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Editorial: Anunciar o que vimos e ouvimos

O cristianismo não se expande pelo proselitismo e/ou pela imposição, mas pela atração. É uma expressão conhecida do Papa Bento XVI e reiterada em diversas ocasiões pelo Papa Francisco, invocando também a atração maternal da Virgem Mãe. “Maria, a primeira discípula missionária, faça crescer em todos os batizados o desejo de ser sal e luz nas nossas terras (cf. Mt 5, 13-14)”.

Iniciámos o mês de outubro, reconhecido como um mês especialmente missionário. A abrir, a evocação da memória litúrgica de Santa Teresa de Menino Jesus. Embora não tenha saído do convento, para o qual entrou em tenra idade, foi proclamada pelo Papa Pio XII como Padroeira das Missões. Ela própria manifesta este propósito: “Não obstante a minha pequenez, quereria iluminar as almas como os Profetas, os Doutores, sentia a vocação de ser Apóstolo… Queria ser missionário, não apenas durante alguns anos mas queria tê-lo sido desde o princípio do mundo e continuar até à consumação dos séculos”.

Nesta ânsia, Teresa do Menino Jesus encontra a sua vocação: “Compreendi que a Igreja tem coração, um coração ardente de amor; compreendi que só o amor fazia atuar os membros da Igreja… compreendi que o amor encerra em si todas as vocações, que o amor é tudo e que abrange todos os tempos e lugares, numa palavra, que o amor é eterno… Encontrei finalmente a minha vocação. A minha vocação é o amor. Sim, encontrei o meu lugar na Igreja… no coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor; com o amor serei tudo; e assim será realizado o meu sonho”.

O sonho de ser missionária realiza-se no amor!

Na mensagem para o Dia Mundial das Missões (a 24 de outubro, penúltimo Domingo de outubro), o Santo Padre recentra-nos no amor de Deus, acolhido, vivido e partilhado. “Quando experimentamos a força do amor de Deus, quando reconhecemos a Sua presença de Pai na nossa vida pessoal e comunitária, não podemos deixar de anunciar e partilhar o que vimos e ouvimos. A relação de Jesus com os seus discípulos, a sua humanidade que nos é revelada no mistério da Encarnação, no seu Evangelho e na sua Páscoa mostram-nos até que ponto Deus ama a nossa humanidade e assume as nossas alegrias e sofrimentos, os nossos anseios e angústias… O tema do Dia Mundial das Missões deste ano – «não podemos deixar de afirmar o que vimos e ouvimos» (Atos 4, 20) – é um convite dirigido a cada um de nós para cuidar e dar a conhecer aquilo que tem no coração. Esta missão é, e sempre foi, a identidade da Igreja: «ela existe para evangelizar» (São Paulo VI, Evangelii nuntiandi, 14). No isolamento pessoal ou fechando-se em pequenos grupos, a nossa vida de fé esmorece, perde profecia e capacidade de encanto e gratidão; por sua própria dinâmica, exige uma abertura crescente, capaz de alcançar e abraçar a todos… Apraz-me pensar que «mesmo os mais frágeis, limitados e feridos podem [ser missionários] à sua maneira, porque sempre devemos permitir que o bem seja comunicado, embora coexista com muitas fragilidades»”.

O Papa Francisco deixa claro que o anúncio se faz com a vida, na oração, com o coração, na ajuda concreta aos mais necessitados, procurando constituir e contruir fraternidade. Anunciar o Evangelho é chamar outros para a família. “Hoje, Jesus precisa de corações que sejam capazes de viver a vocação como uma verdadeira história de amor, que os faça sair para as periferias do mundo e tornar-se mensageiros e instrumentos de compaixão… Viver a missão é aventurar-se no cultivo dos mesmos sentimentos de Cristo Jesus e, com Ele, acreditar que a pessoa ao meu lado é também meu irmão, minha irmã”.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/45, n.º 4627, 6 de outubro de 2021

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