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Editorial Voz de Lamego: Somos insubstituíveis…

Ninguém é insubstituível. De insubstituíveis está o cemitério cheio!

Hoje, porém, gostava de refletir convosco outra máxima, que não contradiz a anterior, mas ajuda-nos a perceber que cada um de nós é parte essencial para a transformação da sociedade e da Igreja: ninguém é substituível. Somos insubstituíveis!

De um ponto de vista de tarefas, numa empresa, num grupo escolar, na Igreja, nos diversos grupos eclesiais, as pessoas são, até certo ponto, substituíveis. O equívoco é quando alguém se coloca numa perspetiva de sobranceria, endeusando-se. Se não for eu, ninguém faz e, se alguém faz, faz mal, não fica nada de jeito. Eu é que sei. Ora, isto não se verifica e o tempo ajuda a clarificar, pois surgirá alguém que faz com mais esmero e mais beleza. Todos conhecemos exemplos concretos. Alguém imprescindível numa comunidade, fazendo-se esperar, para que todos percebam que nada se faz sem ele. Por birra, ou para verificar a sua tese, deixou e as coisas não deixaram de se fazer. É quase como numa equipa de futebol, lesiona-se um jogador e outro aproveita a oportunidade para brilhar.

Mas onde é que somos insubstituíveis? Como pessoas, não há ninguém igual a nós. Somos únicos e irrepetíveis e, portanto, insubstituíveis. De um ponto de vista cristão, somos imagem e semelhança de Deus. Cada um de nós. Eu e tu. Em nenhuma circunstância somos redutíveis a outro. Ainda que vivêssemos apenas uns segundos, a nossa vida não seria em vão, uns segundos e já teríamos cumprido a vontade de Deus, deixando marcas em alguém!

Num momento em que a Diocese embarca num novo ano pastoral é tempo de renovarmos a nossa esperança, a nossa alegria, o nosso compromisso e tornarmo-nos imprescindíveis, não para tirarmos o lugar a alguém, não por acharmos que sem nós não há caminho, mas na certeza que Deus nos chama, que Cristo conta connosco. E cada um de nós pode fazer a diferença. O que eu não fizer, alguém o fará. Mas se eu o fizer vou pôr em andamento a minha identidade cristã. Todos somos necessários. Em Igreja, ninguém está a mais, mesmo que, aqui e além, a engrenagem esteja enferrujada, porque alguém se coloca à parte ou acima, emperre para se fazer notar mais um pouco! Em Igreja somos sempre poucos. Havendo alguém que não está, que não ajuda, que não esbanja os seus talentos a favor de todos, estaremos, inevitavelmente em défice, pois Deus conta com todos, comigo e contigo!

Não somos substituíveis uns pelos outros. Precisamos de todos. Precisamos uns dos outros. Não podemos chegar a casa do Pai deixando um irmão para trás. O nosso pai não é Jacob, é o próprio Deus!

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 88/42, n.º 4479, 2 de outubro de 2018

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