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Archive for 02/11/2016

Doutrina da Fé: Instrução sobre sepultura e cremação

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Realizou-se na Sala de Imprensa da Santa Sé, na passada terça-feira, uma conferência de imprensa para a apresentação da Instrução ‘Ad resurgendum cum Christo’ da Congregação para a Doutrina da Fé a propósito da sepultura dos defuntos e da conservação das cinzas no caso de cremação.

Segundo o documento, “a prática da cremação difundiu-se bastante em muitas Nações e, ao mesmo tempo, difundem-se também novas ideias contrastantes com a fé da Igreja”.

A norma eclesiástica vigente em matéria de cremação de cadáveres é regulada pelo Código de Direito Canónico: “A Igreja recomenda vivamente que se conserve o piedoso costume de sepultar os corpos dos defuntos; mas não proíbe a cremação, a não ser que tenha sido preferida por razões contrárias à doutrina cristã.” Ler mais…

Santos, esses (quase) desconhecidos… São João Esmoler

sao-joao-esmolerOs pobres eram os seus senhores

Habitualmente, é pelo nome que somos conhecidos. Mas há vidas que se tornaram tão marcantes que até foram acopladas ao nome.

São João Esmoler (não vai ser difícil perceber porque é que aparece este sobrenome) nasceu em Chipre, foi funcionário do imperador, enviuvou e veio a ser patriarca de Alexandria por volta de 610. Espantou toda a gente com uma pergunta que fez à chegada: «Quantos são aqui os meus senhores?»

Como ninguém percebeu o alcance, ele descodificou: «Quero saber quantos pobres temos. Eles são os meus senhores, pois representam na terra Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Mt 25, 34-46). Dependerá deles que eu venha a entrar no Seu reino». Fizeram o apuramento. Havia 7500 pobres, que ficaram a receber, todos os dias, uma boa esmola.

É claro que as críticas não demoraram. Que havia alguns que não eram pobres, antes mandriões. Réplica cortante do Bispo: «Se não fôsseis não curiosos, não o saberíeis. Curai-vos da vossa intriga e curiosidade e deixai-me em paz. Prefiro ser enganado dez vezes a violar, uma vez que seja, a lei do amor».

Diz a história que o cofre nunca se esvaziou. A quem lhe agradecia ele respondia: «Agradece-me só quando eu derramar o meu sangue por ti; até lá, agradeçamos, os dois juntos, a Nosso Senhor Jesus Cristo».

Ninguém tinha coragem de lhe negar nada. Só que alguns costumavam sair, furtivamente, da igreja antes do fim da Santa Missa. Sucede que o Bispo saía também e, de báculo na mão, juntava-se a eles cá fora intimando-os: «Meus filhos, um pastor deve estar com o seu rebanho; por isso, venho ter convosco. Mas não posso ficar aqui e não me posso cortar em dois; que iria ser das minhas ovelhas que estão lá dentro?» Desde então, toda a gente esperava pelo fim da Santa Missa para sair.

Dizem que, muito mais tarde, também Bossuet repetia: «Nossos senhores, os pobres». De facto e como assinalou Bento XVI, «o pobre é sempre uma surpreendente aparição de Deus».

Pe. João António Pinheiro Teixeira, in Voz de Lamego, ano 86/49, n.º 4385, 1 de novembro de 2016

VIDA A CUMPRIR | Editorial Voz de Lamego | 2 de novembro de 2016

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A abrir o Jornal Diocesano, a SEMANA DOS SEMINÁRIOS, de 6 a 13 de novembro de 2016. Outros temas estão bem vincados nesta edição da Voz de Lamego, como a Vista Pastoral de D. António Couto à Paróquia de São João Batista de Moimenta da Beira, a Vigília Missionária em Vila da Ponte, no passado dia 29 de outubro, ainda ecos do testemunho do Selecionador Nacional, Fernando Santos, na Paróquia da Mêda, no passado dia 21 de outubro. Outros dos temas bem vincados nesta edição a celebração de Todos os Santos e a comemoração dos Fiéis Defuntos. O Editorial do nosso Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, debruça-se precisamente sobre esta comemoração dos fiéis defuntos e da forma como encaramos a morte.

VIDA A CUMPRIR

A comemoração de todos os fiéis defuntos recorda que a morte é uma realidade cuja assunção é necessária e possível, já que é uma passagem no seguimento de Cristo ressuscitado.

Para muitos, a morte continuará a ser a “grande questão”, um lugar de combate que provoca angústia, perturbação, revolta ou resignação. Daí que o medo que incute leve a civilização ocidental moderna a ocultá-la. Como reagir, orientar-se, comportar-se diante desta “humilhação” final da história pessoal?

Para o cristão, que não está imune à sensação de perda, a morte é o encontro definitivo com Cristo, o vencedor ressuscitado. Por isso recusa o desespero e entrega-se nas mãos do Senhor.

O nosso Deus é o Deus da vida e não um tirano que a subtrai, que a rouba ou que separa. Porque o amor não tira nem corta, mas concede, edifica, cumpre, vivifica… O Deus revelado por Jesus quer o homem vivo (St. Ireneu). “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10).

O crente sabe que está a caminho, “homo viator”, sustentado pela esperança, e Deus pede-lhe que percorra o seu caminho de forma consciente e responsável, aproveitando para crescer, para se relacionar, para se cumprir. A vida tem um sentido.

Como encarar, então, a morte?

A morte pode ser vista como meta num percurso cumprido e conseguido. E nunca será demais a atenção a prestar ao caminho para poder alegrar-se na meta: “Combati o bom combate, terminei a corrida, permaneci fiel” (2 Tm 4, 7).

Deus criou a vida, que conhece o nascimento e a morte, um início e um cumprimento (vida cumprida, completa). Assim, o fim de uma vida, a morte, será simplesmente o seu cumprimento, porquanto a morte não é o contrário da vida, mas do nascimento.

in Voz de Lamego, ano 86/49, n.º 4385, 1 de novembro de 2016