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Archive for the ‘Centenário das Aparições’ Category

FÁTIMA – SURPRESA | Editorial Voz de Lamego | 9 de maio de 2017

Em vésperas do Centenário das Aparições de Nossa Senhora aos Pastorinhos, em Fátima, com a Peregrinação do Papa Francisco ao Santuário e a Canonização dos Pastorinhos Francisco e Jacinta, a Voz de Lamego no seu conjunto, e o Editorial, do nosso Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, não poderia deixar de fazer eco, nas notícias e nas reflexões… mas por certo encontramos outros pontos de interesse no Jornal Diocesano. Boa leitura.

FÁTIMA – SURPRESA

No próximo sábado, 13 de Maio, assinalam-se os cem anos da primeira aparição de Nossa Senhora a três humildes crianças, socialmente irrelevantes, numa localidade que, à época, estava longe de despertar a atenção. O nosso Deus surpreende-nos todos os dias!

Pouco a pouco, apesar das aparentes limitações dos pequenos videntes, das perseguições dos instalados, das dúvidas nos decisores e da habitual prudência eclesiástica, os peregrinos foram crescendo e formaram multidões. É verdade que a presença do Papa proporciona outra divulgação e motiva à participação, mas antes da primeira visita papal (1967) Fátima já era uma referência. Sem campanhas publicitárias, contra a vontade de alguns e apesar da indiferença de outros, Fátima aí está.

Os católicos sabem que Fátima nada acrescenta à Revelação e que poderão viver a sua fé e o seguimento do Ressuscitado sem nunca peregrinar até este lugar ou atender ao que ali se passa. Mas são muitos os que se sentem atraídos pela Mãe e através d’Ela se aproximam do Filho. Porque Fátima não estorva nem perturba a fé, antes promove a fidelidade ao “único Senhor da nossa vida”.

A celebração deste centenário motivou a vinda do Papa, o aumento de peregrinos e de notícias sobre o Santuário, a divulgação do acontecimento e da sua mensagem em livros e artigos, a realização de conferências e de filmes… E para alegria de todos, a tudo isto se junta a canonização dos beatos Francisco e Jacinta.

Nestas alturas festivas aparecem mais notícias, mas a verdade é que Fátima é uma boa notícia todos os dias, uma surpresa de Deus, um constante apelo da Mãe, um lugar de encontro em todos os momentos e um espaço de celebração da fé para todas as horas.

in Voz de Lamego, ano 87/26, n.º 4411, 9 de maio de 2017

CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES | Peregrinar a caminho

Iniciámos a vivência do mês de Maio, época do ano em que o olhar de muitos se volta para Fátima. Muitos fá-lo-ão com fé no Senhor e motivados pela esperança de contarem com a intercessão da Mãe, outros com curiosidade jornalística de quem encontra por ali motivo de reportagem, alguns com certo desdém por não partilharem a mesma fé e não compreenderem tamanho fervor.

Neste penúltimo contributo para assinalar a passagem do primeiro Centenário das Aparições, uma palavra sobre os peregrinos, essa massa de gente crente e anónima que, contra frios e indiferenças, caminha, ano após ano, rumo ao santuário. Fazem-no para rezar e cumprir promessas, para acompanhar amigos e testar a própria resistência, para celebrar a alegria de vencer obstáculos ou partilhar experiências… E se é verdade que há agora mais apoios e melhores condições, também é verdade que caminhar durante tantos quilómetros continua a ser exigente. Ler mais…

CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES | ESCOLA DE FÉ

O ainda vivo Papa Bento XVI visitou apostolicamente o nosso país em 2010, passando também pelo Santuário de Fátima, como muitos recordarão. Apesar de ter sido essa a única vez que ali veio como responsável máximo pela Igreja, a verdade é que já peregrinara até este santuário noutras ocasiões. E também é verdade que conhecia bem a “mensagem de Fátima” já que, entre outros textos escritos, foi o autor do comentário teológico ao, assim denominado, “segredo de Fátima”, enquanto desempenhava a missão de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Eleito Papa para suceder a João Paulo II, em 2005, recebeu os bispos portugueses em 2007, na visita “ad limina”. Foram notícia as suas palavras quando, no encontro final, pediu aos nossos bispos para se empenharem na renovação da pastoral das suas dioceses. Mas, entre o muito que disse, estavam também afirmações que, nas vésperas de comemorarmos o primeiro centenário das aparições, poderíamos recordar:

“Amados Bispos de Portugal, há quatro semanas encontrastes-vos no Santuário de Fátima com o Cardeal Secretário de Estado que lá enviei como meu Legado Especial no encerramento das celebrações pelos 90 anos das Aparições de Nossa Senhora. Apraz-me pensar em Fátima como escola de fé com a Virgem Maria por Mestra; lá ergueu Ela a sua cátedra para ensinar aos pequenos Videntes e depois às multidões as verdades eternas e a arte de orar, crer e amar. Na atitude humilde de alunos que necessitam de aprender a lição, confiem-se diariamente, a Mestra tão insigne e Mãe do Cristo total, todos e cada um de vós e os sacerdotes vossos directos colaboradores na condução do rebanho, os consagrados e consagradas que antecipam o Céu na terra e os fiéis leigos que moldam a terra à imagem do Céu. Sobre todos implorando, pelo valimento de Nossa Senhora de Fátima, a luz e a força do Espírito, concedo-lhes a minha Bênção Apostólica”.

Olhar para Fátima como “escola de fé” e para Maria como mestra é motivador e apresenta-se como oportunidade para caminhar e crescer como crente, indo muito além do mero espaço que se visita, da recordação que se compra, da fotografia que se guarda, da água que se bebe ou das pessoas que ali se encontram. Porque uma “escola” exige disponibilidade para escutar, humildade para aprender, vontade para cumprir, abertura à novidade e disponibilidade para mudar.

As celebrações do centenário, as canonizações anunciadas, a presença do Papa, as multidões esperadas… são factos singulares que ficarão na história humana e sempre serão notícia.

Mas, verdadeiramente, o mais importante será cada um olhar para Fátima com vontade de aprender e contemplar Maria com vontade de avançar.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/24, n.º 4409, 25 de abril de 2017

SANTIDADE e AMBIÇÃO | Editorial Voz de Lamego | 25 de abril

À medida que se aproxima o dia 13 de maio, maior o volume de notícias, de reflexões, de eventos que nos conduzem a Fátima, unidos à Peregrinação do Papa Francisco, mas simultaneamente ao Centenário das Aparições de Fátima e, agora de forma muito especial, à Canonização dos Pastorinhos Francisco e Jacinta, anunciada pelo Papa a 20 de abril. O Jornal Diocesano está atento ao acontecimento, pelas notícias e pelas reflexões que apresenta.

No Editorial, o Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, ajuda-nos a refletir sobre a canonização dos Pastorinhos, a santidade como caminho para todos os cristãos…

SANTIDADE e AMBIÇÃO

A notícia, por muitos esperada, chegou e causou alegria: os beatos Francisco e Jacinta serão canonizados no próximo dia 13 de Maio, em Fátima, pelo Papa Francisco, aquando da celebração do centenário das aparições.

O facto deve motivar os baptizados, mais uma vez, a olharem a santidade como realidade a que todos são chamados, tal como o recordou o último Concílio (LG 40) e o sublinha o Catecismo (CIC 2013). Afinal, a santidade é algo de essencial naqueles que querem ser testemunhas de Deus hoje e os santos são os que, pelo exemplo e pela união a Cristo, são modelos para os outros. Mas, apesar da pregação, a santidade continua a aparecer como um fenómeno estranho da nossa realidade quotidiana. E é pena!

A Igreja sempre ensinou que os santos eram homens e mulheres comuns, de todas as condições, raças, línguas e nações. E as contínuas beatificações e canonizações mostram que a santidade não é um fenómeno antigo, mas uma realidade contemporânea e corrente na vida eclesial. No entanto, temos medo de ser santos!

Na nossa espontânea concepção, um santo é um religioso austero, privilegiado pela graça, rodeado de fenómenos sobrenaturais e sofrendo suplícios para honrar a Deus; um extraterrestre que não sabe divertir-se, descontrair e viver a vida; um sobredotado de moral e de ascese… uma personagem distante, fora do tempo, do espaço e da vida.

É triste pensar que os santos são admiráveis, mas não imitáveis! Pensar assim é contentar-se com a mediocridade, perder a ambição de ser mais e adiar opções fundamentais.

O que a Igreja proclama através do culto aos santos não é a glorificação desta ou daquela pessoa com um objectivo político. O que a Igreja proclama é a Glória de Deus. Com efeito, se não houvesse santos seria uma derrota para o projecto de Deus.

in Voz de Lamego, ano 87/24, n.º 4409, 25 de abril de 2017

CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES | Fátima e João Paulo II

Tal como referido na semana anterior, um dos Papas que mais de perto meditou a “mensagem de Fátima” foi João Paulo II (1978-2005), visitando o Santuário português por três vezes: 1982, 1991 e 2000. A sua ligação a Fátima intensificou-se após o atentado que sofreu no dia 13 de Maio de 1981, em Roma, e ao facto de ter atribuído a Nossa Senhora a graça de sobreviver. No ano seguinte veio a Fátima agradecer.

A devoção mariana do Papa S. João Paulo II era algo que sempre o acompanhara na vida. Quando foi nomeado bispo escolheu, para as suas armas episcopais, a letra M junto à cruz e a expressão “Totus Tuus”, como sinal de total entrega a Maria. E com frequência o então bispo e cardeal de Cracóvia era visto no Santuário da Virgem Negra de Czestochowa, a Rainha da Polónia.

Os esforços do Papa em cumprir todas as indicações que a Virgem deixou aos pastorinhos tiveram o seu ponto alto no acto de consagração que realizou em Roma, a 25 de Março de 1984, em união com todos os bispos do mundo. No dia seguinte, João Paulo II entrega ao Bispo de Leiria, D. Alberto Cosme do Amaral, uma pequena caixa com “um presente para Nossa Senhora”. Era a bala que tinha atravessado o corpo do Papa e que está hoje encastoada no topo da coroa que Nossa Senhora.

No ano seguinte à consagração realizada em Roma, Gorbatchev é eleito na URSS e dá-se início à “Perestroika”. Dez anos após o atentado, João Paulo II volta a Fátima para agradecer à Virgem: o muro de Berlim já não existe e os países de Leste abriam-se à democracia. Neste contexto, o Papa vem a Fátima “a fim de agradecer a Nossa Senhora a protecção dada à Igreja nestes anos, que registaram rápidas e profundas transformações sociais, permitindo abrirem-se novas esperanças para vários povos oprimidos por ideologias ateias que impediram a prática da sua fé.”

Na audiência de 15 de Maio de 1991, logo após a visita a Portugal afirma: “Considero todo este decénio como dom gratuito que, de modo especial, devo à Providência divina. Foi-me concedido particularmente como um dever, para que ainda pudesse servir a Igreja, exercendo o ministério de Pedro.” Nessa audiência geral, dirigindo-se aos polacos, afirma: “há dez anos fui introduzido na experiência de Fátima vivida pela Igreja. Isto aconteceu na tarde do dia 13 de Maio: o atentado à vida do Papa. (…) Sei que a vida, a mim concedida de novo há dez anos, foi-me dada pela misericordiosa Providência de Deus. Não esqueçamos as grandes obras de Deus”.
No ano 2000, a propósito da beatificação de Francisco e Jacinta, João Paulo II, marcado pela doença e limitações físicas, volta a Portugal para chamar a atenção do mundo inteiro para a exemplaridade dos dois Pastorinhos. E é nesse contexto que autoriza a divulgação da terceira parte do “segredo de Fátima”, de que já aqui se falou.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/23, n.º 4408, 18 de abril de 2017

CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES | FÁTIMA E O PAPA

Ao longo destes cem anos de Fátima muitos foram os devotos que escutaram, confiaram e divulgaram os “apelos” que a Mãe comunicou aos pastorinhos para o mundo inteiro. Também os Papas.

Bento XV (1914 – 1922). Era o Papa na altura das aparições (1917). Explicitamente, nunca se referiu ao facto, apesar da informação disponível. Recorde-se que, à data dos acontecimentos, estavam cortadas as relações diplomáticas entre Portugal e a Santa Sé (I República). Por outro lado, só alguns anos depois é que o bispo de Leiria reconhecerá as aparições.

Pio XI (1922 – 1939). A primeira visita de um representante do Papa à Cova da Iria só acontece em 1926 e só em 1927 a Congregação dos Ritos permitiu que ali se celebrasse a Missa votiva do Santíssimo Rosário. Mas este Papa benzeu uma imagem da Senhora de Fátima para o Colégio Português, em Roma (06/12/1929), e permitiu que a Senhora de Fátima fosse proclamada padroeira da Acção Católica portuguesa.

Pio XII (1939 – 1958). A sagração episcopal deste futuro Papa aconteceu em Roma, no dia 13 de Maio de 1917 e, ao longo do seu pontificado, serão várias as referências a este Santuário e contínuos os seus convites à oração a Nossa Senhora de Fátima. Por alturas dos 25 anos das aparições (1942) enviou uma radiomensagem, onde se refere à consagração da Igreja e do mundo.

João XXIII (1958 – 1963). Antes de ser eleito Papa e marcar o seu pontificado com a convocação do II Concílio do Vaticano, foi peregrino de Fátima e presidiu à peregrinação de maio de 1956, enviado por Pio XII.

Paulo VI (1963 – 1978). Deve-se a este Papa a atribuição ao Santuário de Fátima da Rosa de Ouro (1964), expressando confiança nos cuidados da Mãe do Céu por toda a família humana. Mas o grande facto acontece em 1967, quando se comemoraram os 50 anos das aparições e o Papa veio a Portugal presidir à peregrinação do 13 de maio.

João Paulo I (26/08 – 29/09/1978). Os 33 dias como Papa não lhe permitiram muito, mas, antes de ter sido eleito, em 1977, esteve em Fátima e foi até Coimbra, onde se encontrou com a Ir. Lúcia.

João Paulo II (1978 – 2005). Será, certamente, o Papa que mais testemunhou a sua devoção e amor a Nossa Senhora de Fátima. Após o atentado (13/05/1981), cedo confidenciará que a protecção materna de Nossa Senhora o livrou da morte e peregrinará até Fátima por três vezes: 1982, 1991 e 2000, ano em que beatificará Francisco e Jacinta.

Bento XVI (2005 – 2013). No ano 2000, enquanto Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e aquando da divulgação da “terceira parte do segredo de Fátima”, publica um comentário ao mesmo que valerá a pena ler. Como Papa visitou Fátima em 2010.

Francisco (2013 – …). Aguarda-se a sua vinda para presidir à peregrinação de Maio de 2017, no centenário das aparições. Até lá, esperamos ainda uma palavra sua sobre a esperada canonização de Francisco e Jacinta.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/22, n.º 4407, 11 de abril de 2017

CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES | BEATOS E SANTOS

Nos últimos tempos, a propósito das Aparições de Fátima, temos escutado e lido notícias de beatificações e canonizações: o processo diocesano da Ir. Lúcia, com vista à sua beatificação foi concluído e seguiu para Roma e, mais recentemente, a notícia de que a canonização dos Beatos Francisco e Jacinta está para breve.

O que se quer dizer com tais palavras? Sem muitas explicações técnicas sobre o processo, que é exaustivo, demorado e caro, de maneira simples e breve, aqui fica uma explicação.

Para a “beatificação” (do latim beatus, abençoado) são necessárias três vozes: a voz do povo cristão, que atribui a reputação de “santidade”; a voz da Igreja (o Papa e a ajuda da Congregação para a causa dos Santos), através da declaração da “heroicidade de virtudes” (fé, esperança, caridade, prudência, temperança, justiça, fortaleza e outras; heroicidade significa fazer de si mesmo um dom total e durável no amor) ou do “martírio”; a voz de Deus, através de um milagre que se testemunha após invocação do Servo(a) de Deus e sua intercessão.

Para se iniciar este longo processo é necessário que decorram cinco anos após a morte da pessoa. Tal exigência visa impedir que se confunda a reputação de santidade com o entusiasmo popular passageiro. Contudo, o Papa pode dispensar tal período de tempo, como foi o recente caso de Madre Teresa de Calcutá e de João Paulo II.

Na diocese que promove o inquérito, sob a responsabilidade do bispo diocesano, são recolhidos testemunhos e documentos, favoráveis ou não, e tudo é enviado para a Congregação da causa dos Santos, em Roma. Foi isto que aconteceu recentemente com o processo respeitante à Ir. Lúcia.

Em Roma, partindo do que foi enviado, decorrerá um processo de averiguação e de contraditório para que a verdade se afirme sem dúvidas, com o contributo de especialistas na área da teologia, da medicina, da história, entre outros. O parecer favorável sobre a heroicidade das virtudes permitirá declarar o Servo(a) de Deus com o título de “Venerável”.

O processo com vista à beatificação continua e fala-se, então, do milagre (um feito prodigioso, frequentemente uma cura física, inexplicável pelo estado actual da ciência, atribuído à intercessão do Venerável). O reconhecimento do milagre, por parte do Santo Padre, permite avançar para a beatificação. Foi isto que aconteceu com os Veneráveis Francisco e Jacinta, permitindo a sua beatificação em 13 de Maio de 2000. Como nota, importa dizer que a beatificação de um mártir não necessita de milagre, uma vez que o martírio testemunha já uma ajuda especial recebida de Deus.

Normalmente, será necessário o reconhecimento de um novo milagre, posterior à beatificação e novamente atribuído à intercessão do Beato(a) para se avançar para a canonização. E escrevi “normalmente” porque o Papa pode dispensar deste milagre, como foi o caso do Papa João XXIII. E foi isto que aconteceu com os Beatos Francisco e Jacinta: um segundo milagre já foi reconhecido pelo Papa Francisco, o que deixa antever uma canonização próxima.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/21, n.º 4406, 4 de abril de 2017

CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES | AINDA O SEGREDO

Na semana passada fizemos referência ao “segredo” de Fátima que, durante tantos anos, alimentou fantasias e “profecias catastrofistas”. Um “suspense” que durou até ao ano 2000, quando o Papa João Paulo II autorizou a sua divulgação e a Congregação para a Doutrina da Fé, pela voz do Card. J. Ratzinger, apresentou um comentário ao conteúdo até então desconhecido, a tal “terceira parte”. Recorde-se que as outras duas partes já tinham sido tornadas públicas em 1941.

Continuando uma breve apresentação, eis algumas palavras sobre as duas partes restantes.

A “segunda parte do segredo” refere-se à devoção ao Imaculado Coração de Maria. Para lá dos desastres da fome e da guerra, refere-se também à perseguição da Igreja. E é neste âmbito que surge a referência à Rússia e às más influências por ela provocadas, propondo o referido texto que se proceda à consagração daquele país.

Tal consagração foi concretizada por João Paulo II (25/03/1984), sem, contudo, se referir explicitamente àquele país. Os entendidos afirmam que a nomeação da Rússia quererá significar a existência de todos os países que perseguem os cristãos e procuram destruir a Igreja. Daí que João Paulo II consagre o mundo inteiro ao Imaculado Coração de Maria.

A “terceira parte do segredo”, porque ainda não fora tornada pública, alimentava a curiosidade de muitos. Aquando da beatificação de Jacinta e Francisco (13/05/2000) e com João Paulo II presente na Cova da Iria pela terceira vez, o Secretário de Estado do Vaticano, tornou pública esta parte do “segredo”. Em Junho seguinte, o texto integral do “segredo” será  publicado, bem como um comentário do Card. J. Ratzinger.

No dizer do futuro Bento XVI, o texto até então guardado, faz referência ao sofrimento e às perseguições, aos conflitos bélicos e à destruição que marcaram grande parte do século passado. O próprio João Paulo II considerou que parte do texto se referia a si próprio e ao atentado que quase o vitimou, em 13/05/1981, atribuindo a Nossa Senhora o facto de ter sobrevivido.

Certamente que o texto está disponível para leitura de todos os interessados, bem como o comentário teológico referido e tantos textos que se referem ao assunto. Mas, de forma breve e incompleta, talvez não seja descabido dizer que o “segredo” se inscreve no todo da mensagem de Fátima: o caminho do pecado, oposto ao de Deus, provoca sofrimento, afasta do Criador e leva à condenação; ao contrário, o caminho da conversão, para o qual muito contribuem a oração e a penitência, leva à comunhão com Deus e à paz entre todos.

Por isso, o melhor é procurar conhecer e valorizar a “mensagem de Fátima” no seu todo, não se fixando demasiado neste pormenor do “segredo” que tanta especulação alimentou. Afinal, Deus não tem segredos para nós. E todos sabem que o não assumir com responsabilidade a vida recebida ou o não respeitar da dignidade humana, em si e nos outros, leva à tentação de domínio, às perseguições e aos conflitos.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/20, n.º 4405, 28 de março de 2017

Francisco Marto e Jacinta Marto vão ser canonizados muito em breve

 

O Bispo de Leiria-Fátima afirma que “o Centenário não estaria completo sem a canonização”.

Mal a notícia saiu das malhas da Santa Sé, a Comunicação Social passou a divulgá-la nos seus destaques habituais. Porém, osite do Santuário de Fátima e o da agência Ecclesia atrasaram-se um pouco. Entretanto, o Padre Manuel Barbosa, Secretário e Porta-voz da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa), publicou uma nota em que sublinha que a CEP se congratula com “a aprovação pelo Papa Francisco do milagre necessário para a canonização dos Beatos Francisco Marto e Jacinta Marto”. Realça a “feliz coincidência com a celebração do Centenário das Aparições de Nossa Senhora do Rosário aos pastorinhos em Fátima”. E porfia que se aguarda “com serena expectativa a marcação da data e local para a respetiva celebração, na qual Jacinta e Francisco serão propostos como modelo de santidade para toda a Igreja”.

Além disso, evoca a recente Carta Pastoral dos bispos portugueses para o Centenário em que salientam que “a fama de santidade de Francisco e de Jacinta cedo se espalhou pelo mundo inteiro”, sendo as primeiras crianças beatificadas não mártires – afirmação também feita hoje pela Irmã Ângela Coelho, já mencionada.

O Prelado sublinhou que ainda “falta uma etapa, decisiva, que compete ao Santo Padre: escolher a data e o local da canonização”. E, questionado se a canonização poderá acontecer já no próximo 13 de maio, respondeu: “Nada é impossível, mas é competência exclusiva do Papa”.

No atinente ao milagre, referiu que “envolve uma criança, brasileira, através de uma cura”. Ler mais…

CANONIZAÇÃO . CONFIANÇA | Editorial Voz de Lamego | 28 de março

A poucas semanas da Visita Apostólica do Papa Francisco como Peregrino de Fátima, o Editorial evoca este acontecimento importantíssimo para a Igreja em Portugal, com a notícia entretanto da aprovação-reconhecimento do milagre que permitirá a canonização dos Pastorinhos Francisco e Jacinta. É este o ponto de partida do Editorial do Pe. Joaquim Dionísio, mas também o ponto de partida da edição da Voz de Lamego desta semana.

CANONIZAÇÃO . CONFIANÇA

Os católicos portugueses alegraram-se quando, no dia 23, surgiu a notícia de que o Papa havia aprovado o milagre atribuído à intercessão dos Beatos Francisco e Jacinta, facto esperado para a sua canonização e consequente presença nos altares do mundo destas crianças lusas, escolhidas pela Mãe para acolherem e divulgarem os seus apelos.

O anúncio chega a poucas semanas da programada viagem do Papa Francisco ao nosso país para as celebrações do primeiro Centenário das Aparições (1917-2017). E apesar de pouco tempo para ultimar uma eventual canonização no dia 13 de Maio, esta seria como “a cereja no topo do bolo” (D. António Marto) nas comemorações em curso. Contudo, a data da canonização só será publicamente anunciada no dia 20 de Abril, quando reúne o próximo Consistório (reunião de Cardeais).

Como recorda o Código de Direito Canónico,Para fomentar a santificação do povo de Deus, a Igreja recomenda à veneração peculiar e filial dos fiéis a Bem-aventurada sempre Virgem Maria, Mãe de Deus… e promove o verdadeiro e autêntico culto dos outros Santos, com cujo exemplo os fiéis se edificam e de cuja intercessão se valem” (c. 1186), determinando que  “Só é lícito venerar com culto público os servos de Deus, que foram incluídos pela autoridade da Igreja no álbum dos Santos ou Beatos” (c. 1187).

O reconhecimento eclesial das singulares virtudes que levam alguns a serem apontados como exemplo e a simultânea proclamação da sua intercessão junto de Deus são um dom para todos. Porque nos alegra a solicitude e providência divina e nos sossega a comunhão com os santos, nossos intercessores. Não estamos sozinhos, desamparados, esquecidos ou abandonados num “vale de lágrimas”, mas continuamente auxiliados e motivados pelos que nos antecederam na fé e pelo Criador.

in Voz de Lamego, ano 87/20, n.º 4405, 28 de março de 2017