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CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES | APELO PROFÉTICO

Em texto anterior, aqui se recordou que a “mensagem de Fátima” traz “apelos do Céu” que procuram orientar a humanidade no caminho da paz, da adoração a Deus e da fraternidade. Nada inovando face ao Evangelho, a mensagem procura servir a fé com os humildes apelos que deixa para chegar mais longe e mais alto, anunciando um Deus próximo e compassivo e denunciando caminhos que afastam do amor de Deus e destroem pontes entre os homens.

As palavras que os Pastorinhos ouviram e nos transmitiram são uma interpelação que deve ser escutada e compreendida à luz das circunstâncias em que apareceu. Nesse sentido, e como no-lo recorda o atual bispo de Leiria-Fátima, “Fátima apresenta-se como um sinal de Deus para a nossa geração, uma palavra profética para o nosso tempo, uma intervenção divina na história da humanidade mediante o rosto materno de Maria”.

A propósito das “revelações privadas”, o teólogo K. Rahner referia-se-lhes como um “carisma”, um dom de Deus concedido a alguém para benefício de todos, vendo-as como um imperativo evangélico para ajudar a compreender e a avançar. E, como lembrou, em 1997, João Paulo II: “Esta mensagem destina-se de modo particular aos homens do nosso século, marcado pela guerra, pelo ódio, pela violação dos direitos fundamentais do homem, pelo enorme sofrimento de homens e nações e, por fim, pela luta contra Deus até à negação da sua existência”.

Daí que possamos escutar a “mensagem de Fátima” como um “apelo profético”, na medida em que algo de importante se diz a uma humanidade que apresenta expectativas e não esconde a sede de esperança que anima os seus membros. Assim, falar de profecia nada tem a ver com o desvendar do futuro, mas com o chamamento à vivência responsável do presente, tendo Deus por companhia e a salvação por horizonte.

Como bem recordou o então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Card. J. Ratzinger, quando comentou a publicação da “terceira parte do segredo de Fátima” (13/05/2000), “é preciso ter presente que a profecia, no sentido da Bíblia, não significa predizer o futuro, mas aplicar a vontade de Deus ao tempo presente e consequentemente mostrar o recto caminho do futuro. Aquele que prediz o futuro pretende satisfazer a curiosidade da razão, que deseja rasgar o véu que esconde o futuro; o profeta vem em ajuda da cegueira da vontade e do pensamento, ilustrando a vontade de Deus enquanto exigência e indicação para o presente. Neste caso, a predição do futuro tem uma importância secundária; o essencial é a actualização da única revelação, que me diz respeito profundamente: a palavra profética ora é advertência ora consolação, ou então as duas coisas ao mesmo tempo”.

A celebração do Centenário das Aparições, a peregrinação àquele santuário, a leitura de algum texto alusivo… são, pois, uma oportunidade para escutar a “mensagem de Fátima” e o seu apelo profético que interpela e convoca.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/18, n.º 4403, 14 de março de 2017

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