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VOCAÇÃO MATERNA | Editorial Voz de Lamego | 6 de fevereiro de 2018

VOCAÇÃO MATERNA

Na Mensagem para o Dia Mundial do Doente que viveremos no próximo domingo, o Papa Francisco recorda que a Igreja foi cumprindo, ao longo dos séculos, a sua vocação materna para com as pessoas necessitadas e doentes. E convida a não esquecer essa história e essa dedicação, apelando à sua continuidade.

Falar em “vocação materna” é referir uma presença que faz bem, um agir que protege e eleva. Porque a mãe é sempre sinónimo de amor, dedicação, sacrifício, vida…

É verdade que não basta contemplar, extasiados, um tempo que já foi ou deixar de estar atento e actuar, aqui e agora, desculpando-se com o muito que se fez. A fidelidade à missão exige continuidade.

No entanto, nem sempre nos livramos da tentativa de afastar a Igreja de determinados espaços ou serviços, resultado de uma memória curta e selectiva ou, então, em nome de uma laicidade que, tantas vezes, descamba em laicismo.

À nossa volta, em instituições ligadas à Igreja, quanto bem não é concretizado, todos os dias, em favor de doentes, idosos, crianças, jovens, necessitados? Quantas obras não nasceram e quantos postos de trabalho não foram criados, graças ao entusiasmo e perseverança de gente inspirada no Evangelho e apoiada pela Igreja? Quanta não continuam a ter o seu lugar, a sua dignidade e a sua vez graças à acção eclesial?

A Igreja, através dos seus membros, continua a testemunhar essa “vocação materna” para com os mais necessitados e doentes, mesmo quando a sua acção é pouco divulgada ou quando alguns pretendem remete-la ao silêncio ou controlar a sua presença em favor do bem comum.

A memória é fundamental à Igreja para se manter fiel.

Mas a memória da sociedade que beneficia daquela presença e acção também não deve ser apagada, sob pena de cair na ingratidão.

Pe. Joaquim Dionísio,

in Voz de Lamego, ano 88/10, n.º 4447, 6 de fevereiro de 2018