dias.

O Natal é uma época especial. Quer deixar uma mensagem a todos? 

Gostaria de desejar a todos um Santo e Feliz Natal e um 2020, pleno de realizações. Em especial a todos os nossos emigrantes que não vão poder estar juntos de nós e aqueles que, infelizmente, por momento menos bons estejam a passar.

E porque acredito que todos nós nesta época acabamos por ser melhores seres humanos que nos restantes dias do ano, deixar o desafio, sem querer cair no lugar comum, de tentarmos fazer deste estado de espírito uma constante e trazermos mais Natal às nossas vidas e às de quem nos rodeia.

in Voz de Lamego, ano 90/03, n.º 4538, 10 de dezembro de 2019

Andreia Gonçalves entrevista Paulo Pinto

“Este território das Terras do Demo poderia ser um espaço literário de referência em Portugal”

Entrevista conduzida por: Andreia Gonçalves

O livro “Aquilino Ribeiro e as Terras do Demo: o marketing num território literário” é uma homenagem ao mestre e aos lugares pelos quais era, verdadeiramente, apaixonado. Paulo Pinto é mestre em Comunicação e Marketing, e o que era uma tese passou a ser um livro, apresentado, em Sernancelhe, no final, de um colóquio especial, que encerrou as comemorações do centenário da publicação da obra “Terras do Demo”.

Por isso, vamos fazer uma viagem pelas Terras do Demo, enquanto entrevistamos, este promissor autor e perceber este seu estudo.

 O ponto de partida para este roteiro, de Aquilino Ribeiro, tem de ser o pátio e a casa onde nasceu o escritor, em 1885, no Carregal, lugar que deu origem ao livro “Cinco Réis de Gente”, obra que cronologicamente situa Aquilino, nos primeiros dez anos de vida, antes de ir estudar para o Colégio da Lapa.

E aqui, lanço ao Paulo Pinto, a primeira pergunta. Como nasceu a ideia de escrever este livro? 

O livro “Aquilino Ribeiro e as Terras do Demo, o Marketing num território Literário” é a materialização da tese de mestrado em Comunicação e Marketing que realizei na Escola Superior de Educação de Viseu. O desafio para que passasse de um trabalho académico a livro foi da editora Edições Esgotadas, em particular da Professora Ana Maria Oliveira e da Dra. Teresa Adão, que entenderam que este estudo poderia ser útil para os concelhos de Sernancelhe e Moimenta da Beira e poderia despoletar, de certa forma, a ideia de que estamos perante um território único, porque aqui nasceu e viveu o escritor Aquilino Ribeiro, e que o turismo cultural, centrado na literatura, pode ser determinante para o desenvolvimento desta região. Ora, com esta certeza por parte da editora, e o apoio dos Municípios de Sernancelhe e Moimenta da Beira, o livro nasceu e faz parte agora da Coleção Saber, das Edições Esgotadas, distinguido com um extraordinário prefácio do professor Aquilino Machado, neto de Aquilino Ribeiro, e professor do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa.

Porquê do lançamento ser feito neste ano tão especial de centenário da edição da obra “Terras do demo”? 

O desafio surgiu, em primeiro lugar, da parte do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Sernancelhe, Dr. Carlos Silva, quando começou a ganhar forma a ideia de encerrar as comemorações do Centenário da edição da obra Terras do Demo com os Colóquios “Aquilino, Letras e terra”, iniciativa que trouxe ao Concelho dois ex-ministros da educação, um ex-ministro da cultura e vários académicos que são dos mais conceituados especialistas nacionais em Aquilino Ribeiro. Depois, fazia todo o sentido dar a conhecer o resultado de uma investigação que vem confirmar que as Terras do Demo têm as qualidades e o potencial para serem um território literário de exceção em Portugal. Por isso, foi muito importante que o livro fosse apresentado neste Colóquio, evento que marcou um ponto final num ano de intensas comemorações por todo o País, que envolveram, desde abril, os municípios de Sernancelhe, Moimenta da Beira e Vila Nova de Paiva – os legítimos herdeiros das “Terras do Demo”, que durante 2019, demonstraram que, na realidade, têm orgulho na designação que Aquilino lhes atribuiu, estão conscientes de que a marca Terras do Demo tem cada vez maior valor, e que partilham de um território que reúne elementos turísticos em quantidade e qualidade para proporcionar experiências únicas aos visitantes e para se afirmar a nível nacional. Ler mais…

Andreia Gonçalves entrevista Ana Margarida, a caminho da Guiné

“Quando olhar para aqueles rostos, será para mim, o mais próximo que estarei de DEUS”

Ana Margarida, Costa, vive em Tabuaço, é licenciada em direito e, no início do próximo ano, vai desempenhar um novo papel na sua vida, o de voluntária numa escola, na Guiné Bissau. Mia Couto e Pedro Chagas Freitas são dois os escritores que mais admira e desta experiência trará certamente capítulos, também eles, cheios de amor para contar no livro da sua vida.

As motivações de uma jovem que acredita na humanidade, numa entrevista exclusiva à Voz de Lamego.

Entrevistada por: Andreia Gonçalves

Quem é a Ana Margarida?

Sou uma mulher comum, licenciada em direito, e gosto pelas coisas simples da vida. Como estar com os amigos, estar com a família, ler, sentir o vento na cara e fazer valer as minhas convicções para o bem da humanidade.

Desde quando sonha em fazer uma missão humanitária?

Desde os 14 anos, que sonho em fazer voluntariado, mas nunca imaginei para onde seria…. Agora, sei que será em janeiro e para a Guiné. Numa escola que conta com 800 alunos, com idades compreendidas entre os 3 e os 17, e cerca de 40 professores voluntários.

Prometi ao meu avô, que faleceu em 2009, que voltaria a Bissau, onde esteve na Guerra colonial, desta vez, para lhe fazer justiça. E fazer o bem, sem olhar a quem!

Como se processou tudo isto?

Senti, que não podia adiar mais esta minha vontade. Inscrevi-me numa instituição, sem fins lucrativos “PARA ONDE” e aí haveria muitas possibilidades. Eu optei por esta e sinto-me muito feliz com esta minha decisão.

Como recebeu a notícia de que em janeiro, poderia ir ajudar centenas de crianças, na Guiné?

Depois de enviar a minha carta de motivação, passei por outros “testes” e a partir daí sentiram que eu teria perfil para fazer este caminho.

O que acha que vai encontrar nesta missão na Guiné? Quanto tempo vai estar por lá?

A minha missão será de um mês, sei que vou encontrar sorrisos, muitas crianças, o mais próximo que existe do rosto de Deus, para mim.

Depois, não haverá água potável, eletricidade, mas num bairro, com 12 mil habitantes, apreenderei como eles conseguem viver, dia após dia. Afinal haverá sempre um luar para olhar a cada noite.

Vai levar consigo, para além da coragem e da bondade, uma mala cheia de material escolar e roupa que tanta falta faz a estas crianças.  O que mais precisa neste momento, tendo em conta que a viagem está quase aí à porta?

Vou levar uma mala, de 23 kg, com material escolar, e aceito a bondade de todos para a encher. pois aqueças crianças, não têm qualquer apoio e um simples lápis ou caneta valerá muito a pena. para além disso, borracha, marcadores, cadernos, pasta e escova de dentes, etc. Quanto à roupa, t-shirts e calções, roupa interior infantil, o mais leve possível. E assim farei o sol brilhar um pouco mais, quando chegar à Guiné, com ajuda de todos.

in Voz de Lamego, ano 90/01, n.º 4536, 26 de novembro de 2019