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OS CONSAGRADOS DA DIOCESE DE LAMEGO COM O SEU BISPO

Amor, Fé e Esperança

Na manhã de sábado do dia 22 de Abril de 2017, vinte e três consagrados/as reuniram-se, em formação, com o nosso Bispo, D. António Couto, no Colégio dos Padres Beneditinos, em Lamego. Estiveram representados os seguintes Institutos e Associações: Beneditinos, Discípulas de Nª Sª do Cenáculo, Filhas de S. Camilo, Filiação Cordimariana, Franciscanos, Franciscanas Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, Missionárias Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus, Religiosas do Sagrado Coração de Maria, Servas de Nª Sª de Fátima e Servos/as de Maria e do Coração de Jesus.

Após a oração da Hora Intermédia, foi dada a palavra ao Senhor Bispo. Apresentamos, de seguida, uma síntese do que nos disse:

O AMOR

O Simpósio de Platão é uma narrativa sobre o amor, no sentido ascensional, amor que, do homem, sobe a Deus, que é o sumo bem para o qual tudo tende. Mas a Bíblia apresenta o amor no sentido descensional, amor que, de Deus desce sobre o homem. É só neste sentido que se pode encontrar a misericórdia e o amor comovido e compassivo, não pelo valor atraente, apetecível, mas pelo desvalor, porventura até repugnante.

A lição que Israel aprende é que viver, antes de ser projeto nosso, é recetividade, antes de ser ação nossa, é acolhimento, antes de ser atividade, é passividade que, como gosta de dizer Levinas, é passividade que não se escolhe, mas que nos escolhe, e escolhendo-nos, eleva-nos à liberdade e à responsabilidade. O amor a que somos chamados não é retribuir o amor Àquele que nos amou primeiro – seria um círculo fechado -, mas amar como Ele ama. Na Bíblia, amar é amar o outro diferente de mim e amar o outro contra mim (o inimigo), amar o próximo que não é aquele que é igual a mim, mas que está agora mais perto de mim.

A FÉ

Mas hoje a força desta torrente bíblica vai-se perdendo nos divertículos da fragmentação pós-moderna. Assiste-se a uma liquefação e evaporação não apenas da família, da escola, da cultura, da banca e da política, mas também da própria espiritualidade. Nada nem ninguém serve de arrimo, é digno de crédito, gerador de confiança e segurança numa sociedade tipo esponja esvaziada, passiva e disponível para absorver o que quer que seja. Então, onde estão os arrimos, os geradores de confiança e segurança de hoje? Se calhar, nós somos os primeiros a quem as pessoas recorrem. Se formos cheios da água dos nossos interesses não lhes podemos dar os fundamentos, o grande caudal da fé confiado à Igreja.

Frequentando a Bíblia, entende-se que a fé se diz “emûnah”- a relação segura que liga uma mãe (“omen”) ao seu bebé (“amûn”) -, termo hebraico que significa “segurança”, “firmeza”, e, em termos interpessoais, fidelidade e confiança, que é aquilo que dá solidez e segurança à nossa vida. E é daí que deriva também a verdade – que em hebraico se diz “emet” – e que não tem a ver com a adequação entre a coisa e a mente, mas com uma dimensão da existência assente na confiança: “Eu sou a verdade” Jo 14, 16. Somos a verdade, à maneira de Jesus, a quem as pessoas se podem agarrar?

A ESPERANÇA

“A fé é sempre esperança” (Ecl 49, 10). Fora da tradição hebraico-cristã não existe a ideia de futuro e de espera, já que o futuro é sempre reprodução do já acontecido e todos os acontecimentos, da alegria à dor e às próprias escolhas feitas, tudo já está inscrito na vontade dos deuses, da natureza ou do destino.

Mas a esperança bíblica e cristã, de que fala Paulo, é sem medida, tem a ver com o nunca antes visto, aponta para além das leis da natureza, está em luta aberta contra as evidências, não mora naquilo que é possível controlar. Vem de além disto. Só pode vir do Amor Novo, “amendoeira em flor, (…) ao vendaval manso de graça e de perdão, (…) pela mão de Deus, que faz brotar o vinho e o pão e a ternura no nosso coração”.

O encontro concluiu com a celebração da Eucaristia e, os que pudemos, almoçámos com a comunidade Beneditina que tão generosamente nos acolheu neste seu “estabelecimento admirável”, como a ele se referiu Aquilino Ribeiro, seu antigo aluno.

in Voz de Lamego, ano 87/24, n.º 4409, 25 de abril de 2017

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