Início > Editorial, Opinião > Editorial da Voz de Lamego: Quando as pessoas são boas, são felizes

Editorial da Voz de Lamego: Quando as pessoas são boas, são felizes

É uma expressão feliz de Dorothy Day e que assume o mandamento novo do amor por inteiro. Amar como Jesus amou, sem tréguas, sem reservas, sem condições prévias, não em função do que pode falhar, mas com o propósito de salvar, remir, fazer o bem, ajudar, reunir, construir. Só Deus basta (Santa Teresa de Ávila). Só o amor, ao jeito de Jesus, basta. Ama e faz o que quiseres (Santo Agostinho), porque amando farás não o que é melhor para ti e te garanta o futuro, mas o melhor para os outros, construindo o futuro.

“O caminho mais seguro para encontrar Deus, para encontrar o bem, é através dos irmãos”. É urgente a síntese entre “culto, cultura e cultivo”. Um compromisso que abranja a educação, a transformação da sociedade, passando pela conversão pessoal, e o empenho concreto e real no cuidado da criação, sem secundarizar a solidariedade com todos, no serviço aos mais pobres. Cultivar a inteligência e cultivar a terra, para que esta, produzindo em abundância, sem a exploração excessiva, possa beneficiar a todos e não apenas os mais ricos, povos e pessoas, desperdiçando uns enquanto outros vivem à míngua, mendigando as migalhas que caem da mesa dos magnatas ou rebuscando as lixeiras mais imundas.

“Nós e todos os homens temos um coração grande e generoso com o qual podemos amar a Deus… vendo Cristo nos outros, amando o Cristo que vemos nos outros. Mais do que isso, ter fé em Cristo nos outros sem poder vê-l’O”. Felizes aqueles que acreditam sem terem visto. “Tudo o que fizerdes ao mais pequenos dos meus irmãos é a Mim que o fazeis”. Por mais voltas que demos, amar a Deus só é possível se eu e tu, se nós nos empenharmos em fazer o bem aos outros, em praticar as obras de misericórdia, pondo em marcha as bem-aventuranças, pensando, não em mudar o mundo inteiro e chegar aos confins da terra, mas na pessoa que está ao meu lado, na minha rua, na minha aldeia, vila ou cidade. É louvável querer mudar o mundo inteiro e predispor-se a partir para longe, para lugares onde a ajuda é, ou parece ser, mais preciosa. Mas, esse propósito tem o mérito de ser apenas isso, um propósito: gostava de… se tivesse mais tempo… se tivesse a vida organizada… se não tivesse filhos… se…

Os propósitos assomam uma bondade inicial. Mas, como vemos, muitas vezes ficam na condicional, como possibilidades em aberto. Assim é nas nossas comunidades também. Hoje… este ano… agora… não me é possível… quem sabe amanhã… daqui a dois ou três anos! É o início do caminho, mas há sempre caminho a fazer-se, não me comprometo aqui, mas ali faço-me presente, não vou para a Cochinchina mas tenho um vizinho que precisa que lhe vá buscar o pão, um familiar que posso escutar por alguns minutos, um pai ou uma mãe que preciso de abraçar, um doente que precisa de desabafar, um idoso que precisa de perceber aquela carta ou aquela fatura…

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/44, n.º 4531, 22 de outubro de 2019

  1. Ainda sem comentários.
  1. No trackbacks yet.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d bloggers like this: