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Archive for the ‘Educação’ Category

Editorial da Voz de Lamego: Educação: insistir, contrariar, resistir

O programa “À Roda da Alimentação”, da RTP 1, conduzido por Catarina Furtado, no dia 7 de setembro, começava, como habitualmente, com uma pergunta e três hipóteses: “Quantas vezes devemos insistir com os bebés até que aceitem um novo sabor? 9, 10 ou 11 vezes?” A resposta foi dada no final do programa: 11 vezes.

Na base da questão, a preocupação: como conseguir que as nossas crianças tenham uma alimentação equilibrada e variada? Sabe-se da guerra que os pais têm para que os filhos comam determinados alimentos que considerem saudável e necessário. Para ajudar a responder, o Pediatra Paulo Oom. O importante é não desistir de insistir. O ser humano foi condicionado para gostar de alimentos doces (saudáveis, com calorias… para caçar) e rejeitar os alimentos amargos (associados a alimentos que podiam matar). Então temos que contrariar esta tendência. No máximo, aos seis meses, a criança tem que começar a comer os alimentos, se possível não começar pelos doces, por exemplo, cereais, mas por legumes, como a sopa. A comida passada é facilmente aceite pela criança, mas não quando deteta um grãozito… há uma fase, 8 a 10 meses, se a criança for treinada a outras texturas e consistências, mais sólidas, com pedaços, vai-se repercutir nos anos seguintes, vai querer experimentar coisas novas… a “dieta” para a criança terá que ser para a família toda, o exercício físico, as regras de alimentação… tem que haver o exemplo dos pais… É muito importante que a criança, a crescer, saiba quais as linhas vermelhas que não pode ultrapassar, aquilo que não é inegociável… é suposto que todos comam de todos os grupos alimentares… Quando a criança aumenta de peso nos primeiros dois anos vai ter uma relação direta da sua tendência para o excesso de peso e para a obesidade na adolescência…. O problema não é da criança, é da família e da comunidade em que está inserida, como a escola. Imaginação e criatividade na apresentação dos alimentos. A atividade física é sempre importante.

Educar um filho, uma criança, não é fácil. Os dias que correm apresentam muitas referências, valores, alternativas. Antes, a referência era a família, a Igreja, a escola. Hoje a escola é a primeira e quase única referência. As crianças passam grande parte do tempo dentro de quatro paredes, dentro do espaço confinado da escola. Diga-se em abono da verdade, que hoje em dia há uma maior consciência da envolvência comunitária na vida escolar e académica.

Outra pergunta que se coloca com frequência: orientar as crianças, ter uma ação mais “invasiva”, ou deixar andar, não contrariar as crianças, procurar respeitar os seus gostos e as suas inclinações. Há escolas em que os alunos escolhem as disciplinas que querem, os horários que lhes convém e os espaços em que querem estar… Mas queiramos ou não, não deixa de haver orientação. Os pais serão os primeiros responsáveis pela educação dos filhos e cabe dar-lhes as ferramentas e indicar-lhes o que consideram o melhor caminho. Quando chegar o tempo, os filhos decidirão que caminho seguir…

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/43, n.º 4530, 15 de outubro de 2019

Editorial Voz de Lamego: A cultura do encontro na educação

Mais um ano escolar! Mais oportunidades de encontro, de amadurecimento, de crescimento. Mais um ano de diálogo, de compromisso e de desafio.

Para quem entra pela primeira vez, a escola pode assustar. Será mais difícil para os pais do que para as crianças, sobretudo nos meios maiores. Separar-se dos filhos, confiá-los a outras pessoas, colocá-los num meio estranho, provoca ansiedade e medo. Será que o filho/a se vai adaptar? Como vai lidar com os outros? Como é que cuidarão dele/a?

Para quem regressa, se as coisas correram mal, pode acentuar-se a animosidade para com a escola e para com pessoas que fazem a escola. Se correram bem, haverá possibilidades de ainda correrem melhor. Reencontro de amigos, regresso a um ambiente que se tornou familiar e que se converteu na segunda ou, até mesmo, na primeira casa.

O gosto pela aprendizagem será sempre um estímulo. Por essa razão hoje se fala tanto em “motivação”. Tantas as ofertas, as propostas, que a escola aparece como estorvo ou enfado! Sem secundarizar o efeito das redes sociais! Em todos os ambientes, o telemóvel tornou-se uma necessidade patológica: desligar, colocar em silêncio, arrumar na mochila, para não haver a tentação de ver se há notificações… Para muitos é um drama!

A escola absorve-nos cada vez mais. Parece que a vida toda se resolve à volta da escola. Positiva e negativamente. Positivamente quando é inclusiva, quando é promotora da cultura, da comunidade, da partilha e da solidariedade, quando ajuda à integração das pessoas, preparando-as para a vida, para o mercado do trabalho, mas sempre e sobretudo para que aqueles que, num tempo são mais “aprendizes”, se tornem verdadeiramente autores de uma sociedade mais justa e fraterna, num mundo mais saudável. Negativamente, quando a seleção e a competividade, levadas ao extremo, servem para excluir, criando muros entre bons e maus. Premeie-se o mérito, mas sem esquecer a pessoa, o seu contexto familiar e social, as suas dificuldades e potencialidades e/ou as suas insuficiências, procurando não deixar ninguém para trás. Não é fácil. É um desafio para toda a comunidade educativa (que inclui a escola, a família, o ambiente geográfico e social, os parceiros, empresas e autarquias, Igreja, associações e movimentos).

Servindo-nos das palavras do Papa Francisco, a escola tem o grave dever de promover a cultura do encontro, na inclusão e respeito das diferenças. Diz o Papa: é preciso “cooperar para formar jovens abertos e que se interessam pela realidade que os circunda, capazes de cuidado e ternura… estimular nos alunos a abertura ao outro como rosto, como pessoa, como irmão e irmã que deve ser conhecido e respeitado, com a sua história, as suas qualidades e defeitos, riquezas e limites”.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/39, n.º 4526, 18 de setembro de 2019

Editorial da Voz de Lamego: Ir além da violência

Nestes dias, têm-se acentuado a preocupação da violência (sobretudo) doméstica. A casa é o lugar do encontro, da partilha, da vida acolhida, partilhada e amadurecida. A casa e a família. Como sói dizer-se, é em casa, a começar no berço, que aprendemos a ser gente, aprendemos os valores, aprendemos a conviver, a respeitar os mais velhos, a cuidar dos mais novos, a interagir com as gerações, a respeitar o espaço e as coisas dos outros, a preservar o diálogo, em saudável convivência entre todos.

Casa que não é ralhada não é governada, mas nem oito nem oitenta. Discussões entre irmãos, entre pais e filhos, entre marido e mulher?! Com conta, peso e medida. Significa que o outro conta, o outro é importante, a sua opinião e a sua presença, os seus gestos e as suas palavras, bem como a ausência de palavras, de gestos, e de gratidão.

Há famílias que são cemitérios, campos de batalha, território minado, sobrevindo a agressão (física, verbal, emocional), o desrespeito pelo outro, as chantagens emocionais, a possessão: és meu/minha, então tens que fazer o que eu quero. “Quero, posso e mando”. A civilidade, a evolução civilizacional parece, em tantos casos, uma miragem. A globalização da comunicação, o acesso fácil à cultura e à educação, nem sempre gera pessoas maduradas e equilibradas.

Seja como for, não podemos desistir. Todos temos responsabilidade, família, escola, Igreja, comunicação social. A educação, mais que uma paixão, terá que ser uma opção e um compromisso constante. No Dia dos Namorados (14/02), houve reportagens que reproduziram formas de viver o namoro na adolescência: agressividade de linguagem e de gestos, o controlo “militar” sobre o outro, acedendo ao telemóvel, decidindo com quem fala e com quem está proibido de falar, o que pode e o que não pode fazer.

Para haver conflito basta haver duas pessoas. As birras e os arrufos, os silêncios e o excesso de palavras fazem parte da família, por certo! Há dias de sol e dias em que as nuvens o escondem. Pior é a indiferença dentro de portas! O Papa Francisco, a propósito, tem incentivado o uso de três palavrinhas: por favor, obrigado, desculpa. Delicadeza, gratidão e consciência dos próprios limites e fragilidades.

Um desafio que muitos casais vivem: não se deitar sem dar um beijo, rezar uma oração, dar as mãos. Há momentos em que as palavras são difíceis, mas há pequenos “hábitos” que podem ajudar a serenar o coração e a manter a confiança. Numa discussão, ideal seria que houvesse discernimento para saber parar, não forçando o outro a reagir, multiplicando a dureza das palavras, e, quanto possível, não usar palavras que destruam ou espezinhem o outro. O perdão tornar-se-á mais difícil e mais ainda o restaurar da confiança. Respeito e educação.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/12, n.º 4498, 19 de fevereiro de 2019

DESPORTO E FORMAÇÃO | Editorial Voz de Lamego | 19.06.2018

DESPORTO E FORMAÇÃO

Por estes dias, o futebol é motivo de reportagens e de conversa. Não tanto por causa do desmedido ego de alguns protagonistas, mas porque, de 14 de junho a 15 de julho, se realiza, na Rússia, mais um campeonato do mundo.

Para a Igreja, o desporto é um meio que favorece o crescimento integral da pessoa, ao mesmo tempo que pode servir a paz e a fraternidade entre os povos. Na última audiência geral, dia 13, o Papa saudou os intervenientes da competição e todos os que seguem o acontecimento à distância, desejando que seja uma ocasião de encontro, de diálogo e de fraternidade entre diferentes culturas e religiões, favorecendo a solidariedade e a paz entre as nações”.

“Dar o melhor de si” é o título de um documento do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, publicado no primeiro dia deste mês, no qual se condensa o pensamento eclesial sobre o desporto e se faz a analogia entre o esforço da competição e o compromisso da vida cristã. O desporto forma as pessoas, na condição de que seja “autêntico, humano e justo”.

A prática desportiva é salutar e deve incutir e cultivar valores e princípios que favoreçam o crescimento integral dos seus praticantes, que devem crescer com a convicção de que, na vida como no desporto, “não vale tudo” e que todos têm valor.

É verdade que a prática de alguns desportos é agendada para horários que colidem com momentos de formação e de celebração das nossas paróquias, originando desencontros, aumentando o número dos “não praticantes” e contribuindo para enfraquecer a pertença e a caminhada em comunidade.

Como recorda o livro bíblico, há tempo para tudo. Mas é preciso discernir e articular os diferentes momentos quando se deseja uma formação integral e integradora.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/29, n.º 4466, 19 de junho de 2018

Almacave Jovem – “As Pressões que enfermam os jovens de hoje”

No passado dia 12 de janeiro de 2018, pelas 21h30, teve lugar no Centro Paroquial de Almacave uma conferência/debate intitulada “Pressão na vida dos Jovens, na escola e no trabalho”, no âmbito da Campanha Nacional que tem vindo a ser promovida pela Juventude Operária Católica e cujo tema deu nome a este debate e que se enquadra no lema do nosso Plano Pastoral. O encontro foi dinamizado por dois jovens orientadores membros da JOC.

Esta reflexão pretende alertar para uma realidade que ainda tende a ser muito menosprezada pela sociedade: a pressão que é exercida sobre os jovens quer em ambiente familiar, estudantil quer profissional. Um outro objetivo é consciencializar que todos nós, Jovens ou menos jovens, temos um papel importante no combate e prevenção deste problema.

Numa primeira fase, os dinamizadores apresentaram-nos o seu método de ação perante este tipo de situações que consiste em três etapas fundamentais: o VER (analisar o problema), o JULGAR e o AGIR (para transformar). De seguida, todos os presentes foram convidados a partilhar uma experiência (pessoal ou não) que retratasse uma situação de pressão ou de sintomas de pressão. Ler mais…

Alunos do ESTGL em Visita de estudo no Museu Diocesano de Lamego

No passado dia 25 de outubro, os estudantes da Licenciatura em Secretariado de Administração da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Lamego (ESTGL) visitaram as instalações do Arquivo Diocesano de Lamego (AMDL). No âmbito da Unidade Curricular de Arquivo e Documentação, a docente da ESTGL, Mestre Carla Mónica de Carvalho Eiriz, organizou e acompanhou a visita que visou visitar áreas de trabalho técnico e a visualização de documentos, destacando matérias abordadas no âmbito da disciplina, ilustrando desta forma a realidade de um Arquivo Privado e estimulando os alunos para a importância e do valor dos arquivos organizados para as instituições/empresas, história e sociedade.

A visita às instalações compreendeu a apresentação do AMDL nas suas diferentes componentes técnicas, e essencialmente na gestão dos documentos à sua guarda, com destaque para a digitalização dos mesmos para divulgação e acesso de forma digital através do portal “archeevo” publicação de conteúdos na nuvem e visualização dos depósitos onde se encontram os documentos originais.

Os estudantes puderam assim compreender a importância da articulação – Arquivos (Gestão da Informação) /Secretariado – e a complexidade técnica envolvente.

A adesão dos estudantes a este tipo de iniciativas, tratando-se de visitas de estudo de carácter técnico com forte reflexo nos trabalhos a desenvolver no âmbito da unidade curricular, potenciam a importância e interesse que este tipo de atividades têm na formação dos futuros profissionais de secretariado, levando-os a entrar em contacto com o mundo real.

Agradecendo ao AMDL, na pessoa do Pe. João Carlos Costa, pela forma aberta como receberam o grupo da ESTGL.

A Docente da Unidade Curricular de Arquivo e Documentação – Licenciatura em Secretariado de Administração da ESTGL – IPV

in Voz de Lamego, ano 87/54, n.º 4440, 12 de dezembro de 2017

Bênção dos Finalistas da ESFOSOL e da ESCOPAL

No primeiro de dezembro, tivemos o privilégio de juntar os alunos finalistas da Escola de Formação Social Rural de Lamego e da Escola Profissional de Lamego, para a lamecense tradição de bênção dos finalistas. A Eucaristia decorreu na capela do Centro Diocesano de Promoção Social e foi presidida pelo nosso Diretor, Cónego Manuel Leal.

Estamos orgulhosos por conseguirmos alcançar a meta, que é concluir o 12º ano. Sabemos que o dia é simbólico e temos ainda de caminhar até junho para a vitória ser completa, mas esta festa servirá de incentivo, principalmente para os menos confiantes.

Poderíamos aqui descrever as emoções vividas ou o quão importante foi partilhar este momento com os nossos familiares e amigos, todavia queremos aproveitar este espaço para agradecer.

Obrigado aos nossos pais e familiares pelo apoio, pela dedicação, pelo esforço e pelos sacrifícios que alguns deles passaram para nos poderem dar um futuro melhor. Lembramos aqueles que durante estes três anos partiram. Todavia, também eles estiveram presentes no nosso coração e nas nossas conquistas. Ler mais…