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Archive for Janeiro, 2018

PATRONO- HUMANIDADE | Editorial Voz de Lamego | 9 de janeiro

PATRONO- HUMANIDADE

O Governo brasileiro proclamou D. Helder Câmara, antigo bispo de Olinda e Recife, “patrono dos direitos humanos”. A escolha, oportuna e justa diante da vida e missão episcopal do destemido bispo, poderá ser interesseira, numa tentativa de aproximação da hierarquia católica, bastante crítica da corrupção reinante.

Num tempo em que alguns saudosistas promovem bispos que se pavoneiam com grandes caudas e algumas notícias divulgam fraquezas de outros, será sempre oportuno recordar pastores como D. Hélder Câmara, que não vergaram diante da ditadura política nem da crítica injusta.

Nomeado bispo por Paulo VI, em 1964, participou no Concílio Vaticano II e destacou-se por convidar a Igreja a uma maior atenção ao social, dando o exemplo (pacto das catacumbas). Denunciou a ditadura do seu país, alertou o mundo para as perseguições e foi acusado de ser infiel ao Evangelho. Resignou quando atingiu os 75 anos, em 1985, e morreu em 1999, com 90 anos.

Quem o conheceu dizia que facilmente se enfastiava com a “pompa excessiva” e o alheamento da Igreja diante das questões sociais. A este propósito, disse um dia: “Quando dou de comer a um pobre, chamam-me santo. Mas quando digo que os pobres não têm que comer, chamam-me comunista”.

Numa das suas passagens pelo Seminário de Lamego, D. Manuel Martins, então bispo de Setúbal e também ele alvo de críticas por causa das denúncias sociais que fazia em defesa de muitos diocesanos, também citou aquele bispo brasileiro: “Ninguém deve pedir com chapéu na mão, aquilo a que tem direito de obter com o chapéu na cabeça”.

Longe das querelas partidárias ou escolhas interesseiras, o Evangelho defende e promove sempre a vida, a começar pelos mais fracos. E não faltam discípulos de Jesus Cristo, ontem e hoje, a protagonizar tais opções. Mas todos eles, mais do que publicamente louvados, merecem ser imitados.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/06, n.º 4443, 9 de janeiro de 2018

Uma vida dedicada ao Senhor: Pe. Timóteo Pereira | 1923 – 2018

O Padre Timóteo Pereira, membro do nosso presbitério, faleceu no passado sábado, dia 06 de janeiro, em virtude de uma queda, com 94 anos de idade (faria 95 em meados deste ano), no Porto, onde residia desde 1975 e onde colaborava pastoralmente.

Era filho de Timóteo Pereira e de Maria de Oliveira Rocha e nasceu em Cambres, Lamego, no dia 08 de julho de 1923. Frequentou os Seminários da nossa diocese e foi ordenado diácono a 29 de junho de 1946, na capela do Seminário, e presbítero a 14 de julho de 1946, na Sé de Lamego, por D. Ernesto Sena de Oliveira. Dentre os seus condiscípulos, recorde-se, por exemplo, Mons. Simão Botelho, antigo Director do nosso jornal.

Após a ordenação sacerdotal foi nomeado como pároco para Ferreirim, no arciprestado de Lamego e, em 1952, assumiu pastoralmente as paróquias de Ucanha, Gouviães e Salzedas. Em 1975 obteve licença para se ausentar da diocese e foi residir na cidade do Porto, onde colaborou, na Capela de Nossa Senhora da Saúde.

Louvamos o Senhor pelo dom da vida e da vocação, rezamos pelo descanso eterno deste nosso irmão e agradecemos tudo quanto o senhor Padre Timóteo viveu e testemunhou no exercício do seu ministério sacerdotal.

Funeral no dia 10 de janeiro, na Igreja do Bonfim, cidade e diocese do Porto.

JD, in Voz de Lamego, ano 88/06, n.º 4443, 9 de janeiro de 2018

ALMACAVE JOVEM – Natal na “Estrada de Jericó”

Quando pensamos no Natal, o nosso imaginário transporta-nos, inevitavelmente, para as luzes de Natal que cintilam nas nossa casas e nas ruas da cidade, para o sabor das iguarias da consoada e do calor das nossas casas. Mas, para muitos, a imagem do Natal carrega consigo sentimentos de tristeza, de solidão e até mesmo de doença e abandono. Pessoas que sentem o “frio” não só pela falta da lareira, mas sim, também, pela falta de um abraço ou de uma simples conversa ou presença.

Foi para contrariar esta tendência redutora de viver o Natal, cada vez mais entranhada na nossa sociedade que, durante o Advento, nós, Grupo de Jovens, quisemos preparar o Natal através da vivência da caridade decalcada na Parábola do Bom Samaritano que serve de suporte ao nosso Plano Pastoral diocesano e paroquial. Domingo após domingo, também toda comunidade paroquial foi desafiada a transformar o lema, “ Vai, e faz tu do mesmo modo” em atitudes concretas na prática do amor e a recriar modelos de atuação através da proximidade a dispensar a todos aqueles que na nossa paróquia são empurrados para os valados da frieza da indiferença e da insensibilidade.

Foi a pensar nessas pessoas, que o nosso grupo de jovens agendou, também, visitas aos doentes da Paróquia, aos lares de idosos, ao Hospital de Lamego. Tentámos levar connosco a alegria da Boa Nova do nascimento de Jesus, um pouco mais de conforto e de calor natalício com o auxílio da música, da oração e também com um pezinho de dança.

Não é fácil deixarmos as nossas agendas preenchidas, tantas vezes com afazeres supérfluos, e vencer o cansaço de um semestre com frequências à porta, sair do conforto da nossa casa, ir ao encontro dos outros e determo-nos nas casas dos doentes, dos mais fragilizados e dos que vivem sós ou em lares, e daqueles a quem lhes foi roubada a esperança.

Também, como tem acontecido já em anos anteriores, quisemos terminar o ano de 2017 com os reclusos do Estabelecimento Prisional de Lamego. Uma greve imprevista obrigou-nos a antecipar este esta obra de misericórdia para o dia 30 de dezembro. O encontrou iniciou-se com a celebração festiva da Eucaristia animada liturgicamente por nós e também pelos reclusos participantes, seguindo-se um tempo de convívio onde não faltaram os doces típicos desta época e canções de Natal.

Para os que participámos nesta aventura de ir ao encontro dos outros, de quem somos próximos, sentimos profundamente que, quando o fazemos com a determinação de levar a mensagem do Amor e da Alegria do Nascimento de Jesus, somos sempre nós que ficamos com o coração mais aquecido.

Acabámos a semana  do Natal com uma bênção especial  a seis mães  grávidas e seus bebés, na Eucaristia da família Paroquial no dia da Festa da Sagrada Família, para que se sintam amadas e protegidas por Jesus Cristo e Sua Mãe, que também deu à luz o seu filho, o mistério da Encarnaçao  que celebramos festivamente neste tempo de Natal.

 

Claresse Reis – Grupo Almacave Jovem,

in Voz de Lamego, ano 88/05, n.º 4442, 2 de janeiro de 2018

Natal no Hospital de Lamego

A Liga dos Amigos do Hospital de Lamego procura criar condições para que a estada dos doentes no Hospital de Lamego seja aliviada no que diz respeito aos aspectos humanos de cada um deles. Para além do acompanhamento diário no apoio aos doentes acamados e aos que se dirigem às Urgências, há momentos, ao longo do ano, que, pela sua relevância na vida quotidiana familiar e social dos cidadãos, a Liga procura valorizar para tornar mais ameno o afastamento da família e do seu ambiente natural. O Natal é, na nossa sociedade, um tempo muito forte em vibrações humanas afectivas, que urge suavizar naqueles que, por motivos de saúde, se mantêm hospitalizados.

Por isso, no dia 22 de Dezembro passado, a Direcção e alguns Voluntários visitaram todos os doentes internados a quem deixaram, para além de palavras de conforto, os votos de rápida recuperação e uma pequena lembrança natalícia. Toda esta visita foi acompanhada pelas vozes juvenis e cheias de encanto do Coro do Grupo de Jovens da Sé – Lamego. A ternura e emoção, que os seus cânticos natalícios transmitiram aos doentes, não serão esquecidos por aqueles que os puderam ouvir. A todos os Jovens deste Grupo generoso e disponível, a Direcção da Liga transmite um sentido agradecimento, tendo a certeza que, do coração dos doentes, brotou gratidão ainda mais profunda.

Na atenção aos doentes, a participação da Liga será apenas complementar do trabalho, diário e contínuo, realizado por todos os profissionais que prestam serviço no Hospital de Lamego (Médicos, Enfermeiros, Pessoal Técnico, Assistentes Operacionais, Pessoal dos Serviços Administrativos). Eles são os primeiros a cuidar da saúde e do bem-estar dos doentes: um serviço que implica muita dedicação, saber e preocupação atenta e cuidadora. Estes profissionais do nosso Hospital são merecedores do reconhecimento grato e respeitoso da Liga. Nesta quadra natalícia, quis a Liga transmitir, a todos eles, através de um pequeno gesto simbólico, um agradecimento pelo seu profissionalismo e pelo seu humanismo e desejar-lhes Boas Festas de Natal.

A Liga agradece à Senhora Enfermeira Olga Cardoso, Adjunta da Direcção de Enfermagem do CHTMAD e à Senhora Enfermeira Isabel Ermida, Directora dos Serviços de Humanização do mesmo Centro Hospitalar, a delicadeza com que nos acompanharam nesta visita.

A Liga faz votos de que, neste Natal, todos os Doentes e Profissionais de Saúde do nosso Hospital, tenham a Alegria e a Paz que o Menino Deus nos veio trazer, prolongadas pelo ano de 2018.

M. R., in Voz de Lamego, ano 88/05, n.º 4442, 2 de janeiro de 2018

Festa de Natal do Centro Social Filhas de São Camilo

Na tarde do dia 16 de Dezembro, o Centro Social esteve em festa. Reunimos os familiares e amigos dos nossos queridos utentes para uma tarde convívio de muita cor e alegria.

Contamos com a colaboração dos funcionários da casa para uma encenação natalícia intitulada por: “O verdadeiro espírito de Natal” onde se incentivou as pessoas a refletirem sobre o verdadeiro significado do Natal, pois não é só prendas, casas e pinheiros enfeitados e luzes cintilantes… Natal é muito mais, Natal é Jesus. Por isso se alguém desejar e aceitar Jesus, vai experimentar o verdadeiro espírito natalício.

Entre cantorias e declamação de poemas, houve lugar também para uma representação de uma dança pelos nossos queridos utentes do centro, com a orientação da animadora. O presépio vivo esteve também presente na festa, com interpretação dos utentes. Por fim, chegaram os Reis Magos ao estábulo onde se encontrava o menino Jesus, Maria, São José, o anjo, o burrinho e a vaca.

A Superiora Liliana tomou palavra no fim do programa deixando a sua mensagem aos utentes e seus familiares, manifestando a esperança de no próximo ano voltarem a compartilhar grandes momentos como os desta festa. Logo de seguida deu-se início ao lanche partilhado, onde os nossos queridos utentes saborearam com um enorme gosto os doces natalícios.

Agradecemos a todos os que se deixaram envolver nesta festa, principalmente aos familiares que dedicaram o pouco do seu tempo para estar junto do ente querido. O Natal é uma das datas que já se transformou em sinónimo de festa de família, aproxima as pessoas e nos faz refletir sobre o que realmente significa a família na nossa vida.

Neste Natal que o Menino Jesus abençoe todos os que sabem o verdadeiro significado da palavra FAMÍLIA e ilumine os corações daqueles que a abandonaram ou dizem não ter, afinal, somos todos irmãos, somos uma grande família filhos do mesmo Pai. Votos de um Feliz Natal e um próspero Ano Novo.

São os votos desta família – Centro Social Filhas de São Camilo.

 

in Voz de Lamego, ano 88/05, n.º 4442, 2 de janeiro de 2018

BÊNÇÃO . FERIDA | Editorial Voz de Lamego | 2 de janeiro de 2018

BÊNÇÃO . FERIDA

Iniciámos ontem uma nova etapa, um novo ano. Diante de nós estão agora doze meses e muitos dias, prenhes de possibilidades, que ansiamos viver com alegria e cumprir de forma realizadora.

Mas também sabemos que o novo ano pode suscitar sentimentos diversos, de acordo com a situação em que cada um se encontra. Para uns representará a oportunidade de ser, ir, conseguir, chegar; para outros poderá aparecer como repetição, tempo sem sabor ou motivações; para uns uma passagem que se deseja rápida para uma meta que está mais além; para outros apenas a recordação de que se aproxima o fim.

Numa palavra, podemos sempre falar do novo ano como uma oportunidade de bênção, mas sem esquecer que no seu decorrer poderão aparecer feridas. É verdade que, a escolher, preferiríamos apenas o bom, a bênção… mas isso só acontece no mundo virtual. Porque no mundo real também há lágrimas, limites, erros, distâncias, ressentimentos…

Ao longo da vida, da contagem dos anos, vamos tomando consciência de que Deus nos concede bênçãos, mas não nos dispensa de agir responsavelmente; que o tempo disponibilizado pelo calendário permite ser, mas não isenta de riscos; que o amor dos outros nos protege e motiva, mas não livra de quedas; que cada vida humana é um caminho percorrido em ritmos diferentes, um todo onde convivem diferentes momentos e etapas, se conjugam disposições e opções diversas, se articulam escolhas mais ou menos conseguidas…

Com realismo, olhamos 2018 como uma bênção, sem a ingenuidade de pensar que o mal estará ausente e longe do fatalismo de quem se deixa derrotar sem ter começado. Avançamos decididos e motivados, confiantes na providência divina e animados pela esperança que a fé nos confere.

Um abençoado 2018.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/05, n.º 4442, 2 de janeiro de 2018