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JUBILEU DA MISERICÓRDIA | SOLIDARIEDADE

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O quarto princípio fundamental do ensinamento social da Igreja é o da solidariedade, realçando a unidade e a proximidade de todos os seres humanos. Isto é, todos devem sentir-se responsáveis por todos. Porque a caridade leva a que se faça o possível para construir uma convivência solidária e pluralista, que permita às pessoas e povos desenvolverem-se livremente, cada um com a sua identidade e originalidade.

Nos meios de comunicação social, nos discursos e intenções de muitos, nas práticas de indivíduos, organizações e instituições… encontramos a palavra “solidariedade” e o gesto solidário. E percebemos que o mesmo é sinónimo de bem, de caridade, de paz, de ajuda, de proximidade…

Ao longo dos anos, os textos papais abordaram este princípio, apesar da diferente designação que lhe deram. Na primeira encíclica sobre estes temas (Rerum novarum), Leão XIII referiu-o várias vezes como “amizade”, a exemplo do que fazia a filosofia grega; desde Pio XI foi designado pela expressão mais significativa “caridade social”; Paulo VI ampliou o conceito na linha das múltiplas dimensões da questão social e falou de “civilização social”; João Paulo II abordou o tema e apresentou a solidariedade como “atitude moral e social e como virtude” (Sollicitudo rei socialis, 38-40).

A solidariedade é a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum. Isso levará à justiça e à vontade de contribuir para o bem do próximo, em vez de o oprimir para proveito próprio.

Assim, falar de solidariedade é assumir e reconhecer a unidade entre os grupos sociais e oferecer à liberdade individual a oportunidade de crescer. Contra uma lógica de divisão, assumindo a disponibilidade pelo bem do outro, longe do individualismo e particularismo.

Quando olhamos o mundo e a sociedade que nos rodeis, verificamos, sem dificuldade, a interdependência entre todos, ao mesmo tempo que observamos também as desigualdades entre os povos ao nível do desenvolvimento. O ideal seria que a interdependência entre homens e povos se transformasse numa solidariedade ético-social, própria de todas as relações humanas.

Enquanto princípio social, a solidariedade contribuirá para superar desigualdades, as tais “estruturas de pecado”, mediante a criação ou a oportuna modificação de leis, regras de mercado, ordenamentos (Compêndio da DSI, 193). Por outro lado, enquanto virtude moral, a solidariedade será sempre mais que “um vago sentimento de compaixão” ou “enternecimento superficial pelos males sofridos” por tantas pessoas.

Como rapidamente se percebe, a solidariedade exclui a exploração, a opressão e o aniquilamento dos outros. E vislumbra-se já, no final de tal caminho, a comunhão. Tal como escreveu João Paulo II: “A solidariedade ajuda-nos a ver o outro – pessoa, povo ou nação – não como um instrumento qualquer, de que se explora, a baixo preço, a capacidade de trabalho e a resistência física, para o abandonar quando não serve, mas sim, como nosso semelhante” (Sollicitudo rei socialis, 39).

JD, in Voz de Lamego, ano 86/48, n.º 4384, 25 de outubro de 2016

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