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Acompanhamento de Peregrinos no Santuário de Fátima

Neste ano em que se celebra o centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima, não podia eu deixar de também me aproximar mais daquele Santuário já apelidado como “altar do mundo”. Ao longo do último ano, várias vezes me debrucei sobre o “Acontecimento Fátima”: quer na oração, quer em leituras, quer em conferências, quer na escolha da música que escutei e, por fim, no zénite que foi a peregrinação dos passados dias 12 e 13 de Maio ao lado do Santo Padre.

No intuito de aprofundar mais intimamente as palavras da “serva e mensageira da Palavra” e sentir mais proximamente a diversidade de formas como, ali, Maria é “saudada por todas as gerações” decidi aproveitar a oportunidade que o Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima oferece aos seminaristas e, durante a quinzena de 15 a 31 de Julho, vivi Fátima em Fátima. O projeto de “acolhimento dos peregrinos por seminaristas” é uma oportunidade única de chegar ao coração daquele santuário. Partilho agora consigo, caro(a) leitor(a), aquela que foi a minha experiência:

O caminho para Fátima de autocarro fazia-me antever as expressões de fé que lá havia de encontrar. O condutor do autocarro, que de forma muito educada me acolheu, é exemplo daqueles cristãos que não varrem os sinais que apontam para a Mãe de Jesus Cristo. Junto ao volante, lá estava uma dezena que, se nunca foi rezada, deve ter a força de (e)levar o pensamento para a proteção maternal de Maria de cada vez que os olhos a fitam.

Já à chegada, atravessando com a mala ao fundo do Santuário, outros que como eu agora chegavam, benziam-se e contemplavam aquela obra nascida do desejo de Deus, por Maria, se relacionar com a humanidade: “Quero dizer-te que façam aqui uma capela em Minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o terço todos os dias…” (in: Memórias da Irmã Lúcia).

Guardadas as malas na Casa de Nossa Senhora do Carmo onde me encontrei com os meus outros colegas “da messe” (o Getúlio da diocese do Algarve, o Eduardo da diocese de Viseu e o Luís da diocese de Bragança), foi altura para visitar a Capelinha das Aparições e encontrar-me com a Mãe por meio da oração do terço. Avançada a noite, era hora de ir descansar para a jornada que havia de vir.

No dia seguinte, após uma reunião com o Serviço de Peregrinos do Santuário onde nos foram apresentados os objetivos e distribuídas as funções, assumimos os nossos postos ora na Capelinha, ora na Basílica de Nossa Senhora do Rosário. As nossas funções ao longo da quinzena visavam auxiliar os peregrinos a encontrar os locais que procuravam; esclarecer-lhes alguma dúvida sobre espaços, horários ou significado de obras de arte do santuário; zelar pela comodidade dos fiéis e acolhedor ambiente de oração; propor momentos de oração baseados nas memórias da Irmã Lúcia na Basílica e orientar a oração do terço do meio-dia na Capelinha; esclarecer as diversas dúvidas dos peregrinos sobre Fátima e a sua Mensagem; acolher e estar disponível nem que fosse para dois dedos de conversa…

Ao longo destes dias pude experimentar as diversas formas como as pessoas vivem a sua fé em Nossa Senhora. Algumas, de forma não condenável mas suscetível de ser esclarecida, buscavam romper as barreiras de segurança para irem passar a mão na imagem de Nossa Senhora ou nos túmulos dos Pastorinhos. Outros, sentavam-se num recolhimento simples e silencioso contemplando o Sacrário, ao jeito de São Francisco Marto. Outros ainda, vinham em grupos de família, amigos ou peregrinos e sentando-se ou junto aos túmulos dos três videntes, faziam as suas orações ou meditavam o terço. Notei, por exemplo, um pai que sentado nos bancos da Basílica ensinava a catequese aos seus filhos. Que belas expressões de fé presenciei oriundas dos quatro cantos do Globo, capazes de anular a confusão dalgumas ruidosas corridinhas “fotomaniacas” de quem pensa estar num qualquer museu e despreza até tirar o chapéu e óculos de sol ou inclinar-se diante do Santíssimo.

Poderia dar vários exemplos que me tocaram o coração mas, por falta de espaço, deixo apenas este: um jovem casal que viajava em lua-de-mel e não o quis fazer sem antes passar “ao pé da Mãe”. Estava eu na Capelinha, num momento em que se celebrava a Santa Missa. Eles queriam deixar um ramo (que me pareceu ser o buquê da noiva) aos pés de Nossa Senhora. Informei-os que durante as celebrações não é permitida a entrada de peregrinos no espaço reservado em torno da Capelinha. Mas, como estavam com pressa para apanhar o avião e diante de tanta insistência, acabei por “adaptar os cânones ao maior bem das almas” recebendo as flores e colocando-as junto à Capelinha. Olhando para trás depois de o fazer, admirei um apaixonado abraço e beijo entre ambos. Com certeza, sinal de que estavam gratos a Maria e felizes por concretizarem o desejo de oferecerem aquelas flores e consagrarem a Nossa Senhora o seu Matrimónio.

Durante a estadia pelo Santuário de Fátima tive oportunidade de participar diariamente na Eucaristia, celebrar a Liturgia das Horas com os meus colegas seminaristas, conhecer os capelães do Santuário, visitar várias exposições e espaços (alguns de entrada restrita), servir ao altar, levar o andor com a imagem de Nossa Senhora numa das procissões ao fim do terço. Uma grande surpresa da Providência foi poder acompanhar o Pe. José Nuno que levou a imagem peregrina de Nossa Senhora ao ACANAC (Acampamento Nacional de Escuteiros) cruzando-me com escuteiros do meu agrupamento (1096-Resende), com o Sr. Presidente da República, com o Chefe Assistente Nacional, com o Presidente do Comité Mundial do Escutismo…

Terminando esta partilha que já vai longa, quero agradecer a Deus por esta oportunidade, ao Santuário de Fátima e todos os capelães que me acompanharam, pela forma simpática e divertida como me acolheram. Agradeço finalmente à Irmã Conceição Lima pelo carinho e por ter aceite orientar comigo o terço na Capelinha.

Foram dias importantes para a minha formação humana neste caminho rumo ao sacerdócio que pretendo de serviço próximo e afetuoso ao Povo Santo de Deus.

João Miguel Pereira

Seminarista, Seminário Maior de Lamego,

in Voz de Lamego, ano 87/39, n.º 4424, 8 de agosto 2017

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