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Editorial Voz de Lamego: A maior semana da nossa fé

Vivemos a Semana Santa, a maior da nossa fé, não pela duração das horas ou dos dias, mas pela intensidade e pelo significado fundante da comunidade cristã. Jesus entrega a Sua vida por inteiro! Nem a morte tem poder de lhe colocar um termo, pois a vida emerge em plenitude na Sua ressurreição. Cada Eucaristia é Páscoa, na qual celebramos um mistério que nos faz contemporâneos de Jesus, pois Ele vive agora, no meio de nós, pela força do Espírito Santo, em Igreja. A cada ano, de forma mais solene, vivemos os acontecimentos que marcam o culminar da Sua vida história, em dinâmica de entrega.

A semana é santa, porque Jesus é o Santo de Deus! Vem de Deus e dá-nos Deus. Santifica-nos e envolve-nos no Seu mistério de amor e no Seu ministério de serviço. Jesus percorre connosco as diversas situações da vida. São Paulo faz uma síntese perfeita: “Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou”.

Ele está no meio de nós como quem serve; amando, sujeita-Se às mesmas circunstâncias finitas, frágeis, limitadas; caminha lado a lado, entra connosco na cidade, ouve as nossas preces e os nossos gritos, aceita o nosso louvor, as nossas oferendas e a nossa conversão, a nossa alegria e a nossa cobardia. A realeza de Jesus é despojada de poder, de riqueza, de exuberância.

O Rei aclamado por uma multidão entusiasta e feliz, no início da semana, dá lugar a um Rei coroado de espinhos, injuriado por uma multidão enraivecida e embrutecida. O tempo que decorre nas últimas horas é mais demorado, doloroso, tenebroso.

Oportunamente, Jesus avisa os discípulos. O Filho do homem vai ser entregue aos anciãos, vai ser julgado, condenado e morto! Durante aqueles instantes, o coração dos discípulos estremeceu… mas a vida continua, e foram esquecendo a sentença que pesava sobre a Sua cabeça!

Aproxima-se a Páscoa (judaica). Jesus manda preparar a ceia pascal. Em casa, à volta da mesa, numa refeição festiva, recordando as maravilhas que Deus realizou, através dos tempos, a favor do Seu povo, Jesus faz ver que tudo se precipitará para o fim! “Não tornarei a beber do fruto da videira, até que venha o reino de Deus”.

Os discípulos percebem que alguma coisa não está bem, mas ainda não sabem a dimensão das palavras de Jesus, que institui o memorial, antecipando, no repartir do pão e do vinho, a Sua permanência no meio de nós, depois da Sua morte e ascensão para Deus. Ouvem Jesus a dizer que entre eles está alguém cujas intenções não são concordes com o Seu projeto. A casa começa a desfazer-se. Um deles levanta-se da mesa e sai de casa. Doravante a casa fica vulnerável, exposta, as portas não são forçadas, abrem-se por dentro. A história de famílias, comunidades e povos! Os inimigos, mais perigosos, porque mais silenciosos, estão dentro, na família, na comunidade, no povo, e dentro de nós!

O Mestre clarifica de novo a opção pelo serviço: Eu estou no meio de vós para servir e dar a vida. A disputa não é pelo poder, mas pelo amor. Os nossos propósitos são testados pela realidade! A oração é a garantia da nossa comunhão com Deus, o contexto que nos permite querer o que Deus quer! Pela oração fortalecemos as nossas escolhas.

Até à Cruz, a postura de Jesus é constante, realizar a vontade de Deus, expressar o Seu amor por nós, apontar-nos o caminho do perdão, do serviço e da ternura de forma a construir fraternidade.

Qua a vivência da Semana Santa nos faça perceber que a vida se ganha, gastando-se por amor, no serviço uns aos outros, ao jeito de Jesus, nossa Páscoa e nossa Paz.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 92/22, n.º 4653, 13 de abril de 2022

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