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Entrevista com Ricardo Pereira: Viver para contar a história

Chama-se #lamegoeuacredito e é um novo projeto de cidadania que a imensa maioria dos lamecenses já conhece e acarinha. Criado em junho de 2019, por Ricardo Pereira, regista para a posteridade as histórias de vida de “admiráveis” homens e mulheres que construíram ao longo das últimas décadas a identidade deste território. “Entre nós, há um conjunto assinalável de pessoas cujo talento e engenho permanece na sombra. Este projeto pretende justamente lançar um pouco de luz sobre elas, criando um registo escrito que ficará para memória futura, através da sua publicação em livro, e que por enquanto já dou a conhecer através das redes sociais e da imprensa local, nomeadamente na “Voz de Lamego”, afirma.

O projeto que Ricardo Pereira se dedica nas horas vagas, e sem qualquer apoio, visa promover e valorizar aquilo que Lamego tem de mais genuíno que são as suas gentes e a caminhada que cada entrevistado percorre até concretizar algo que o distinga dos demais. “Pode ser um artesão, uma doceira, um atleta ou um professor aniversário. Há sempre algo que torna cada uma destas pessoas verdadeiramente única e que acrescenta, à sua maneira, valor e talento a esta terra que possui um potencial enorme”, explica.

Até ao momento, e apesar da exposição pública que o projeto #lamegoeuacredito proporciona, todos os convidados abriram as portas da sua vida e do seu coração para partilharem com o público a sua história pessoal e profissional. “Na verdade, aquilo que desconhecemos é como se não existisse. Por isso, já parti à descoberta de dezenas e dezenas de lamecenses, na cidade e nas freguesias rurais, e nenhum recusou até ao momento o convite para falar comigo. Este facto deixa-me muito orgulhoso e reflete a seriedade com que este projeto é visto na nossa comunidade”, adianta.

Natural de Lamego, Ricardo Pereira, desempenha aos 43 anos de idade os cargos de assessor de imprensa em duas das mais prestigiadas instituições da região: o Município de Lamego e a Santa Casa da Misericórdia de Lamego. O contacto próximo com os centros de decisão locais e o apoio à organização de importantes eventos que marcaram indelevelmente a vida do concelho nos últimos anos contribuiu para o desenvolvimento da sua consciência cívica que veio a culminar com a criação de #lamegoeuacredito.

“No fundo, este projeto de cidadania é uma carta de amor escrita a Lamego. Tenho uma confiança profunda no talento e na generosidade dos lamecenses. Na capacidade desta pequena comunidade em superar os desafios do devir. Seleciono as pessoas para dialogarem comigo sobre a sua vida e o seu trabalho. Algumas escolhas podem parecer óbvias, outras surpreendentes, mas todos têm uma história que, na minha opinião, merece ser partilhada”, sublinha em entrevista ao jornal “Voz de Lamego”.

Ricardo Pereira ama a sua terra, até nas pequenas imperfeições que a tornam verdadeiramente única. Falar de amor-próprio também é isto: acarinhar e valorizar aquilo que de bom nasce e floresce à sua volta. As suas publicações nas redes sociais têm um alcance “enorme”, chegando muitas vezes a mais de 20 mil pessoas, segundo as estatísticas. “Toda esta aceitação e as abordagens muito positivas que me fazem na rua, deixam-me muito feliz. Já tive pessoas, vindas por exemplo de Viana do Castelo ou do Porto, antigos militares no CTOE, que regressaram a Lamego após muitos anos de ausência, arrebatados por algum escrito meu”, recorda.

As histórias que conta não são apenas as de quem já viveu muito. Ricardo Pereira também dá voz aos jovens empreendedores do concelho de Lamego: “Considero isto muito relevante: mostrar o caminho do futuro. Acredito que apenas a criação de riqueza que gera emprego e fixa a nossa população poderá garantir a revitalização social e económica da cidade de Lamego e do Interior do país”. Por esta razão, já promoveu o trabalho de muitos empresários ligados a diversas áreas de atividade, desde a agricultura à arte do restauro, do comércio tradicional aos novos agentes hoteleiros, mostrando uma cidade que se abre ao mundo e recebe os forasteiros de braços abertos.

E o que é que Lamego tem de especial?É a joia do Douro. Possui a capacidade de aglutinar um misto de talento, ideias e recursos culturais, absolutamente críticos para garantir o nosso crescimento e desenvolvimento. Os diálogos que mantenho mostram que a criatividade é o maior recurso endógeno desta comunidade. Além disso, somos o centro histórico da primeira região vinícola demarcada do mundo, berço do mais internacional e reconhecido produto português: o vinho do Porto. Lamego é um orgulho!”, enaltece em entrevista ao jornal “Voz de Lamego”.

Em simultâneo, Ricardo Pereira também já promoveu diversas ações de cidadania ativa. No início da pandemia da COVID-19, o projeto  #lamegoeuacredito doou e distribuiu aos lamecenses mais de 250 máscaras de proteção reutilizáveis, sobretudo a idosos e doentes crónicos. Entregou, por exemplo, equipamentos deste género à Delegação de Lamego da Liga Portuguesa Contra o Cancro e à Cruz Vermelha de Lamego que fizeram chegar as máscaras às pessoas mais necessitadas deste tipo de proteção. “Dinamizei esta ação solidária com o objetivo de proteger a saúde dos lamecenses mais vulneráveis num momento muito difícil para a vida da nossa comunidade. Quero deixar aqui uma palavra de reconhecimento pelo altruísmo e espírito solidário demonstrado pelas nossas voluntárias que dedicaram, durante o primeiro confinamento, o melhor do seu tempo para dar aos outros as ‘armas’ certas para enfrentar esta grave pandemia”, afirma.

Mais tarde, numa iniciativa de contornos distintos, propôs dar um pequeno contributo para apoiar, num momento crítico e de grande instabilidade, os empresários do setor da restauração. Assim, agregou num único local diversa informação sobre o serviço de takeaway e de entregas ao domicílio disponibilizado pelos restaurantes e tasquinhas locais. Aderiram voluntariamente dezoito empresas do setor. “Com a pandemia, a crise que paralisou o setor da restauração pôs em causa a sobrevivência de muitos postos de trabalho e foi sobretudo estes que quisemos ajudar. Conseguimos gerar mais procura, oferecendo às pessoas um roteiro simples sobre a oferta que existe na cidade de Lamego a este nível. O feed back que obtivemos foi muito positivo”, refere Ricardo Pereira.

Já durante a última época de verão, a iniciativa “Memórias de Lamego” nasceu de um desafio lançado pelo projeto de cidadania “#lamegoeuacredito”, junto de vários artistas locais ou que têm ateliê instalado no concelho para ajudar os idosos a reviver, através da arte, experiências guardadas na memória. Numa parceria inédita, cinco pintores ajudaram a resgatar a memória afetiva dos idosos do Lar de Arneirós. As suas pinturas, de diferentes estilos artísticos, ocupam agora um lugar de destaque na nova sala de estar da instituição, o local onde passam a maior parte do tempo. “O objetivo primordial foi criar algo parecido com um baú de memórias que liberte do esquecimento recordações antigas, aumentando, deste modo, o bem-estar destas pessoas em idade avançada. Julgo que este desígnio foi plenamente conseguido. Estamos agora abertos à doação de novas obras”, explica.

Questionado sobre a possibilidade de um dia enveredar por uma participação política ativa, Ricardo Pereira afirma que o “futuro a Deus pertence”, mas acrescenta que neste momento não faz parte dos seus planos. “Como cidadão livre, mantenho, obviamente, intactos os meus direitos cívicos. O meu legado é de um Homem apaixonado pela vida. Gosto do diálogo democrático e de debater com contraditório, mas a minha missão no imediato é continuar a valorizar Lamego e os Lamecenses”, sublinha.

in Voz de Lamego, ano 91/43, n.º 4625, 22 de setembro de 2021

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