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Festas de Nossa Senhora dos Remédios | 2017

Há Festa em Lamego

 

Tenho diante de mim o cartaz das Festas de Lamego em 2017; um programa vasto, nem sempre com razão de ser, mas é preciso levar ao longe e ao largo a notícia do que se pretende fazer, oferecer a um público mais ou menos exigente, que espera uns dias diferentes daqueles que se vivem ao longo do ano.

Vai-se ouvindo que são dias a mais, que há números que nada dão ao brilho da Festa, mas se ela é a «Romaria de Portugal» tem de mostrar que os dias vão dando razão ao título pomposo que há anos se criou e é preciso justificar.

Pessoalmente é o ano em que tenho visto menos das Festas de Nossa Senhora dos Remédios; a vida nem sempre nos deixa viver como gostaríamos ou é preciso viver em função de algo que temos de comunicar.

24 de Agosto a 9 de Setembro, diz o programa; os olhos vêem e a realidade mostra. Tudo começa com o Corte da Fita pelas Autoridades da Cidade e Convidados para o acto; muita gente a querer ver e viver os primeiros momentos das Festas; estas são do povo e para o povo que quer ver mais luz; luz na Avenida, nas ruas de Lamego, ouvir os primeiros foguetes, como estão as barracas, o que já se pode ver e se espera gozar ao longo dos dias festivos; a expectativa de uns não encontra do outro lado a resposta esperada; e até os pardais da Avenida mostram que o seu sossego foi perturbado pelo som dos foguetes; mas sem estes não há festa e, sem pardais, a Avenida perde uma das suas razões de ser; muitos nunca deram conta disso, mas os pardais sabem-no muito bem e alguns até se vingam da perturbação dos seu sono e descanso do momento.

A Festa começou, todos vão ficando à espera dos primeiros sons de dos foguetes que darão vida a vários momentos desses dias que se arrastam por Lamego. Anunciadas as festas pelo ARAUTO na manhã do dia 24 de Agosto, agora há que seguir o programa para desfrutar beleza e grandeza de dias diferentes dos vividos ao longo do ano. E começa a música, abrem-se as barracas, os divertimentos da feira, iluminados todos e tudo sem olhar a gastos ou despesas que se vão esquecer bem depressa. «Haja Festa», dizia há anos, bastantes já na história da Cidade e das suas Festas, alguém que passou ao outro lado da vida, lado da esperança, de onde não há retorno para ver as Festas de 2017.

Concertos musicais, Motards a dar sinais da sua passagem por Lamego nesses dias, espectáculos de som, caminhadas ou torneios de desporto que se julga menor, mas os seus aficionados não têm as mesmas ideias; encontros de Amigos, almoços de confraternização; haja festa para todos, porque ela é de todos. Até para Nossa Senhora que logo nos aparece com o lindo título de Nossa Senhora do Terço que, ao longo do ano há-de ser chamada de Nossa Senhora da Esperança, com direito a um domingo de festa na zona alta da Cidade. E os Lamecenses acorrem, celebram e vivem.

Veio a TV trazendo consigo a palavra linda e entusiasta: «Somos Portugal»; vieram grupos e mostraram o que são na animação de uns dias que só voltarão no próximo ano; e até vieram as primeiras chuvas anunciadoras de um Outono que se espera chuvoso, mas… só depois dos dias de festa; mas a Natureza não recebeu o programa e vá de nos dar dois dias de chuva, trovoada e lixo pela parte baixa da Cidade que vê chegar o que se foi acumulando ao longo dos meses por ruas e vielas; e até impediu a realização do espectáculo dos Fados de Coimbra, sempre ouvidos por um público que não é multidão, mas que acorre ao Largo da Sé para deliciar os ouvidos e o coração com essa manifestação artística que se ouve sempre com agrado; dias depois, será uma Artista lamecense a cantar o Fado no Parque Isidoro Guedes; mas houve artistas consagrados no mundo da música que animaram a Avenida; cantaram cantores célebres no espaço da Avenida, viram-se e ouviram-se os sons das três Bandas Filarmónicas do Concelho, e a beleza e variedade do Folclore Nacional. São os grandes momentos que arrastam a multidão e deixam um «ai» de lamento pelo fim dos espectáculos, ao lado de outros lamentos pelo tempo que se destinou para ver e ouvir.

As barracas de comes e bebes tornaram-se lugares de encontro na Avenida, com frutas e doces, bebidas à mistura, música de gosto índio, pintura, barracas com tantas e tantas coisas que Lamego só vê ou ouve nestes dias e vai recordando enquanto não chegam os cuidados de cada dia na festa da vida, que esperamos na dura realidade de sempre, mas também na esperança de que a Festa volte e a Senhora dos Remédios seja Nossa.

O Santuário é lugar de peregrinação, oração e palavra, celebração que é um retornar que traz à memória a certeza de uma fé, que é pedido, agradecimento, veneração e amor; as grandes romarias do verão português não deixam esquecer que Maria é sempre a Mãe que olha por nós e, em Lamego, nos vem visitar, na grandiosa Procissão, que arrasta a maior enchente que Lamego espera e a Lamego acorre.

Mas os grandes dias da Festa vêm aí ao longo desta semana; deles esperamos falar depois de vividos e de mostrarem a razão de ser das Festas de Lamego.

Boa semana, Festas a recordar não só nos próximos dias, mas ao longo do ano em que se recordam as de agora e se sonha com as do futuro; enquanto este também for nosso.

Pe. Armando Ribeiro, in Voz de Lamego, ano 87/41, n.º 4426, 5 de setembro 2017

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