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JMJ 2016 | Testemunho | Inês Montenegro: Famílias de Acolhimento

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Não é pouco o que há a dizer sobre as Jornadas Mundiais da Juventude de 2016, em Cracóvia. Num evento com uma magnitude e adesão inigualáveis, torna-se apenas natural que surja uma diversidade de prismas, vivências, experiências e mensagens. Por consequência, torna-se também natural a hesitação sobre qual deles focar este texto, que desde já se afirma como pessoal. O cerne das Jornadas é, sem dúvida, a comunhão entre si de jovens cristãos oriundos das mais diversas culturas, bem como a sua comunhão com o Santo Padre. As mensagens que o Papa Francisco deixou nas suas homilias – e que tão certeiras foram a quem o escutou – são, por conseguinte, o pilar desta experiência. No entanto, escrever aqui sobre elas afigura-se-me como algo oco: as palavras do Papa foram claras e o seu desafio é lançado directamente a cada um de nós. Poderia desenvolver a minha recepção a esse desafio, o meu sentimento. Não o desejo, contudo, fazer por palavras (diz que o vento as leva): talvez ainda o possam vir a reconhecer nas acções, tanto minhas como de quantos o aceitaram.

Seguem-se os momentos fulcrais a uma Jornada que é por natureza uma peregrinação conjunta: a Missa de Abertura, a Recepção ao Santo Padre, a Via Sacra, a Vigília e a Missa de Envio, sem esquecer as Catequeses. Através de uma variedade de meios – a reflexão, a comunhão, a oratória, a música, a arte –, e ainda que diferentes na sua prossecução e vivência, em todos estes eventos a consciencialização se fez presente: A consciencialização do Outro, do Eu Próprio, das falhas e das virtudes, do efémero e do permanente, do difícil e do fácil.

Mas também essa consciencialização parece perder cor perante as palavras, ficando aquém dos gestos que despoletará – que já está a despoletar.

Assim sendo, estendo o braço a um dos outros grandes pilares das Jornadas: a interacção em comunidade; o diálogo com os demais; a compreensão do outro tanto pela vivência em comum como pelo suspender da prioridade que damos a nós mesmos – e a hospitalidade com que portas e vidas se abrem para acolher quem até ontem era um estranho, nada mais que um nome difícil de pronunciar.

As Jornadas Mundiais em Cracóvia não foram as minhas primeiras – estreei-me com as de Madrid –, nem a estadia em outros países é algo que me é estranho. No entanto, nunca havia passado pela experiência de uma família de acolhimento, e se me fosse possível escolher, muito provavelmente não teria sido desta: porque fui em grupo e queria permanecer em grupo; porque não sabia quem seria a minha família nem o que esperar daquelas pessoas. Felizmente não houve escolha, e fui afortunada o suficiente para ter vivido uma das melhores facetas das Jornadas Mundiais. Tanto em Pszów (a paróquia de acolhimento das pré-Jornadas) como em Chelmek (a paróquia que nos acolheu durante as Jornadas) a hospitalidade das famílias polacas foi muito além da oferta de um local onde dormir. Notou-se no desejo de passar tempo connosco, de nos dar a conhecer o que era deles e de querer conhecer o que era nosso – muitas foram as perguntas sobre “Portugália” –, na constante preocupação em saber como estávamos. Foram inúmeros os gestos com que cada família expressou o que ultrapassou a hospitalidade para se tornar felicidade em receber: um quarto decorado com frases de boas-vindas em português; a insistência em lavar a roupa; o cuidado em deixar guardanapos na mesa, sem necessidade de lhes ser pedido, quando se trata de um hábito que não faz parte da sua cultura; a constante oferta de comida! (Ter “um ratinho no estômago” não seria nunca admitido.)

Mas, acima de tudo, o tempo dispendido. Não houve tempo livre que não nos tivessem dedicado, ou esforço que não tivessem feito para estabelecer uma ponte (por vezes em inglês, por vezes em polaco polvilhado de gestos e sorrisos, que tornavam as intenções estranhamente compreensíveis). Os apertos de mão e os semi abraços da chegada tornaram-se, aquando a partida, em abraços apertados, dois ou três beijinhos na cara (algo reservado apenas a quem é querido), e alguns choros já de saudade. De ambos os lados. Sendo sem dúvida do que mais caloroso trago destas Jornadas, um obrigada às famílias de Pszów e Chelmek, com um obrigada em particular àquelas que me acolheram: Szulc e Debski.

O vosso carinho e amabilidade não poderiam ter estado em melhor consonância com os desafios lançados pelo nosso Papa.

Inês Montenegro, in Voz de Lamego, ano 86/39, n.º 4375, 9 de agosto de 2016

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