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HERÓIS DO CAMPO

Football Soccer - Portugal v France - EURO 2016 - Final - Stade de France, Saint-Denis near Paris, France - 10/7/16Portugal's Cristiano Ronaldo celebrates with team mates and the trophy after winning Euro 2016 REUTERS/Kai PfaffenbachLivepic

Seleção Portuguesa de Futebol – Campeã da Europa 2016

Nunca liguei a futebol e irrita-me a febre que toma conta de todos à minha volta sempre que se inicia qualquer evento nessa área (e parece que está sempre algum a decorrer…).

Mesmo agora via com indiferença a nossa seleção a avançar, jogo após jogo, pensando como era mais importante saber como iria decorrer o “brexit”, se a seca em Moçambique estava a ser monitorizada e o povo auxiliado, como estava a situação dos refugiados sírios e os combates no Curdistão, se as eleições espanholas nos iriam afetar, etc, etc.

Mas ontem, domingo, foi diferente. Conheço muitos povos, graus diferentes de simpatia e acolhimento, mas devo dizer que os franceses são, de longe, os menos agradáveis; carrancudos perante os turistas, pouco disponíveis, não deixam saudades, apesar de terem um país onde se volta pela beleza natural e monumental que detém; ó encontrei simpatia genuína num logista duma pequena vila bretã, muito culto, que me contou tudo o que sabia sobre os portugueses, “grandes marinheiros, como nós, os bretões”, um povo muito valente e corajoso que enfrentou os mares desconhecidos e descobriu novas terras”; chamou-nos “povo irmão” pela história e personalidade, que entendia ser mais semelhante entre nós que entre bretões e franceses (há também histórias de anexação forçada da Bretanha pelo meio); também são simpáticos os funcionários hoteleiros, mas com a simpatia artificial de quem está a ser pago para o ser.

Não estranhei que os franceses e a sua comunicação social tenham sido desagradáveis e até racistas para com o nosso povo antes do jogo; os nossos emigrantes têm muitas histórias que mostram como a “integração” é feita a “olhar de cima”; quando os meus cunhados compraram casa de férias perto de Taizé e necessitaram de ajuda doméstica o que se passou tornou-se anedota familiar – havia candidatas, mas não ficavam quando viam que a patroa era portuguesa; lá, as portuguesas são empregadas e não patroas; discriminação “soft”, mas gostamos de vocês á mesma…

Calculo que este tipo de situação não dará vontade nenhuma de rir a quem tem em França o seu ganha-pão e tem de aguentar a sobranceria francesa engolindo em seco (como em tudo, haverá excepções, claro).

Foi pensando neles que vi com muito agrado o fantástico golo português e as “trombas”dos franceses. Foi merecido! Mostramos o que valemos, mostramos que somos unidos, não desanimamos, trabalhamos arduamente, somos competentes e seguimos sempre em frente, mesmo se nos tiram cobardemente o líder! Porque temos VALOR, somos PORTUGUESES!

Por todos os portugueses que em França vão hoje trabalhar de queixo erguido, por todos os franceses que necessitavam duma lição assim para aprender a respeitar-nos, OBRIGADA RAPAZES!

I.M., in Voz de Lamego, ano 86/35, n.º 4371, 12 de julho de 2016

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