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Paróquia de Almacave – Peregrinação a Taizé

«Penso que, desde a minha juventude, nunca perdi a intuição de que uma vida em comunidade pode ser um sinal de que Deus é amor. Só Amor. Pouco a pouco, crescia em mim a convicção de que era essencial criar uma comunidade (…) onde a bondade do coração e a simplicidade estivessem no centro de tudo», disse um dia o Irmão Roger, fundador da comunidade de Taizé. Falo de uma pequena aldeia, situada no sudoeste de França, onde todas as semanas se reúnem milhares de pessoas oriundas de mais de 100 países. É uma comunidade ecuménica, que alberga tanto católicos como protestantes e ortodoxos. Porém, todos são convidados a entrar.

É uma grande “colmeia”, cheia de “abelhinhas” dispostas a dar um pouco do seu esforço em prol da comunidade e abertas a acolher a Cristo e aos outros, e a assumir um estilo de vida humilde. Todos dão. Todos recebem. É um perfeito jogo de partilha entre irmãos de culturas e línguas diferentes. Ir a Taizé significa ser convidado a uma procura de comunhão com Deus através de orações comunitárias, de cânticos, do silêncio, da meditação pessoal e da partilha. Também somos convidados à comunhão com os irmãos/monges que vivem em Taizé e fazem desta comunidade a sua casa, e que, por três vezes durante o dia, partilham as suas orações com todas as pessoas da comunidade.

Entramos na Igreja. Um silêncio profundo de paz e serenidade envolve-nos. Sentamo-nos no chão, acomodamo-nos confortavelmente. Somos invadidos por uma beleza modesta… Alguns tijolos sustentam velas acesas. Pequenas luzes que prendem a nossa atenção por segundos. Candeeiros suspensos iluminam toda a extensão da capela. Um ambiente amistoso que se mistura com a beleza dos vitrais das janelas e dos ícones de Taizé. Fechamos os olhos e sentimo-nos em casa. E, inesperadamente, uma voz entra de rompante: Laudate omnes gentes, e de seguida, centenas de pessoas em uníssono: laudate Dominum. O cântico vai crescendo em intensidade e entusiasmo. Já são milhares a cantá-lo. E o coro de duas mil ou três mil pessoas não podia estar melhor ensaiado. Todos cantam a uma só voz. É a voz que cresce em cada uma daquelas pessoas. É a voz que dá sentido à crença de cada um. É a voz que reescreve as palavras do Irmão Roger e lhes dá vida.

É bonito, nas orações de Taizé observar todos aqueles jovens a fazer um esforço para que consigam cantar todas as músicas, principalmente aquelas que não estão na sua língua.

Um dia, alguém disse: “Numa oração de Taizé, absorvem-se energias para outras lutas, com o objetivo de transformar a condição humana e fazer com que a Terra seja habitável.”

Contudo, uma semana em Taizé compreende mais uma atividade de relevo, os grupos de reflexão. Cada jovem, à chegada a Taizé é inserido num grupo de reflexão. Existe uma reflexão diária, protagonizada por um irmão da comunidade, que aborda em cada dia, alguns temas que nos levam a uma reflexão intima e profunda. Posteriormente, são criados pequenos grupos com pessoas de outras nacionalidades, com as quais podemos partilhar os nossos pontos de vista sobre o tema introduzido pelo irmão. O grupo de reflexão passa a ser um grupo de amigos que se sentam nos banquinhos de madeira e conversam durante uma ou duas horas. Todos são escutados e todos têm o direito a discordar. É naquelas pessoas que nós nos revemos e nas quais encontramos semelhanças. No final, ficam amizades que perduram no tempo e que jamais se esquecem.

Por tudo isto, Taizé é um lugar onde não temos a noção da passagem do tempo. Mas onde temos tempo para tudo: para nós, para os outros e para Deus. Onde rimos e cantamos, mas também onde se aprende a fazer silêncio. É um local onde sentimos que transbordamos amor. É o local onde as nossas preocupações e angústias servem de moeda de troca para a felicidade e para o amor. Dá-nos vitalidade para enfrentar tudo o que se possa atravessar no nosso caminho. Cada jovem é enviado para a sua comunidade com a missão de levar aos outros tudo o que recebeu em Taizé.

No fundo, o motor de toda esta comunidade é o amor. E o significado da palavra amor é Deus. Tal como o Irmão Roger pensou, Taizé veio provar que Deus é amor. Só Amor.

Almacave Jovem, in Voz de Lamego, ano 87/40, n.º 4425, 29 de agosto 2017

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