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Archive for 25/09/2021

Grande entrevista Voz de Lamego com Manuel Joaquim Porfírio

Lurdes e Manuel Joaquim Porfírio começaram, em 1982, com um pequeno estabelecimento de venda e transformação de carnes. Nessa altura, apenas produziam salpicão, moira, chouriça e presunto, produtos que, ainda hoje, continuam a ser de referência, e os preferidos dos consumidores, fruto da sua consolidada e reconhecida qualidade. Esta notoriedade foi alcançada através da total dedicação, e elevada experiência, em todos estes anos de trabalho

O Voz de Lamego foi até Lalim para conhecer um pouco da história de sucesso dos proprietários e fundadores da Fumeiros Porfírios, Lda., Lurdes e Manuel Porfírio. A entrevista realizada a Manuel Porfírio permiti-nos conhecer a história das suas vidas e que levou ao sucesso que conhecemos hoje.

“Desde cedo que trabalhei com carnes. O meu pai trabalhava na mesma área, ou seja, o bichinho passou para mim também, o que fez com que em 1978, com 18 anos, começasse a trabalhar por conta própria.”

O primeiro talho foi licenciado já a trabalhar por conta própria contando sempre com o apoio da família que, para o empreendedor, é a base de tudo.

“Em 1982 casei-me. Foi esta união que me levou ao sucesso que tenho hoje. A minha esposa ao terceiro dia depois do casamento já fazia fumeiro, ela dedicou-se completamente a este negócio.

Em 1983, comecei a comercializar para o Pão de Açúcar, em Alcântara, no entanto tive de deixar de o fazer porque ainda não havia licenciamento para tal”.

Os proprietários sempre tiveram espírito de trabalho e de inovação o que o faz ter o sucesso que tem hoje.  Ao lado de um grande homem, caminha sempre uma grande mulher, por isso a sua postura resiliente é um dos pilares dos Fumeiros Porfírios.

Com o aumento da procura fez com que a produção feita num pequeno estabelecimento, em Lalim e registado como “casa Rita”, que advém do pai de Manuel Porfírio, Joaquim da Rita, deixasse de satisfazer os pedidos dos clientes. Como resultado, em 1988 a empresa mudou-se para instalações industriais de maior dimensão, em Mondim.

Com esta mudança, que permitiu o aumento da produção, a 6 de janeiro de 1993 surgiu a empresa como a conhecemos hoje, Fumeiros Porfírios, Lda. Este novo espaço tinha como finalidade a produção e comercialização para o Pão de Açúcar.

Em 1995 inauguraram uma nova unidade fabril em Lalim que permitiu o fornecimento de grandes superfícies, onde o Pingo Doce e Makro desempenharam um papel importante.

Conta o empresário em tom de comédia e orgulhoso – “Ofereci salpicões para a inauguração das 20 lojas Pingo Doce e assim começou uma boa relação de negócios”.

“Chegámos a pensar que era demais e perguntava-me do porquê de uma fábrica tão grande”, admite o Sr. Porfírio.

A atitude que trabalha o sucesso continuava e, passados dois anos, a fábrica já era pequena e a produção estava constantemente a esgotar.

A fábrica em questão, “fábrica antiga” como carinhosamente a denomina, no início tinha autorização para transformar 80 porcos por semana e, nesses dois anos, o público já pedia mais do que isso.

O aparecimento da Makro como cliente foi uma vantagem muito grande para o desenvolvimento do negócio.

“Quando a Macro se implementou em Portugal, nós não fomos contactados pela Macro. Foi o Dr. Mário Rui, um elemento da empresa, que me contactou. veio a Lamego, pedindo para eu me reunir com ele. Passado um mês estávamos a fornecer esta empresa como ainda hoje o fazemos”.

Manuel Joaquim conta-nos ainda que a parceria com o Pingo Doce os levou a outros patamares, descrevendo o início deste negócio com o “trampolim” da empresa.

“O início de um sucesso maior foi, em todos os sentidos, o contacto com a rede de supermercados Pingo Doce. A exigência deles obrigou-me a modernizar, ainda que tenha continuado com o produto tradicional. Outras exigências têm a ver com a higiene e segurança alimentar, muito mais prementes. Temos auditorias todos os anos, mais do que uma, se for necessário. As exigências ajudam a melhorar a qualidade, permitindo que os nossos produtos chegassem mais longe.

Se não fosse o Pingo Doce, se não fossem as grandes superfícies, hoje não estaríamos no patamar que estamos. A exigência deles ajudou-nos bastante, permitiu-nos desenvolver a empresa, aumentando a rapidez na entrega do produto e a segurança alimentar”.

Para conseguirem responder a estas novas exigências, procederam, em 2009, ao aumento das instalações.

Apesar de todo o sucesso da Fumeiros Porfírios, Lda, Manuel Joaquim, não esquece a região e os estabelecimentos menores. O mercado tradicional representa agora 70% dos negócios da empresa e são de extrema importância para o sucesso da empresa.

A empresa conta já com três talhos, o primeiro foi em Lalim, a menina dos olhos de Manuel, o segundo em Tarouca e o terceiro em Lamego. O empresário não pára e conta já com um minimercado no mesmo espaço do talho sediado em Lamego e o de Tarouca está para breve, adianta.

Quando questionado sobre uma história que o tenha marcado durante toda esta jornada, Manuel Joaquim partilhou com a Voz de Lamego uma das curiosidades do início da empresa, quando a marca ainda não era reconhecida.

 “No início parei muitas vezes a chorar, sozinho. Eu oferecia os meus produtos para começarem a serem comercializados e ouvi muitas vezes que não o iriam comercializar porque era uma marca que ninguém conhecia e que não iriam lucrar com isso. Hoje, muitos deles são nossos clientes. Passados dez anos, foram eles a contactar-nos e a pedir para comercializar o nosso produto. Mas no início, o que mais me magoou foi ouvir um não através daquelas palavras”. Mas nem todas as lágrimas, nem todas rejeições levaram os empresários a desistir. Lutaram sempre e conseguiram chegar onde ninguém imaginava.

Este não foi o único relato acerca do início difícil. Manuel e Lurdes investiram cinco mil contos (vinte e cinco mil euros) e, passado um ano, garante que deviam o dobro ao banco, mas passados quatro anos já estavam a iniciar as obras do primeiro talho. “Eu perdi aqui cinco mil contos, e eles estão cá. Foi aqui que os perdi e é aqui que os vou encontrar”.

Apesar de todo o sucesso e das dificuldades superadas o proprietário admite ter ainda alguns objetivos e ambições. De todo o material que produz afirma ter um favorito, o presunto e é com essa peça que quer chegar a novas marcas.

A qualidade leva tempo.
Acreditamos no que é bom. No que se fazia antigamente, sem cópias. Apurámos esta arte até aos dias de hoje e levámos até à sua mesa o sabor intenso da charcutaria fumada, perfeita para juntar amigos e família. As nossas carnes são trabalhadas à mão, uma a uma. Para todos e para cada um. São criteriosamente escolhidas e envolvidas em temperos tradicionais para ganharem forma e serem dadas ao tempo. Sem pressas.

O novo projeto já está para ser iniciado, apesar de já ter sofrido inúmeras obras, vão agora dar início a mais uma etapa de obras na “fábrica velha” e, dentro de um ano conta em ter um aumento de mais de 30/40% no fabrico do presunto. Atualmente, os Fumeiros Porfírios produzem cerca de 35 mil presuntos anualmente e a ambição é chegar às 50 mil unidades em 2022.

Além de conhecer bem a palavra sucesso, no mundo empresarial, também conhece a palavra sucesso relativamente ao ambiente familiar, sucesso que afirma ser fulcral para que tudo esteja bem e continue a crescer como empresa.

“Para ser um negócio de sucesso, primeiro tem de haver seriedade, transparência e a vontade trabalhar, esse é o ponto número um para trabalharem connosco, tanto fornecedores como clientes. Esta empresa andou dez ou quinze anos a evoluir muito lentamente. Tenho quatro filhos e eu queria formar os meus quatro filhos porque sabia que seriam uma mais valia para nós. Felizmente isso aconteceu.

Eu e a minha esposa nunca parámos, gastámos muitas horas, muito tempo delicado à família. Todas as semanas havia a rotina de ir levar os filhos ao Porto, Viseu e Coimbra e às sextas-feiras a fazer o mesmo trajeto na recolha.

Sabia que se eles, os meus filhos quisessem, com eles esta empresa teria um arranque mais forte.

Esta fábrica nova que já está a trabalhar a 100% ficou em quase 4 milhões de euros e só nasceu porque os nossos filhos estão cá e são eles que são uma mais valia agora”.

Além do ambiente familiar e de entreajuda que Manuel Joaquim adota no dia-a-dia com os seus colaborados também acaba por ajudar os seus conterrâneos a ter um “ganha-pão”.

O proprietário possui vários hectares com o fim de criar gado, mas devido à imensa procura do mercado, acaba por ter vários fornecedores portugueses e para alguns produtos, fornecedores residentes na terra ou terras vizinhas.

“Claro que o produto não vem logo com o máximo de qualidade. No início acabei por não usar o produto, no entanto, fui aconselhando os criadores, para uma produção de qualidade e em quantidade. Todos eles têm as melhores das intenções e isso é percetível. São uma peça bastante importante para os Fumeiros Porfírios. Havia pessoas que já não criavam gado há muitos anos e agora são meus fornecedores assíduos e tenho o compromisso de lhes comprar o gado todo”.

Mais do que uma grande empresa, estamos a falar de pessoas muito humanas. Cada vez que a empresa cresce, tenta envolver nesse sucesso todos os seus colaboradores.

Ao longo deste percurso, os empresários conseguiram ultrapassar os diferentes obstáculos e, em 2018, inauguraram mais uma nova e moderna fábrica. Esperam assim, chegar a novos horizontes e atingir novos objetivos, quiçá criar novas oportunidades.

A nossa promessa:
a Fumeiros Porfírios tem como visão o respeito pelas origens, o orgulho na tradição transmontana e a promessa de proteger um saber artesanal que está na origem de carnes fumadas com características singulares.

Lurdes e Manuel Joaquim Porfírio começaram, em 1982, com um pequeno estabelecimento de venda e transformação de carnes. Nessa altura, apenas produziam salpicão, moira, chouriça e presunto, produtos que, ainda hoje, continuam a ser de referência, e os preferidos dos consumidores, fruto da sua consolidada e reconhecida qualidade. Esta notoriedade foi alcançada através da total dedicação, e elevada experiência, em todos estes anos de trabalho.

in Voz de Lamego, ano 91/42, n.º 4624, 15 de setembro de 2021