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Editorial da Voz de Lamego: Em caminho e em comunhão

O caminho faz-se caminhando. Pouco importa ter intenção de caminhar, dizer que se gosta e se vai caminhar se não se der um primeiro passo. É a vida. Pode custar a começar. Mas sem o primeiro não há o segundo passo, nem o terceiro passo.

Alguns ficam no início, outros à beira do caminho, outros voltam para trás, outros perdem-se e seguem por atalhos. O caminho é sempre mais fácil quando não vamos sozinhos. Um anima o outro, com uma palavra, uma provocação, um sorriso ou pegando pela mão ou, quem sabe, como o bom pastor, levando aos ombros. Agora ajudo eu. A seguir sou ajudado!

Jesus, para nós cristãos, é o próprio Caminho. “Eu Sou o caminho, a Verdade e a Vida”. Só por Ele vamos ao Pai. Se, por um lado, Ele vem em busca das ovelhas perdidas, por outro lado é o alimento e o alento, é o caminho, é por Ele e com Ele que prosseguimos.

A Igreja em saída não é uma descoberta do Papa Francisco – pese embora o mérito e a intuição com que tem desafiado os cristãos –, a Igreja em saída deriva de Jesus e da Sua missão. Ele sai, vem do Altíssimo, ao nosso encontro. E sai tanto que Se faz um de nós para connosco caminhar. A Sua vida pública é marcada pelo caminhar por aldeias e cidades para anunciar o Evangelho. Cedo se percebe que não é um excêntrico como, por exemplo, João Batista. Jesus não Se isola, a não ser para os momentos de oração e intimidade com o Pai, pelo contrário, rodeia-Se de pessoas, dos apóstolos, dos discípulos e das mulheres que os acompanham, como discípulas e ajudando, por certo, na logística das deslocações.

Vai à sinagoga ou acolhe as multidões. Sente necessidade de ir a outros lugares para se encontrar com pessoas. O mandato que nos deixa é explícito: ide e fazei discípulos. Caminho e comunhão. Anúncio do Evangelho e formação de comunidades que vivam a experiência da fé, a prática da caridade, marcados pela esperança que abarca a humanidade, a história e o tempo até à eternidade.

Onde dois ou três estiverem reunidos em Meu nome, Eu estou no meio deles (Mt 20, 18). Estarei convosco até ao fim dos tempos. Eu e o Pai somos Um. “Não peço apenas por estes, mas também por aqueles que acreditam em Mim, por meio da sua palavra: para que todos sejam um; tal como Tu, Pai estás em Mim e Eu em Ti, que também eles estejam em nós” (Jo 17, 20-21).

O compromisso missionário visa a construção da fraternidade cristã. Um só Pastor, um só rebanho.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/35, n.º 4523, 27 de agosto de 2019