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Archive for Setembro, 2017

GRATIDÃO E BONDADE | Editorial Voz de Lamego | 19.setembro.2017

A morte de D. António Francisco dos Santos marcou estes últimos dias. Quando a edição da Voz de Lamego da semana passada já estava em andamento, a notícia da morte do Bispo do Porto, natural da nossa diocese, veio alterar a composição do mesmo. Uma semana depois é possível a recolha de muitos outros testemunhos, a começar pelo Editorial, do Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego e o atual Reitor do Seminário Maior de Lamego:

GRATIDÃO E BONDADE

A morte privou-nos da presença, da palavra e do saber de D. António Francisco dos Santos, falecido aos 69 anos. Nas horas que se seguiram à fatídica e inesperada notícia, foram muitos os que partilharam e expressaram gratidão pelo muito que fez por onde passou, deixando elogios à bondade, disponibilidade e sabedoria com que estava, liderava e acompanhava.

Em pouco mais de três anos, os diocesanos do Porto puderam aperceber-se das suas qualidades e deixaram-se cativar pelo seu exemplo. Uma missão exigente que assumiu por obediência à Igreja e que cumpriu com distinção, até ao limite das suas forças.

Inicialmente, talvez a nomeação deste bispo, discreto e mediaticamente pouco reconhecido, tenha surpreendido muitos diocesanos portuenses, mas, rapidamente, a sua forma de ser e de estar mostrou ter sido uma escolha acertada. Tal como ficou devidamente ilustrado na celebração exequial, com a presença de milhares de pessoas, centenas de sacerdotes e dezenas de bispos, a que se associaram as mais altas figuras do Estado.

A nossa diocese também sofre com a sua partida. Aqui caminhou e amadureceu a sua vocação sacerdotal; aqui foi ordenado e daqui partiu para servir a Igreja. Aqui regressava, de quando em vez, sempre a correr, para participar em alguma celebração ou partilhar momentos com os amigos que granjeou e não esqueceu.

Enquanto formador no Seminário Maior e Pró-Vigário Geral da diocese marcou uma geração de padres do nosso presbitério: pela forma como ensinava e motivava, pela atenção amiga com que ouvia, pela serenidade com que dialogava e pela sabedoria com que aconselhava. E, com alegria e saudável regozijo, sempre o acompanhámos, de perto e de longe, na sua missão episcopal.

A Igreja perdeu um pastor, Lamego um dos seus ilustres filhos e muitos de nós um amigo. Resta a gratidão diante da sua memória e a vontade de imitar a sua bondade.

in Voz de Lamego, ano 87/43, n.º 4428, 19 de setembro 2017

Homilia na Missa exequial de D. António Francisco dos Santos, Bispo do Porto

Irmãos caríssimos

Surpreendido ainda pelo súbito falecimento do Senhor D. António Francisco dos Santos, Bispo do Porto, nosso irmão e amigo, correspondo à indicação que me foi feita para presidir a esta Santa Missa Exequial.

Com simplicidade e emoção o faço. Longos anos de amizade, a coincidência de idade e de percurso eclesial, tudo me aproximou do Senhor D. António Francisco, em muitos encontros institucionais e pessoais, projetos e desafios das nossas missões e tarefas. Sempre nele encontrei disponibilidade e competência, além da muita estima recíproca.

Num momento como este, são muitas as palavras possíveis, como aliás têm sido proferidas por grande número de pessoas da Igreja e da sociedade, não faltando o depoimento de altas figuras da vida nacional e local. Todas aliam sentimentos de admiração e já saudade pela grande figura pessoal, eclesial e social que entre nós viveu e verdadeiramente conviveu, pois grande e marcante era a sua capacidade de estar com os outros e, ainda mais, de estar para os outros. Ler mais…

Um reparo: DONATIVOS

Nos últimos dias foram notícia os donativos, ou melhor, o paradeiro dos mesmos. Ao que parece, algum do dinheiro oferecido para auxiliar as vítimas do incêndio de Pedrógão Grande andará em parte incerta.

Acreditamos que haverá uma explicação para o sucedido e que será possível seguir o rasto do dinheiro, ficando a saber quem o recebeu e como o distribuiu.

Mas será que era necessário chegar a este ponto, deixando no ar suspeitas que levarão os doadores a repensar a sua generosidade? E se o descrédito afecta futuras angariações de verbas, a ocasião não deixará de provocar interrogações sobre situações passadas: será que o dinheiro chegou sempre aos seus destinatários? Como tem sido feito o controlo das verbas? Um Estado que é tão arguto em vigiar fiscalmente os cidadãos não consegue vigiar-se quando se trata de recolher e distribuir o que não lhe pertence? Será assim tão difícil anotar o que entra e o que sai, bem como o seu destino?

A comunicação social vai alertando para o facto e dar-lhe-á destaque durante algum tempo, até que outro assunto apareça. E vai, também, relatando acontecimentos mais antigos, dando vez e voz a algumas vítimas a quem muito foi prometido e a quem pouco ou nada foi chegando.

Nos momentos de catástrofe não faltam referências aos milhões que vão ser destinados para apoiar as vítimas. Meses ou anos depois, os milhões tornaram-se apenas tostões. E quanto à celeridade dos processos também estamos esclarecidos: a morosidade dos institutos públicos contrasta bem com a prontidão e proximidade das nossas gentes e das instituições particulares.

Por isso, já que os dinheiros públicos tardam em chegar, não sejam os responsáveis pela “coisa pública” a atrasar ou desbaratar o auxílio dos privados. Não estorvar ainda é, às vezes, a melhor ajuda!

JD,  in Voz de Lamego, ano 87/42, n.º 4427, 12 de setembro 2017

Dia da Bíblia

O Pe. Mário José dos Santos, natural da nossa diocese, de Tabuaço, é membro da família Paulista e escreveu-nos para divulgar uma iniciativa prevista para o dia 01 de outubro, na nossa Sé, em Lamego.

Nessa data, logo a seguir à festa de S. Jerónimo, o grande biblista e tradutor da Palavra de Deus (Vulgata), e com a presença de D. António Couto, celebrar-se-á um pontifical para assinalar o Dia da Bíblia, sugerido pelo Papa Francisco, mais concretamente “Entronização da sagrada Escritura e celebração do primeiro Domingo da Bíblia em Portugal”.

O objectivo é “conseguir, em toda a Igreja, a instituição oficial dum Domingo Bíblico e entronizar por todo o lado a Bíblia nas Igrejas à semelhança e com o relevo possível que tem o Sacrário: as 2 mesas! A Palavra é como a Eucaristia: em ambas está a PRESENÇA! É isto o que se pretende incutir no Povo juntamente com a leitura assídua da Bíblia”.

in Voz de Lamego, ano 87/42, n.º 4427, 12 de setembro 2017

Jubileu Jovem no Santuário de Fátima

No dia 9 e 10 de setembro, o santuário de Fátima dinamizou pela primeira vez o Jubileu Jovem 2017, com o tema O segredo da paz, o caminho do coração. Esta peregrinação juntou cerca de 3000 jovens de todo o país, na casa da Mãe, com a intenção de que cada um de nós pudesse percorrer durante aqueles dois dias o caminho para a paz, que é sem dúvida o caminho do coração. Foi um encontro com muitos jovens mas acima de tudo um encontro com nós mesmos.

O santuário de Fátima durante esses dois dias disponibilizou vários encontros/ atividades que nos ajudavam a percorrer melhor o caminho do coração. No sábado, dia 9 quando chegámos a Fátima  fomos acolhidos no Centro Pastoral de Paulo VI onde nos foram dadas algumas orientações, durante a tarde tivemos à disposição vários encontros que podíamos frequentar, como por exemplo o sacramento da reconciliação, adoração eucarística entre outros, foi uma espécie de iniciação do nosso caminho… tivemos também a oportunidade de ouvir uma Irmã que nos falou e explicou, o que é afinal isto de encontrar a paz… A Irmã disse que para ter paz, não era simplesmente não nos aborrecermos com nada, ou dizer “Deixa-me em paz” que alcançaremos a paz. Então falou-nos que há cem anos atrás Nossa Senhora apareceu ali, para pedir a paz e ensinou aos Pastorinhos como a alcançar, acima de tudo temos que confiar Nele, mesmo que as vezes tudo pareça incerto, porque Deus está sempre connosco e chama-nos todos os dias ao amor e esse é certamente o caminho. Ler mais…

FESTAS DE NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS

Lamego viveu as suas Festas

Convenhamos que não é fácil descrever Festas que não se viveram no seu dia-a-dia, mas sabemos que é imperioso para um jornal da Cidade dizer um mínimo do que se passou nas Festas de 2017.

Continuando a crónica da semana passada, não deixamos de referir os programas da TV, a actuação de artistas consagrados, o Folclore sempre presente e que atrai um público numeroso e desejoso de ver a actuação dos grupos visitantes e que respondem ao convite do Rancho Regional de Fafel, que retribuirá com a sua actuação nos próximos tempos, se é que ainda o não fez; Fados por uma artista local, Helena Sarmento, muito aplaudida no Parque Isidoro Guedes, dois cantores famosos na actualidade, o Ralph estrangeiro e o português T. Carrera, este a atrair gente que veio de perto e de longe, Marchas e Corridas, Música Moderna de Lamego, com o nome pomposo de ZIGURFEST, Rua da Olaria e Ponte de Pau a reunir os seus homens de ontem e amigos de sempre, ARTDANCE a mostrar-se em vários locais; mais, muito mais! Ler mais…

Festa em honra de Nossa Senhora dos Remédios

Celebrar a fé

A cidade e a região viveu, mais uma vez, as festas da cidade com os olhos postos na Mãe, aqui invocada como Senhora dos Remédios. A novena, a Eucaristia e a Procissão, as ruas iluminadas, os artistas que actuaram, os desfiles, os foguetes e o fogo de artificio, os visitantes que vieram, as famílias que se juntaram, o ruído, o convívio, as fotografias… Tudo contribuiu para a festa!

Caminhar com Maria

A novena em honra de Nossa Senhora dos Remédios decorreu, como habitualmente, entre os dias 30 de Agosto e 07 de setembro, no Santuário e sob orientação do seu Reitor, Pe. João António Pinheiro Teixeira. Nesses dias, entre as 06h e as 08h, a igreja encheu-se de fiéis que, ainda escuro, demandaram o Santuário, a pé ou de carro, de perto e de longe, para louvar a Mãe e escutar a Palavra de Deus. E foram muitos os que o fizeram. Ler mais…

Mensagem de D. Jacinto sobre a morte de D. António Francisco dos Santos

Os parabéns que o Senhor D. Serafim me dava na manhã do dia 11, eram como uma anestesia para a dureza e crueldade da notícia que me transmitia a seguir. Pausadamente foi-me dizendo à medida que a ansiedade crescia dentro de mim: Morreu o Senhor Bispo D. António Francisco dos Santos. Fiquei sem palavras e completamente desorientado. Ocorreu-me de repente o conselho de um grande amigo: “Diz devagarinho, como que saboreando, esta oração forte e viril: «Faça-se, cumpra-se, seja louvada e eternamente glorificada a justíssima e armabilíssima Vontade de Deus sobre todas as coisas – Amém. Amém». Eu te asseguro que alcançarás a paz.” (Caminho,691)

Vi o Senhor D. António no sábado passado na TV Angelus em Fátima na peregrinação da Diocese do Porto a partilhar Graça e Felicidade como era a sua maneira habitual de conviver. Que o Senhor converta em Bênção a tremenda dor em que esta perda nos mergulha.

+ Jacinto, bispo emérito de Lamego

 

in Voz de Lamego, ano 87/42, n.º 4427, 12 de setembro 2017

Nota da Conferência Episcopal Portuguesa

Em homenagem a D. António Francisco

Foi com enorme tristeza e sentida consternação que recebemos a notícia do falecimento de D. António Francisco dos Santos, Bispo do Porto. Rezamos para que Deus Pai o acolha eternamente no seu Coração de Bom Pastor.

Como nos recorda D. Manuel Clemente, Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, em profunda homenagem a D. António Francisco, «ele foi entre todos nós, em Portugal, entre todos nós que o conhecemos e que tanto ganhamos com a sua convivência e com a sua ação, uma belíssima imagem do que é Cristo Bom Pastor que continua presente na Igreja e na sociedade em geral».

Na certeza da esperança, acreditamos que continua bem vivo entre nós o seu grande testemunho de Homem e Pastor simples e humilde, cheio de sabedoria e próximo das pessoas, intensamente dedicado aos seus diocesanos e sempre disponível para servir a Igreja em Portugal.

As Exéquias Solenes celebram-se no próximo dia 13, quarta-feira, às 15 horas, na Sé Catedral do Porto. O corpo de D. António estará em Câmara ardente a partir das 17h00 de hoje. A Catedral estará aberta das 9h00 às 24h00.

 

Lisboa, 11 de setembro de 2017

P. Manuel Barbosa, Secretário e Porta-voz da CEP

 

in Voz de Lamego, ano 87/42, n.º 4427, 12 de setembro 2017

António Francisco dos Santos | 1948-2017

Morreu o bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos

O bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, morreu ontem, dia 11 de setembro, aos 69 anos. Segundo informações publicadas, D. António foi vítima de “um ataque cardíaco fulminante”, na Casa Episcopal, onde residia.

D. António Francisco dos Santos completou 69 anos recentemente, a 29 de Agosto. Estava na diocese do Porto desde Fevereiro de 2014, quando sucedeu a D. Manuel Clemente. Quem o conhecia, destaca a bondade e o seu empenho na denúncia das desigualdades sociais e económicas.

Na sua primeira homilia como bispo do Porto, em 2014, disse: “Os pobres não podem esperar”. Na última, este sábado, em Fátima, defendeu a construção de uma “igreja bela, como uma casa de família”.

De Cinfães ao Porto

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