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Parada do Bispo celebrou Santa Eufémia

«Eu também acredito em Cristo, eu sou baptizada», disse ela

Eufémia quer dizer que falou bem; e de Santa Eufémia se diz que perante a possibilidade de não ser martirizada, gritou diante dos verdugos: «eu também acredito em Cristo, eu sou baptizada». E acabou por ser mártir, no sentido que esta palavra tem, perante a morte violenta pela fé, não rejeitando a palavra para outros actos iguais nos efeitos, mas diferentes nos motivos.

Santa Eufémia é venerada em Parada do Bispo, freguesia do concelho de Lamego, mas por quem há muita veneração em várias outras paróquias de Portugal, e foi lembrada no dia 1 de novembro corrente na paróquia acima enunciada.

Desde muito cedo começaram a chegar os romeiros, ao que se ouve por ali, com diversos motivos para uma presença que vai desde a «marrã», carne de porco assada no momento e na brasa ao ar livre, aos biscoitos e outros artigos que fazem de uma festa uma feira de utilidades ou simples bugigangas. A pé vão muitos de Lamego e outras terras mais vizinhas; outros vêm de Resende, e do outro lado do rio Douro, de mais longe ou de mais perto se procura o caminho que leva à Capela do lugar, onde há a possibilidade de participar da Eucaristia, receber os sacramentos da Reconciliação e Comunhão, cumprir a promessa feita, mostrar em figuras de cera a dificuldade que foi vencida graças a Santa Eufémia; e ninguém ouse duvidar de uma coisa e/ou da outra.

Numa Capela renovada sob a orientação do Pró-Vigário da Diocese, Pe. João Carlos Morgado, veio ele para a Missa Solene, mas a viagem feita de Tabuaço para Parada seria mais célere se o deixassem passar no sentido da estrada da Régua para Parada, mas, ordens são ordens e estas obrigaram-no a mais uns quilómetros e uns minutos no horário previsto.

E na homilia esperada, teve ocasião de explicar algo do que se fez e do que se valorizou no todo da Capela; deteve-se, de modo particular, na explicação de quatro pinturas nas paredes interiores, que pretendem mostrar a posição do homem perante a fé, a sociedade cristã, a vida e a morte. Pessoalmente, nada recordo da minha presença em 1974, pelo que não posso debruçar-me sobre a comparação de um passado já esquecido e um presente que não era o motivo da minha presença ali.

Na homilia da missa a que presidiu, o Pe. João Carlos Morgado debruçou-se, primeiramente, sobre a Solenidade de Todos os Santos, que historiou nas suas origens e onde os Santos se notabilizaram pela sua fé e virtudes; mas não escondeu a grande realidade de muitos que «morreram sem saber que o eram (santos)», mas constituem a «multidão inumerável que ninguém podia contar», de que falava a primeira leitura da Missa.

Santa Eufémia está neste rol, o dos que não foram canonizados pela Igreja, mas que o povo cristão «canonizou» e, agora, celebra, com festas aqui e ali, sobretudo a Norte do Tejo e mais incidência nas zonas da Beira; digamos, mesmo, que talvez seja a Santa que, no nosso Portugal recebe mais afluência de devotos e peregrinos que dela se lembram nos momentos difíceis da vida.

A tarde continuou e os feirantes também; a Capela continuou aberta para que todos pudessem pedir ou agradecer o que a vida lhes proporcionou no carácter religioso das romarias populares; alguns disseram que voltariam no próximo ano se a vida deixar; outros fazem outros votos, mas todos se sentem atraídos pela pessoa e vida de Eufémia, aquela que soube falar bem e a todos deixou a palavra tão necessária nos tempos de hoje: «eu também acredito em Cristo, eu sou baptizada». Nem todos a ouviram, bom será que todos a vivam no seu dia-a-dia; Eufémia a disse e a deixou aos que, agora, fazem parte do grupo dos seus amigos; e estes não a esqueçam, digam-na sem medo ou vergonha, e ponham-na em prática na vida de sempre.

Padre Armando Ribeiro, in Voz de Lamego, ano 87/50, n.º 4436, 14 de novembro de 2017

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