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Editorial da Voz de Lamego: A Igreja em caminho

O caminho da Igreja em Lamego é Jesus e em Jesus cada uma das pessoas que vive ou que visita o território que se estende de Cinfães a Foz Côa, de Castro Daire a São João da Pesqueira, de Vila Nova de Paiva a Armamar, integrando 14 concelhos, 6 arciprestados. Como sublinhou o concílio Vaticano II, o caminho da Igreja é o homem (GS 22).

E neste caminho, a nossa diocese desafia-nos a refletirmos durante três anos sobre a identidade, a realidade, a vocação e a missão da Igreja. O primeiro ano, 2018-2019, sob a dinâmica vocacional e missionária – Igreja de Lamego, chamada e enviada em missão –; o segundo ano sob a dinâmica sinodal – Igreja em caminho e em comunhão –, e o terceiro ano em abordagem da realidade mais concreta da Igreja peregrina no chão da nossa diocese.

De Cristo fluem rios de água viva, que geram vida e nos alimentam, dando sentido aos nossos dias, sentido além do tempo e da história, da nossa fragilidade e finitude. A água parada, estagnada, acabará por se tornar salubre, inquinada, imprópria para consumo, deixará de ser lugar de vida e onde nenhuma vida sobrevirá, a não ser que seja oxigenada pela terra… assim a vida da Igreja e a nossa vida.

A determinada altura Jesus diz aos Seus discípulos: vamos a outros lugares, anunciar o Evangelho, foi para isso que Eu vim ao mundo. Com efeito, os Evangelhos mostram que Jesus não se fixa num lugar específico, a não ser em Nazaré durante mais de 30 anos, tempo de enraizamento, em que Jesus, num ambiente familiar, aprende o valor da família, da amizade, da solidariedade entre vizinhos que se ajudam e se protegem mutuamente, o valor do trabalho honesto e o sacrifício de quem trabalha a terra e com esforço  sobrevive, pagando os elevados impostos que pesam sobre a maioria dos judeus, vivam em Nazaré ou vivam em Belém. A vida pública de Jesus é tempo de sementeira, é necessário lançar mãos ao arado e espalhar sementes de amor, de perdão e de esperança, de paz e de justiça.

No último conclave, o então Cardeal Bergoglio, que viria a ser eleito Papa (Francisco), fixava o caminho da Igreja – sair ao encontro dos mais frágeis, indo às periferias geográficas, mas sobretudo existenciais. Nos dias que se seguiram à Sua eleição, esta seria uma das palavras mais usadas. Uma Igreja a caminhar, em saída, comprometida com as periferias, em dinâmica missionária. Um Igreja lunar, disponível para comunicar a Luz do Sol, Jesus Cristo e como Ele, Bom Pastor, indo em busca das ovelhas perdidas.

 

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/34, n.º 4521, 13 de agosto de 2019