Semana do Papa Francisco

Encontrar e  conhecer Jesus

“Sabemos quem é Jesus, mas talvez não o tenhamos encontrado pessoalmente, falado com Ele, e não o tenhamos ainda reconhecido como o nosso Salvador”, disse o Papa Francisco no Angelus, neste domingo, aos cerca de 40 mil fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro, partindo do evangelho do dia, onde se relatava o encontro de Jesus com a Samaritana.

Ir ao poço buscar água é cansativo e monótono; seria bom ter à disposição uma fonte que jorra água! Mas Jesus fala de uma água diferente, evidenciou Francisco. Quando a mulher se deu conta de que aquele homem com quem estava falando era um profeta, abriu-se a ele e fez-lhe perguntas religiosas. “A sua sede de afecto e de vida plena não fora saciada pelos cinco maridos que teve, aliás, experimentou desilusões e enganos”, acrescentou o Pontífice. “Por isso a mulher fica impressionada com o grande respeito que Jesus tem por ela e quando Ele lhe fala da verdadeira fé, como relação com Deus Pai ‘em espírito e verdade’, então intui que aquele homem poderia ser o Messias, e Jesus – coisa raríssima – confirma-o: ‘Sou eu, que falo contigo’. Ele diz ser o Messias a uma mulher que tinha uma vida tão desordenada”, observou.

Francisco recordou ainda que “a água que dá a vida eterna foi infundida em nossos corações no dia do nosso Batismo”, mediante o qual nos transformou e encheu-nos com a sua graça. “Mas pode acontecer que tenhamos esquecido este grande dom ou reduzido a um mero acontecimento da nossa vida”, e talvez andemos em busca de “poços” cujas águas não nos saciam, frisou.

São José e o dom de sonhar grande

Na homilia proferida ontem, Solenidade de S. José, Francisco abordou a figura deste “homem justo” que obedece ao anjo que aparece no seu sonho e toma consigo Maria, grávida por obra do Espírito Santo, como narra o Evangelho de Mateus. Um homem silencioso, mas obediente. José é um homem que carrega sobre seus ombros as promessas de “descendência, de herança, de paternidade, de filiação e de estabilidade: “E este homem, este sonhador, é capaz de aceitar esta tarefa, esta tarefa difícil e que muito tem a nos dizer neste período de uma grande sensação de orfandade. E assim este homem toma a promessa de Deus e a leva avante em silêncio com fortaleza, a leva avante para aquilo que Deus quer que seja realizado”.

São José é um homem que pode “dizer-nos muito, mas não fala”, “o homem escondido”, o homem do silêncio, “que tem a maior autoridade naquele momento, sem a demonstrar”. E o Papa destaca que aquilo que Deus confia ao coração de José são “coisas fracas”: “promessas” e uma promessa é fraca. José carrega no coração e leva avante “todas essas fraquezas com muita ternura, com a ternura com a qual se pega uma criança. É o homem que não fala, mas obedece, o homem da ternura, o homem capaz de levar adiante as promessas para que se tornem firmes, seguras. Gosto de pensar José como guardião das fraquezas, de nossas fraquezas: é capaz de fazer nascer muitas coisas bonitas de nossas fraquezas, de nossos pecados.”

“Hoje quero pedir-lhe que dê a todos nós a capacidade de sonhar, porque quando sonhamos coisas grandes, coisas bonitas, aproximamos-nos do sonho de Deus, das coisas que Deus sonha para nós. Que aos jovens dê, porque ele era jovem, a capacidade de sonhar, de arriscar e assumir as tarefas difíceis que viram nos sonhos. E dê a todos nós a fidelidade que geralmente cresce num comportamento justo, e ele era justo, cresce no silêncio, poucas palavras, e cresce na ternura que é capaz de proteger as próprias fraquezas e as dos outros”.

Confessor: oração  e discernimento

O confessionário deve representar uma prioridade pastoral, a mais importante no ministério sacerdotal, a ponto que deveriam ser eliminados os cartazes com o horário. Recomendou o Papa Francisco, ao delinear o retrato ideal do bom confessor, durante a audiência aos participantes num curso promovido pela Penitenciaria apostólica, recebidos na manhã de 17 de março.

Um retrato centrado em três elementos: estar «imersos na relação com Cristo, capazes de discernimento no Espírito e prontos para evangelizar».

Antes de tudo o confessor está chamado a ser «um verdadeiro amigo de Jesus». E isto «significa cultivar a oração». Por conseguinte, é exigido «um ministério da Reconciliação “imbuído de oração”» como «reflexo credível da misericórdia de Deus». Com mais uma admoestação: «um confessor que reza sabe bem que ele mesmo é o primeiro pecador e o primeiro perdoado. Não se pode perdoar no Sacramento sem a consciência de ter sido perdoado primeiro».

Em segundo lugar o bom confessor deve ser «um homem do Espírito, do discernimento». E a propósito o Pontífice mencionou também o ministério dos exorcistas, que contudo, recomendou, «devem ser escolhidos com muito cuidado e prudência».

Por fim o Papa frisou que não há «evangelização mais autêntica do que o encontro com o Deus da misericórdia». Eis por que «o confessionário é lugar de evangelização e por conseguinte de formação». E a propósito recomendou aos confessores que vão diariamente às «periferias do mal e do pecado».

O Papa concluiu com uma improvisação, encorajando a confiar em Maria, que segundo o ensinamento de Santo Afonso entra na vida das pessoas e resolve as situações. E mencionou também uma tradição do Sul da Itália, relativa a «Nossa Senhoras das tangerinas», venerada pelos ladrões porque segundo a devoção popular os ajudaria a entrar sem serem vistos no paraíso fazendo-os passar pela janela.

Trabalho permite cabeça erguida

No final da catequese na Audiência Geral de quarta-feira, Francisco saudou funcionários de uma empresa televisiva italiana que correm o risco de ficar sem trabalho. O Papa aproveitou para fazer um apelo em prol de todos os desempregados: “O trabalho dá-nos dignidade. E os responsáveis pelos povos, os dirigentes, têm a obrigação de fazer tudo para que todo homem e toda mulher possam trabalhar e, assim, poder ter a cabeça erguida e olhar nos olhos os outros, com dignidade. Quem, por manobras económicas, para fazer negociações não completamente claras, fecha fábricas, fecha iniciativas empresariais e tira o trabalho aos homens, comete um pecado gravíssimo.”

Na Praça S. Pedro, também havia grupos oriundos da China, da Síria, do Líbano e do Oriente Médio. “Mais grave do que o ódio, é o amor vivido com hipocrisia; é egoísmo mascarado e fantasiado de amor”, disse o Papa ao saudá-los.

in Voz de Lamego, ano 87/19, n.º 4404, 21 de março de 2017

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