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Encontro de Cuidadores – Cuidar com dignidade

No passado dia 29 de Setembro, tal como foi anunciado no artigo anterior foi promovido o Encontro de Cuidadores, intitulado por “Cuidar com Dignidade” no auditório do Centro Paroquial de Almacave, com início às 9h30. O Sr. Padre José Fernando, responsável pela Pastoral da Saúde da Diocese de Lamego e também promotor deste Encontro, fez a respetiva apresentação dos oradores. O Sr. Bispo D. António Couto fez uma breve nota introdutória ao tema e ainda parabenizou o Centro Social Filhas de São Camilo pelos 25 anos de existência na Diocese de Lamego, pela assistência humana realizada aos utentes da mesma, sempre com o espírito de São Camilo.

O encontro contou como moderador o Sr. Doutor António Jácomo, sacerdote da Diocese de Viana do Castelo, Doutorado em Filosofia e Letras, investigador do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa, o mesmo fez o enquadramento geral dos temas a tratar no encontro, expondo vários conceitos ligados ao cuidar do sofrimento com arte.

De seguida tomou a palavra a Doutora Eugénia Magalhães, Psicóloga e Presidente do Instituto de Estudos Avançados Catolicismo e Globalização, nomeando alguns conceitos e princípios do envelhecimento positivo. Envelhece-se logo quando se nasce, não se trata de uma doença, pois há idosos cheios de esperança e com vivência espiritual. A oradora alertou para o facto de que se deve ter sempre em conta a história de vida do idoso, bem como a importância de o cuidador amar, pois só dessa forma conseguirá ser um bom cuidador.

E com o tema envelhecimento, eis que surge uma das doenças mais comuns e evidentes nos idosos da atualidade – Demência: um estigma ou um desafio – tema abordado pela Dr.ª Carmina Rei, Psicóloga com especialização em reabilitação Psicossocial na Doença Mental Grave, responsável pela criação e coordenação da Plataforma SOS Demências e Docente no INSPSIC (Instituto Português de Psicologia e Outras Ciências). A oradora referiu os vários tipos de demência e os problemas associados às mesmas, pedindo aos cuidadores para tratar o doente como pessoa, e não com infantilidade como por exemplo: -meu amor; -meus meninos; etc… É importante tratarmos a pessoa com demência com respeito, pois há momentos de lucidez e o doente apercebe-se de tudo o que se passa à sua volta. Exemplificando com a situação que se passou com a sua mãe que também tem demência, em que um dia que ela estava completamente lúcida e com o discurso coerente, apercebendo-se da sua situação perguntou à filha: – eu estou doente não estou?

O que mais falha nestas demências é a memória curta, por isso não vale a pena o cuidador dizer ao doente: – já lhe disse várias vezes! – o mesmo não irá entender. O estabelecimento de diálogo com o doente, a criação de rotinas como: ir à casa de banho, ir comer, beber água, será a melhor forma de compensar a perda existente de memória.

Tivemos uma vez mais na nossa comunidade o Irmão Camiliano Dr. Carlos Bermejo, Professor doutorado em Teologia Pastoral sanitária, mestre em Bioética e em Counselling, pós graduado em intervenção no luto e em gestão de residências e serviços para idosos (…) um vasto e riquíssimo currículo, um profissional de mãos cheias, uma pessoa extremamente humana e de uma simplicidade inigualável.

O Professor Bermejo exemplificou de uma forma excecional as atitudes humanas que o prestador de cuidados formal e/ou informal deve ter em conta na assistência ao doente. A escuta ativa foi sem dúvida o foco do orador. É importante prestar atenção às necessidades e inquietudes do doente. Usar linguagem adequada, gestos confortantes nos momentos de maior dor. Atitudes a evitar no diálogo de cuidadores com pessoas doentes, ilustrando com a leitura de exemplos em que se verificaram essas atitudes de desvalorização do doente e da falta de ética dos profissionais, exemplos esses que o Prof Doutror Bermejo fez questão de lançar ao público e criar debate.

Cuidar do doente exige que se olhe o doente como pessoa, que se reflita no fim da vida, que se estabeleçam relações humanizadoras, através de uma atitude empática diante do sofrimento e na preparação para a morte.  No counselling… é importante estabelecer técnicas de diálogo e aconselhamento. O orador referenciou os 3 tipos de saber que um profissional do cuidado (profissionais de saúde, trabalhadores sociais, cuidadores informais, e todos os que contactam com pessoas doentes) devem possuir em proporções iguais: Saber (conhecimentos teóricos/ciêntificos); Saber – Ser (conhecimento prático) e Saber-Fazer (atitudes humanas). (…) É necessário ter uma cabeça, um coração e mãos na mesma medida, ou seja, sentimento, razão e técnica.

No período da tarde continuamos com o Professor Bermejo, mas desta vez com um tema que suscita hesitações por parte das pessoas –Aspetos éticos no final da vida – Eutanásia. O orador explanou os vários conceitos relativos à Eutanásia, os Países em que a mesma já está legalizada, aludindo ainda para a diferença de ser o próprio doente a dar fim à sua vida (através de um medicamento) ou ser outra pessoa/cuidador a fazer isso pelo doente com o seu consentimento. No espaço para debate foram muitas as intervenções do público, numa das quais uma senhora referiu a hesitação quanto à legalização da eutanásia uma vez que tem momentos em que considera que seria o melhor para os doentes idosos com quem trabalha, vê a sofrer e a desejarem a morte, porém quando pensa em alguém de família não se sente capaz de intervir nesse ato.

Por fim a Superiora do Centro Social Filhas de São Camilo – Irmã Liliana – manifestou o agradecimento a todos os oradores e participantes neste Encontro, referindo que ficou mais rica de conhecimento enquanto cuidadora após a audição de todos os temas debatidos, todos eles muito pertinentes e certa de que valorizará todos os que estiveram presentes, quer voluntários, quer profissionais de cuidados de excelência. Um agradecimento especial ao Sr. Padre José Fernando pela ajuda em toda a organização do Encontro.

Ficamos de coração cheio pela adesão ao evento (80 participantes) mesmo sendo a um sábado, entre os quais profissionais de saúde, profissionais sociais, animadores, estudantes, ajudantes de lar, religiosos, órgãos diretivos das IPSS.

Um agradecimento a todos os que colaboraram direta e/ou indiretamente nesta iniciativa. Sem a Vossa colaboração não teríamos chegado a todos.

Um agradecimento especial aos responsáveis pelo Centro Paroquial de Almacave pela cedência do espaço e toda a disponibilidade demonstrada.

Obrigada à partilha de saberes e opiniões de todos participantes.

Um grande bem haja!

 

Patrícia Guedes | CSFSC – Lamego

in Voz de Lamego, ano 88/42, n.º 4479, 2 de outubro de 2018

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