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O Padre (Pai) Américo e a Obra da Rua – 80 anos depois

No passado dia 12 de dezembro, o Vaticano publicou o decreto que reconhece as “virtudes heróicas” do P. Américo, fundador da Obra da Rua. Este reconhecimento é um passo central no processo que leva à beatificação que poderá ser um presente ou, como costuma dizer o Papa Francisco, uma carícia para a Jornada Mundial da Juventude a realizar, em Lisboa, em 2022.

Mas quem era o Padre Américo, mais conhecido por “Pai Américo”?

Era o oitavo filho do casal Ramiro Monteiro e Teresa Ferreira Rodrigues, nascido a 23 de outubro de 1887, em Galegos, Penafiel. Estudou no Colégio de Santa Quitéria, Felgueiras e, na carta que sua mãe escreveu ao filho mais velho, missionário no Oriente, diz: – “O Américo tem vontade de ser padre mas o teu pai não lhe encontra feitio”. No Porto, ao mesmo tempo que trabalhava, tirou o Curso Superior do Comércio e tornou-se amigo do P. Manuel Luís Coelho da Silva que viria, mais tarde, a ser Bispo de Coimbra e o único bispo que o aceitou, já adulto, no seminário.

Terminados os estudos partiu para Moçambique, onde se encontrava um dos seus irmãos. Na empresa onde trabalhava, era admirado pela seriedade do seu trabalho, e o patrão, embora não fosse católico, lembrava-lhe a Missa dominical. Contactou com o franciscano Rafael Assunção, mais tarde bispo de Moçambique, que lhe despertou o espírito de São Francisco de Assis.

Passados dezasseis anos, regressa e entra no Convento Franciscano de Vilarino de la Ramalhosa, Espanha mas, problemas de saúde aconselharam-no a sair. Procura entrar num seminário, mas, só o de Coimbra, D. Manuel Luís Coelho da Silva, seu antigo amigo do Porto, o recebe e ordena sacerdote a 28 de julho de 1929, tendo já 41 anos. Diante do seu bispo e, por escrito, faz os votos de pobreza e obediência.

Por ser enfermiço, pede licença para se dedicar aos pobres, visitando-os nos seus tugúrios, cuidando deles. Foi-lhe confiada a “Sopa dos Pobres”. Estava no seu mundo!… Visitava os doentes nos hospitais e senatórios, os presos nas cadeias mas a sua presença incomodava os responsáveis que o acusaram ao Bispo “como indesejável” e até lhe pediram que o desterrasse para bem longe. Escreveu:

“ (…). Por causa da minha batina tenho sofrido as do cabo. Tenho sido apertado, escarnecido, apontado com desprezo – Ui! Um homem de saias! (…). Não desarmo. A batina é sinal de bênção e de maldição. Se estes me apontam com desprezo por causa da batina, os pobres não me conhecem sem ela”.

Afastado dos pobres, dos doentes e dos reclusos, deu-se às crianças da rua. De 1935 a 39, promoveu as Colónias de Campo do Garoto mas a Obra da Rua nasce a 7 de Janeiro de 1940, dia do Santíssimo Nome de Jesus, com a aquisição da primeira Casa do Gaiato, em Miranda do Corvo, para crianças abandonadas e sem família sob o lema, “Obra dos Rapazes, para os Rapazes e pelos Rapazes”:

– “Em nome de Deus quero solenemente declarar, hoje, aos Amigos da Obra que ela foi criada e lançada para amparar dignamente o Filho da Família Pobre”.

E a Obra foi crescendo até ao Porto e, perante a generosidade das suas gentes, exclama: –“Ai Porto, Porto quão tarde te conheci!”… Em 1943 funda em Paço Sousa, Penafiel, a Casa do Gaiato, sede da Obra da Rua:

   – “Há um segredo divino no meu palmilhar de cada dia, que me não deixa cair no chão: eu desejo encontrar na Eternidade, sentados à Direita do Pai Celeste, todos aqueles garotos que me passam pela mão”.

 Em 1954, funda a Casa de Beire (Paredes); em 1955, a de Setúbal; 1967, Malange e Benguela (Angola) e 1967 em Maputo.

Em 1951, fundou o Património dos Pobres sob o lema “Cada freguesia cuide dos seus pobres”, construindo-se 3.500 moradias. E a última inspiração foi o Calvário para pobres incuráveis e abandonados que funciona em Beire (Paredes).

Como instrumento de comunicação fundou o jornal, “O Gaiato” onde escreveu páginas de oiro que deu origem a onze livros, já publicados, e a sua pedagogia deu tema e conteúdo a teses de doutoramento.

Amava intensamente a Igreja: – “Ai da Obra da Rua se não fosse a Igreja! Ai de mim se não fosse a Igreja. Que podia eu sem ela? E que não posso eu com ela? (…) Sou da Santa Madre Igreja Católica onde espero morrer”.

Em 16 de Julho de 1956, vítima dum acidente de automóvel, faleceu no Hospital de Santo António expressando a sua última vontade: – “Não desejo os paramentos do altar mas somente a batina e descalço”. “A Igreja Portuguesa está de luto, comentou o Patriarca de Lisboa, e mais órfãos os rapazes da rua”. Em 17 de Julho de 1961, os restos mortais foram trasladados para a Capela do Gaiato de Paços de Sousa.

Uma pergunta: Porquê tanta má vontade e perseguição a esta Obra?

Pe. Justino Lopes, Raquel Assis, in Voz de Lamego, ano 90/09, n.º 4544, 28 de janeiro de 2020

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