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Editorial da Voz de Lamego: Flores e o trumpismo…

Como a época desportiva terminou, os meios de comunicação voltaram em pleno aos dramas, à violência, ao voyeurismo, enchendo-nos de desgraças um pouco por todo o mundo.

Chamou-me a atenção, por estes dias, a reação de Donald Trump por causa de um drone americano, abatido pelo Irão. O drone estava a espiar, preventivamente, talvez, e foi abatido pelos iranianos que não quiseram ser espiados! Do lado do Presidente americano, a certeza científica que o drone estava em águas internacionais, pelo que poderia espiar à vontade. Tendo sido abatido, isso é motivo bastante para uma resposta à altura, entenda-se, violenta, agressiva, mesmo que seja necessário provocar uma guerra, numa zona em que os refugiados continuam demasiado expostos. Prevalece o orgulho americano! Depois lembrei-me, Donald Trump apresentou a recandidatura à Presidência dos EUA e está em queda livre nas sondagens. Como fazer? O que habitualmente fazem os presidentes americanos: arranjam uma guerra no exterior para unir os americanos e a mostrarem que são determinados, destemidos e valentes!

Chamou-me à atenção, por estes dias e em contraponto luminoso, além das hipotéticas compras e vendas de jogadores por somas avultadas, as publicações, partilhas e “likes” para um trabalho minucioso e dedicado: o tapeamento de ruas, artérias e avenidas para a solenidade do Corpo de Deus. É sempre possível fazer sobressair o bem. Deste modo se contribui para um mundo mais arejado e saudável. É possível acreditar, é possível o futuro, é possível transformar para melhor a casa que habitamos e os laços que nos permitem ser família.

As redes sociais, nas quais tenho uma participação ativa, bombardeiam-nos com tudo e mais alguma coisa, com um bom menu de coscuvilhices possíveis e imaginárias. Comenta-se tudo, mesmo que sejam assuntos dos quais não percebemos nada, nunca ouvimos falar, nunca vimos, mas temos opinião, acabando por comentar comentários e que já não têm qualquer correlação com a publicação, a notícia ou a partilha original.

Foi interessante ver perfis, páginas, grupos com publicações de magníficos tapetes de flores, desenhos variados, obras de arte, alusivas ao Corpo de Deus e à Eucaristia. Alguns postaram o trabalho concluído, outros as fases do trabalho… além das festas de catequese, Primeira Comunhão, Profissão de Fé…

Com tanta coisa boa que existe, por que não valorizar o que embeleza à vida? O copo meio cheio? Também nas redes sociais? Não se trata de varrer as dificuldades e os problemas para debaixo do tapete, mas de apostar no que nos salva. É sempre mais fácil caçar moscas com mel do que com fel! Também pessoas! Jesus não nos salvou com azedume!

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/29, n.º 4516, 25 de junho de 2019

(Foto – Paróquia de Santa Eufémia de Pinheiros)

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