Centenário das Aparições: Aparições

Um andor transportando a imagem da Nossa Senhora de Fátima é levado durante a peregrinação internacional do 13 outubro, que celebra a sexta aparição de Nossa Senhora na Cova da Iria, presididas pelo secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin (C), e têm por tema "Quem perder a sua vida... Salvá-la-á", no Santuário de Fátima, 13 de outubro de 2016. PAULO CUNHA/LUSA

As aparições

Recordando o que se escreveu na semana passada, a Igreja distingue a Revelação contida na Bíblia e na Tradição da Igreja, interpretada pelo Magistério e já completa em Cristo e terminada com a morte do último Apóstolo, das “revelações privadas”, onde se incluem as aparições.

O referido texto terminava com uma pergunta: “É preciso acreditar nas aparições para ser católico?” A resposta não é difícil nem nova.

De facto, ainda que a Igreja reconheça uma aparição como válida ou credível, como aconteceu em Fátima, a verdade é que esta permanecerá sempre como “revelação privada”. Assim, e porque tais aparições e respectivas “revelações privadas” não fazem parte das verdades de fé (credo), não são dogmas de fé, os católicos serão sempre livres para nelas acreditar ou não. A aprovação da Igreja sublinha a harmonia das mesmas com os ensinamentos do Evangelho e concede permissão para dar a conhecer a aparição “para instrução e benefício” dos fiéis.

Neste momento poderá surgir a questão da (in)utilidade de tais aparições. E a resposta surge: as aparições podem ser consideradas úteis na medida em que as suas mensagens confirmam ou sublinham a profundidade dos mistérios da fé. Por exemplo, quando Nossa Senhora apareceu em 1858, em Lourdes, apresentou-se como “Imaculada Conceição”, um título que havia sido proclamado como dogma quatro anos antes pelo Papa Pio IX, no documento “Ineffabilis Deus”.

O relato de uma aparição coloca a Igreja diante de um fenómeno religioso que interpela e exige um esforço de discernimento (autenticidade, ilusão, fraude, doença) sobre tais revelações:

 O conteúdo da mensagem condiz com as verdades da fé? Está em harmonia com o credo e a moral católica? Não será fruto da fantasia humana? Um vidente, mesmo de boa fé, pode propor ideias suas como se fossem reveladas por Deus;

 Os videntes gozam de boa saúde física e mental? Podem ser vítimas de alguma alucinação ou fantasia doentia;

 Há honestidade, humildade e amor nos videntes e nos que propagam as respectivas mensagens? ou existe charlatanice, vaidade, desejo de lucro e de autopromoção?;

 A Igreja estuda as consequências do fenómeno e procura saber se há benefícios espirituais (conversões, novo fervor, progresso nas virtudes, etc) resultantes de tais mensagens, ou se há benefícios corporais (curas, graças no plano físico ou material).

No caso de tais benefícios ocorrerem, sem que haja erro doutrinário nem defeito moral, a Igreja pode tomar uma das seguintes atitudes:

a)Deixa correr os acontecimentos, não havendo motivo para censura. A Igreja não se pronuncia, o que equivale a um certo abono dos factos. Caso o exame dos acontecimentos leve a descobrir algo que fira a fé ou a moral, a Igreja diz não à devoção provocada pelas pretensas aparições.

b)Favorece o culto à Virgem Santíssima.

Concluindo, a Igreja, em vista dos frutos espirituais colhidos em consequência das propaladas aparições, poderá abonar a devoção tributada num local. Foi o que aconteceu em Fátima.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/12, n.º 4397, 31 de janeiro de 2017

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