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Archive for 30/09/2020

Editorial da Voz de Lamego: Que a tua vida seja uma mensagem

Desafio proposto, na apresentação do Plano Pastoral Diocesano, no sábado passado, pelo nosso Bispo, D. António Couto, a toda a Diocese de Lamego. Quem teve a oportunidade de acompanhar a sua intervenção, ou quem posteriormente a visualizou, pôde constatar diversos sublinhados feitos pelo nosso Bispo, fazendo-nos ver um pouco do que é a sua Carta Pastoral para este ano de 2020-2021. Ficou-me na retina esta expressão: “A nossa vida tem de ser transformada em mensagem”, em mensagem de esperança. Todos somos mensageiros da esperança.

O lema escolhido para o novo ano pastoral, e que dá título à Carta Pastoral, é: Abrir e semear sulcos de paz e de esperança. Antes dos frutos, a sementeira. E para que as sementes possam “morrer”, caindo à terra, abrem-se os sulcos, para depois os cobrir de terra, protegendo a semente e permitindo-lhe enraizar-se e desabrochar. A sementeira exige trabalho e cansaço e, quantas vezes, suor e lágrimas, um certo grau de receio pelo que sucederá, mas simultaneamente a esperança que, a seu tempo, os frutos possam despontar.

A pandemia surpreendeu-nos a todos. Estamos a aprender a viver com a expansão do novo coronavírus, adaptando-nos, recriando momentos e encontros, salvaguardando, tanto quanto possível, o contágio, salvaguardando a saúde das pessoas. É o tempo de abrir sulcos e semear a paz e a esperança. Têm sido tempos duros e vão continuar a ser, sobretudo para aqueles que antes já viviam em grande dificuldade. Estamos no mesmo barco. Dependemos uns dos outros. Estamos comprometidos com todos. Como tem reforçado o Papa, nas suas intervenções, não esqueçamos os mais desfavorecidos, não os deixemos para trás. É tempo dos governos passarem das palavras e das promessas a atos concretos, na opção por minorar a pobreza, promovendo a inclusão, aplanando a desigualdade social. Para tal, é necessário, por exemplo, na questão da produção de uma vacina anti-covid, começar pelos mais pobres, pessoas e países.

Serve de referência à esperança, na adversidade, neste contexto pandémico, um belíssimo texto de Jeremias: “Que cesse o teu pranto, e cessem também as lágrimas dos teus olhos, pois há consolação para a tua dor: os teus filhos regressam do país do inimigo. Eis que os faço vir do país da meia-noite, reúno-os dos confins da terra, o cego e o aleijado, a mulher grávida e a que dá à luz, todos juntos, uma grande multidão que regressa. Regressam com as suas lágrimas, com os seus lamentos. Conduzi-los-ei às torrentes de água, por um caminho reto sem qualquer obstáculo…”» (Jr 31,15-16.8-9).

Regressam os teus filhos. Com lágrimas, mas regressam. Esperança. A aurora há de vir. Estamos para cá da meia-noite. Já estamos do lado de cá. Somos habitantes de uma esperança grande. Somos todos mensageiros da esperança. Transformemos as nossas vidas em mensagens. Façamos vincos, depois de escrevermos alguma coisa na folha em branco. Vincos porque escrevemos alguma coisa, vinco para enviar a outros a mensagem de esperança. Semeemos sulcos de paz e de esperança.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/42, n.º 4577, 29 de setembro de 2020