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Nuno de Santa Maria Pascoal… Partiu mais um amigo…

A notícia chegou aos meus ouvidos em momentos de oração na Capela da Obra Kolping e quando um grupo de Sacerdotes se encontrava em Retiro. Ao telemóvel chegou mensagem, mas a vibração deu tempo para sair e ouvir: faleceu o Dr. Nuno de Santa Maria Pascoal…

Interroguei-me sobre a razão da escolha do meu nome para receber e comunicar a notícia a quem e como o fazer naquele momento e a partir daquele lugar; porque era momento de silêncio, informei o Senhor D. Jacinto do que tinha acontecido e pedi as orações dos presentes pelo Dr. Nuno Pascoal. Senti que era meu dever de caridade para com um amigo que partira para Deus e que eu conhecera há muitos, muitos anos, e nunca mais nos esquecemos.

Eu esperava a chegada da camioneta que me levaria ao Pinhão, na ida para o Seminário. Da camioneta sai um jovem, que me informa de que o Seminário de Resende só abria as aulas dali a uma semana, o que acontecia por causa das obras na Casa. Mas lá fui até S. João da Pesqueira, podendo regressar a minha casa, e à tarde, na «carreira» para mais uma semana de férias. E o jovem que me dera a notícia era o então Nuno Pascoal, que me permitiu ser seu amigo ao longo dos anos que se seguiram, ele no Seminário de Lamego e eu no de Resende. Quando eu cheguei a Lamego (1954), já ele abandonara o Seminário (1953); mas a amizade estava encontrada e entrara em acção nunca destruída.

Agora, eram as reuniões da ASEL que permitiam os nossos encontros. E lá estávamos, com outros e outros que acorriam às reuniões/encontros, se saudavam amistosamente e conviviam em mais um dia da sua vida. E o Dr. Nuno Pascoal e eu também éramos assíduos na frequência dos Encontros da ASEL. A notícia do seu falecimento dizia que éramos da mesma terra; não sendo a verdade exacta, esta consistia numa proximidade relativa, a que vai de Longroiva, no concelho da Meda, à Horta, a minha aldeia natal, onde passava a camioneta que nos levaria ao Pinhão. Mas a amizade nasce assim, para nunca mais desaparecer e nem a morte será capaz e destruir. Por isso, posso dizer «Partiu um amigo».

As notícias da ASEL trouxeram palavras sobre o seu funeral, o encontro dos filhos com os «velhos» conhecidos, a troca de recordações e do que chamamos «lembranças» que se guardam religiosamente; também um soneto dedicado ao falecimento de outro amigo que eu não conhecia nem conheço; mas no meu espírito bailava a recordação de outro soneto que o Dr. Nuno Pascoal dedicara ao Seminário de Lamego e me confiara para que fosse colocado em lugar de destaque, naquela Casa que ambos frequentáramos; nasceu em mim a ideia de recordar esse soneto e de o publicar na Voz de Lamego, agora como homenagem «devolvida» e devida ao amigo, poeta de fino recorte e amigo de uns anos passados no Seminário, anos que ultrapassam a presença num lugar que não se esquece mais na vida, breve ou longa que Deus nos vai dando. O Seminário cedeu uma cópia e eu dou lugar a um gesto amigo do Dr. Nuno, que junto de Deus recorda momentos da vida que a terra vai fazendo passar, mas não consegue apagar da memória dos que ainda continuam na vida deste mundo. As palavras de testemunho de dois outros amigos aselistas mereciam um lugar nas páginas do «nosso» jornal, e nesta hora de saudade. Acabou a Estrela Polar, mas continua uma VOZ, que recorda amigos e não pode esquecer a sua colaboração em muitos momentos da vida de uns e de outros.

Damos oportunidade aos amigos do Dr. Nuno Pascoal de recordar o seu soneto em homenagem ao Seminário; e penso que o actual Director de «Voz de Lamego» não se oporá à publicação de notícias e de outros sonetos da autoria do Dr. Nuno Pascoal, até para que todos possam recordar velhas amizades e provocar novos encontros que umas palavras nas páginas de um jornal darão continuidade a velhas e novas amizades, que darão razão de ser ao que se pode anunciar e afirmar: «também eu fui aluno dos Seminários, Resende e Lamego, onde vivi alguns dos meus dias, encontrei amigos e que recordo para sempre».

Para o amigo Dr. Nuno de Santa Maria Pascoal peço a recompensa de Deus pela sua fé e pelos seus trabalhos; para os filhos, o conforto de uma amizade que me ligou a seu pai; para a ASEL, a certeza de que o vosso trabalho não é vão neste mundo, onde a amizade ainda tem um lugar no coração dos homens.

Monsenhor Armando Ribeiro, in Voz de Lamego, ano 89/07, n.º 4493, 15 de janeiro de 2019

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