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Editorial: Não suceda que os vossos corações se tornem pesados

Jesus é o Mestre da Sensibilidade que antecipa, prepara, coloca de sobreaviso os seus discípulos sobre as contingências do tempo e sobre o tempo que está para vir. Com Ele, chegamos ao final e à plenitude dos tempos. Estamos mergulhados na vida divina. No sacramento do Batismo, morremos em Cristo, para o pecado e para a morte, e com Ele ressuscitamos, somos novas criaturas, estamos enxertados em Cristo como o ramo à videira, alimentando-nos do Seu Espírito. Nos demais Sacramentos, sobretudo na Eucaristia, na oração e no bem que em Seu nome fazemos, vamo-nos configurando com Ele.

Ao iniciarmos o tempo do Advento, oportunidade renovada de renovarmos os nossos propósitos batismais.

Jesus desperta os seus discípulos para os sinais e para os acontecimentos que advirão em catadupa! Quando temos tempo de respirar e encaixar o que nos sucede e o que sucede à nossa volta, é possível que as adversidades fortaleçam a nossa luta, o nosso empenho e nos despertem para os imponderáveis da vida. Quando as adversidades se multiplicam e nos tocam a alma, poderemos entorpecer e deixar-nos afundar em trevas. Daí que Jesus, antecipando as tempestades que surgirão, garante aos Seus discípulos a Sua presença, convocando-os a viver na ambiência da oração. A oração faz com que sintamos a proximidade de Deus e o nosso coração seja inundado pela luz da esperança, apesar e além do mal que se infiltra.

Numa linguagem muito sugestiva e muito viva, diz Jesus: «Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas. Então, hão de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória» (Lc 21, 25-27).

A incerteza do futuro, habitualmente, gera medo, angústia, sobretudo no meio dos dramas. Vivendo em situações de calmaria e paz, olhamos para o futuro com confiança, ao invés, se o mar está revolto, tememos pelo que possa acontecer, antecipando, muitos vezes, cenários catastróficos. Jesus conhece-nos, conhece os Seus discípulos e sabe que, quando Ele não estiver fisicamente presente no meio deles, e a perseguição surgir, ou os conflitos entre povos for manifesto, eles correm o risco de soçobrar.

Mais tarde ou mais cedo, de uma ou outra forma, uns mais e outros menos, todos experimentaremos momentos de sofrimento, fragilidade ou até desolação, doenças, perdas, dúvidas sobre amizades e relacionamentos, contratempos. Contar com alguém, ajuda a aliviar a carga, a partilhar as dúvidas, a disseminar a solidão. O outro pode não resolver por nós ou não fazer o que nos cabe realizar, mas sabermos que não estamos sós, que alguém, sempre, nos vai deitar a mão, nos vai amparar ou abraçar, é já alento que nos anima e alivia o nosso coração. É esta a promessa de Jesus aos Seus discípulos. Não lhes promete vida fácil, promete-lhes a Sua presença, fiel, forte, permanente, amorosa! Saber que Alguém nos espera, que Alguém caminha connosco, Alguém que não nos deixa para trás, faz-nos persistir na caminhada e na luta, permitindo-nos vislumbrar a direção a seguir. Sozinhos perder-nos-emos antes de chegarmos a meio do caminho. O nosso GPS é Jesus, a nossa Rosa de Ventos, que a todos chama e a todos envia, a toda a parte.

 «Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima. Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida, e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha, pois ele atingirá todos os que habitam a face da terra» (Lc 21, 28.34-35).

Sem equívocos! Os tempos podem ser conturbados, mas Jesus dá-nos a receita para perseverarmos, a ambiência da oração, pela qual O descobrimos a caminhar connosco!

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 92/04, n.º 4635, 1 de dezembro de 2021

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