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Archive for 03/07/2019

Editorial da Voz de Lamego: participantes do sacerdócio de Cristo

A palavra sacerdócio anda ligada, inevitavelmente, aos bispos e aos padres e, claro, antes disso, a Jesus Cristo, Sacerdote por excelência, pois em Si mesmo coabita a humanidade e a divindade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. O sacerdote santifica, une, consagra, eleva a humanidade para Deus. Ora Jesus, traz-nos Deus e, morrendo e ressuscitando, leva a nossa humanidade para junto do Pai. Não há santificação maior, Jesus, Deus encarnado, Deus humanado, é totalmente (com)sagrado. Eu e o Pai somos Um. Eu n’Ele e Ele em Mim. Faço o que vi fazer a Meu Pai. Digo e que Me mandou dizer. Mediação única: ninguém vai ao Pai senão por Mim. Eu Sou o Caminho!

Durante a Última Ceia, na primeira Eucaristia, Jesus instituiu o sacerdócio: Fazei isto em Memória de Mim. Dentre os Seus discípulos, Jesus escolheu 12, para os preparar para uma missão específica e lhes confiar a Sua Igreja, o Seu Corpo, a Sua Vida. Isto é o Meu Corpo… Isto é o Meu sangue entregue foi vós… para a salvação de todos. Ide e anunciai o Evangelho a toda a criatura, fazei discípulos de todas as nações, quem acreditar e for batizado será salvo.

A morte de Jesus traz a dispersão, o medo e o desencanto. A Sua ressurreição devolve a alegria, a esperança e a fé, e reúne o grupo dos 12, melhor dos 11, uma vez que Judas se precipitara entregando Jesus, traindo-O, na pressa de fazer as coisas à sua maneira. Para que o grupo fique completo, segundo a eleição do próprio Jesus, que havia designado 12, simbolicamente representando a humanidade inteira para serem enviados a todo o mundo. Matias foi o eleito!

O número 12 era simbólico, pois para chegar ao mundo inteiro seriam precisos outros colaboradores. Os sucessores dos Apóstolos, os Bispos, escolheram anciãos, presbíteros para servirem as comunidades que iam surgindo, no anúncio da Palavra, na santificação da vida. Também o aparecimento do diaconado, serviço aos mais pobres daquele tempo, os órfãos e as viúvas, para que ninguém e nenhuma dimensão da vida ficasse desamparada.

Quase parece perfeito… e acabado! Tudo resolvido! Com mais calma. A Igreja não são os Bispos, os padres e os diáconos, somos todos. Todos fomos consagrados. Jesus morreu e ressuscitou por todos, por mim e por ti. Somos novas criaturas, participamos da santidade de Jesus, somos membros do Seu corpo. Cabe-nos, a cada de nós, transparecer a santidade de Cristo para todos! Todos participamos do sacerdócio de Cristo, ainda que em diferentes ministérios e serviços, mas para o bem do único Corpo de Cristo.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/30, n.º 4517, 2 de julho de 2019