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Archive for the ‘D. António Couto’ Category

Editorial da Voz de Lamego: Fraternidade, fonte de liberdade e igualdade

Esta é uma das expressões do nosso Bispo, na missa crismal, no dia 5 de outubro, e que deu tom e cor à sua homilia, partindo da recente Carta Encíclica do Papa Francisco “Fratelli Tutti”, todos irmãos.

A receção ao documento do Papa vai-se fazendo, dentro e fora do âmbito da Igreja, com diferentes sublinhados e, como sempre, algumas polarizações. Ao nosso jornal também vão chegando algumas reflexões que incidem ou partem desta Carta.

São Francisco de Assis desafia-nos a tratar como irmãos o Sol, o mar, o vento, os passarinhos, e irmão de todos, a começar pelos pequeninos, pobres, doentes, abandonados, descartados, dos últimos, pois essa foi a opção de Jesus, essa há de ser a opção preferencial dos cristãos. Diz o Papa, “a fidelidade ao seu Senhor era proporcional ao amor que nutria pelos irmãos e irmãs”.

O nosso Bispo, na missa crismal e, no passado sábado, nas Jornadas Nacionais de Catequistas, sublinhou que a fraternidade é o sustentáculo da igualdade e da liberdade, sugerindo que ao tríptico da revolução francesa e do iluminismo deveria subtrair a fraternidade. E porquê? Porque se Deus foi retirado da equação, então não há como justificar, defender ou propor a fraternidade. Sem Deus, sem Pai, não há filhos! Se não temos um Pai comum, não podemos ser irmãos. A fraternidade supõe a filiação. Se não somos filhos, como é que poderemos ser irmãos, construir a fraternidade (comunidade de irmãos).

Claro que, sem fraternidade, a igualdade e a liberdade não têm um fundamento sólido, duradouro e definitivo. Com efeito, a fraternidade é o cimento da igualdade e da liberdade. Se não somos irmãos, porquê preocupar-nos com estranhos? Refira-se ainda assim que a sobrevivência do mundo depende de todos, o bem ou o mal que faço vai afetar o outro, vai decidir que o mundo é destruído ou se é contruído.

Do mesmo modo a liberdade. Se a liberdade se apoia em mim ou em ti, se se apoia nas normas de um país ou de uma ideologia, será uma liberdade a prazo, pois basta mudar a pessoa que tem mais poder para que também esta adquira outras feições. Sem a fraternidade, a lei do mais forte ganha terreno, manda quem pode.

“Como crentes, diz-nos o Papa, pensamos que, sem uma abertura ao Pai de todos, não pode haver razões sólidas e estáveis para o apelo á fraternidade” (272).

D. António, por sua vez, salienta que a raiz da fraternidade e essência da família é o amor eterno e verdadeiro. E o lugar humana onde se manifesta a fraternidade é a família. “Os filhos, não deixando de ser diferentes na ordem do nascimento, da saúde, da inteligência, temperamento, sucesso, são iguais, e são iguais não obstante as suas acentuadas diferenças; são iguais, não em função do que são ou do que têm ou do que fazem, mas em função daquilo que lhes é dado e feito; são diferentes mas são iguais, são iguais não devido a isto que fazem, ao seu currículo e ao seu trabalho, mas devido ao amor dos seus pais, que os faz iguais, que os torna iguais”. E também em função do amor fontal de Deus Pai, somos filhos de Deus, filhos no Filho, é esse amor primeiro que que nos torna livres e iguais. Deus não tem netos nem sobrinhos. Somos todos irmãos, porque somos todos filhos.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/46, n.º 4581, 27 de outubro de 2020

Editorial da Voz de Lamego: Que a tua vida seja uma mensagem

Desafio proposto, na apresentação do Plano Pastoral Diocesano, no sábado passado, pelo nosso Bispo, D. António Couto, a toda a Diocese de Lamego. Quem teve a oportunidade de acompanhar a sua intervenção, ou quem posteriormente a visualizou, pôde constatar diversos sublinhados feitos pelo nosso Bispo, fazendo-nos ver um pouco do que é a sua Carta Pastoral para este ano de 2020-2021. Ficou-me na retina esta expressão: “A nossa vida tem de ser transformada em mensagem”, em mensagem de esperança. Todos somos mensageiros da esperança.

O lema escolhido para o novo ano pastoral, e que dá título à Carta Pastoral, é: Abrir e semear sulcos de paz e de esperança. Antes dos frutos, a sementeira. E para que as sementes possam “morrer”, caindo à terra, abrem-se os sulcos, para depois os cobrir de terra, protegendo a semente e permitindo-lhe enraizar-se e desabrochar. A sementeira exige trabalho e cansaço e, quantas vezes, suor e lágrimas, um certo grau de receio pelo que sucederá, mas simultaneamente a esperança que, a seu tempo, os frutos possam despontar.

A pandemia surpreendeu-nos a todos. Estamos a aprender a viver com a expansão do novo coronavírus, adaptando-nos, recriando momentos e encontros, salvaguardando, tanto quanto possível, o contágio, salvaguardando a saúde das pessoas. É o tempo de abrir sulcos e semear a paz e a esperança. Têm sido tempos duros e vão continuar a ser, sobretudo para aqueles que antes já viviam em grande dificuldade. Estamos no mesmo barco. Dependemos uns dos outros. Estamos comprometidos com todos. Como tem reforçado o Papa, nas suas intervenções, não esqueçamos os mais desfavorecidos, não os deixemos para trás. É tempo dos governos passarem das palavras e das promessas a atos concretos, na opção por minorar a pobreza, promovendo a inclusão, aplanando a desigualdade social. Para tal, é necessário, por exemplo, na questão da produção de uma vacina anti-covid, começar pelos mais pobres, pessoas e países.

Serve de referência à esperança, na adversidade, neste contexto pandémico, um belíssimo texto de Jeremias: “Que cesse o teu pranto, e cessem também as lágrimas dos teus olhos, pois há consolação para a tua dor: os teus filhos regressam do país do inimigo. Eis que os faço vir do país da meia-noite, reúno-os dos confins da terra, o cego e o aleijado, a mulher grávida e a que dá à luz, todos juntos, uma grande multidão que regressa. Regressam com as suas lágrimas, com os seus lamentos. Conduzi-los-ei às torrentes de água, por um caminho reto sem qualquer obstáculo…”» (Jr 31,15-16.8-9).

Regressam os teus filhos. Com lágrimas, mas regressam. Esperança. A aurora há de vir. Estamos para cá da meia-noite. Já estamos do lado de cá. Somos habitantes de uma esperança grande. Somos todos mensageiros da esperança. Transformemos as nossas vidas em mensagens. Façamos vincos, depois de escrevermos alguma coisa na folha em branco. Vincos porque escrevemos alguma coisa, vinco para enviar a outros a mensagem de esperança. Semeemos sulcos de paz e de esperança.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/42, n.º 4577, 29 de setembro de 2020

Apresentação do Plano Pastoral Diocesano 2020-2021

Falecimento do Padre Hermínio dos Santos | 1933-2020

O Senhor Deus, Pai de Misericórdia Infinita, chamou à sua Presença o reverendo Padre Hermínio Bernardo dos Santos, antigo pároco de Samodães.

Nasceu a 12 de março de 1933, em Vila da Rua, concelho de Moimenta da Beira

Quando completou a instrução primária foi convidado pelo seu pároco para ser sacerdote e em 1945 entrou no Seminário Menor de Resende, seguindo para o Seminário Maior, três anos mais tarde, tendo terminado o curso filosófico, hoje equivalente ao 1.º ano do curso filosófico-teológico. Deixando, nessa ocasião o Seminário.

Viria a contrair matrimónio que durou quatro décadas, até à morte da esposa. Tiveram 10 filhos.

Foi funcionário dos correios, advogado e professor do ensino superior, mas o “chamamento do Senhor para trabalhar na Sua vinha” foi maior. Com a viuvez regressou ao Seminário, para completar os estudos superiores e ser ordenado sacerdote, o que viria a acontecer no 29 de julho de 2006, na Sé de Lamego. Tornou-se sacerdote aos 73 anos de idade.

Faleceu a 18 de abril de 2020, aos 87 anos de idade, no Lar Sacerdotal do Porto e foi sepultado no Domingo da Divina Misericórdia, 19 de abril, em Vila da Rua, seguindo as normas em vigor atualmente para os funerais.

O Senhor Bispo, D. António Couto, faz saber da sua oração e comunhão, agradecendo a Deus o dom da vida deste irmão sacerdote, com o todo o percurso de vida, na vivência do Matrimónio e na riqueza da paternidade, primeiro biológica e depois sacerdotal. Também em nome do presbitério de Lamego, D. António partilha este momento de sofrimento e luto, com os familiares mais diretos, mormente os seus descendentes e confia-o, na oração ao Deus da Vida, Aquele que ressuscitou Jesus Cristo, também a nós nos ressuscitará.

Que o Senhor lhe conceda o eterno descanso.

Celebração da Vigília Pascal – Sé de Lamego – 11 de abril de 2020

No sábado santo, 11 de abril, o Senhor Bispo, D. António, presidiu, na Sé de Lamego, à Vigília Pascal deste ano de 2020 em que nos encontramos confinados a nossas casas em virtude da pandemia do COVID 19. A Eucaristia foi transmitida, via Facebook na página da Diocese em colaboração estreita com a Rádio Clube de Lamego.

Celebração da Paixão do Senhor – Sé de Lamego – 10 de abril de 2020

Na sexta-feira santa, teve lugar, na Sé de Lamego, a celebração da Paixão do Senhor, presidida pelo nosso Bispo, D. António, e transmitida pela rádio e via Facebook, pelas páginas da Diocese de Lamego e da Paróquia da Sé, seguindo a emissão da Rádio Clube de Lamego.

Ceia do Senhor – Sé de Lamego – 9 de abril de 2020

Como expectável, a celebração do Tríduo Pascal foi muito diferente de anos anteriores, com igrejas praticamente vazias. Daí também a aposta na transmissão das celebrações para que mais pessoas pudessem sintonizar-se com os mistérios celebrados, ainda que afastados pelas circunstâncias do tempo presente.

Na quinta-feira santa, 9 de abril, a celebração da Ceia Pascal, presidida pelo nosso Bispo, D. António Couto, na Sé de Lamego, com transmissão nas páginas da Diocese e da Paróquia da Sé, em colaboração com a Rádio Clube de Lamego, que transmitiu via rádio e também em vídeo direto pela respetiva página no Facebook.

D. António Couto inaugura o 2.º Congresso Global de Direitos Humanos

O Bispo da Diocese de Lamego, D. António Couto, vai proferir esta quarta-feira a Conferência Inaugural do “II Congresso Global de Direitos Humanos: A defesa da Democracia e do Estado Constitucional: os desafios das organizações e da sociedade civil na contemporaneidade”, que decorre no Teatro Ribeiro Conceição, em Lamego, até ao próximo sábado, dia 18. 

Recorde-se que a cerimónia de abertura, com início às 18 horas, contará com a presença da secretária de Estado para a Integração e as Migrações, Cláudia Pereira, e do Presidente da Câmara Municipal de Lamego, Ângelo Moura.
No âmbito deste congresso, a cidade de Lamego acolhe a partir de hoje mais de 70 palestrantes, vindos sobretudo da Europa, América Latina e África, que dinamizam, pelo segundo ano consecutivo, um dos mais importantes encontros académicos mundiais alguma vez realizado em Portugal sobre a temática dos direitos humanos.

Programação completa em www.congressogdh.com  

 
Ricardo Pereira | Gabinete de Comunicação CML 

Colégio de Arciprestes – Reunião ordinária

No dia 31 de maio, teve lugar no Seminário de Lamego mais uma reunião ordinária do Colégio de Arciprestes, da diocese de Lamego. Presidida pelo bispo diocesano, D. António Couto, com a presença dos vigários gerais, da coordenação pastoral e dos arciprestes e vice-arciprestes da nossa diocese, a reunião teve início às 10h00, com a oração de Hora Intermédia, e terminou pelas 13h00, seguindo-se o almoço.

Dando cumprimento à pré-definida agenda de trabalhos, houve três assuntos que mereceram particular refleção, discussão e decisão. O primeiro tema em análise foi a verificação do estado de preparação do, já próximo, Dia da Família Diocesana, a realizar a 22 de junho, no Santuário de Santa Eufémia, na zona pastoral de Penedono. Expuseram-se um conjunto de decisões já tomadas acerca do programa do dia, da celebração Eucarística, da tarde recreativa e do envio. Distribuíram-se tarefas e pediu-se o máximo empenho de todos para o que ainda falta fazer, sobretudo no que toca à necessária divulgação, para que ninguém fique de fora por falta de informação.

O segundo assunto de maior relevância, na ordem dos trabalhos, foi a preparação do lema pastoral para o próximo ano. De acordo com o que já tinha ficado pensado e decidido no ano passado, o plano pastoral do ano 2019/2020 desenvolverá a temática da sinodalidade, como estado permanente da vida eclesial. Mantendo a lógica do ano passado, e seguindo as diretrizes da carta pastoral do nosso bispo, a proposta é de que o tema verse sobre a “Igreja em caminho e em comunhão” (Carta Pastoral 2018/19, nº1). A seguir agendaram-se já algumas datas de atividades diocesanas, que já vão sendo habituais ao longo dos últimos anos.

Por fim, o terceiro assunto puxado à discussão foi a análise da distribuição do clero diocesano, nos diferentes arciprestados. Os arciprestes e vice-arciprestes foram referenciando as situações mais críticas e anómalas, mencionando o caso de alguns sacerdotes que já não conseguem dar cumprimento normal à realização dos necessários trabalhos paroquiais. Alguns casos repetem-se, e foram já objeto de apreciação em anos anteriores, por este mesmo colégio. Outros são situações relativamente recentes.

Para terminar, o Senhor D. António agradeceu a presença, o empenho e o trabalho de todo. E reiterou a vontade de continuar a contar com todos neste serviço que foi pedido a cada um dos presentes.

Pe. Diamantino Alvaíde,  in Voz de Lamego, ano 89/26, n.º 4513, 2 de junho de 2019

Editorial Voz de Lamego: porque é que a terra é redonda?

Na Visita Pastoral de D. António Couto a Tabuaço, no encontro com os alunos do Agrupamento de Escolas, foram feitas várias perguntas, em conformidade com os diferentes anos escolares. Uma dessas perguntas foi precisamente: porque é que o mundo é redondo?

A resposta do Sr. Bispo desarmou-nos a todos, dizendo que o mundo poderia ser quadrado… plano… quem sabe? Poderíamos intentar uma resposta científica, com vários argumentos. Citando o filósofo alemão, Immanuel Kant, sublinhou a certeza que, sendo redondo, demos os passos que dermos, estamos sempre a aproximar-nos. É esse o propósito do Pastor, ajuntar o rebanho, ir em busca de todas as ovelhas, mais próximas ou mais distantes, mais saudáveis ou mais sofríveis. É esse o intento das Visitas Pastorais, mas é igualmente o nosso propósito e compromisso como cristãos.

A fé cristã fala-nos de um encontro, de Deus com a humanidade. Deus espera por nós, mas não fica à espera no Seu mundo, vem ao nosso encontro, em Jesus torna-Se um de nós, vem habitar connosco. Seguindo-O, cabe-nos a mesma prontidão para partir, para ir, para procurar, para ir em auxílio do outro, sobretudo dos mais fragilizados pela doença, pela idade, pela solidão ou por outra qualquer dificuldade.

Mais oração. Mais missão. Mais pastores e mais ovelhas. Mais luz. Mais Jesus. E não esquecer que Deus está metido nestas coisas, pelo que não há lugar para o desânimo, mas para alegria, para esperança, Deus não nos falta. Deus está metido nisto e conta contigo e comigo.

Crianças, jovens, adultos e os nossos velhinhos, são todos sujeitos da missão evangelizadora. Os novos trazem a alegria e o entusiasmo, os menos novos, trazem a sabedoria, a persistência e legam-nos a paciência, a fé a fidelidade.

Um dia a tartaruga decidiu sair da sua casinha, de noite. O sapo, que era seu vizinho, avisou-a: cuidado, não saias, é perigoso sair de noite, podes cair, pode vir algum animal perigoso e dar cabo de ti. A tartaruga não se deixou convencer e decidiu sair, transgredindo um normativo, uma tradição. Um pouco depois tropeçou e caiu, ficando de patas para o ar. O sapo, ouvindo o barulho do tropeção, veio ao seu encontro para lhe dizer: és casmurra, eu não te avisei? A resposta da tartaruga: pelo menos, vi o céu estrelado. De outra forma nunca teria visto o Céu e com tantas estrelas. Às vezes é preciso ir além das regras, das tradições e apostar, fazer pontes, transgredir com a rotina e com o passado e dar passos em frente, em direção aos outros.

Pe. Manuel Gonçalves,  in Voz de Lamego, ano 89/24, n.º 4511, 21 de maio de 2019