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Archive for the ‘Documentos’ Category

Paróquia de Almacave: Plano Pastoral Trienal 2017/20120

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No dia 6 de Novembro a Paróquia de Almacave realizou a apresentação do seu Plano Pastoral trienal que se destina à apresentação de algumas estratégias de ação até 2020.

Foi convidado o Pe Dr Diamantino Alvaide para fazer uma reflexão sobre o mesmo, com todos os paroquianos que quiseram estar presentes no Centro Paroquial de Almacave, na tarde de Domingo.

Numa análise geral foi sublinhado que o mesmo Plano possui um conteúdo muito atual, com apresentação das novidades do mundo eclesial vigente, pelo que nele se refletem as perspetivas que permitirão passar “da Conservação (daquilo que temos)  à Conversão (daquilo que somos)”.

O tema do Plano “Comprometidos no Anúncio da Alegria do Evangelho” torna-se uma proposta de ação em resposta ao lema do Plano Pastoral Diocesano “Ide e Anunciai o Evangelho a toda a criatura”, de D. António Couto, bispo de Lamego, aliada à realidade analisada e avaliada em Conselho Pastoral Paroquial. Ler mais…

Semana Nacional da Educação Cristã – 21 a 30 de outubro de 2016

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EDUCAR – PROPOR O CAMINHO PARA UMA VIDA PLENA

A educação integral é essencial para promover o desenvolvimento harmonioso das pessoas e para alicerçar a justiça, a paz e o bem-estar das sociedades. Portanto, é pela educação que podemos preparar um futuro com esperança.

Por isso, educar é uma tarefa gratificante sem deixar de ser complexa e árdua, nomeadamente no nosso tempo. Assim o reconhece o Papa Francisco na Exortação “A Alegria do Amor” em que dedica um capítulo à missão educativa da família (Cap VII: Reforçar a educação dos filhos).

Perante os desafios da sociedade atual, o papel dos educadores (pais, encarregados de educação, professores, catequistas) não pode ser o de controlar ou de resolver todos os problemas mas “gerar processos de amadurecimento da liberdade dos filhos, de preparação, de crescimento integral, de cultivo da autêntica autonomia” (AL 261). Deste modo, “a educação para a maturidade comporta a tarefa de promover liberdades responsáveis que, nas encruzilhadas, saibam optar com sensatez e inteligência” (AL 262). Ler mais…

Diocese de Lamego: abertura do ano pastoral 2016-2017

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Discípulos missionários com um coração que vê

Tal como anunciado, o primeiro dia de Outubro foi a data escolhida para a abertura do novo ano pastoral na diocese. Aconteceu na manhã de sábado, no Seminário Maior de Lamego, com a presença de muitos diocesanos, mas também com bastantes ausências.

O início do encontro estava marcado para as 9h30, mas antes da hora já muitos diocesanos tinham estacionado e entrado no Seminário. Para alguns tratava-se de um regresso, para outras de uma novidade. Apesar de estarmos em plena época de vindimas e de colheita das maçãs, foram muitos os fiéis leigos que marcaram presença, testemunhando a sua disponibilidade para escutar o Pastor e participar activamente nesta nova etapa, servindo a Igreja nas Comunidades, Grupos e Movimentos em que se integram.

Com a presença do nosso Bispo, D. António Couto, de Mons. Joaquim Rebelo, Vigário Geral, do Pe. João Carlos Morgado, Pró-Vigário Geral, do Cón. José Manuel Melo e Pe. Diamantino Alvaíde, dos Coordenadores da Pastoral, e de alguns párocos, a oração da manhã marcou o início do festivo encontro.

Após a oração, D. António Couto saudou todos, agradecendo e sublinhando a presença, o testemunho e o esforço evangelizador de cada um na vontade de seguir Jesus Cristo e de participar na edificação de uma Igreja que se quer “em saída”. Depois começou a apresentar a Carta Pastoral que escreveu e que, neste dia, colocou nas mãos de todos os diocesanos, sob a protecção de Nossa Senhora, cujo Centenário das Aparições em Fátima se celebrará em 2017. Ler mais…

JUBILEU DA MISERICÓRDIA | Princípios da DSI

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A quem se interessa pelo ensinamento social da Igreja e realiza algumas leituras sobre o assunto, facilmente encontra referências aos “princípios da Doutrina Social da Igreja (DSI)”. Aliás, o próprio Compêndio da Doutrina Social da Igreja (CDSI) ocupa-se deles no seu capítulo IV (nn. 160-208), afirmando que tais princípios permanentes “constituem os verdadeiros e próprios gonzos do ensinamento social católico”.

Falar de “princípios” é, como a palavra indica, referir um início, um começo, mas é também identificar linhas mestras que orientam um percurso. Neste caso, estamos diante de realidades que têm um carácter geral e fundamental que permanecem no tempo e cujo significado se caracteriza pela universalidade. No fundo, são referências que contribuem decisivamente para o caminho a fazer, diante das realidades históricas, permitindo avançar, discernindo e escolhendo. Ler mais…

Nomeações de D. António Couto para o ano pastoral 2016-2017

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NOTA DA VIGARARIA GERAL

DIOCESE DE LAMEGO

A Vigararia Geral da Diocese de Lamego informa que o Sr. D. António José da Rocha Couto, Bispo da Diocese, procedeu às seguintes alterações nos ofícios eclesiásticos:

  • DISPENSAR o Rev. Pe. José Alves de Amorim da Paroquialidade de S. João Baptista de Quintela da Lapa, na zona pastoral de Sernancelhe, mantendo os restantes encargos pastorais e NOMEAR, como Pároco, o Rev. Pe. Tiago André Bernardino Cardoso, até à presente data, Vigário Paroquial.

Relativamente aos ofícios da Cúria Diocesana:

  • TRANSFERIR, para a Comissão para a Missão e Nova Evangelização, o Departamento Diocesano da Pastoral de Jovens.

  • DISPENSAR o Rev. Pe. Duarte Freire de Andrade de Sousa Lara da Comissão Diocesana para a Missão e Nova Evangelização, mantendo os restantes encargos pastorais.

  • DISPENSAR o Rev. Cón. Manuel Jorge Leal Domingues do Serviço Diocesano para as Obras Missionárias Pontifícias, mantendo os restantes encargos pastorais.

  • DISPENSAR o Rev. Pe. Bráulio Manuel Félix Carvalho de Director do Departamento Diocesano da Pastoral de Jovens e nomeá-lo como Responsável do Serviço Diocesano dos Convívios Fraternos, mantendo os restantes encargos pastorais.

  • DISPENSAR o Rev. Pe. Francisco de Almeida Marques de Presidente da Comissão para a Educação Cristã e Doutrina da Fé, mantendo os restantes encargos pastorais.

  • DISPENSAR o Rev. Pe. Paulo Jorge Pereira Alves de Presidente da Comissão Diocesana para o Laicado e Família e de Director do Departamento Diocesano da Pastoral Familiar.

  • DISPENSAR o Rev. Pe. Vasco de Oliveira Pedrinho de Director do Departamento Diocesano da Pastoral Vocacional e reconduzi-lo como Formador do Seminário Maior de Lamego, mantendo os restantes encargos pastorais.

  • RECONDUZIR o Rev. Pe. Joaquim Proença Dionísio como Reitor do Seminário Maior de Lamego e como Director do Jornal Voz de Lamego, mantendo os restantes encargos pastorais.

  • RECONDUZIR Rev. Cón. Manuel Jorge Leal Domingues como Administrador do Jornal Voz de Lamego, mantendo os restantes encargos pastorais.

  • RECONDUZIR o Rev. Pe. Hermínio Manuel Lopes como Designer Gráfico do Jornal Voz de Lamego,mantendo os restantes encargos pastorais.

  • NOMEAR o Rev. Pe. Diamantino José Alvaíde Duarte como Presidente da Comissão Diocesana para a Missão e Nova Evangelização, mantendo os restantes encargos pastorais.

  • NOMEAR o Rev. Pe. Fabrício António Pinheiro Correia como Responsável do Serviço Diocesano das Obras Missionárias Pontifícias, mantendo os restantes encargos pastorais.

  • NOMEAR o Luís Rafael Teles Azevedo como Director do Departamento Diocesano da Pastoral de Jovens.

  • NOMEAR o Rev. Pe. Manuel Pereira Gonçalves como Presidente da Comissão Diocesana para a Educação Cristã e Doutrina da Fé, mantendo os restantes encargos pastorais.

  • NOMEAR o Rev. Pe. Adriano Filipe Assis como Presidente da Comissão Diocesana para o Laicado e Família, mantendo os restantes encargos pastorais.

  • NOMEAR o Sr. Eduardo Augusto Rodrigues de Seixas e a sua esposa a Sra. D. Maria Natália Leandro Rodrigues de Seixas, como Directores do Departamento Diocesano da Pastoral Familiar.

  • NOMEAR o Rev. Pe. José Miguel Loureiro Almeida como Director do Departamento Diocesano da Pastoral Vocacional, mantendo os restantes encargos pastorais.

  • NOMEAR o Rev. Pe. José Fernando Duarte Mendes como Director do Departamento Diocesano da Pastoral da Saúde e das Pessoas com Deficiência, mantendo os restantes encargos pastorais.

Todas estas nomeações são feitas por um período de três anos.Os restantes titulares de ofícios da Cúria Diocesana que não são nomeados nesta Nota são reconduzidos nos seus cargos, também por um triénio.

A Diocese agradece a disponibilidade generosa de todos os sacerdotes e a sua inestimável dedicação aos vários ofícios eclesiais, aos quais entregam a sua vida sacerdotal.

Lamego, 4 de Agosto de 2016, dia litúrgico de S. João Maria Vianney

Mons. Joaquim Dias Rebelo,

Vigário Geral da Diocese de Lamego

À conversa com o Pe. João Carlos sobre a Exortação do Papa Francisco

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Aquando da preparação das assembleias sinodais sobre a família (2014 e 2015), o povo de Deus foi convidado a manifestar-se e a contribuir para as mesmas, nomeadamente respondendo a questões que visavam recolher a opinião e o sentir dos baptizados. O Pe. João Carlos Morgado, Pró-Vigário Geral da nossa  Diocese de Lamego foi o responsável por essa recolha e posterior envio para a Conferência Episcopal. Numa altura em que a exortação Papal sobre o tema é notícia. Quisemos saber a sua opinião.

Após a leitura da exortação pós-sinodal e depois de ter coligido as sugestões de muitos diocesanos, sente que as expectativas foram satisfeitas?

Sim, sente-se de forma geral, que as sugestões, reflexões e problemáticas apresentadas nas respostas aos questionários foram tidas em conta. A Exortação Apostólica do Papa Francisco “Amoris Laetitia” é um documento longo e bastante inclusivo daquilo que é o sentir do Povo de Deus sobre as questões que se colocam às famílias do nosso tempo e que foi expresso na síntese das respostas aos dois inquéritos. Recordo que o primeiro questionário começava por “avaliar” o conhecimento dos batizados acerca do ensinamento bíblico e do Magistério da Igreja sobre a família e a sua receção na vida quotidiana. A exortação apostólica dedica todo o primeiro capítulo à exposição da doutrina sobre a família à luz da Palavra de Deus e no capítulo III, nomeadamente nos números 67 a 70, faz-se uma síntese dos principais ensinamentos do magistério sobre a família. No resto da “Amoris Laetitia” sente-se a mesma simetria no tratamento dos temas.

Como caracteriza o procedimento sinodal escolhido e vivido neste caso? 

Foram enviados às dioceses dois questionários. O primeiro, em 2014, tinha como finalidade permitir às Igrejas particulares participar ativamente na preparação do Sínodo Extraordinário, sob a temática do anúncio do Evangelho nos atuais desafios pastorais a respeito da família. O segundo, em 2015, foi feito a partir da Relatio Synodi que saiu do Sínodo Extraordinário e pretendia saber se a “Relatio” correspondia a quanto emerge na Igreja e na sociedade de hoje e que aspetos faltavam que se pudessem integrar. Houve assim um percurso sinodal que envolveu toda a Igreja. Todos os batizados tiveram a oportunidade de se exprimirem.

A leitura deste documento é aconselhada a todos, mas sabemos que nem sempre tal é viável. Que sugestões daria para uma leitura e reflexão na nossa Diocese?

A primeira sugestão é dada pelo próprio Papa, que logo no início da exortação propõe: “Devido à riqueza que os dois anos de reflexão do caminho sinodal ofereceram, esta exortação aborda, com diferentes estilos, muitos e variados temas. Isto explica a sua inevitável extensão. Por isso, não aconselho uma leitura espiritual apressada. Poderá ser de mais proveitoso, tanto para as famílias como para os agentes de pastoral familiar, aprofundar pacientemente uma parte de cada vez ou procurar nela aquilo de que precisam em cada circunstância concreta. É provável, por exemplo, que os esposos se identifiquem mais com o capítulo IV e V, que os agentes pastorais tenham especial interesse pelo capítulo VI, e que todos se sintam muito interpelados pelo VIII. Espero que cada um, através da leitura, se sinta chamado a cuidar com amor da vida das famílias, porque elas ‘não são um problema, são sobretudo oportunidade’.” (AL, 7)

Sei que isto está já a ser feito na nossa diocese. Por exemplo os responsáveis pelo CPM estão agora a estudar os números do documento que se referem à necessária e adequada preparação para o Matrimónio e que o Papa tanto sublinha( AL 205 -211). Também as Equipas de Nossa Senhora começaram já a estudar a exortação nas suas reuniões de casais. Nos recentes Cursilhos de Cristandade a Exortação Apostólica Amoris Laetitia fez parte dos documentos do magistério estudados e recomendados para estudo.

Em algumas regiões da diocese já se consolidaram as realizações anuais de assembleias (arciprestais ou de zona) de famílias, assim como as celebrações comunitárias das Bodas de Ouro e de Prata Matrimoniais. Aliás o Papa Francisco, no nº 223, considera um recurso válido “animar os cônjuges a reunirem-se regularmente para promoverem o crescimento da vida espiritual e a solidariedade nas exigências concretas da vida. Liturgias, práticas devocionais e Eucaristias celebradas para as famílias, sobretudo no aniversário do matrimónio”. Tudo serão oportunidades para refletir sobre a exortação e talvez não fosse impraticável a distribuição de um exemplar da mesma a cada uma das famílias presentes, que depois a poderiam estudar em casal e redescobrir a alegria do amor que este documento sublinha no título e no conteúdo.

Os órgãos de informação da diocese, desde a Voz de Lamego aos paroquiais, tem dado desde a primeira hora publicidade e “chaves de leitura” da exortação. Tendo esta uma acentuada componente missionária, como aliás os demais documentos do Papa Francisco, urge fazer das famílias atores da nova evangelização, com uma pastoral de conjunto que congregue sinergias.

Teremos naturalmente de,também, estar atentos às situações novas da família, tratadas no Cap. VIII, e aos desafios pastorais que nos lançam para “acompanhar, discernir e integrar a fragilidade” a partir das indicações que a exortação nos dá e dos caminhos que deixa abertos e que será necessário aprender a percorrer. É andando que se faz caminho.

in Voz de Lamego, ano 86/22, n.º 4361, 3 de maio de 2016

ACOLHER E DISCERNIR | Editorial Voz de Lamego | 19 de abril de 2016

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A Viagem do Papa Francisco à Ilha de Lesbos, na Grécia, a um campo de Refugiados, abre como destaque a Voz de Lamego desta semana. Uma viagem breve, mas com uma marca provocatória para todos, a começar pelas autoridades, mas também para as nossas comunidades cristãs. No Avião Papal, a acompanhar o regresso de Francisco ao Vaticano, três famílias de refugiadas, para refazerem as suas vidas em Itália. Não foi uma escolha aleatória, mas correspondem a famílias que tinham os papéis em ordem.

No Editorial desta semana, o Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, prepara-nos para ler a Exortação Apostólica do Papa Francisco sobre a Família, A Alegria do Amor.

ACOLHER E DISCERNIR

Contrariando as expectativas jornalísticas de alguns e o exagerado temor de outros, a recente Exortação pós-sinodal não apresenta qualquer mudança doutrinal. Mais do que preocupar-se com normas, regras ou interdições, o Papa convida as famílias a viverem de maneira evangélica.

O texto, que quer promover a família na Igreja e na sociedade através do diálogo e da acção, está apresentado em 325 parágrafos divididos por nove capítulos e é fruto de um sínodo vivido em dois momentos (sessão extraordinária em 2014 e ordinária em 2015).

Acolhendo e citando as proposições sinodais, Francisco consagra vários capítulos a recordar a doutrina da Igreja católica, para quem a família é uma experiência humana e humanizante que importa acolher, acompanhar e promover. Nesse sentido, o Sumo Pontífice apela a um olhar positivo sobre as famílias, convidando todos a imitarem a atitude de acolhimento protagonizada por Cristo, o modelo a seguir. Porque, mesmo quando algum baptizado não vive em conformidade com a doutrina, continua a pertencer à Igreja.

Defendendo a unidade de doutrina e da práxis, mas lembrando a imagem do poliedro (figura com muitas faces planas), fica claro que o Papa não quer definir, a partir de Roma, todos as consequências da fé cristã, deixando às Igrejas locais a busca de soluções mais inculturadas e atentas.

Assim, a originalidade deste texto está na ênfase dada ao discernimento espiritual, destacando a importância da formação da consciência e o discernir de elementos positivos em situações que podem parecer imperfeitas ou inacabadas. A pastoral não é nem uma engenharia de soluções acabadas nem a cega aplicação de normas.

A Igreja é convidada a reencontrar os que estão fora (periferias), no seu ambiente familiar, e a acompanhá-los no caminho, com a Palavra de Deus e a oração, promovendo a progressão na fidelidade a Cristo.

in Voz de Lamego, ano 86/22, n.º 4359, 19 de abril de 2016

HOMILIA DE D. ANTÓNIO COUTO NA MISSA CRISMAL

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O ÓLEO DA ALEGRIA QUE DEVEMOS DERRAMAR COM ABUNDÂNCIA

1. «O Espírito do Senhor sobre mim, porque o Senhor me ungiu para anunciar o evangelho aos pobres», assim se diz a si mesmo o profeta de Isaías 61,1. «O Espírito do Senhor sobre mim, porque o Senhor me ungiu para anunciar o evangelho aos pobres», repete Jesus na sinagoga de Nazaré (Lucas 4,18), acrescentando um «Hoje» que ainda hoje retine nos nossos ouvidos: «Hoje foi plenificada (peplêrôtai: perf. pass. de plêróô) (passivo divino ou teológico!) esta Escritura nos vossos ouvidos» (Lucas 4,21). Escritura plenificada por Deus, por Deus enchida até ao cimo da letra, até ao Espírito. Escritura a transbordar e a inundar como uma enchurrada a nossa vida! Jesus Cristo não vem depois da Escritura. Rebenta como um bolhão do meio da Escritura. Transborda da Escritura. Banho de água batismal, caudal de óleo crismal a escorrer pela cabeça, pelo rosto, pelas vestes deste povo todo sacerdotal e santo (Êxodo 19,6; Apocalipse 1,4-6).

2. Povo Santo de Deus, aí está a tua bela e funda identidade: povo batizado, crismado, cristificado. Encharcado em Cristo, de Cristo. Por isso, diz bem São Paulo aos Coríntios: «Vós sois de Cristo (tu és de Cristo), e Cristo é de Deus» (1 Coríntios 3,23). «Porque o Senhor me ungiu», diz o profeta. «Porque o Senhor me ungiu», diz Jesus Cristo. «Porque o Senhor nos ungiu», digamos nós também. Significa isto, antes de mais, que, para nos ungir com o seu óleo perfumado, Deus se aproxima tanto de nós, que toca em nós com a sua mão carinhosa! Exatamente como fazemos nós, ou como Deus faz por nós, quando ungimos com o óleo do crisma os recém-batizados, os crismados, os sacerdotes, os bispos, o corpo da igreja e os altares no dia da sua dedicação; com o óleo dos catecúmenos, aqueles que se preparam e dispõem para o batismo; com o óleo dos enfermos, aqueles que procuram alívio para as suas dores.

3. O Salmo articula bem a comunidade viva com o fruto da oliveira: «Como é bom, como é belo, viverem unidos os irmãos. É como azeite sobre a cabeça, descendo pela barba, a barba de Aarão, descendo sobre as suas vestes» (Salmo 133,1-2). Comunidade bela e forte, unida, oleada, perfumada. Trata-se de azeite de oliveira, perfumado com mirra, cinamomo, cálamo e cássia (Êxodo 30,22-33), a encharcar a cabeça e o cabelo de Aarão, a descer pela barba, e sobre as suas vestes sacerdotais, encharcando o humeral (ʼephod), uma espécie de roquete ou sobrepeliz que desce sobre os ombros, e, descendo sempre, encharca depois o peitoral (hoshen), bolsa quadrada, com 25 cm de lado, aplicada sobre o humeral, cobrindo o peito. O azeite encharca o tecido que está sobre os ombros e sobre o peito do sacerdote. Sobre os ombros, nas duas alças do humeral, traz o sacerdote incrustradas duas pedras de ónix, uma sobre cada ombro, cada uma gravada com seis nomes das doze tribos de Israel (Êxodo 28,1-14). E, sobre o peito, no peitoral, traz o sacerdote doze pedras preciosas diferentes, e em cada uma delas está gravado o nome de uma das doze tribos de Israel (Êxodo 28,15-30), irmanadas, como se fosse uma jóia em unidade harmónica. Extraordinária simbologia! O sacerdote carrega aos ombros (Êxodo 28,12) e leva sobre o coração (Êxodo 28,29) todos e cada um dos filhos de Israel! A releitura por excelência do Livro da Sabedoria diz admiravelmente que «sobre as vestes sacerdotais é transportado o mundo inteiro» (18,24). É assim que se vê bem a missão do sacerdote. Mas vê-se igualmente bem que se trata de um povo todo ungido, todo sacerdotal e aromático. Portanto, todo empenhado no serviço da evangelização, de modo a mudar verdadeiramente a vida e a vivência eclesial como sonhou São João Paulo II (Redemptoris missio, n.º 2).

4. «O Espírito do Senhor sobre mim, porque o Senhor me ungiu para anunciar o evangelho aos pobres». Guardemos connosco, Hoje, amados irmãos no sacerdócio, reunidos em unum prresbyterium, esta unção e esta missão sacerdotal. Unção e missão. Unção para a missão. Torrente que vem de Deus e que envolve, por graça, as nossas mãos, entranhas e coração. Não nos esqueçamos do óleo da alegria que nos deve inundar as entranhas, o coração e a missão (Salmo 45,8; Isaías 61,3; Hebreus 1,9). Não nos esqueçamos também que a missão deste Evangelho do óleo da alegria se destina aos pobres. Quem são os pobres? São aqueles que se sentem tão batidos e abatidos pelas desilusões da vida, que já não têm mais coração para tentar de novo; são aqueles que se sentem tão presos e incapacitados, que consideram a libertação e a liberdade uma miragem cruel; são aqueles que pensam que Deus se esqueceu deles, e que nunca mais terão um dia de alegria; são aqueles que pensam que a sua vida já não vale mais do que saco e cinza e lágrimas, e que por companhia têm o duro farnel do desespero. É a estes que Isaías e Jesus anunciam boas notícias vindas de Deus!

5. Caríssimos irmãos no sacerdócio, são estes pobres que deveis carregar aos ombros e no coração. É este mundo hostil ou apenas indiferente ou enlatado, a esvaziar-se de sentido, são estas crianças que ainda sonham, estes jovens desiludidos, estes casais preocupados, estas famílias desconstruídas, estes idosos tantas vezes sós, que devemos transportar sobre as nossas vestes sacerdotais. É a estes irmãos e irmãs concretos que nos devemos entregar ou «super-entregar» (ekdapanêthêsomai), para usar a expressão da Segunda Carta aos Coríntios e do Decreto Presbyterorum ordinis (2 Coríntios 12,15; Presbyterorum ordinis, n.º 15). A nossa vida bela não pode ser vivida assim-assim, de qualquer maneira, ou de uma maneira qualquer. Nas nossas atividades pastorais, devemos, amados irmãos, ter sempre a noção clara de que não somos e não podemos ser simples animadores ou monitores, mas transparência fiel da presença viva e operante do próprio Senhor no meio da comunidade.

6. Neste Ano Jubilar da Misericórdia, não deixemos Deus por mãos alheias e coração alheio. Empenhemo-nos no anúncio do Evangelho, que é «a primeira caridade» para este mundo (Novo millennio ineunte, n.º 50; Evangelii gaudium, n.º 199). E não nos esqueçamos nunca que só «a caridade das obras garante uma força inequívoca à caridade das palavras» (Novo millennio ineunte, n.º 50).

7. Derramemos, pois, com abundância, amados irmãos no sacerdócio e no batismo, este óleo da alegria, que Deus nos confiou.

Senhor Jesus, faz da tua Igreja uma sarça
Ardente de amor diante dos nossos olhos,
Alimenta-lhe o fogo com o teu óleo sagrado que abrasa de amor a terra inteira,
Faz que aquela chama dia a dia nos incendeie e nos chame
E que nós saibamos responder sempre: “Eis-me aqui”.

Dá à tua Igreja ternura e coragem e aragem:
A coragem da ternura e a aragem que nos limpa o coração e o olhar.

Aceita, Senhor, as nossas lágrimas e sorrisos,
E torna-nos próximos e acolhedores de quem está só, triste e sem esperança.
Faz uma fogueira com as nossas maldades,
E mesmo que nos desviemos de Ti,
Quando para Ti voltarmos,
Cobertos de lama e de pó,
Lava com sabão de amor o nosso coração,
Ainda antes de Te pedirmos perdão.

Lamego, 24 de março de 2016, Quinta-Feira Santa, Homilia na Missa Crismal

+ António, vosso bispo e irmão

Mensagem do Santo Padre Francisco para a Quaresma 2016

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MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO PARA A QUARESMA DE 2016

«“Prefiro a misericórdia ao sacrifício” (Mt 9, 13).
As obras de misericórdia no caminho jubilar»

1. Maria, ícone duma Igreja que evangeliza porque evangelizada

Na Bula de proclamação do Jubileu, fiz o convite para que «a Quaresma deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus» (Misericordiӕ Vultus, 17). Com o apelo à escuta da Palavra de Deus e à iniciativa «24 horas para o Senhor», quis sublinhar a primazia da escuta orante da Palavra, especialmente a palavra profética. Com efeito, a misericórdia de Deus é um anúncio ao mundo; mas cada cristão é chamado a fazer pessoalmente experiência de tal anúncio. Por isso, no tempo da Quaresma, enviarei os Missionários da Misericórdia a fim de serem, para todos, um sinal concreto da proximidade e do perdão de Deus.

Maria, por ter acolhido a Boa Notícia que Lhe fora dada pelo arcanjo Gabriel, canta profeticamente, no Magnificat, a misericórdia com que Deus A predestinou. Deste modo a Virgem de Nazaré, prometida esposa de José, torna-se o ícone perfeito da Igreja que evangeliza porque foi e continua a ser evangelizada por obra do Espírito Santo, que fecundou o seu ventre virginal. Com efeito, na tradição profética, a misericórdia aparece estreitamente ligada – mesmo etimologicamente – com as vísceras maternas (rahamim) e com uma bondade generosa, fiel e compassiva (hesed) que se vive no âmbito das relações conjugais e parentais.

2. A aliança de Deus com os homens: uma história de misericórdia

O mistério da misericórdia divina desvenda-se no decurso da história da aliança entre Deus e o seu povo Israel. Na realidade, Deus mostra-Se sempre rico de misericórdia, pronto em qualquer circunstância a derramar sobre o seu povo uma ternura e uma compaixão viscerais, sobretudo nos momentos mais dramáticos quando a infidelidade quebra o vínculo do Pacto e se requer que a aliança seja ratificada de maneira mais estável na justiça e na verdade. Encontramo-nos aqui perante um verdadeiro e próprio drama de amor, no qual Deus desempenha o papel de pai e marido traído, enquanto Israel desempenha o de filho/filha e esposa infiéis. São precisamente as imagens familiares – como no caso de Oseias (cf. Os 1-2) – que melhor exprimem até que ponto Deus quer ligar-Se ao seu povo.

Este drama de amor alcança o seu ápice no Filho feito homem. N’Ele, Deus derrama a sua misericórdia sem limites até ao ponto de fazer d’Ele a Misericórdia encarnada (cf. Misericordiӕ Vultus, 8). Na realidade, Jesus de Nazaré enquanto homem é, para todos os efeitos, filho de Israel. E é-o ao ponto de encarnar aquela escuta perfeita de Deus que se exige a cada judeu pelo Shemà, fulcro ainda hoje da aliança de Deus com Israel: «Escuta, Israel! O Senhor é nosso Deus; o Senhor é único! Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6, 4-5). O Filho de Deus é o Esposo que tudo faz para ganhar o amor da sua Esposa, à qual O liga o seu amor incondicional que se torna visível nas núpcias eternas com ela.

Este é o coração pulsante do querigma apostólico, no qual ocupa um lugar central e fundamental a misericórdia divina. Nele sobressai «a beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado» (Evangelii gaudium, 36), aquele primeiro anúncio que «sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar, duma forma ou doutra, durante a catequese» (Ibid., 164). Então a Misericórdia «exprime o comportamento de Deus para com o pecador, oferecendo-lhe uma nova possibilidade de se arrepender, converter e acreditar» (Misericordiӕ Vultus, 21), restabelecendo precisamente assim a relação com Ele. E, em Jesus crucificado, Deus chega ao ponto de querer alcançar o pecador no seu afastamento mais extremo, precisamente lá onde ele se perdeu e afastou d’Ele. E faz isto na esperança de assim poder finalmente comover o coração endurecido da sua Esposa.

3. As obras de misericórdia

A misericórdia de Deus transforma o coração do homem e faz-lhe experimentar um amor fiel, tornando-o assim, por sua vez, capaz de misericórdia. É um milagre sempre novo que a misericórdia divina possa irradiar-se na vida de cada um de nós, estimulando-nos ao amor do próximo e animando aquilo que a tradição da Igreja chama as obras de misericórdia corporal e espiritual. Estas recordam-nos que a nossa fé se traduz em actos concretos e quotidianos, destinados a ajudar o nosso próximo no corpo e no espírito e sobre os quais havemos de ser julgados: alimentá-lo, visitá-lo, confortá-lo, educá-lo. Por isso, expressei o desejo de que «o povo cristão reflicta, durante o Jubileu, sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual. Será uma maneira de acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina» (Ibid., 15). Realmente, no pobre, a carne de Cristo «torna-se de novo visível como corpo martirizado, chagado, flagelado, desnutrido, em fuga… a fim de ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós» (Ibid., 15). É o mistério inaudito e escandaloso do prolongamento na história do sofrimento do Cordeiro Inocente, sarça ardente de amor gratuito na presença da qual podemos apenas, como Moisés, tirar as sandálias (cf. Ex 3, 5); e mais ainda, quando o pobre é o irmão ou a irmã em Cristo que sofre por causa da sua fé.

Diante deste amor forte como a morte (cf. Ct 8, 6), fica patente como o pobre mais miserável seja aquele que não aceita reconhecer-se como tal. Pensa que é rico, mas na realidade é o mais pobre dos pobres. E isto porque é escravo do pecado, que o leva a utilizar riqueza e poder, não para servir a Deus e aos outros, mas para sufocar em si mesmo a consciência profunda de ser, ele também, nada mais que um pobre mendigo. E quanto maior for o poder e a riqueza à sua disposição, tanto maior pode tornar-se esta cegueira mentirosa. Chega ao ponto de não querer ver sequer o pobre Lázaro que mendiga à porta da sua casa (cf. Lc 16, 20-21), sendo este figura de Cristo que, nos pobres, mendiga a nossa conversão. Lázaro é a possibilidade de conversão que Deus nos oferece e talvez não vejamos. E esta cegueira está acompanhada por um soberbo delírio de omnipotência, no qual ressoa sinistramente aquele demoníaco «sereis como Deus» (Gn 3, 5) que é a raiz de qualquer pecado. Tal delírio pode assumir também formas sociais e políticas, como mostraram os totalitarismos do século XX e mostram hoje as ideologias do pensamento único e da tecnociência que pretendem tornar Deus irrelevante e reduzir o homem a massa possível de instrumentalizar. E podem actualmente mostrá-lo também as estruturas de pecado ligadas a um modelo de falso desenvolvimento fundado na idolatria do dinheiro, que torna indiferentes ao destino dos pobres as pessoas e as sociedades mais ricas, que lhes fecham as portas recusando-se até mesmo a vê-los.

Portanto a Quaresma deste Ano Jubilar é um tempo favorável para todos poderem, finalmente, sair da própria alienação existencial, graças à escuta da Palavra e às obras de misericórdia. Se, por meio das obras corporais, tocamos a carne de Cristo nos irmãos e irmãs necessitados de ser nutridos, vestidos, alojados, visitados, as obras espirituais tocam mais directamente o nosso ser de pecadores: aconselhar, ensinar, perdoar, admoestar, rezar. Por isso, as obras corporais e as espirituais nunca devem ser separadas. Com efeito, é precisamente tocando, no miserável, a carne de Jesus crucificado que o pecador pode receber, em dom, a consciência de ser ele próprio um pobre mendigo. Por esta estrada, também os «soberbos», os «poderosos» e os «ricos», de que fala o Magnificat, têm a possibilidade de aperceber-se que são, imerecidamente, amados pelo Crucificado, morto e ressuscitado também por eles. Somente neste amor temos a resposta àquela sede de felicidade e amor infinitos que o homem se ilude de poder colmar mediante os ídolos do saber, do poder e do possuir. Mas permanece sempre o perigo de que os soberbos, os ricos e os poderosos – por causa de um fechamento cada vez mais hermético a Cristo, que, no pobre, continua a bater à porta do seu coração – acabem por se condenar precipitando-se eles mesmos naquele abismo eterno de solidão que é o inferno. Por isso, eis que ressoam de novo para eles, como para todos nós, as palavras veementes de Abraão: «Têm Moisés e o Profetas; que os oiçam!» (Lc 16, 29). Esta escuta activa preparar-nos-á da melhor maneira para festejar a vitória definitiva sobre o pecado e a morte conquistada pelo Esposo já ressuscitado, que deseja purificar a sua prometida Esposa, na expectativa da sua vinda.

Não percamos este tempo de Quaresma favorável à conversão! Pedimo-lo pela intercessão materna da Virgem Maria, a primeira que, diante da grandeza da misericórdia divina que Lhe foi concedida gratuitamente, reconheceu a sua pequenez (cf. Lc 1, 48), confessando-Se a humilde serva do Senhor (cf. Lc 1, 38).

Vaticano, 4 de Outubro de 2015
Festa de S. Francisco de Assis

Francisco

Mensagem do Papa Francisco: Dia Mundial das Comunicações Sociais

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MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO PARA O 50º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

«Comunicação e Misericórdia: um encontro fecundo»

[8 de Maio de 2016]

Queridos irmãos e irmãs!

O Ano Santo da Misericórdia convida-nos a reflectir sobre a relação entre a comunicação e a misericórdia. Com efeito a Igreja unida a Cristo, encarnação viva de Deus Misericordioso, é chamada a viver a misericórdia como traço característico de todo o seu ser e agir. Aquilo que dizemos e o modo como o dizemos, cada palavra e cada gesto deveria poder expressar a compaixão, a ternura e o perdão de Deus para todos. O amor, por sua natureza, é comunicação: leva a abrir-se, não se isolando. E, se o nosso coração e os nossos gestos forem animados pela caridade, pelo amor divino, a nossa comunicação será portadora da força de Deus.

Como filhos de Deus, somos chamados a comunicar com todos, sem exclusão. Particularmente próprio da linguagem e das acções da Igreja é transmitir misericórdia, para tocar o coração das pessoas e sustentá-las no caminho rumo à plenitude daquela vida que Jesus Cristo, enviado pelo Pai, veio trazer a todos. Trata-se de acolher em nós mesmos e irradiar ao nosso redor o calor materno da Igreja, para que Jesus seja conhecido e amado; aquele calor que dá substância às palavras da fé e acende, na pregação e no testemunho, a «centelha» que os vivifica.

A comunicação tem o poder de criar pontes, favorecer o encontro e a inclusão, enriquecendo assim a sociedade. Como é bom ver pessoas esforçando-se por escolher cuidadosamente palavras e gestos para superar as incompreensões, curar a memória ferida e construir paz e harmonia. As palavras podem construir pontes entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, os povos. E isto acontece tanto no ambiente físico como no digital. Assim, palavras e acções hão-de ser tais que nos ajudem a sair dos círculos viciosos de condenações e vinganças que mantêm prisioneiros os indivíduos e as nações, expressando-se através de mensagens de ódio. Ao contrário, a palavra do cristão visa fazer crescer a comunhão e, mesmo quando deve com firmeza condenar o mal, procura não romper jamais o relacionamento e a comunicação.

Por isso, queria convidar todas as pessoas de boa vontade a redescobrirem o poder que a misericórdia tem de curar as relações dilaceradas e restaurar a paz e a harmonia entre as famílias e nas comunidades. Todos nós sabemos como velhas feridas e prolongados ressentimentos podem aprisionar as pessoas, impedindo-as de comunicar e reconciliar-se. E isto aplica-se também às relações entre os povos. Em todos estes casos, a misericórdia é capaz de implementar um novo modo de falar e dialogar, como se exprimiu muito eloquentemente Shakespeare: «A misericórdia não é uma obrigação. Desce do céu como o refrigério da chuva sobre a terra. É uma dupla bênção: abençoa quem a dá e quem a recebe» (O mercador de Veneza, Acto IV, Cena I).

É desejável que também a linguagem da política e da diplomacia se deixe inspirar pela misericórdia, que nunca dá nada por perdido. Faço apelo sobretudo àqueles que têm responsabilidades institucionais, políticas e de formação da opinião pública, para que estejam sempre vigilantes sobre o modo como se exprimem a respeito de quem pensa ou age de forma diferente e ainda de quem possa ter errado. É fácil ceder à tentação de explorar tais situações e, assim, alimentar as chamas da desconfiança, do medo, do ódio. Pelo contrário, é preciso coragem para orientar as pessoas em direcção a processos de reconciliação, mas é precisamente tal audácia positiva e criativa que oferece verdadeiras soluções para conflitos antigos e a oportunidade de realizar uma paz duradoura. «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. (…) Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 7.9).

Como gostaria que o nosso modo de comunicar e também o nosso serviço de pastores na Igreja nunca expressassem o orgulho soberbo do triunfo sobre um inimigo, nem humilhassem aqueles que a mentalidade do mundo considera perdedores e descartáveis! A misericórdia pode ajudar a mitigar as adversidades da vida e dar calor a quantos têm conhecido apenas a frieza do julgamento. Seja o estilo da nossa comunicação capaz de superar a lógica que separa nitidamente os pecadores dos justos. Podemos e devemos julgar situações de pecado – violência, corrupção, exploração, etc. –, mas não podemos julgar as pessoas, porque só Deus pode ler profundamente no coração delas. É nosso dever admoestar quem erra, denunciando a maldade e a injustiça de certos comportamentos, a fim de libertar as vítimas e levantar quem caiu. O Evangelho de João lembra-nos que «a verdade [nos] tornará livres» (Jo 8, 32). Em última análise, esta verdade é o próprio Cristo, cuja misericórdia repassada de mansidão constitui a medida do nosso modo de anunciar a verdade e condenar a injustiça. É nosso dever principal afirmar a verdade com amor (cf. Ef 4, 15). Só palavras pronunciadas com amor e acompanhadas por mansidão e misericórdia tocam os nossos corações de pecadores. Palavras e gestos duros ou moralistas correm o risco de alienar ainda mais aqueles que queríamos levar à conversão e à liberdade, reforçando o seu sentido de negação e defesa.

Alguns pensam que uma visão da sociedade enraizada na misericórdia seja injustificadamente idealista ou excessivamente indulgente. Mas tentemos voltar com o pensamento às nossas primeiras experiências de relação no seio da família. Os pais amavam-nos e apreciavam-nos mais pelo que somos do que pelas nossas capacidades e os nossos sucessos. Naturalmente os pais querem o melhor para os seus filhos, mas o seu amor nunca esteve condicionado à obtenção dos objectivos. A casa paterna é o lugar onde sempre és bem-vindo (cf. Lc 15, 11-32). Gostaria de encorajar a todos a pensar a sociedade humana não como um espaço onde estranhos competem e procuram prevalecer, mas antes como uma casa ou uma família onde a porta está sempre aberta e se procura aceitar uns aos outros.

Para isso é fundamental escutar. Comunicar significa partilhar, e a partilha exige a escuta, o acolhimento. Escutar é muito mais do que ouvir. Ouvir diz respeito ao âmbito da informação; escutar, ao invés, refere-se ao âmbito da comunicação e requer a proximidade. A escuta permite-nos assumir a atitude justa, saindo da tranquila condição de espectadores, usuários, consumidores. Escutar significa também ser capaz de compartilhar questões e dúvidas, caminhar lado a lado, libertar-se de qualquer presunção de omnipotência e colocar, humildemente, as próprias capacidades e dons ao serviço do bem comum.

Escutar nunca é fácil. Às vezes é mais cómodo fingir-se de surdo. Escutar significa prestar atenção, ter desejo de compreender, dar valor, respeitar, guardar a palavra alheia. Na escuta, consuma-se uma espécie de martírio, um sacrifício de nós mesmos em que se renova o gesto sacro realizado por Moisés diante da sarça-ardente: descalçar as sandálias na «terra santa» do encontro com o outro que me fala (cf. Ex 3, 5). Saber escutar é uma graça imensa, é um dom que é preciso implorar e depois exercitar-se a praticá-lo.

Também e-mails, sms, redes sociais, chat podem ser formas de comunicação plenamente humanas. Não é a tecnologia que determina se a comunicação é autêntica ou não, mas o coração do homem e a sua capacidade de fazer bom uso dos meios ao seu dispor. As redes sociais são capazes de favorecer as relações e promover o bem da sociedade, mas podem também levar a uma maior polarização e divisão entre as pessoas e os grupos. O ambiente digital é uma praça, um lugar de encontro, onde é possível acariciar ou ferir, realizar uma discussão proveitosa ou um linchamento moral. Rezo para que o Ano Jubilar, vivido na misericórdia, «nos torne mais abertos ao diálogo, para melhor nos conhecermos e compreendermos; elimine todas as formas de fechamento e desprezo e expulse todas as formas de violência e discriminação» (Misericordiae Vultus, 23). Em rede, também se constrói uma verdadeira cidadania. O acesso às redes digitais implica uma responsabilidade pelo outro, que não vemos mas é real, tem a sua dignidade que deve ser respeitada. A rede pode ser bem utilizada para fazer crescer uma sociedade sadia e aberta à partilha.

A comunicação, os seus lugares e os seus instrumentos permitiram um alargamento de horizontes para muitas pessoas. Isto é um dom de Deus, e também uma grande responsabilidade. Gosto de definir este poder da comunicação como «proximidade». O encontro entre a comunicação e a misericórdia é fecundo na medida em que gerar uma proximidade que cuida, conforta, cura, acompanha e faz festa. Num mundo dividido, fragmentado, polarizado, comunicar com misericórdia significa contribuir para a boa, livre e solidária proximidade entre os filhos de Deus e irmãos em humanidade.

Vaticano, 24 de Janeiro de 2016.

Papa Francisco