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“Silêncio” – filme de Martin Scorsese

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O filme “Silêncio” do realizador Martin Scorsese encontra-se nos nossos cinemas desde o dia 19 deste mês e tem sido propício para diversas discussões, uma vez que representa muito bem um grande marco da nossa história do séc. XVII: a perseguição aos Cristãos do Japão. Como bem sabemos, esta foi uma época bastante conturbada para o Cristianismo, repleta de perseguições, torturas e mortes.

Sebastião Rodrigues e Francisco Garupe são dois sacerdotes jesuítas que partem para o Japão à procura do seu mestre Cristóvão Ferreira, tendo perfeita consciência dos grandes riscos que corriam. Já no Japão estes sacerdotes procuram, antes de mais, auxiliar os cristãos naquilo de que mais necessitavam, levando-lhes os sacramentos do Batismo, da Eucaristia e da Reconciliação. Por um lado, os cristãos sentiam-se reconfortados pela presença destes dois sacerdotes nas suas comunidades, pois iam percebendo que Deus não os abandonara, que o “Silêncio” de Deus, agora tornara-se presença. Mas, por outro lado, o medo se serem presos estava sempre presente nas suas vidas.

Cada dia que passava o número de cristãos mortos ia aumentando e crescia também o número dos que negavam a sua fé em Deus. O filme retrata bem este problema: por um lado o martírio daqueles que não tiveram receio de defender a sua fé até ao fim, por outro a apostasia.

Perante o sofrimento dos outros, de todas as torturas a que eram sujeitos, o padre Sebastião Rodrigues acaba também por “pisar” a imagem de Cristo (esta era a forma dos cristãos do Japão para negarem a fé).

Para quem vê o filme não parece que seja preciso fazer muito: basta pisar o ícone da imagem de Cristo, e desta forma serem libertos, mas, para aqueles que viveram este drama nas suas vidas era preciso muito. O ato de “pisar” Cristo significava recusar tudo…tudo mesmo. Significava “cortar as raízes”, ou seja tudo aquilo que tinham vivido com e por Cristo.

Este filme pode levantar diversas questões para os dias de hoje. Uma das questões que surge é acerca do Pe. Rodrigues. Muitos dizem que ele só apostatou para eliminar o sofrimento dos outros, para que não houvessem mais mortes inocentes. O que é certo, e o filme retrata isso bem, é que Sebastião Rodrigues casa e converte-se ao budismo, mas na ocasião da sua morte foi-lhe colocada uma cruz nas suas mãos. A questão fica em aberto e todos os que virem o filme poderão tirar as suas próprias conclusões.

Podemos ainda apontar uma outra questão: se fossemos nós a estar no Japão nesta época, qual seria a nossa decisão? Seríamos os primeiros a apostatar? Ou, ao invés, “lutaríamos” por Deus, mesmo que custasse a nossa própria vida? Até onde chegaria a nossa fé?

O “Silêncio” ainda se encontra em visualização nos nossos cinemas. É uma boa oportunidade para todos fortalecermos a nossa fé com o exemplo destes mártires do Japão. Na liturgia, para além de outras datas assinaladas, importa frisar o dia 6 de fevereiro, em que celebramos SS. Paulo Miki e companheiros. Rezemos por todos os Santos Mártires do Japão e agradeçamos ao Senhor todos os seus exemplos e testemunhos de fé.

Vítor Teixeira Carreira, 6ºAno

in Voz de Lamego, ano 87/12, n.º 4397, 31 de janeiro de 2017

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