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JUBILEU DA MISERICÓRDIA: CARIDADE E QUOTIDIANIDADE

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Os diferentes documentos do último concílio procuraram colocar a vida comunitária em destaque, fomentando a participação de todos e ultrapassando uma visão individualista e “pouco atenta à dimensão histórica e social da fé” mais preocupada em tudo encaixar dentro de normas e regras. Desde então, a Igreja não tem cessado de protagonizar e propor o diálogo como forma de estar no mundo, ao mesmo tempo que sublinha a dignidade baptismal e convida à participação de todos os seus membros.

Atenta ao mundo, a Igreja não cessa de convocar e motivar para o incarnar do Evangelho na vida. Missionária por natureza, ela descobre-se em permanente estado de missão, com vontade de formar e ajudar a ultrapassar um certo “analfabetismo em termos de fé” dos seus membros, bem como um certo “analfabetismo em termos de vivência” protagonizado pelos seus contemporâneos. Mais concretamente, e podemos testemunhá-lo claramente com o actual Papa, a Igreja quer ajudar todos nesta “aprendizagem da gramática das relações”.

Neste sentido, fala-se de uma “teologia da quotidianidade”, capaz de ajudar a ver o detalhe, os pormenores, as dificuldades, os meandros da vida e os seus ritmos, ao mesmo tempo que se motiva e ensina a viver evangelicamente cada dia. E vemos, então, como a caridade tem lugar em todo o ambiente humano e pode concretizar-se de forma tão simples e discreta.

A propósito, quantos relacionamentos entre familiares, profissionais, amigos, vizinhos ou com quem é diferente ou estrangeiro poderiam melhorar se, nas coisas pequenas do dia a dia, a caridade estivesse presente! Quantas vezes um “obrigado”, um “peço desculpa”, um “enganei-me” poderiam ser expressão dessa caridade quotidiana que aproxima e dignifica?

A nossa sociedade, cada vez mais dependente das novas tecnologias, onde o “clique” tende a substituir o “toque”, aproxima virtualmente do mundo inteiro e torna mais rápida e cómoda a comunicação, mas dificulta a proximidade e, consequentemente, favorece a distância entre as pessoas. Tal isolamento desencadeia o aparecimento de homens e mulheres cada vez mais solitários, apesar de permanentemente “em rede” e globalmente conectados. Talvez por isso haja quem fale em “sociedade deprimida” e em “sociedade governada por tristes paixões”.

Por outro lado, a solidão dificulta a vontade de ir ao encontro e aumenta a resistência a deixar-se encontrar. A distância assim instalada e assumida, bem como a ausência de proximidade moral, contribuem para a perda de consciência do sofrimento alheio. Se não vejo o outro, se não estou por perto, não tenho consciência do momento que atravessa ou das carências que o atingem. E também é verdade que, quanto mais estranhos se tornam os homens uns diante dos outros, tanto mais estranhos se tornam diante de si mesmos.

A caridade pode e deve ser protagonizada diariamente, porque contínuos são os momentos em que a sua presença pode fazer a diferença. Mas, para que isso aconteça, é necessária a tal proximidade que ajuda a ver e motiva o agir.

JD, in Voz de Lamego, ano 86/33, n.º 4369, 28 de junho de 2016

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