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JUBILEU DA MISERICÓRDIA | ALGUNS VALORES

valores-moralesDepois da breve referência aos princípios da doutrina social da Igreja (DSI) que nos ocupou nas edições anteriores, aqui ficam também algumas palavras sobre os valores fundamentais que o mesmo ensinamento eclesial não cessa de sublinhar como referências imprescindíveis para todos, nomeadamente para os “responsáveis pela coisa pública”: a verdade, a liberdade, a justiça, o amor (caridade).

A lista proposta já tinha sido referida pelo último concílio, a propósito da ordem social: “Essa ordem, fundada na verdade, construída sobre a justiça e vivificada pelo amor, deve ser cada vez mais desenvolvida e, na liberdade, deve encontrar um equilíbrio cada vez mais humano” (Concílio Vaticano II, Gaudium et spes, 26).

a) A verdade. Tal como ensinou o Senhor, a verdade liberta e, em consciência, todos somos obrigados a tender para ela, respeitando-a e testemunhando-a. E facilmente compreendemos que a verdade é muito mais que uma simples opinião ou o resultado de um apetite passageiro já que resulta da investigação. A verdade é algo de objectivo que se alcança com esforço e dedicação.

Por outro lado, e na área que aqui interessa, quanto maior for o esforço por resolver as questões sociais segundo a verdade, maior objectividade moral existirá (CDSI, 198).

b) A liberdade. O homem foi criado como ser livre e responsável e deve ser respeitado como tal. Por isso, o direito à liberdade é inseparável da dignidade da pessoa humana.

Mas compreendemos também que a responsabilidade é indispensável para que a liberdade não seja confundida com libertinagem, nem seja vista numa perspectiva individualista. Dito de outra maneira, a liberdade exige reciprocidade nas relações com os semelhantes, onde deve existir também a verdade e a justiça. “A plenitude da liberdade consiste na capacidade de dispor de si em vista do autêntico bem, no horizonte do bem comum universal” (CDSI, 200).

c) A justiça. Tal como apresentada numa formulação clássica, a justiça consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido.

Nos nossos dias, tão marcados por critérios de utilidade e do ter, a justiça mostra e defende o valor da pessoa, a sua dignidade e direitos.

Por outro lado, hoje fala-se muito de “justiça social” para referir a necessidade de encontrar soluções para problemas sociais, políticos e económicos que sejam capazes de salvaguardar a dignidade humana e promovam o bem comum.

No ensinamento social da Igreja, a justiça é acompanhada pela solidariedade e pelo amor, já que sozinha não basta.

Na próxima semana escreveremos alguma coisa sobre o valor do amor ou a “via da caridade”.

JD, in Voz de Lamego, ano 86/49, n.º 4385, 1 de novembro de 2016

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