Início > Editorial, , Igreja, Jesus Cristo, Oração, Testemunho, Vida > Editorial Voz de Lamego: Jean Vanier

Editorial Voz de Lamego: Jean Vanier

Nasceu em Genebra, em 10 de setembro de 1928, filho de pais canadenses. Foi ficial da Marinha, primeiro britânica, depois canadense. Em 1950, desiste da carreira militar e começa a estudar teologia e filosofia. Sente-se atraído pelo Evangelho. Tornou-se professor na Universidade de Toronto, mas abandona a carreira universitária. Descobre que a sua verdadeira vocação é encontrar Jesus nas pessoas mais fracas e mais abandonadas. Em 1964 funda a Arca e em 1971 contribui para o nascimento do movimento “Foi et Lumiere” (Fé e Luz). Faleceu a 7 de maio, há oito dias.

A “Arca” é uma comunidade que acolhe pessoas com necessidades especiais, com 150 Centros espalhados por todo o mundo. Um dos seus livros, que li, falava de “Adam”, uma criança com autismo profundo, com o qual era muito difícil comunicar, pelo menos através de linguagem verbal. Adam era um desafio e um compromisso. O seu silêncio, um apelo à paciência e à escuta, ao serviço e à delicadeza. Mais do que Adam se adaptar à comunidade, os “cuidadores” é que tinha que se aproximar, perceber e acolher as suas dificuldades. Para lá da linguagem verbal, prevalecia a linguagem dos afetos, da ternura e da meiguice, visível no olhar, no sorriso, na festa com que acolhia Jean Vanier.

O Papa Francisco, na Viagem Apostólica à Bulgária e à Macedónia, não deixou de o propor como exemplo de humanidade, de fé e de serviço. Jean Vanier “trabalhava pelos mais pobres, pelos mais descartados, também por aqueles que no ventre de sua mãe foram sentenciados à morte – às vezes tenta-se convencer os seus pais a tirá-los e não deixá-los nascer. Ele acolheu-os e deu sua vida. Que Jean Vanier permaneça um exemplo para todos nós, que nos ajude do Céu… Na semana passada telefonei-lhe, ouviu-me, mas mal conseguia falar. Quero expressar a minha gratidão por este testemunho, um homem que soube ler a eficiência cristã do mistério da morte, da Cruz, da doença. Do mistério daqueles que no mundo que são descartados. Trabalhou não somente pelos últimos, mas também por aqueles que antes de nascer tem a possibilidade de serem condenados à morte. Ele gastou sua vida assim. Graças a ele e graças a Deus por nos ter dado um homem de tão grande testemunho”.

Tinha 90 anos e estava canceroso. Jean Vanier sobre a sua fragilidade: “Minha esperança e minha oração é que, quando chegar momento de fraqueza, eu possa aceitar e regozijar-me por tudo o que me foi dado. A vida humana começa e termina em fragilidade. Ao longo de nossas vidas somos ávidos por segurança e dependentes de ternura”.

Em Portugal vivemos a Semana da Vida. Este é um belíssimo testemunho de alguém que amou e cuidou da vida humana, na atenção aos mais frágeis. As palavras são sancionadas pela vida.

Pe. Manuel Gonçalves,  in Voz de Lamego, ano 89/23, n.º 4510, 14 de maio de 2019

  1. Ainda sem comentários.
  1. No trackbacks yet.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d bloggers like this: