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PORTUGAL EM FESTA | Editorial Voz de Lamego | 6 de junho de 2017

A edição desta semana situa-nos nas vésperas do Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas, pelo que o nosso Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, optou, no seu editorial por se focar nesta comemoração, como desafio, sob o olhar do Anjo de Portugal, sublinhando que a presença providente de Deus não nos dispensa de cultivar o que herdámos…

PORTUGAL EM FESTA

No próximo sábado, dia 10 de junho, o calendário litúrgico convida a celebrar a memória do Santo Anjo da Guarda de Portugal.

Mas nesta data, feriado nacional, também somos convidados a sentirmo-nos como nação e a festejar esse sentimento de pertença, recordando os milhões de portugueses da diáspora e cultivando a nossa língua, lembrando um dos maiores poetas que a serviu: Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

A relativa exiguidade de Portugal não impediu a ousadia de querer chegar mais longe e descobrir caminhos novos, tal como cantado nos Lusíadas. Uma disponibilidade que não se cingiu à epopeia marítima e que continua, assente na certeza de que os portugueses têm pouca terra para nascer e o mundo inteiro para viver (Pe. António Vieira).

E se o passado nos eleva, a actualidade também nos distingue. Não se trata de “estar na moda”, mas de assumir o valor próprio, sem menosprezo de outros povos e culturas. Não deve ser preciso experimentar a perda ou ser confrontado com a privação para que tal aconteça! Como não valorizar esta maneira serena e acolhedora de estar e de viver? Como não apreciar as maravilhas que a natureza nos oferece, o bom que aqui se produz ou a paz que nos cerca?

É verdade que nem sempre nos livramos de um certo fatalismo e pessimismo (velhos do Restelo), que os sucessos do vizinho incomodam mais do que motivam, que teimamos em arranjar desculpas pelos desaires, culpando terceiros… Mas quantos já tiveram a oportunidade de “andar por lá” sabem como é agradável e singular conseguir “viver por cá”.

A celebração do Anjo de Portugal recorda-nos a presença providente de Deus, mas não nos dispensa de cultivar o bom que herdámos nem de concretizar as potencialidades que temos para nos cumprirmos.

in Voz de Lamego, ano 87/30, n.º 4415, 6 de junho 2017