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Archive for the ‘Editorial’ Category

TURISMO – ORGANIZAÇÃO | Editorial Voz de Lamego | 8 de agosto

Antes de uma breve pausa, duas semanas, aí está mais uma edição da Voz de Lamego, com tetos-reflexões, desafios, notícias da Igreja e do mundo… o Editorial desta semana, do nosso Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, foca-se no turismo, mormente na cidade de Lamego, e na necessidade de organização das propostas turísticas, potenciando o turismo e oferecendo o melhor aos que nos visitam…

TURISMO – ORGANIZAÇÃO

O número de turistas que visitam o nosso país não pára de aumentar, o que contribui para uma economia mais saudável, mas também para elevar a auto-estima lusa. Quem é que não gosta de atenção ou de ser apreciado?

O mesmo acontece em Lamego e, possivelmente, noutros pontos da diocese. Nesta cidade, nas proximidades da Sé, do Museu, na Avenida, na zona do Castelo ou no Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, multiplicam-se os grupos de forasteiros que admiram, fotografam e circulam. O património é muito, diversificado e está razoavelmente cuidado, oferecendo aos visitantes um contacto com a nossa história e a nossa cultura.

O movimento provoca alegria aos lamecenses. Mas não basta sorrir diante do aumento de turistas ou ficar satisfeito por ter algo para mostrar.

A este propósito, talvez falte alguma organização conjunta, de forma a dinamizar e a rentabilizar recursos. Por exemplo, são poucos os guias que acompanham os grupos. Noutros países, mesmo com um guia a acompanhar permanentemente o grupo, cada cidade ou realidade a visitar exige a presença de um guia local. Por outro lado, ao nível do património religioso, os turistas passam, fotografam, usam instalações e partem sem qualquer contrapartida. Não seria uma oportunidade para angariar alguns meios que permitam preservar o património e garantir postos de trabalho?

O Douro e toda a bacia envolvente são destino de milhares e milhares de turistas. No entanto, será que as populações locais têm beneficiado devidamente com este fluxo? A julgar pelas respostas de comerciantes e responsáveis pelo património, o benefício económico não tem sido muito.

Alegra-nos saber que os nossos monumentos são visitados, elogiados e divulgados através das imagens que circulam.

Mas talvez tenha chegado a hora de repensar a organização e aperfeiçoar a oferta, de forma a cativar e a aproveitar o fluxo turístico.

in Voz de Lamego, ano 87/39, n.º 4424, 8 de agosto 2017

PRESENÇA E FIDELIDADE | Editorial Voz de Lamego | 1 de agosto

PRESENÇA E FIDELIDADE

No dia em que o calendário litúrgico recorda os pais de Nossa Senhora, as famílias louvaram e celebraram a vida dos Avós.

Mas 26 de julho recorda, também, o dia em que dois terroristas entraram numa igreja francesa e degolaram um sacerdote (quase 90 anos) que presidia à Eucaristia para uma assembleia diminuta e idosa. Foi há um ano.

Nos últimos anos não têm faltado imagens e sons para descrever o terror semeado pelos terroristas. O Padre Hamel foi uma vítima entre muitas. Quantas vidas aniquiladas e famílias desfeitas, sonhos e vidas interrompidos, perseguições e dores infligidas, património destruído e silêncio imposto?

E se aqui se recorda o facto é, sobretudo, para louvar a sua fidelidade. E aproveitar para lembrar tantos padres idosos que, pelo mundo e na nossa diocese, querem permanecer fiéis ao Senhor da Messe. Apesar da idade, continuam a celebrar, mesmo que seja para um pequeno grupo de gente idosa que teima em continuar nas suas terras e junto das suas memórias.

Como acontece a tantos avós, também os padres mais velhos sentem o distanciamento e sofrem com a ingratidão de alguns paroquianos que rapidamente esquecem as graças e o testemunho recebidos.

Por isso, uma palavra de louvor aos netos que recordam e agradecem, todos os dias, o carinho e os ensinamentos dos seus avós. Mas também para os paroquianos que não esquecem quem muito se empenhou pela edificação da comunidade: celebrando, ensinando, testemunhando, caminhando… e que, diante das forças que vão faltando, continuam a admirar e a agradecer a fidelidade dos seus párocos.

Aos mais críticos fica o convite para não desperdiçarem a oportunidade participar nas Missas que eles celebram e, em vez de maldizer os tempos que correm e a ausência do sagrado, darem, pela participação na oração da Igreja, um sentido ao tempo que passa.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 87/38, n.º 4423, 1 de agosto 2017

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PROIBIÇÃO: LAMENTO | Editorial Voz de Lamego | 25 de julho de 2017

Consta que o papa Francisco tem um letreiro na porta do seu quarto: “Proibido lamentar-se”. É a partir desta expressão que o Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, que nos faz refletir sobre vitimização e do lamento que não caminha…

PROIBIÇÃO: LAMENTO

Na porta que dá acesso ao gabinete papal, na Casa de Sta. Marta, foi afixado um papel com a frase “Proibido lamentar-se”, lembrando ainda que os transgressores ficam sujeitos à síndrome de vitimização e consequente diminuição do humor e da capacidade de resolver problemas.

Alguém mostrou a frase ao Papa Francisco que, com humor e sentido de oportunidade, a mandou guardar e afixar de maneira visível para quem o visita ou por ali passa. Certamente que a iniciativa não visa esconder ou simplificar os problemas, nem pretende atemorizar quantos se aproximam para partilhar algo menos agradável. Talvez provoque sorrisos e motive abordagens diferentes.

A lamentação é humana e pode resultar de algo menos conseguido, da privação, das escolhas, da observação, das falhas de alguém ou do próprio. Mas deve ser transitória. O mal não será queixar-se, mas ficar preso e teimar em não ver o bem ou possibilidade de mudança. Sem cair no optimismo vazio, talvez se possa evitar o negativismo ou o discurso derrotista dos “velhos do Restelo” que são sempre vencidos, porque nada tentam.
O convite papal visa retirar força e oportunidade aos “profissionais da queixa”, para quem ninguém escapa ou nada tem valor. O lamento contínuo só serve para aumentar a tristeza e afastar os outros. Ninguém quer ficar muito tempo junto de alguém que só teima nos defeitos, insiste nas derrotas ou desconhece a esperança. Como já em tempos aqui se escreveu, o mal não está no “fazer do luto”, mas no viver em permanente luto.

O Papa e todos os crentes terão sempre motivos para se lamentarem. Mas, por outro lado, não lhes faltarão razões para evitar a inutilidade do lamento. Não porque escondem a realidade, mas porque aceitaram, há muito, o convite de Deus para serem protagonistas na história.

in Voz de Lamego, ano 87/37, n.º 4422, 25 de julho 2017

CAMINHO E DETERMINAÇÃO | Editorial Voz de Lamego | 18 de julho

Na próxima semana, dia 25, a Igreja convida a celebrar a memória de São Tiago, o Apóstolo que, segundo a tradição, está sepultado em Compostela e que tantas peregrinações motivou desde o século IX. Com efeito, ao longo dos séculos, muitos foram os que para lá caminharam, tornando possíveis e famosos os “Caminhos de Santiago”, dando a este destino um lugar cimeiro, só ultrapassado por Jerusalém e Roma.

E a experiência continua. De todas as idades, crentes e não crentes, seguindo percursos diversos, a sós ou em grupo, para rezar ou descansar, pela fé ou pelo desejo de aventura, etc, os caminhos continuam a ser percorridos, Santiago de Compostela continua a ser procurado e são muitos os que não se cansam de relatar e aconselhar a experiência.

O Senhor convida a caminhar, a assumir a vida, a procurar chegar mais longe. E Ele próprio caminha connosco (Emaús). Daí que uma peregrinação, cujas motivações (legítimas) podem ser culturais ou turísticas, no sentido cristão e histórico do termo, seja um tempo de procura e nunca de fuga. Porque a peregrinação exige um pouco mais e deve promover um encontro, respostas, inquietações…

A grande peregrinação será sempre a própria vida e Deus a grande meta. E todas estas peregrinações a lugares de referência cristã só têm sentido se contribuírem para singularizar a grande e universal peregrinação que assumimos e protagonizamos entre o nascimento e a passagem definitiva para Deus.

Uma palavra de louvor a quantos se dispõem a caminhar até Compostela para crescer, mas, sobretudo, uma palavra de estímulo a quantos não desistem de caminhar na vida. Porque, diante de Deus, conta mais a determinação e a responsabilidade com que se assume a vida recebida do que os quilómetros que se registam.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 87/36, n.º 4421, 18 de julho 2017

FÉRIAS – ACOLHER | Editorial Voz de Lamego | 11 de julho de 2017

E como já se começa a respirar férias… No Editorial da Voz de Lamego desta semana, no nosso Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, desafia a ACOLHER…

FÉRIAS – ACOLHER

A chegada do verão é sinónimo de alteração de ritmo para muitos e a oportunidade para concretizar dias diferentes, alguns deles sonhados e preparados, individualmente, em família ou em grupo, ao longo de semanas ou meses.

Eis o tempo das férias. Para muitos significam paragem e repouso, mudança e tempo livre; para outros será uma época de maior actividade e trabalho; para a maioria talvez continuem a ser apenas uma palavra ouvida e uma experiência nunca vivida.

Mas se as férias proporcionam partidas e chegadas a muitos, também ocasionam acolhimento para outros, tal como acontece na nossa região. Há casas que se abrem, famílias que crescem, ruas mais movimentadas, festas e convívios nas aldeias, viagens que se fazem, igrejas que se enchem, sorrisos que regressam, dores que desaparecem, sons que se propagam, abraços que se multiplicam, promessas que se cumprem, cansaços que descansam…

As nossas gentes anseiam pelas férias. Não para partir, mas para acolher!

Eis o tempo das férias. Como ao longo do ano e de toda a vida, um tempo novo que Deus nos dá e que importa acolher! Talvez seja ocasião para reaprender a ler rostos e sinais, deixar que o olhar se demore mais sobre a paisagem e dar ao sol, à noite ou ao vento a hipótese de nos encontrar.

Eis o tempo das férias. Uma oportunidade para habitar diferentemente as nossas vilas, cidades e campos, aprendendo a viver como peregrino e estrangeiro (a nossa morada está no céu). Um convite a viver dias diferentes e aproveitar para estreitar ligações (estamos destinados à unidade). Uma ocasião para ousar sair de si mesmo (para encontrar Cristo).

Eis o tempo das férias. Um tempo que nos é dado por Deus. Ousemos recebê-lo e vivê-lo.

 

in Voz de Lamego, ano 87/35, n.º 4420, 11 de julho 2017

SERVIÇO E GENEROSIDADE | Editorial Voz de Lamego | 4.julho.2017

No primeiro domingo de julho, a Ordenação Sacerdotal do Luís Rafael, do Ângelo Santos e do Diogo Rodrigues. A edição desta semana da Voz de Lamego dá amplo destaque a este momento importante da vida dos novos sacerdotes e da Igreja em Lamego. O nosso Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, faz eco da celebração, lançando os desafios para o futuro.

SERVIÇO E GENEROSIDADE

Desde o passado domingo que a nossa diocese conta com mais três sacerdotes no seu presbitério, o que é motivo de alegria e de acção de graças.

Para os neo-sacerdotes, a ordenação foi o culminar de um percurso livremente escolhido e assumido, ao longo do qual contaram com a oração, a presença, o testemunho e a ajuda de muitos.

Neste particular, uma palavra para referir o tempo vivido no Seminário, etapa de sementeira e oportunidade para crescer, amadurecer e discernir num caminho nem sempre livre de dúvidas ou ilusões. A decisão de avançar nem sempre é fácil perante a variedade de opções de vida. E diante do seu sim, louvamos a decisão, num tempo em que é cada vez mais difícil decidir-se e comprometer-se.

Dentro de algumas semanas serão nomeados para a missão que a Igreja lhes confia e para o serviço que lhes pede, no viver dos quais encontrarão crentes e não crentes, praticantes e não praticantes, acolhendo-os por igual e procurando-os, sem descanso, para lhes anunciar e mostrar Jesus Cristo.

Uma missão motivante, exigente, variada, desafiadora, nem sempre isenta de riscos e algumas vezes marcada pela ingratidão humana, mas sempre portadora da promessa de que nada é indiferente a Deus e que ninguém ficará sem a recompensa do Senhor da Messe.

Mais do que apresentar o padre pela variedade de actividades protagonizadas, talvez seja mais oportuno e justo referir-se-lhe como sendo um discípulo e seguidor apaixonado de Cristo, que pauta a própria vida pelos critérios do Evangelho e se esforça por ser uma bênção para o mundo.

É preciso uma fé forte e uma grande generosidade para ser padre. Mas o próprio também sabe que o Senhor o acompanha e que o Povo de Deus não cessa de interceder por si.

in Voz de Lamego, ano 87/34, n.º 4419, 4 de julho 2017

APOSTOLADO DE ORAÇÃO | Editorial Voz de Lamego | 20 de junho

Em destaque nesta edição, entre as várias notícias e reflexões, a Solenidade do Corpo de Deus na cidade de Lamego e a Peregrinação Diocesana ao Santuário de Fátima no Dia da Família Diocesana. O nosso Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, faz outro sublinhado, a celebração da solenidade do Sagrado Coração de Jesus:

APOSTOLADO DE ORAÇÃO

O calendário litúrgico convida os católicos a celebrarem, no próximo dia 23, a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus como momento singular de um mês totalmente dedicado a esta devoção.

E falar do “coração de Jesus” é mais do que recordar ensinamentos e práticas eclesiais ou as visões de Sta. Margarida Maria Alacoque (1675), em Paray-le-Monial, França. Trata-se de tomar consciência do amor de Deus, realidade divina que todos abraça e centro para onde tudo converge.

A Igreja contempla o coração do Salvador da humanidade e deixa-se guiar até ao mais profundo do mistério de amor, onde se encontram o homem e Deus. E a devoção ao Sagrado Coração convida a fixar a atenção sobre este coração amoroso, compassivo e misericordioso que revela a essência de Deus. E facilmente percebemos a estreita ligação entre o Sagrado Coração e a Eucaristia.

O Evangelho insiste no olhar sobre a compaixão de Deus diante da nossa fragilidade. E não se trata apenas da nossa ligação ao pecado e à confissão. A misericórdia divina ultrapassa a dimensão do pecado e recorda-nos continuamente que o convite “Sede misericordiosos” retoma o grande mandamento: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.

Uma palavra também para as Associações do Apostolado da Oração, presentes em tantas das nossas paróquias e que, de forma discreta e eficiente, promovem e alimentam redes de oração e de proximidade entre os seus membros e o mundo.

Num tempo em que a eficiência é enaltecida e continuamente medida pelos resultados visíveis, o Apostolado da Oração convida à confiança e à esperança, valorizando o compromisso pessoal e o acto de semear pelo bem de todos.

Talvez o mundo e a Igreja não vejam o bem diariamente semeado pelos Associados do AO, mas testemunham as graças que continuamente o Coração de Jesus lhes concede.

in Voz de Lamego, ano 87/32, n.º 4417, 20 de junho 2017