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Archive for Março, 2018

PROXIMIDADE – AUTORIDADE | Editorial Voz de Lamego | 13-03-2018

PROXIMIDADE – AUTORIDADE

Na próxima segunda-feira, dia 19, evocamos a figura de S. José, patrono da Igreja universal, e celebramos o Dia do Pai, atendendo a que José foi o escolhido por Deus para guiar o Filho segundo a carne, na caminhada da Sua humanidade.

A propósito, os bispos portugueses dirigiram uma mensagem de saudação a todos os pais, enaltecendo a sua missão e agradecendo todo o empenho na tarefa, nem sempre fácil, de educadores. E apontam a proximidade como forma de concretizarem a missão com doçura e firmeza. Porque é preciso estar perto para escutar, ver, ajudar, acompanhar, ensinar, corrigir, testemunhar…

A figura do pai é desconsiderada em certos ambientes, originando uma crise que abrange jovens criados em famílias monoparentais e em lares divididos, e que é motivada por pais ausentes, desqualificados, que se comportam como “irmãos mais velhos” e descartam a figura de autoridade, mas também pela diversidade de referências paternas (o que gera, o que educa, o que abandonou, o que adopta) e a erosão de tantos casamentos. E como a paternidade tem um efeito cumulativo de uma geração à outra, quem não teve um verdadeiro pai terá mais dificuldade em assumir-se na missão paterna.

A missão do pai é fazer viver, crescer, iniciar. O pai não é um “especialista” nem a paternidade uma profissão que assenta numa técnica, mas um caminhar juntos que se aprende e se realiza no tempo, por osmose (pelo exemplo), transmitindo uma arte de viver.

E toda a paternidade se funda sobre um princípio educativo que é o da autoridade. Mas uma autoridade de serviço, muito mais que um abuso de poder ou realidade castradora.

A paternidade é uma passagem de testemunho. O mundo precisa de ser guiado pelo exemplo.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/15, n.º 4452, 13 de março de 2018

Placuit Deo – Carta aos Bispos sobre a Salvação Cristã

Foi publicada, na passada quinta-feira, a Carta Apostólica “Placuit Deo”, da Congregação para a Doutrina da Fé, aos Bispos da Igreja Católica sobre alguns aspectos da salvação cristã.  A Carta pretende destacar, na linha da grande tradição da fé e com especial referência ao ensinamento de Papa Francisco, alguns aspectos da salvação cristã que possam ser hoje difíceis de compreender por causa das recentes transformações culturais.

O Texto é dividido em 4 partes com uma introdução e uma conclusão.

Depois da introdução o segundo ponto fala do Impacto das transformações culturais de hoje sobre o significado da Salvação cristã. O mundo contemporâneo questiona, não sem dificuldade, a confissão da fé cristã, que proclama Jesus o único Salvador de todo o homem e da humanidade inteira. A carta procura combater duas tendências que vão crescendo no nosso tempo: um neo-pelagianismo em que o homem, radicalmente autónomo, pretende salvar-se a si mesmo sem reconhecer que ele depende, no mais profundo do seu ser, de Deus e dos outros, bem como um certo neo-gnosticismo, que apresenta uma salvação meramente interior, fechada no subjetivismo. O texto reafirma que a salvação consiste na nossa união com Cristo, que, com a sua Encarnação, vida, morte e ressurreição, gerou uma nova ordem de relações com o Pai e entre os homens.

A tentação do gnosticismo – recordava o Papa Francisco em Florença – “leva a confiar no raciocínio lógico e claro, o qual porém perde a ternura da carne do irmão. O fascínio do gnosticismo é o de “uma fé fechada no subjetivismo, onde interessa unicamente uma determinada experiência ou uma série de raciocínios e conhecimentos que se acredita podem confortar e iluminar, mas onde o objeto em definitiva permanece fechado na iminência da sua própria razão ou dos seus sentimentos”.

Toda a pessoa, a seu modo, procura a felicidade e tenta alcançá-la recorrendo aos meios disponíveis. Com frequência, tal desejo coincide com a esperança da saúde física, às vezes assume a forma de ansiedade por um maior bem-estar económico, mais difusamente expressa-se através da necessidade de uma paz interior e de uma convivência pacífica com o próximo. A salvação plena da pessoa – evidencia o texto -, não consiste nas coisas que o homem poderia obter por si mesmo, como o ter ou o bem-estar material, a ciência ou a técnica, o poder ou a influência sobre os outros, a boa fama ou a auto-realização. “A vocação última de todos os homens é realmente uma só, a divina”.

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DIGNIDADE DA MULHER | Editorial Voz de Lamego | 6 d março d 2018

DIGNIDADE DA MULHER

Na próxima quinta-feira, dia 8, assinala-se mais um Dia Internacional da Mulher, para sublinhar o percurso feito na defesa e promoção da dignidade e igualdade e, em simultâneo, recordar que tal caminho está ainda atrasado em vários países do globo.

A comunicação social continua a divulgar situações em que as mulheres são exploradas, excluídas, violentadas, vítimas de tráfico, de exploração sexual, de trabalho escravo e mortas. Várias são ainda as sociedades onde mulher é sinónimo de sujeição e humilhação públicas, ficando impunes os culpados. Continuamente surgem notícias de mulheres sujeitas a agressões físicas e psicológicas, que carregam vidas de sofrimento ou que são assassinadas por maridos, companheiros ou namorados.

Por isso, assinalar este dia é recordar a importância de continuar a lutar pela dignidade e igualdade da mulher em todos os dias do ano.

Talvez por causa da proximidade da data, uma revista do Vaticano, distribuída conjuntamente com o jornal Observatore Romano, escreveu sobre religiosas que se doam ao serviço de bispos e cardeais e que não são devidamente reconhecidas e recompensadas pelo seu trabalho.

A revista apresenta diversas dessas situações, percebendo-se a tristeza das protagonistas por não se verem reconhecidas na sua dedicação ou até, por obediência, cumprirem uma missão algo distante da vocação e carisma professados e assumidos.

Mas esta deverá ser, também, uma oportunidade para alguns desses “príncipes da Igreja” tomarem consciência do quão distantes estão de praticar o que pregam, quer na forma como vivem quer na forma como tratam quem em casa os serve. Mesmo não sendo muitos, serão sempre demais.

A oportunidade da denúncia não se questiona, bem como a necessidade de mudanças para promover a mulher dentro da Igreja, tal como o assumiu, desde o início, o Papa Francisco.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/14, n.º 4451, 6 de março de 2018

Paróquia de Almacave homenageia a Mãe de Mons. José Guedes

Comunidade Paroquial de Santa Maria Maior de Almacave

Homenagem a D. Maria José Fernandes Pinto

Começamos por citar Saint Exupéry quando escreve: “O essencial é invisível aos olhos; só se vê bem com o coração.”

Na Eucaristia de 7º dia pela D. Maria José, mãe do Senhor Padre José Guedes, a nossa “Mãe Zézinha” como a conhecíamos, a Comunidade Paroquial de Santa Maria Maior de Almacave está aqui para fazer memória da sua vida e da beleza da sua alma.

A mãe dos sacerdotes de uma paróquia é também nossa mãe “emprestada”. Mas há algumas, como a Mãe Zézinha tornam-se especiais pois ela, com a sua calma, a sua paz, a sua alegria e o seu sorriso sempre cativou quem dela se aproximava. Sempre uma brincadeira, um gesto de carinho emanava dela e nos fazia parar para falar com ela e lhe dar alguma atenção.

Há almas bonitas que vêm a este mundo para o tornar mais belo e nos deixarem memória indelével de que há anjos na Terra que, apesar dos seus sofrimentos e amarguras sempre confiam no Senhor como o seu prado verdejante e que há sempre uma solução de vida, vista com a certeza de quem ama a Deus incondicionalmente.

Vivendo com o seu filho, o Pe José Guedes ao longo de todo o seu tempo de sacerdócio, foi reconhecida e amada por todos, nas paróquias onde passou e, muitas saudades deixa nos corações dos que tiveram a graça de se cruzar no seu caminho.

A sua família chora a sua ausência mas a Paróquia de Almacave também vai sentir a sua falta, nomeadamente os que com ela privaram mais de perto. Foi testemunha de fé e de bondade e, para todos tinha um olhar meigo, de bondade e de afeto. Conhecia de cor as muitas centenas de paroquianos que identificava e conhecia pelo nome. Não deixava de estar presente em funerais onde, com a sua oração pelos falecidos associava as palavras de conforto à dor dos familiares. Ler mais…