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Archive for Abril, 2017

SANTIDADE e AMBIÇÃO | Editorial Voz de Lamego | 25 de abril

À medida que se aproxima o dia 13 de maio, maior o volume de notícias, de reflexões, de eventos que nos conduzem a Fátima, unidos à Peregrinação do Papa Francisco, mas simultaneamente ao Centenário das Aparições de Fátima e, agora de forma muito especial, à Canonização dos Pastorinhos Francisco e Jacinta, anunciada pelo Papa a 20 de abril. O Jornal Diocesano está atento ao acontecimento, pelas notícias e pelas reflexões que apresenta.

No Editorial, o Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, ajuda-nos a refletir sobre a canonização dos Pastorinhos, a santidade como caminho para todos os cristãos…

SANTIDADE e AMBIÇÃO

A notícia, por muitos esperada, chegou e causou alegria: os beatos Francisco e Jacinta serão canonizados no próximo dia 13 de Maio, em Fátima, pelo Papa Francisco, aquando da celebração do centenário das aparições.

O facto deve motivar os baptizados, mais uma vez, a olharem a santidade como realidade a que todos são chamados, tal como o recordou o último Concílio (LG 40) e o sublinha o Catecismo (CIC 2013). Afinal, a santidade é algo de essencial naqueles que querem ser testemunhas de Deus hoje e os santos são os que, pelo exemplo e pela união a Cristo, são modelos para os outros. Mas, apesar da pregação, a santidade continua a aparecer como um fenómeno estranho da nossa realidade quotidiana. E é pena!

A Igreja sempre ensinou que os santos eram homens e mulheres comuns, de todas as condições, raças, línguas e nações. E as contínuas beatificações e canonizações mostram que a santidade não é um fenómeno antigo, mas uma realidade contemporânea e corrente na vida eclesial. No entanto, temos medo de ser santos!

Na nossa espontânea concepção, um santo é um religioso austero, privilegiado pela graça, rodeado de fenómenos sobrenaturais e sofrendo suplícios para honrar a Deus; um extraterrestre que não sabe divertir-se, descontrair e viver a vida; um sobredotado de moral e de ascese… uma personagem distante, fora do tempo, do espaço e da vida.

É triste pensar que os santos são admiráveis, mas não imitáveis! Pensar assim é contentar-se com a mediocridade, perder a ambição de ser mais e adiar opções fundamentais.

O que a Igreja proclama através do culto aos santos não é a glorificação desta ou daquela pessoa com um objectivo político. O que a Igreja proclama é a Glória de Deus. Com efeito, se não houvesse santos seria uma derrota para o projecto de Deus.

in Voz de Lamego, ano 87/24, n.º 4409, 25 de abril de 2017

CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES | Fátima e João Paulo II

Tal como referido na semana anterior, um dos Papas que mais de perto meditou a “mensagem de Fátima” foi João Paulo II (1978-2005), visitando o Santuário português por três vezes: 1982, 1991 e 2000. A sua ligação a Fátima intensificou-se após o atentado que sofreu no dia 13 de Maio de 1981, em Roma, e ao facto de ter atribuído a Nossa Senhora a graça de sobreviver. No ano seguinte veio a Fátima agradecer.

A devoção mariana do Papa S. João Paulo II era algo que sempre o acompanhara na vida. Quando foi nomeado bispo escolheu, para as suas armas episcopais, a letra M junto à cruz e a expressão “Totus Tuus”, como sinal de total entrega a Maria. E com frequência o então bispo e cardeal de Cracóvia era visto no Santuário da Virgem Negra de Czestochowa, a Rainha da Polónia.

Os esforços do Papa em cumprir todas as indicações que a Virgem deixou aos pastorinhos tiveram o seu ponto alto no acto de consagração que realizou em Roma, a 25 de Março de 1984, em união com todos os bispos do mundo. No dia seguinte, João Paulo II entrega ao Bispo de Leiria, D. Alberto Cosme do Amaral, uma pequena caixa com “um presente para Nossa Senhora”. Era a bala que tinha atravessado o corpo do Papa e que está hoje encastoada no topo da coroa que Nossa Senhora.

No ano seguinte à consagração realizada em Roma, Gorbatchev é eleito na URSS e dá-se início à “Perestroika”. Dez anos após o atentado, João Paulo II volta a Fátima para agradecer à Virgem: o muro de Berlim já não existe e os países de Leste abriam-se à democracia. Neste contexto, o Papa vem a Fátima “a fim de agradecer a Nossa Senhora a protecção dada à Igreja nestes anos, que registaram rápidas e profundas transformações sociais, permitindo abrirem-se novas esperanças para vários povos oprimidos por ideologias ateias que impediram a prática da sua fé.”

Na audiência de 15 de Maio de 1991, logo após a visita a Portugal afirma: “Considero todo este decénio como dom gratuito que, de modo especial, devo à Providência divina. Foi-me concedido particularmente como um dever, para que ainda pudesse servir a Igreja, exercendo o ministério de Pedro.” Nessa audiência geral, dirigindo-se aos polacos, afirma: “há dez anos fui introduzido na experiência de Fátima vivida pela Igreja. Isto aconteceu na tarde do dia 13 de Maio: o atentado à vida do Papa. (…) Sei que a vida, a mim concedida de novo há dez anos, foi-me dada pela misericordiosa Providência de Deus. Não esqueçamos as grandes obras de Deus”.
No ano 2000, a propósito da beatificação de Francisco e Jacinta, João Paulo II, marcado pela doença e limitações físicas, volta a Portugal para chamar a atenção do mundo inteiro para a exemplaridade dos dois Pastorinhos. E é nesse contexto que autoriza a divulgação da terceira parte do “segredo de Fátima”, de que já aqui se falou.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/23, n.º 4408, 18 de abril de 2017

Procissão do Senhor Morto reúne milhares de fiéis em Lamego

Envolta num manto de silêncio, interrompido de vez em quando pelo som áspero das tradicionais matracas e dos acordes fúnebres da Banda Filarmónica de Magueija, a Procissão do Senhor Morto, a mais solene e comovente de todas as procissões que se realizam no âmbito das celebrações da Semana Santa, voltou a levar pelas ruas da cidade o esquife do Senhor Morto. Como é hábito, os mesários da Misericórdia de Lamego, trajados a rigor com as suas “opas”, acompanharam o cortejo, presidido por D. António Couto, Bispo da Diocese de Lamego.

Com início na renovada Igreja das Chagas, o percurso noturno foi, num ambiente solene, sempre ladeado por milhares de fiéis que quiseram venerar o Senhor. Acompanhado por vários andores, o desfile realiza-se na noite de Sexta-Feira Santa, data em que os cristãos recordam o julgamento, a paixão, a crucificação, a morte e o enterro de Jesus Cristo. Nesta procissão, em que predomina a luz das tochas e das velas que os crentes transportam, participaram muitos lamecenses, clérigos e irmandades. Chegados à Sé Catedral, D. António Couto presidiu a uma celebração litúrgica perante uma igreja repleta de fiéis, que também fizeram questão de visitar o caixão com a imagem de Cristo.

A Santa Casa da Misericórdia de Lamego voltou este ano a ser um importante parceiro institucional das celebrações da Semana Santa que terminaram no Domingo de Páscoa. Ao integrar o grupo restrito de instituições locais que promovem estas solenidades, esta Misericórdia junta-se a um dos maiores momentos de vivência comunitária da cidade e de dinâmica cultural.

in Voz de Lamego, ano 87/23, n.º 4408, 18 de abril de 2017

Vigília Pascal na Sé de Lamego – 15 de abril de 2017

Juntamente com a Missa do Galo, a Vigília Pascal sempre foi das celebrações que desde pequena mais gosto; claro que não compreendia todo  o seu significado, mas penso que nunca entenderemos o suficiente.

Ano a ano vamos acrescentando uma pequena migalhinha de entendimento, uma palavra mais especial ou diferente que nos tocou, algo em que reparamos de um modo novo, um olhar mais esclarecido sobre algum gesto que no ano anterior não tinha tido o mesmo significado, enfim, a cada ano vamos descobrindo um novo significado mais espiritual e uma forma nova de nos renovarmos interiormente.

Este ano marcou-me muito a LUZ.

A LUZ que irrompeu das TREVAS, a LUZ DE CRISTO que inundou a Catedral, a LUZ que partilhamos entre nós, todos os presentes e também com os que não estavam connosco, mas que lembramos – todos os nossos irmãos perseguidos que não podiam celebrar como nós a Ressurreição; e também aqueles que moram no coração de cada um de nós e de quem só nós sabemos.

Marcou-me a palavra ” LUZEIRO”.

Palavra que devo ter ouvido tantos anos a fio, mas que foi entendida como se fosse a primeira vez que a ouvia, e que ressoava na minha cabeça enquanto observava com uma imensa ternura as crianças que iam de banco em banco acendendo as velas de todos os presentes com gestos suaves, cuidadosos, meigos, com a alegria a brilhar nos seus rostinhos, como só as crianças sabem brilhar.

Consegui, finalmente, imaginar essa Luz estendendo-se por toda a Terra e sentir esse imenso LUZEIRO levando o AMOR e afastando o MAL; pela mão das crianças…

Obrigada Sabrina, Margarida, Duarte, Lucas, André e os dois David, o “grande” e o “pequeno” .

Para mim, vocês representaram todas as crianças do mundo, todas as mãozinhas puras que ainda sabem acender a LUZ DE CRISTO não só nas nossas velas, mas principalmente nos nossos corações.

 

in Voz de Lamego, ano 87/23, n.º 4408, 18 de abril de 2017

MMF – DIA DIOCESANO DO DOENTE

O Movimento da Mensagem de Fátima  Diocese  de Lamego, vai realizar dia 22 de Abril próximo, O Dia Diocesano do Doente, na Casa de Oração, junto ao Santuário de Nossa Senhora dos Remédios. Vamos viver um dia de convívio e oração, com a ajuda maternal de Maria, esquecendo por um dia as fragilidades provocadas pela doença, tendo presente que o sofrimento pode ser o caminho de salvação, na oferta em forma de súplica pela conversão dos pecadores.

Orienta este encontro, o Reitor do Santuário, o Reverendo Padre João António Teixeira.

O Acolhimento será às 9h30. Às 12h00 será celebrada a Eucaristia pelo nosso Bispo Senhor D. António Couto e terminará pelas 16h00.

Que Maria, a Senhora dos Enfermos, interceda por todos os que mais sofrem.

O Secretariado, in Voz de Lamego, ano 87/23, n.º 4408, 18 de abril de 2017

Semana Santa: seguindo o único Senhor da nossa vida

As celebrações da Semana Santa congregam muitos fiéis e marcam o ritmo das nossas comunidades. Também a Sé foi espaço de encontro para a vivência crente destes dias, sob a presidência do nosso bispo, D. António Couto, e com a presença de D. Jacinto Botelho, nosso bispo emérito, de muitos fiéis leigos, de sacerdotes, diáconos, seminaristas, bem como do Coro da Catedral. Aqui ficam algumas palavras e imagens desses dias.

Seguir o Senhor e Servir os irmãos

O centro da manhã de Quinta-feira Santa é a Missa Crismal, celebração que congrega o presbitério diocesano à volta do seu Bispo, renovando as promessas sacerdotais, e em que é consagrado o Óleo do Crisma e são benzidos os Óleos dos Catecúmenos e dos Enfermos.

A Eucaristia teve início às 10h e contou com cerca de oitenta sacerdotes. No início da celebração, o responsável pelo Departamento da Pastoral Vocacional, Pe. José Miguel Loureiro, recordou os sacerdotes falecidos ao longo do último ano, bem como os que estão doentes. Depois apresentou aqueles que vivem em 2017 o seu jubileu sacerdotal de 25 anos, Padres Abel Rodrigues da Costa e João Carlos Costa Morgado, e de 50 anos, Padre Artur Fernando Mergulhão. Neste caso, não deixou de evocar a memória de outros dois sacerdotes que, se estivem entre nós, também comemorariam 50 anos de sacerdócio: Padres Sá Couto João Crisóstomo. Ler mais…

Conta solidária a favor dos familiares das vítimas de Lamego

Foi recentemente aberta uma conta solidária para angariar verbas que se destinam a ajudar as crianças e as viúvas do trágico acidente na fábrica de pirotecnia “Egas Sequeira” situada na freguesia da Penajóia, em Lamego, da qual resultou o desaparecimento de oito pessoas. Ao longo dos últimos dias, muitos cidadãos anónimos e beneméritos têm manifestado a intenção de ajudar a minorar o sofrimento e a precária situação destas pessoas. Assim, esta conta solidária estará activa até ao próximo dia 31 de agosto, tendo sido aberta ao abrigo da legislação vigente. Os interessados em contribuir devem utilizar os seguintes dados:

Título da Conta: APOIO SOLIDÁRIO FAMÍLIA VÍTIMAS LAMEGO

NIB: 0045 2090 40288314812 17

IBAN: PT50 0045 2090 4028 8314 8121 7

in Voz de Lamego, ano 87/23, n.º 4408, 18 de abril de 2017

RESSURREIÇÃO . GALILEIA | Editorial Voz de Lamego | 18 de abril

Dentro da Oitava de Páscoa, a edição da Voz de Lamego é preenchida de notícias e reflexões à volta do mistério maior da nossa fé cristã. O Pe.  Joaquim Dionísio faz-nos partir com os discípulos, da Galileia para todo o mundo, a anunciar o Evangelho da toda a criatura.

RESSURREIÇÃO . GALILEIA

Diante do túmulo vazio, tal como as madrugadoras e solícitas mulheres do evangelho, também nós escutamos o feliz anúncio da Ressurreição, acompanhado de um convite/mandamento: “Ele ressuscitou dos mortos e vai à vossa frente para a Galileia. Lá o vereis” (Mt 28, 7).

Gostávamos tanto que Ele estivesse aqui, connosco! Poderíamos até arranjar um novo espaço, talvez uma grande sala ou um vistoso mausoléu. Tornarmo-nos, em Seu nome, campeões do acolhimento e fazer o bem aos que nos são próximos.

Mas eis que nos dizem que não está aqui. Que não está encerrado nas nossas igrejas ou reuniões e que, se O quisermos encontrar, teremos que ir até à Galileia. A tal região pobre e politicamente não cobiçada, habitada por indivíduos socialmente irrelevantes, que nunca foi berço de profetas e de onde nunca se esperou nada de singular.

Mas na Galileia não estaremos entre nós! Não teremos a segurança dos habituais meios! Estaremos junto de gente indiferente e diferente! E Jesus insiste: “Não temais. Ide anunciar aos meus irmãos que partam para a Galileia. Lá me verão” (Mt 28, 10).

O convite de Jesus, na manhã de Páscoa, é como se nos dissesse: “Ide, motivai os cristãos a pedir hospitalidade junto de desconhecidos e a sair dos caminhos habituais e batidos! A ousar e a arriscar! Eu precedo-vos no coração de muita gente. A minha vida é mais forte que as vossas visões. Eu ressuscitei. Não tenhais medo uns dos outros”.

Celebrar a Páscoa do Senhor é acolher a boa nova da Ressurreição e dispor-se a encontrar quem anda por aí, nas “Galileias” do mundo – a que Francisco chama “periferias” – “revestidos da caridade”, sem comodismos e com vontade de servir.

Cada domingo celebramos a Páscoa de Cristo e escutamos o seu último mandamento: “Ide pelo mundo!”

in Voz de Lamego, ano 87/23, n.º 4408, 18 de abril de 2017

Aniversário natalício de D. António Couto, Bispo de Lamego

D. António José da Rocha Couto:

Data Nascimento: 18 de abril de 1952.

Naturalidade: Vila Boa do Bispo, Marco de Canaveses, Porto

Ordenação Sacerdotal: 3 de dezembro de 1980, em Cucujães.

Nomeação episcopal: 6 de julho de 2007, para Bispo Auxiliar de Braga.

Ordenação Episcopal: 23 de setembro de 2007, no Seminário das Missões, Cucujães, Oliveira de Azeméis.

Nomeação para Bispo de Lamego: 19 de novembro de 2011.

Tomada de Posse: 29 de janeiro de 2012.

_U0A7799Foi nomeado pelo Papa Bento XVI como Bispo titular da Diocese de Lamego, sucedendo a D. Jacinto Botelho.

A 2 de Outubro de 1963 entrou no Seminário de Tomar, da Sociedade Portuguesa das Missões Ultramarinas, hoje Sociedade Missionária da Boa Nova.

Recebeu a ordenação sacerdotal em Cucujães, em 3 de Dezembro de 1980.

Os primeiros anos de sacerdócio foram vividos no Seminário de Tomar, acompanhando os alunos do 11.º e 12.º anos. No ano lectivo de 1981-1982 foi Professor de Educação Moral e Religiosa Católica na Escola de Santa Maria do Olival, em Tomar.

Em 1982 fez o curso de Capelães Militares, na Academia Militar, e foi nomeado capelão militar do Batalhão de Serviço de Material, do Entroncamento, e, pouco depois, também da Escola Prática de Engenharia, de Tancos.

Transferiu-se depois para Roma, para a Pontifícia Universidade Urbaniana, onde, em 1986, obteve a licenciatura canónica em Teologia Bíblica. Na mesma Universidade obteve, em 1989, o respectivo Doutoramento, depois da permanência de cerca de um ano em Jerusalém, no Studium Biblicum Franciscanum.

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No ano lectivo de 1989-1990 foi professor de Sagrada Escritura no Seminário Maior de Luanda.

Regressou então a Portugal, e foi colocado no Seminário da Boa Nova, de Valadares, com o encargo da formação dos estudantes de teologia.

É professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, núcleo do Porto, desde o ano lectivo de 1990-1991. De 1996 a 2002 foi Reitor do Seminário do Seminário da Boa Nova, de Valadares. Foi também Vigário Geral da Sociedade Missionária da Boa Nova (SMBN) de 1999 a 2002, ano em que foi eleito Superior Geral da mesma Sociedade Missionária da Boa Nova, cargo que ocupou até à data da sua Ordenação Episcopal, em 23 de Setembro de 2007.

A SMBN é composta por sacerdotes diocesanos e leigos que se consagram à evangelização. Surgida em Portugal em 1930, dedica-se à evangelização ad gentes em Moçambique (desde 1937), Angola (desde 1970), Brasil (desde 1970), Zâmbia (desde 1980) e Japão (desde 1998).

Em 2004, João Paulo II nomeou-o membro da Congregação para a Evangelização dos Povos.

D. António Couto é colaborador do Programa ECCLESIA (RTP2), da Igreja Católica, tendo colaborado regularmente desde 2003, na sua qualidade de biblista.

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É autor dos seguintes livros: Até um dia (poemas) 1987; Raízes histórico-culturais da Vila Boa do Bispo (1988); A Aliança do Sinai como núcleo lógico-teológico central do Antigo Testamento (tese de doutoramento), 1990; Como uma dádiva. Caminhos de antropologia bíblica, 2002 (2.ª edição revista em 2005); Pentateuco. Caminho da vida agraciada, 2003 (2.ª edição revista, 2005); Estação de Natal (2012); Vejo um ramo de amendoeira (2012); O livro do Génesis (2013); A nossa Páscoa (2013); Quando Ele nos abre as Escrituras. Domingo após Domingo. Ano A (2013); Introdução ao Evangelho de São Mateus (2014). Quando Ele nos abre as Escrituras. Domingo após Domingo. Ano B (2014). Os desafios da Nova Evangelização (2014). Introdução ao Evangelho segundo São Marcos (2015). Quando Ele nos abre as Escrituras. Domingo após Domingo. Ano C (2015). O Livro dos Salmos (2015).  E também autor de inúmeros artigos em enciclopédias, colectâneas e revistas.

É também presença habitual na Internet. Exemplo disso é o concorrido blogue MESA DE PALAVRASaqui, onde propõe as diversas reflexões dominicais.

CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES | FÁTIMA E O PAPA

Ao longo destes cem anos de Fátima muitos foram os devotos que escutaram, confiaram e divulgaram os “apelos” que a Mãe comunicou aos pastorinhos para o mundo inteiro. Também os Papas.

Bento XV (1914 – 1922). Era o Papa na altura das aparições (1917). Explicitamente, nunca se referiu ao facto, apesar da informação disponível. Recorde-se que, à data dos acontecimentos, estavam cortadas as relações diplomáticas entre Portugal e a Santa Sé (I República). Por outro lado, só alguns anos depois é que o bispo de Leiria reconhecerá as aparições.

Pio XI (1922 – 1939). A primeira visita de um representante do Papa à Cova da Iria só acontece em 1926 e só em 1927 a Congregação dos Ritos permitiu que ali se celebrasse a Missa votiva do Santíssimo Rosário. Mas este Papa benzeu uma imagem da Senhora de Fátima para o Colégio Português, em Roma (06/12/1929), e permitiu que a Senhora de Fátima fosse proclamada padroeira da Acção Católica portuguesa.

Pio XII (1939 – 1958). A sagração episcopal deste futuro Papa aconteceu em Roma, no dia 13 de Maio de 1917 e, ao longo do seu pontificado, serão várias as referências a este Santuário e contínuos os seus convites à oração a Nossa Senhora de Fátima. Por alturas dos 25 anos das aparições (1942) enviou uma radiomensagem, onde se refere à consagração da Igreja e do mundo.

João XXIII (1958 – 1963). Antes de ser eleito Papa e marcar o seu pontificado com a convocação do II Concílio do Vaticano, foi peregrino de Fátima e presidiu à peregrinação de maio de 1956, enviado por Pio XII.

Paulo VI (1963 – 1978). Deve-se a este Papa a atribuição ao Santuário de Fátima da Rosa de Ouro (1964), expressando confiança nos cuidados da Mãe do Céu por toda a família humana. Mas o grande facto acontece em 1967, quando se comemoraram os 50 anos das aparições e o Papa veio a Portugal presidir à peregrinação do 13 de maio.

João Paulo I (26/08 – 29/09/1978). Os 33 dias como Papa não lhe permitiram muito, mas, antes de ter sido eleito, em 1977, esteve em Fátima e foi até Coimbra, onde se encontrou com a Ir. Lúcia.

João Paulo II (1978 – 2005). Será, certamente, o Papa que mais testemunhou a sua devoção e amor a Nossa Senhora de Fátima. Após o atentado (13/05/1981), cedo confidenciará que a protecção materna de Nossa Senhora o livrou da morte e peregrinará até Fátima por três vezes: 1982, 1991 e 2000, ano em que beatificará Francisco e Jacinta.

Bento XVI (2005 – 2013). No ano 2000, enquanto Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e aquando da divulgação da “terceira parte do segredo de Fátima”, publica um comentário ao mesmo que valerá a pena ler. Como Papa visitou Fátima em 2010.

Francisco (2013 – …). Aguarda-se a sua vinda para presidir à peregrinação de Maio de 2017, no centenário das aparições. Até lá, esperamos ainda uma palavra sua sobre a esperada canonização de Francisco e Jacinta.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/22, n.º 4407, 11 de abril de 2017