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CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES | Peregrinar a caminho

Iniciámos a vivência do mês de Maio, época do ano em que o olhar de muitos se volta para Fátima. Muitos fá-lo-ão com fé no Senhor e motivados pela esperança de contarem com a intercessão da Mãe, outros com curiosidade jornalística de quem encontra por ali motivo de reportagem, alguns com certo desdém por não partilharem a mesma fé e não compreenderem tamanho fervor.

Neste penúltimo contributo para assinalar a passagem do primeiro Centenário das Aparições, uma palavra sobre os peregrinos, essa massa de gente crente e anónima que, contra frios e indiferenças, caminha, ano após ano, rumo ao santuário. Fazem-no para rezar e cumprir promessas, para acompanhar amigos e testar a própria resistência, para celebrar a alegria de vencer obstáculos ou partilhar experiências… E se é verdade que há agora mais apoios e melhores condições, também é verdade que caminhar durante tantos quilómetros continua a ser exigente.

Ao longo destes cem anos, muitos foram aqueles que se puseram a caminho, nem sempre livres do receio de falhar, mas sempre animados e fortalecidos pela certeza de não estarem sozinhos, incarnando o secular espírito das peregrinações que marcaram a história da Igreja.

A peregrinação, devoção corrente nas diversas religiões, é compreendida como uma viagem a um lugar privilegiado por uma manifestação divina. Neste particular, os cristãos tiveram os seus lugares de peregrinação desde o Império Romano: Jerusalém e os Lugares Santos, Roma e o túmulo dos Apóstolos Pedro e Paulo. A partir de determinada altura, a presença de relíquias atrai numerosos peregrinos a certos lugares, como a Santiago de Compostela, por exemplo. Depois apareceram os santuários marianos, entre os quais Fátima desde há cem anos.

O peregrino leva um destino na mente e um propósito no coração. Durante a caminhada há, normalmente, um sentimento de discernimento de si e do mundo, uma maior abertura e entendimento espiritual, despoletado pelo tempo de introspecção, pelo contacto com natureza, com novas realidades das terras que cruzam e das gentes que encontram. Porque peregrinar é muito mais que o acto de caminhar (no caso da peregrinação a pé), ou executar um trajecto com um determinado número de quilómetros; peregrinar carece caminhar-se motivado “por” ou “para algo / alguém”. A peregrinação tem, assim, um sentido e um valor acrescentado que é necessário descobrir e assumir.

A Bíblia é um testemunho escrito de uma peregrinação que marca o caminho do homem atrás da sua felicidade, destino para o qual, Deus o havia criado. Abraão (Gn 12, 1-9), apontado como o grande exemplo do homem de fé, foi um dos primeiros peregrinos errantes na busca dos destinos que Deus lhe havia anunciado.

A nossa homenagem a quantos se decidem “sair de si” e peregrinam para se encontrarem, a quantos caminham ao encontro do Outro e se fazem próximos dos outros, a quantos testemunham assim a sua fé e a sua gratidão. O seu exemplo provoca e desinstala, não tanto pelos quilómetros que fazem, mas pelo testemunho que deixam por onde passam.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/25, n.º 4410, 2 de maio de 2017

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