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PRECARIZAÇÃO DA SOCIEDADE | Editorial Voz de Lamego | 13.12.2016

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Com o aproximar do Natal, vêm ao de cima as necessidades de pessoas e famílias e as dificuldades que enfrentam no momento atual. É tempo de festa e da família. É tempo de compras e do comércio ter alguma desafogo. Realizam-se campanhas de solidariedade, sendo estas oportunidades para colocar a descoberto as fragilidades da sociedade.

O Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, faz eco destas preocupações no Editorial desta semana, a abrir a leitura do Jornal Diocesano.

PRECARIZAÇÃO DA SOCIEDADE

Por menos atenta ou estudiosa que seja a observação da sociedade em que vivemos, várias e variadas poderão ser as características que lhe descobrimos, as opiniões que emitimos ou os juízos que fazemos.

E nesta quadra natalícia, em que as famílias se reúnem, as casas se enchem e a amizade se materializa na palavra, na prenda ou no simples cartão (mensagem), em que os convívios se multiplicam, iniciativas solidárias se concretizam e muitas dádivas se materializam… talvez não seja completamente descabido estar atento à “precarização da sociedade”.

O termo “precarização” surge, habitualmente, em contextos laborais para caracterizar a perda de condições, direitos e garantias que atentam contra a vida e a dignidade dos trabalhadores. Mas, independentemente dessa utilização, facilmente associamos ao termo a ideia de insegurança ou realidade transitória.

Mas, olhando atentamente, damo-nos conta de que não serão apenas os postos de trabalho que se tornaram precários. Na verdade, os relacionamentos humanos, o ritmo a que a vida se vive e as condições em que a mesma se desenrola parecem padecer dessa precariedade. E se as causas poderão ser enumeradas, também as consequências não podem deixar de ser notadas.

A instituição familiar é, sem dúvida, das que mais sofre e perde com esta precarização da vida, dos compromissos, do trabalho, dos relacionamentos… Por todo o lado se testemunha um fazer e refazer de laços que leva alguns a falar em “relações leasing”, ou seja relacionamentos e compromissos que duram enquanto servem.

Por outro lado, também não será novidade afirmar que tal precarização da vida, dos compromissos ou dos objectivos, fragiliza o ser humano, tornando-o menos alegre, seguro, confiante ou protagonista da esperança. Nem sempre o sucesso profissional disfarça o vazio instalado.

Celebrar Natal é também descobrir que Deus não ama de forma precária, mas perene.

in Voz de Lamego, ano 87/06, n.º 4391, 13 de dezembro de 2016

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